{"id":1007,"date":"2012-06-09T03:43:41","date_gmt":"2012-06-09T03:43:41","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/09\/as-mulheres-e-os-noventa-anos-do-comunismo-no-brasil-primeira-parte-2\/"},"modified":"2012-06-09T03:43:41","modified_gmt":"2012-06-09T03:43:41","slug":"as-mulheres-e-os-noventa-anos-do-comunismo-no-brasil-primeira-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/09\/as-mulheres-e-os-noventa-anos-do-comunismo-no-brasil-primeira-parte-2\/","title":{"rendered":"As mulheres e os noventa anos do comunismo no Brasil &#8211; Primeira parte"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O subt\u00edtulo dado por Maria Elena Bernardes \u00e0 biografia da comunista Laura Brand\u00e3o foi \u201ca invisibilidade na pol\u00edtica\u201d. De fato, existe uma d\u00edvida da historiografia brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria da participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas lutas sociais em nosso pa\u00eds no s\u00e9culo XX, especialmente sobre o papel desempenhado pelas militantes comunistas.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-992\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/imagem_30_8998.jpg\" border=\"0\" width=\"292,5\" height=\"204\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">Neste livro somos informados sobre a primeira mulher que ingressou no Partido Comunista do Brasil, ainda no ano da sua funda\u00e7\u00e3o. Chamava-se Rosa de Bittencourt, \u201cuma oper\u00e1ria que desde os sete anos trabalhava numa f\u00e1brica de linhas, em Petr\u00f3polis, Rio de Janeiro, tornou-se uma combativa l\u00edder sindical, participou das lutas do Bloco Oper\u00e1rio Campon\u00eas (BOC). Vendia o jornal A Classe Oper\u00e1ria de porta em porta e gabava-se em declarar-se comunista. Em 1930, Rosa foi delegada no Congresso Mundial da Mulher, na URSS, onde representou a mulher trabalhadora brasileira\u201d, afirmou Maria Elena. Esta refer\u00eancia foi encontrada numa anota\u00e7\u00e3o feita por Elo\u00edsa Prestes, a partir de informa\u00e7\u00e3o prestada por Astrojildo Pereira, depositada no Arquivo Edgard Leuenroth \u2013 Unicamp.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-994\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/olga.jpg\" border=\"0\" width=\"250\" height=\"168\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A \u00fanica comunista que conseguiu certo destaque na hist\u00f3ria brasileira foi Olga Ben\u00e1rio. Mesmo assim, num primeiro momento, foi mais conhecida como mulher do Cavaleiro da Esperan\u00e7a. S\u00f3 posteriormente lhe foi dada a dimens\u00e3o devida, enquanto lideran\u00e7a comunista e revolucion\u00e1ria. No Brasil, coube \u00e0 biografia escrita por Fernando Moraes esse m\u00e9rito. O livro Olga foi um sucesso de cr\u00edtica e de p\u00fablico, conseguindo ir \u00e0s telas brasileiras com o mesmo \u00eaxito. Contudo, ela n\u00e3o teve participa\u00e7\u00e3o org\u00e2nica no interior do\u00a0Partido Comunista do Brasil, ent\u00e3o PCB.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>As mulheres da primeira gera\u00e7\u00e3o comunista<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Embora fossem sub-representadas nas dire\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias \u2013 quer socialista quer anarquista \u2013, as mulheres n\u00e3o foram elementos passivos diante da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o patronal. In\u00fameras e importantes greves oper\u00e1rias tiveram as mulheres como protagonistas. A de 1917 em S\u00e3o Paulo, por exemplo, come\u00e7ou no Cotonif\u00edcio Crespi, onde a m\u00e3o de obra era predominantemente feminina. Um dos s\u00edmbolos mais fortes daquele movimento foi, justamente, a foto de uma mulher discursando numa das assembleias plebiscit\u00e1rias ocorridas durante aqueles dias turbulentos. Um jornal paulista comentaria indignado: \u201cOs agitadores tomaram conta do Br\u00e1s, paralisando toda vida comercial e industrial, assaltando ve\u00edculos (&#8230;). Um bando de mocinhas, infelizes oper\u00e1rias de f\u00e1bricas, tomou conta de tr\u00eas bondes\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Contudo, entre os 9 delegados que fundaram o PC do Brasil \u2013 e os seus 73 membros iniciais \u2013 n\u00e3o existia nenhuma mulher. Os dois congressos seguintes tamb\u00e9m n\u00e3o conheceriam a participa\u00e7\u00e3o feminina. Este fen\u00f4meno, \u00e9 claro, n\u00e3o se restringia aos comunistas, era um problema cr\u00f4nico das organiza\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas brasileiras daquela \u00e9poca. No Brasil as mulheres n\u00e3o tinham direito ao voto e eram desprovidas de v\u00e1rios direitos civis.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-995\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/4491.jpg\" border=\"0\" width=\"251\" height=\"376\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/4491.jpg 251w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/4491-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 251px) 100vw, 251px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">A \u00fanica comunista que conseguiu certo destaque na hist\u00f3ria brasileira foi Olga Ben\u00e1rio. Mesmo assim, num primeiro momento, foi mais conhecida como mulher do Cavaleiro da Esperan\u00e7a. S\u00f3 posteriormente lhe foi dada a dimens\u00e3o devida, enquanto lideran\u00e7a comunista e revolucion\u00e1ria. No Brasil, coube \u00e0 biografia escrita por Fernando Moraes esse m\u00e9rito. O livro Olga foi um sucesso de cr\u00edtica e de p\u00fablico, conseguindo ir \u00e0s telas brasileiras com o mesmo \u00eaxito. Contudo, ela n\u00e3o teve participa\u00e7\u00e3o org\u00e2nica no interior do\u00a0Partido Comunista do Brasil, ent\u00e3o PCB.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>As mulheres da primeira gera\u00e7\u00e3o comunista<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Embora fossem sub-representadas nas dire\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias \u2013 quer socialista quer anarquista \u2013, as mulheres n\u00e3o foram elementos passivos diante da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o patronal. In\u00fameras e importantes greves oper\u00e1rias tiveram as mulheres como protagonistas. A de 1917 em S\u00e3o Paulo, por exemplo, come\u00e7ou no Cotonif\u00edcio Crespi, onde a m\u00e3o de obra era predominantemente feminina. Um dos s\u00edmbolos mais fortes daquele movimento foi, justamente, a foto de uma mulher discursando numa das assembleias plebiscit\u00e1rias ocorridas durante aqueles dias turbulentos. Um jornal paulista comentaria indignado: \u201cOs agitadores tomaram conta do Br\u00e1s, paralisando toda vida comercial e industrial, assaltando ve\u00edculos (&#8230;). Um bando de mocinhas, infelizes oper\u00e1rias de f\u00e1bricas, tomou conta de tr\u00eas bondes\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">Contudo, entre os 9 delegados que fundaram o PC do Brasil \u2013 e os seus 73 membros iniciais \u2013 n\u00e3o existia nenhuma mulher. Os dois congressos seguintes tamb\u00e9m n\u00e3o conheceriam a participa\u00e7\u00e3o feminina. Este fen\u00f4meno, \u00e9 claro, n\u00e3o se restringia aos comunistas, era um problema cr\u00f4nico das organiza\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas brasileiras daquela \u00e9poca. No Brasil as mulheres n\u00e3o tinham direito ao voto e eram desprovidas de v\u00e1rios direitos civis.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-996\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/pagu_paixao.jpg\" border=\"0\" width=\"209\" height=\"275\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1931 aderiu ao Partido Comunista a jovem intelectual modernista Patr\u00edcia Galv\u00e3o. Ela, inclusive, foi uma que se empolgou com obreirismo e se envolveu em in\u00fameras greves oper\u00e1rias. Dentro desse esp\u00edrito escreveu o livro Parque Industrial. Companheira de Osvaldo de Andrade, tinha uma coluna intitulada \u201cMulher do Povo\u201d no jornal Homem do Povo. Foi detida pela pol\u00edcia diversas vezes; a mais longa pris\u00e3o foi entre 1935 e 1940. Ainda na d\u00e9cada de 1930 foi expulsa do Partido e tornou-se simpatizante do trotskismo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na mesma \u00e9poca a escritora Raquel de Queiroz entrou para o PCB no Cear\u00e1. Mas logo se afastou \u2013 dizendo que o Partido pretendia controlar sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u2013 e, tamb\u00e9m, se aproximou do trotskismo. Ironicamente, gostava de dizer que ficou no Partido apenas por 24 horas. Alguns anos depois apoiou o golpe militar e at\u00e9 o final da vida defendeu a derrubada de Jango, embora ainda se dissesse trotskista.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-997\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/tarsila-do-amaral-operarios.jpg\" border=\"0\" width=\"593\" height=\"438\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">Tarsila do Amaral, um das principais express\u00f5es do modernismo brasileiro, tamb\u00e9m ingressou<span class=\"s1\"> <\/span>nas fileiras comunistas em 1931. Seu ato foi influenciado pelo marido, o m\u00e9dico Os\u00f3rio C\u00e9sar. Ela, como Caio Prado Jr., fazia parte da alta sociedade paulista. Visitou a URSS, onde participou de exposi\u00e7\u00f5es. Chegou a ficar presa por um m\u00eas durante a Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista, acusada de subversiva. Logo ao sair da pris\u00e3o, achando que se comportara muito mal, resolveu abandonar a milit\u00e2ncia pol\u00edtica. Desse per\u00edodo de engajamento nasceu a obra Oper\u00e1rios.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>Por fim, temos a jornalista e escritora paraense Eneida Moraes. Sua trajet\u00f3ria \u00e9 um pouco diferente da das anteriores, pois ficaria um tempo maior atuando no movimento comunista brasileiro. Ingressou em 1932 e logo foi presa. Na sua casa foi encontrado um mime\u00f3grafo e farto material de propaganda do Partido Comunista. Entrou na lista da pol\u00edcia como perigosa agitadora. Foi novamente presa ap\u00f3s o levante da Alian\u00e7a Nacional Libertadora em 1935.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>As mulheres e a Alian\u00e7a Nacional Libertadora<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Em julho de 1935 uma expressiva reuni\u00e3o de jovens, realizada no Sindicato dos Comerci\u00e1rios, visando a preparar o I Congresso da Juventude Prolet\u00e1ria e Estudantil de S\u00e3o Paulo, foi dissolvida violentamente pela pol\u00edcia. Todos os participantes foram presos. Entre eles estava Genny Gleizer, uma garota de apenas 17 anos. Ela era uma judia de origem romena. Os \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o \u2013 e setores conservadores da imprensa \u2013 buscaram apresent\u00e1-la como perigosa agente do comunismo internacional. Um tribunal, mancomunado com o governo Vargas, decidiu pela sua expuls\u00e3o do pa\u00eds e a sua entrega ao governo fascista da Rom\u00eania. Desde ent\u00e3o se iniciou uma grande campanha pela sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Foi transferida de pris\u00e3o em pris\u00e3o, entre S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, para despistar o p\u00fablico e evitar os processos visando a solt\u00e1-la. Os jornais antifascistas davam mat\u00e9rias defendendo sua liberdade. Atos p\u00fablicos foram realizados. In\u00fameros jovens se ofereceram para casar com Genny, esperando com isso salv\u00e1-la da deporta\u00e7\u00e3o. Entre eles, Paulo Em\u00edlio Salles Gomes, futuro cr\u00edtico de cinema. \u00c0s v\u00e9speras da expuls\u00e3o, ela se casou com o jornalista de A Plateia, Arthur Piccinini. De nada valeu o esfor\u00e7o, pois, depois de tr\u00eas meses de pris\u00e3o, ainda em outubro, ela foi expulsa do pa\u00eds. Um fato, por\u00e9m, iria livr\u00e1-la do tr\u00e1gico destino. Gra\u00e7as \u00e0 ajuda do capit\u00e3o e da tripula\u00e7\u00e3o que a conduziam, Genny p\u00f4de ser resgatada quando aportaram na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p1\">Os outros dois casos de deporta\u00e7\u00e3o feminina \u2013 de Olga e Elise Berger \u2013 n\u00e3o tiveram a mesma sorte. Elas foram conduzidas do Brasil diretamente para seu destino na Alemanha, sem escalas por outros portos europeus.<\/p>\n<p class=\"p1\">Podemos dizer que o Partido Comunista s\u00f3 adquire certa express\u00e3o de massa junto \u00e0s mulheres \u2013 inclu\u00eddas as das camadas m\u00e9dias \u2013 com o surgimento da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL) em janeiro de 1935. Este movimento de car\u00e1ter antifascista e anti-imperialista galvanizou amplos setores sociais. Muitos que, num primeiro momento, haviam apoiado o governo Vargas aderiram a ela. Foi, tamb\u00e9m, uma resposta democr\u00e1tica ao crescimento do integralismo, vers\u00e3o tupiniquim do nazifascismo.<\/p>\n<p class=\"p1\">Dentro desse esp\u00edrito de \u00e9poca, em maio de 1935, numa reuni\u00e3o no Sindicato dos Banc\u00e1rios, foi criada a Uni\u00e3o Feminina do Brasil (UFB). Na ocasi\u00e3o, foi eleita para a sua presid\u00eancia a educadora Armanda \u00c1lvaro Alberto, que havia sido uma atuante militante do movimento anticlerical e assinado o Manifesto dos Pioneiros da Educa\u00e7\u00e3o Nova. N\u00e3o era comunista, mas ardorosa patriota e antifascista.<\/p>\n<p class=\"p1\">O programa desta entidade feminina era bastante pr\u00f3ximo ao da ANL, mas tinha uma t\u00f4nica maior nos problemas enfrentados pelas mulheres brasileiras. Rapidamente, veio a se tornar o principal canal de express\u00e3o das mulheres progressistas de nosso pa\u00eds. A sua a\u00e7\u00e3o no meio feminino ajudou a fortalecer e democratizar a ANL, ampliando sua base social.<span class=\"s2\"><br \/> <\/span> <span class=\"s2\"><br \/> <\/span>Segundo seu manifesto inaugural, a UFB nasceu da iniciativa de um \u201cgrupo de trabalhadoras manuais e intelectuais\u201d e seu objetivo era lutar \u201cpelos direitos pol\u00edticos e civis das mulheres\u201d e, tamb\u00e9m, pela sua \u201cigualdade econ\u00f4mica\u201d e \u201celeva\u00e7\u00e3o do seu n\u00edvel cultural\u201d. Procurava, assim, romper com a disjuntiva existente at\u00e9 ent\u00e3o entre as feministas \u2013 que lutavam apenas pela igualdade jur\u00eddica formal \u2013 e aquelas que, subestimando este aspecto, s\u00f3 se envolviam nas reivindica\u00e7\u00f5es de ordem econ\u00f4mica de classe. Isso permitiria a constru\u00e7\u00e3o de uma entidade que abarcasse oper\u00e1rias e trabalhadoras das camadas m\u00e9dias da sociedade.<\/p>\n<p class=\"p1\">Numa assembleia, com um \u00fanico voto contr\u00e1rio, as mulheres da UFB decidiram pela ades\u00e3o \u00e0 ANL. Neste dia, conforme um relat\u00f3rio policial, Beatriz Bandeira usou a palavra para dizer: \u201cLutar pelos direitos populares pela pr\u00f3pria dignidade humana e particularmente pelos direitos das mulheres na sociedade, significa lutar contra o \u2018fascismo\u2019 que na sua denomina\u00e7\u00e3o brasileira de integralismo \u00e9 a express\u00e3o da brutalidade requintada, da nega\u00e7\u00e3o de todos os direitos do homem e a destrui\u00e7\u00e3o de todas as conquistas femininas\u201d. A advogada Maria Werneck de Castro foi indicada para representar a entidade junto ao Diret\u00f3rio Nacional da ANL.<\/p>\n<p class=\"p1\">Al\u00e9m das citadas acima, militaram nas fileiras da UFB a psiquiatra Nise da Silveira; a jornalista Eug\u00eania Moreira; Eneida de Moraes; Rosa Meirelles; Sara de Mello; Raquel Gertel; entre outras. Muitas delas eram militantes comunistas e outras adeririam ao Partido no curso da luta pol\u00edtica contra o fascismo e a repress\u00e3o getulista.<\/p>\n<p class=\"p1\">A imprensa conservadora desde o primeiro momento colocou a UFB na sua al\u00e7a de mira. OGlobo trouxe uma mat\u00e9ria intitulada \u201cEva agitadora\u201d na qual afirmava: \u201cA Uni\u00e3o Feminina \u00e9 um disfarce do Partido Comunista\u201d. O jornal cat\u00f3lico reacion\u00e1rio A Ordem escreveu: \u201cH\u00e1 um mau feminismo, o da mulher que esquece suas grandes qualidades pr\u00f3prias e quer ser homem, julgando-se a eterna escrava do lar, quando na realidade \u00e9 e deve ser a rainha, na concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3. E esta luta ingl\u00f3ria por falsos direitos, que antes constituem servid\u00f5es estava no programa da UFB, carregado ainda por cima, pelas tonalidades rubras da \u2018alian\u00e7a\u2019 dos comunistas\u201d.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>Em 11 de julho de 1935 a Alian\u00e7a Nacional Libertadora foi proibida pelo governo. Ato que teve por base a Lei de Seguran\u00e7a Nacional aprovada em mar\u00e7o daquele mesmo ano. Poucos dias depois \u2013 19-07 \u2013 o Decreto n. 243, assinado por Get\u00falio Vargas, afirmaria que a Uni\u00e3o Feminina do Brasil estaria exercendo \u201catividade subversiva da ordem pol\u00edtica e social\u201d e estabeleceu que deveriam se \u201cfechados por seis meses, os n\u00facleos, sedes, ou escrit\u00f3rios da Uni\u00e3o Feminina do Brasil\u201d, e que se \u201cbaixar\u00e1 instru\u00e7\u00f5es no sentido de ser promovido, sem demora, o cancelamento do registro civil da mesma sociedade\u201d. O motivo alegado era seu v\u00ednculo com a extinta ANL.<\/p>\n<p class=\"p1\">Armanda Alberto, presidente da UFB, protestou contra o fechamento da entidade. Questionada sobre as raz\u00f5es da ades\u00e3o \u00e0 ANL, respondeu: \u201cSimples, a Uni\u00e3o \u00e9 nacionalista e anti-integralista sem que isso, no entanto, importe em p\u00fablica profiss\u00e3o de f\u00e9 comunista. Estando a Alian\u00e7a Nacional Libertadora dentro do nacionalismo do nosso programa resolvemos apoi\u00e1-la contra o integralismo, porque este, como o nazismo e o fascismo \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o total dos direitos da mulher\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ap\u00f3s o malogrado levante armado tentado pela ANL, recrudesceu a repress\u00e3o contra todos os opositores ao governo, especialmente os comunistas. Segundo Fernando Moraes, os por\u00f5es do navio Dom Pedro I, recentemente transformados em pres\u00eddio, tiveram como primeiras \u201ch\u00f3spedes\u201d: Maria Werneck de Castro, Catharina Landeberg, Amanda de Alberto Abreu. Todas dirigentes da Uni\u00e3o Feminina do Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\">O regime de Vargas n\u00e3o poupou as mulheres, que foram tratadas de maneira igual aos seus companheiros. Presas em massa, amontoadas em celas insalubres, muitas chegaram a ser seviciadas e deportadas. Um exemplo desse tratamento in\u00edquo foi o de Elise Berger, barbaramente torturada na Pol\u00edcia Especial e depois, como Olga, enviada para a Alemanha onde morreu num campo de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Outra v\u00edtima das atrocidades da pol\u00edcia do Estado Novo foi a comunista Ida D\u2019Amico, esposa do dirigente nacional Sebasti\u00e3o Francisco. Presa em 1940, brutalmente seviciada, acabou se suicidando poucos depois de sair da pris\u00e3o. Tamb\u00e9m foi torturada Patr\u00edcia Galv\u00e3o, entre outras.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ficou famosa a sala 4 do Pavilh\u00e3o dos Prim\u00e1rios, anexo da Casa de Deten\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro. Ali ficaram presas: Maria Werneck de Castro, Nise da Silveira, Eneida de Moraes, Rosa Meirelles, Beatriz Bandeira, Antonia Venegas, Eug\u00eania \u00c1lvaro Moreyra, Francisca Moura, Armanda \u00c1lvaro Alberto, Valentina Barbosa Bastos, Haid\u00e9e Nicolucci e Catharina Besouchet.<\/p>\n<p class=\"p1\">Elas testemunharam a chegada de Olga Ben\u00e1rio ao pres\u00eddio e a assistiram durante a primeira fase de sua gravidez. Lideraram protestos para que a companheira de Prestes pudesse ser atendida adequadamente pelos m\u00e9dicos e depois contra a amea\u00e7a de expuls\u00e3o do pa\u00eds. Cenas que s\u00e3o descritas por Fernando Moraes no seu livro Olga. A maioria delas foi solta \u00e0s v\u00e9speras da decreta\u00e7\u00e3o do Estado Novo, quando o ministro da Justi\u00e7a Jos\u00e9 Carlos Macedo resolveu libertar todos os presos sem culpa formada.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>As mulheres comunistas em busca de caminhos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">As mulheres se envolveram em todas as campanhas c\u00edvicas que ocorreram no Brasil nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1940, como a luta pela decreta\u00e7\u00e3o de guerra as pot\u00eancias nazifascistas, pelo envio de tropas brasileiras para combater em solo europeu e pela anistia aos presos e exilados pol\u00edticos. Contudo, nenhuma delas participou da confer\u00eancia clandestina que reorganizou o Partido em 1943, que ficaria conhecida como Confer\u00eancia da Mantiqueira. Nenhuma viria a compor o novo Comit\u00ea Central eleito naquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\">No per\u00edodo final do Estado Novo os comunistas organizaram os comit\u00eas democr\u00e1ticos ou populares, que dariam base para a grande expans\u00e3o partid\u00e1ria daqueles anos de abertura pol\u00edtica e de conquista da legalidade. Neste processo teve in\u00edcio o trabalho de organiza\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras e dos bairros populares.<\/p>\n<p class=\"p1\">O prest\u00edgio do Partido Comunista do Brasil estava no seu auge. Com a legaliza\u00e7\u00e3o, ocorrida em 1945, transformou-se, pela primeira vez, num Partido de massas. Chegou a ter 200 mil membros. Entre eles se encontravam milhares e mulheres de mulheres. Embora ainda minorit\u00e1rias, sua presen\u00e7a j\u00e1 se fazia sentir.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nas elei\u00e7\u00f5es de 1945 o PCB conseguiu cerca de 10% do eleitorado, elegendo um senador e 12 deputados federais. No entanto, nenhuma mulher foi eleita para o congresso nacional. No geral, apesar dos avan\u00e7os, poucas foram lan\u00e7adas candidatas para deputada federal, estadual ou mesmo vereadora. Contudo, algumas mulheres comunistas conseguiram se eleger nas elei\u00e7\u00f5es subsequentes.<\/p>\n<p class=\"p1\">Adalgisa Cavalcante, que havia sido candidata derrotada \u00e0 C\u00e2mara Federal em 1945, elegeu-se a primeira deputada estadual de Pernambuco em janeiro de 1947. Cassada um ano depois, continuou ativa na sua milit\u00e2ncia sendo presa diversas vezes. Zuleika Alambert, aos 24 anos, ficou na supl\u00eancia da chapa comunista, mas acabou assumindo uma cadeira na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo. Sua base eleitoral era a cidade portu\u00e1ria de Santos. Ela foi secret\u00e1ria-geral da Juventude Comunista e se transformou numa das principais dirigentes dessa frente partid\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"p1\">Algumas comunistas tamb\u00e9m se elegeram vereadoras. Arcelina Mochel elegeu-se no antigo Distrito Federal e chegou a ser l\u00edder da maior bancada daquela casa legislativa, composta de 18 vereadores. Entre eles tamb\u00e9m se encontrava outra mulher: Odila Schmidt. A militante Elisa Kaufman foi eleita na cidade de S\u00e3o Paulo. Maria Ol\u00edmpia Carneiro elegeu-se em Curitiba (PR) e Salvadora Lopes Peres, l\u00edder oper\u00e1ria, em Sorocaba (SP), embora tenha sido impedida de tomar posse. Vera Pinto Telles, eleita primeira suplente, acabou assumindo uma cadeira na C\u00e2mara Municipal de Campinas (SP). Ainda n\u00e3o sabemos o n\u00famero exato de comunistas eleitas naquele per\u00edodo.<\/p>\n<p class=\"p1\">Embora tenha crescido o n\u00famero de mulheres no interior do PC do Brasil, elas continuavam sub-representadas nos seus \u00f3rg\u00e3os dirigentes. A III Confer\u00eancia Nacional do PCB, realizada em 1946, elegeu um novo Comit\u00ea Central. Dos 44 membros eleitos \u2013 como efetivos e suplentes \u2013 n\u00e3o havia nenhuma mulher. Este passou a ser um grave problema de ordem pol\u00edtica e ideol\u00f3gica que deveria ser superado. Por isso, nesta confer\u00eancia foi tomada a decis\u00e3o de criar comit\u00eas de bases femininos.<\/p>\n<p class=\"p1\">Um grande passo no trabalho feminino dos comunistas foi dado com a funda\u00e7\u00e3o, em julho de 1947, do jornal Momento Feminino. Ele tinha um subt\u00edtulo que hoje pode parecer estranho a uma feminista: \u201cum jornal a servi\u00e7o do seu lar\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">O historiador Jorge Ferreira afirmou: \u201cMesmo que, aos olhos de hoje, um modelo feminino como este tenha um car\u00e1ter conservador, exaltando a maternidade, a abnega\u00e7\u00e3o, a moralidade exemplar (&#8230;), \u00e9 necess\u00e1rio considerar que o projeto comunista incentivava a participa\u00e7\u00e3o da mulher na luta pol\u00edtica, novidade para \u00e9poca, ajudando-a a libertar-se da opress\u00e3o social e a afirmar-se como mulher e cidad\u00e3\u201d. Continua ele: \u201cN\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar o grau de discrimina\u00e7\u00e3o social sofrido pelas militantes naquela \u00e9poca. Lembremos que o discurso anticomunista ressaltava particularmente a falta de valores morais dos revolucion\u00e1rios, sugerindo a promiscuidade e a licenciosidade sexual no interior do Partido. As mulheres, sobretudo, as jovens militantes, tinham que suportar as difama\u00e7\u00f5es acintosas sobre sua vida privada e principalmente sobre sua conduta sexual\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">O Momento Feminino, sob a dire\u00e7\u00e3o da incans\u00e1vel Arcelina Mochel, se constituiria no principal \u00f3rg\u00e3o da imprensa feminina naqueles anos. Tornou-se um instrumento agregador e organizador das mulheres comunistas e progressistas brasileiras. O jornal impulsionou a cria\u00e7\u00e3o de comit\u00eas femininos em bairros e sindicatos. Num artigo no Momento Feminino fala-se na exist\u00eancia de 43 n\u00facleos funcionando. Entre eles estava a Associa\u00e7\u00e3o Feminina do Distrito Federal, dirigida pela militante Antonieta Campos da Paz.<\/p>\n<p class=\"p1\">O resultado de todo esse trabalho foi a cria\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres do Brasil (FMB) em 1949. \u00c0 frente desse esfor\u00e7o estavam nomes como Ana Montenegro, Arcelina Mochel e Alice Tibiri\u00e7\u00e1, que foi a primeira presidenta da entidade. Alice morreria no ano seguinte de sua elei\u00e7\u00e3o. Para seu lugar foi indicada a educadora Branca Fialho, que chegou a ser vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Internacional de Mulheres (FDIM). As duas n\u00e3o eram filiadas ao Partido Comunista do Brasil. Arcelina Mochel, como secret\u00e1ria-geral, representava as comunistas na dire\u00e7\u00e3o da entidade.<\/p>\n<p class=\"p1\">A Federa\u00e7\u00e3o congregou organiza\u00e7\u00f5es femininas de 11 estados brasileiros. Uma das grandes campanhas que a entidade se envolveu foi contra a carestia de vida, pelo controle dos pre\u00e7os dos produtos essenciais. Foi em resposta a essa reivindica\u00e7\u00e3o que o governo Vargas criou a Sunab (Superintend\u00eancia Nacional de Abastecimento). Uma vit\u00f3ria das comunistas brasileiras.<\/p>\n<p class=\"p1\">As mulheres, dirigidas pela sua federa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m participaram das campanhas \u201cO Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso!\u201d e pela paz mundial, contra a prolifera\u00e7\u00e3o das armas at\u00f4micas. Um informe dado no IV Congresso do PCB d\u00e1 conta de que somente as organiza\u00e7\u00f5es femininas tinham arrecadado quase 1 milh\u00e3o de assinaturas para o Apelo de Estocolmo. Elas foram ativas na luta contra o envio de soldados brasileiros para combater na Coreia.<\/p>\n<p class=\"p1\">Durante o governo Dutra tr\u00eas hero\u00ednas comunistas se destacariam. Z\u00e9lia Magalh\u00e3es, assassinada em 15 de novembro de 1949, durante um com\u00edcio organizado pelo PCB; Angelina Gon\u00e7alves assassinada numa manifesta\u00e7\u00e3o de Primeiro de Maio, na cidade ga\u00facha de Rio Grande em 1950;\u00a0 Elisa Branco, presa e condenada a tr\u00eas anos de pris\u00e3o simplesmente por abrir uma faixa onde se lia \u201cOs soldados, nossos filhos, n\u00e3o ir\u00e3o para a Coreia\u201d. Ela se tornaria um s\u00edmbolo internacional e ganharia o pr\u00eamio Stalin da Paz.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mas existiam aquelas comunistas que n\u00e3o podiam ter nenhum trabalho que lhes dessem proje\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pois viviam na clandestinidade. Refiro-me, entre outras, \u00e0s militantes que eram companheiras de dirigentes partid\u00e1rios, como Maria Prestes, Ed\u00edria Amazonas, Ren\u00e9e Carvalho e Clara Charf. Elas tiveram um papel importante no apoio ao funcionamento do Comit\u00ea Central, cuidando dos aparelhos, fazendo os contatos entre dirigentes e mesmo dando aulas nos cursos Stalin e L\u00eanin. Ao lado dessas, centenas outros de nomes femininos desapareceram da hist\u00f3ria. Viveram e morreram clandestinas.<\/p>\n<p class=\"p1\">As mulheres tamb\u00e9m participavam dos atos ousados realizados pelo Partido naqueles anos de clandestinidade. Em 1949, quando se realizavam as comemora\u00e7\u00f5es dos 70 anos de Stalin um grupo de alpinista \u2013 tendo entre eles Elza Monnerat \u2013 escalou o morro Dois Irm\u00e3os no Rio de Janeiro e escreveu na rocha o nome do dirigente sovi\u00e9tico. Um feito que agitou a antiga capital do pa\u00eds. As jovens comunistas n\u00e3o ficavam atr\u00e1s dos seus companheiros em mat\u00e9ria de coragem e ousadia.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nas grandes mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias que sacudiriam o pa\u00eds, no final da d\u00e9cada de 1940 e in\u00edcio de 1950, as mulheres comunistas tiveram uma grande participa\u00e7\u00e3o. Na greve dos 300 mil que parou a capital paulista \u2013 e foi uma das mais importantes do per\u00edodo \u2013 se destacaram as figuras de Maria Sallas, Orondina Silva e Adoracion Vilar. Gra\u00e7as a esse movimento grevista foram criados departamentos femininos nos sindicatos dos t\u00eaxteis, metal\u00fargicos e gr\u00e1ficos.<\/p>\n<p class=\"p1\">Tentou-se ampliar e fortalecer as organiza\u00e7\u00f5es de bases femininas no interior do Partido, cujas tarefas fundamentais eram \u201cmobilizar e organizar as mulheres partindo das suas reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, das lutas contra a carestia, pelo congelamento de pre\u00e7os em defesa da inf\u00e2ncia e elevando-as at\u00e9 \u00e0s lutas democr\u00e1ticas e emancipadoras\u201d. A dire\u00e7\u00e3o critica a tentativa de transformar essas organiza\u00e7\u00f5es de bases em aparelhos apenas voltados para o trabalho de apoio, como colar cartazes e angariar fundos.<\/p>\n<p class=\"p1\">Levando-se em conta as dificuldades vividas pelas mulheres naquela \u00e9poca, podemos dizer que foi significativo o n\u00famero delas integradas aos cursos Stalin e L\u00eanin, ministrados em grande escala nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1950. Muitas militantes, como Ed\u00edria Carneiro, seriam transformadas provisoriamente em professoras das escolas partid\u00e1rias.<\/p>\n<p class=\"p1\">Algumas mulheres seriam inclu\u00eddas nas tr\u00eas turmas que fizeram o curso de aprofundamento do marxismo-leninismo na URSS, com a dura\u00e7\u00e3o de dois anos. Essas medidas sinalizavam uma preocupa\u00e7\u00e3o maior em formar quadros femininos para o trabalho de dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, superando um problema estrutural na constru\u00e7\u00e3o do partido desde a sua origem.<\/p>\n<p class=\"p1\">Houve uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o brasileira para a participa\u00e7\u00e3o na Confer\u00eancia Latino-Americana de Mulheres, realizada em agosto de 1954. Neste per\u00edodo, conforme afirma Olga Maranh\u00e3o, surgiram mais de 30 organiza\u00e7\u00f5es de massa femininas e v\u00e1rios sindicatos realizaram assembleias para eleger suas delegadas para aquela confer\u00eancia. Ainda neste ano ocorreu um Ativo nacional do PCB sobre o trabalho feminino.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>A quest\u00e3o da mulher: o tema entra na pauta dos comunistas<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Este crescimento do movimento feminino e a inser\u00e7\u00e3o das comunistas nele levariam a uma pequena \u2013 mas significativa \u2013 mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. Isso se refletiria no IV Congresso do PCB, realizado no final de 1954. Nele, pela primeira vez, as mulheres teriam alguma participa\u00e7\u00e3o (9,3% dos delegados) e seriam eleitas para o Comit\u00ea Central. Entre os membros efetivos do CC ficariam Lourdes Benaim, dom\u00e9stica \u2013 Paulo; Arcelina Mochel, professora, Rio; Zuleika Alambert, professora, S\u00e3o Paulo. Na supl\u00eancia: Orondina Silva, tecel\u00e3, S\u00e3o Paulo; Olga Maranh\u00e3o, dom\u00e9stica, Rio; Maria Salas, tecel\u00e3, S\u00e3o Paulo e Iracema Ribeiro, professora, Rio.<\/p>\n<p class=\"p1\">Outra novidade \u00e9 que duas mulheres apresentariam informes especiais naquele conclave. Iracema Ribeiro: O trabalho feminino \u2013 dever de todo partido e Olga Maranh\u00e3o: Ganhar milh\u00f5es de mulheres para o Programa do Partido. Alguma coisa parecia estar mudando e para melhor.<\/p>\n<p class=\"p1\">No seu informe Iracema Ribeiro afirmava: \u201c\u00e9 muito pequeno ainda o n\u00famero de mulheres membros do Partido (&#8230;) o que demonstra que n\u00e3o extirpamos ainda das nossas fileiras os preconceitos burgueses com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Mulher (&#8230;). O Partido deveria encarar mais seriamente a necessidade de promo\u00e7\u00e3o de quadros femininos\u201d. Essa promo\u00e7\u00e3o estaria se processando de uma maneira demasiadamente lenta. \u201cAs nossas dire\u00e7\u00f5es ainda procuram ater-se as alega\u00e7\u00f5es de timidez das camaradas, ou a problemas de outra ordem, sem promov\u00ea-las com aud\u00e1cia\u201d, dizia ela.<\/p>\n<p class=\"p1\">Para superar essa situa\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e, entre outras coisas: \u201c1\u00ba O trabalho feminino deve deixar de ser tarefa apenas das Organiza\u00e7\u00f5es de Base e das Se\u00e7\u00f5es do Trabalho Feminino para se transformar em tarefa de todo o Partido. 2\u00ba Todos os Comit\u00eas de Zonas e Comit\u00eas Distritais devem ter encarregados do trabalho feminino. O trabalho feminino deve ser inclu\u00eddo entre as tarefas permanentes dos Comit\u00eas de Zona, dos Comit\u00eas Distritais e das Organiza\u00e7\u00f5es de Base. 3\u00ba Elaborar com urg\u00eancia uma resolu\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Central sobre o trabalho feminino\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">Os meses que se seguiram ao IV Congresso foram de intenso trabalho e reflex\u00e3o sobre o futuro do \u201ctrabalho feminino\u201d no interior do Partido. Entre 19 e 21 de mar\u00e7o de 1955, em reuni\u00e3o do pleno ampliado do Comit\u00ea Central, tr\u00eas interven\u00e7\u00f5es especiais foram realizadas: As elei\u00e7\u00f5es de1955 e as tarefas do Partido, de Luiz Carlos Prestes; Ganhar milh\u00f5es de brasileiros para a lutacontra a guerra at\u00f4mica, de Maur\u00edcio Grabois; e Melhorar, intensificar e ampliar o trabalho do Partido entre as mulheres, de Iracema Ribeiro.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nele, Iracema exp\u00f5e a situa\u00e7\u00e3o da mulher brasileira tendo como centro a mulher trabalhadora e a dona-de-casa; como essa mulher vinha participando das jornadas democr\u00e1ticas daquele per\u00edodo. Bate duro nas dificuldades e debilidades que o Partido apresenta para incorporar essas mulheres em todos os n\u00edveis de sua a\u00e7\u00e3o e nos \u00f3rg\u00e3os de dire\u00e7\u00e3o. Levanta, com muita propriedade e como j\u00e1 havia feito no IV Congresso, a necessidade de \u201ctransformar o trabalho feminino num dever de todo o Partido, aumentar os efetivos femininos do Partido, intensificar a forma\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de quadros para o trabalho entre as massas femininas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">Escreve Iracema: \u201cO principal motivo das debilidades na atua\u00e7\u00e3o dos comunistas entre as massas femininas reside na profunda subestima\u00e7\u00e3o do trabalho feminino. N\u00e3o \u00e9 o conjunto do Partido que desenvolve atividade entre as diversas camadas da popula\u00e7\u00e3o feminina. O trabalho recai sobre um reduzido n\u00famero de companheiras (&#8230;). H\u00e1 resist\u00eancia entre n\u00f3s a considerar e incluir o trabalho entre as mulheres como uma das principais tarefas do Partido\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">Continua ela: \u201c\u00e9 preciso termos em conta os in\u00fameros preconceitos feudais e burgueses sobre a mulher, ainda existentes nas fileiras do Partido Comunista. \u00c9 evidente que os portadores dessas ideias retr\u00f3gradas, por melhores militantes e dirigentes que sejam, n\u00e3o agem no interesse do Partido e da Revolu\u00e7\u00e3o. Enfraquecem nossa causa, enfraquecem o Partido, enfraquecem a luta revolucion\u00e1ria pela democracia e pelo socialismo. As falsas concep\u00e7\u00f5es de superioridade do homem sobre a mulher e do homem como \u2018senhor\u2019, a subestima\u00e7\u00e3o pela forma\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de quadros femininos e o menosprezo do trabalho do partido entre as mulheres s\u00e3o males que devem ser combatidos e eliminados em nosso Partido. Assim, nosso partido aparecer\u00e1 em toda parte ante as mulheres como realmente \u00e9: o partido da emancipa\u00e7\u00e3o, da liberdade, da dignidade e da felicidade das mulheres\u201d (Voz Oper\u00e1ria, n. 307).<\/p>\n<p class=\"p1\">Na mesma edi\u00e7\u00e3o do jornal Voz Oper\u00e1ria \u00e9 publicada uma resolu\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Central intitulada \u201cSobre o trabalho do Partido Comunista do Brasil entre as mulheres\u201d, cujo conte\u00fado \u00e9 quase o mesmo da interven\u00e7\u00e3o feita por Iracema Ribeiro. Politiza o termo \u201cemancipa\u00e7\u00e3o da mulher\u201d, colocando que ela \u201cestava na depend\u00eancia direta da vit\u00f3ria do povo brasileiro em sua luta para libertar nossa p\u00e1tria do jugo do imperialismo norte-americano e para substituir o regime de latifundi\u00e1rios e grandes capitalistas por um regime democr\u00e1tico-popular, conquistando um governo democr\u00e1tico de liberta\u00e7\u00e3o nacional\u201d (VO, n. 307).<\/p>\n<p class=\"p1\">Do ponto de vista partid\u00e1rio, diagnosticou-se que a resist\u00eancia em se colocar o trabalho entre as mulheres como uma de nossas principais tarefas refletiria \u201ca influ\u00eancia da ideologia burguesa nas nossas fileiras, revelaria oportunismo\u201d. Eram n\u00edtidos os avan\u00e7os que vinham ocorrendo nas elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e pol\u00edticas dos comunistas sobre o \u201cproblema das mulheres\u201d no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\">No ano seguinte se realizaria um encontro nacional de m\u00e3es e a I Confer\u00eancia Nacional das Mulheres Trabalhadoras. Esta reuni\u00e3o, ocorrida entre 18 a 20 de maio, reuniu centenas de delegadas \u2013 a maioria era composta de oper\u00e1rias \u2013 e elegeu suas representantes para a Confer\u00eancia Mundial de Trabalhadoras em Budapeste. As comunistas estiveram na vanguarda de todos esses eventos.<\/p>\n<p class=\"p1\">A culmin\u00e2ncia deste processo se d\u00e1, no final de maio de 1956, com a realiza\u00e7\u00e3o da V Confer\u00eancia Nacional do Partido Comunista do Brasil \u2013 tamb\u00e9m intitulada 1\u00aa Confer\u00eancia Nacional Sobre o Trabalho do Partido entre as Mulheres. O informe principal foi Despertar para a luta e organizar as grandes massas femininas, assinado por Luiz Carlos Prestes. Haveria mais tr\u00eas informes especiais: Por um amplo trabalho de agita\u00e7\u00e3o e propaganda entre as mulheres, apresentado por Carlos Marighella; O trabalho com as Organiza\u00e7\u00f5es de Bases Femininas: Condi\u00e7\u00f5es para um amplo movimento feminino de massas, por S\u00e9rgio Holmos; e Renovar e melhorar nossos m\u00e9todos de trabalho entre as mulheres, por Iracema Ribeiro. A abertura dos trabalhos coube a Marighella e o discurso de encerramento a Jo\u00e3o Amazonas.<\/p>\n<p class=\"p1\">No Presidium de Honra da Confer\u00eancia figuravam os nomes de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo, Olga Ben\u00e1rio, Z\u00e9lia Magalh\u00e3es e Angelina Gon\u00e7alves. No final dela, foram aprovadas duas resolu\u00e7\u00f5es: sobre o trabalho do partido entre as mulheres e a respeito de quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o e propaganda.<\/p>\n<p class=\"p1\">Alguns dias depois da Confer\u00eancia, o jornal Voz Oper\u00e1ria publicou uma s\u00edntese da interven\u00e7\u00e3o de Prestes. \u201cEm seu informe \u00e0 Confer\u00eancia Nacional sobre o trabalho do Partido entre as mulheres, Luiz Carlos Prestes colocou diante de todos os comunistas o important\u00edssimo problema da emancipa\u00e7\u00e3o da mulher. Esta n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. A pr\u00f3pria palavra emancipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 facilmente compreendida pela maioria das mulheres. Emancipar-se significa livrar-se da tutela de algu\u00e9m, libertar-se. A luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher compreende um trabalho imediato, mas que ser\u00e1 cont\u00ednuo e prolongado. Este trabalho representa hoje, fundamentalmente, a luta contra o atraso e a mis\u00e9ria. A emancipa\u00e7\u00e3o da mulher brasileira ter\u00e1 in\u00edcio quando ela come\u00e7ar a compreender que \u00e9 poss\u00edvel ter uma vida mais justa, mais feliz e humana. Despertando para a luta, a mulher ir\u00e1 conquistando dia a dia a sua emancipa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da conquista de pequenas coisas: uma casa higi\u00eanica para morar, um sal\u00e1rio digno capaz de garantir o sustento do lar, uma creche ou casa maternal para deixar seu filho bem cuidado durante as horas de trabalho fora do lar, leite, carne e p\u00e3o em fartura e ao alcance de sua bolsa, etc.\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">Continua ele: \u201cA emancipa\u00e7\u00e3o da mulher significa, ainda, a luta contra o atraso. Mais da metade das mulheres brasileiras est\u00e1 privada de conhecer as coisas belas da vida, n\u00e3o pode ler contos de amor ou conselhos de beleza, desconhece o que se passa pelo mundo. O fato de aprender a ler e a escrever constitui um passo adiante na luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher. Sabendo ler as mulheres poder\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 votar ou ser eleitas \u2013 direito que deveria ser assegurado a todos os analfabetos \u2013, mas estar\u00e3o melhor habilitadas para defenderem seus direitos, participarem mais ativamente da vida econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica do pa\u00eds e mais facilmente caminharem no caminho de sua completa emancipa\u00e7\u00e3o\u201d (VO, n. 376).<\/p>\n<p class=\"p1\">Percebe-se, com os olhos de hoje, que ainda n\u00e3o havia uma clara conceitua\u00e7\u00e3o para o termo \u201cemancipa\u00e7\u00e3o da mulher\u201d; assim como era n\u00edtida a confus\u00e3o entre atua\u00e7\u00e3o no \u201cmovimento feminino\u201d e o trabalho interno partid\u00e1rio entre as mulheres. Apesar desses problemas, os avan\u00e7os saltam aos olhos.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>A crise do Partido Comunista e a quest\u00e3o das mulheres<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Esse foi, ao mesmo tempo, o auge e o in\u00edcio de um r\u00e1pido decl\u00ednio da tem\u00e1tica feminina no interior do PCB. Todo trabalho que vinha se acumulando desde, pelo menos, a Tribuna de Debates do IV Congresso, em 1953, at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da IV Confer\u00eancia, em 1956, foi desmontado ap\u00f3s a grave crise interna que acometeu o Partido, sobretudo ap\u00f3s o XX Congresso do PCUS.<\/p>\n<p class=\"p1\">No segundo semestre de 1956, a se\u00e7\u00e3o \u201cP\u00e1gina Feminina\u201d do Voz Oper\u00e1ria deixou de existir. A Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o de 1958, que se anunciava como a \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d do PC do Brasil, n\u00e3o cita em nenhum momento a palavra \u201cmulher\u201d ou \u201cfeminino\u201d; inexistem textos na Tribuna deDebates do V Congresso (1960) tratando do tema; \u00e9 drasticamente reduzido o n\u00famero de mulheres no Comit\u00ea Central eleitas naquele congresso \u2013 passando de sete para uma \u00fanica camarada: Zuleika Alambert; a resolu\u00e7\u00e3o do V Congresso parece reduzir tudo \u00e0 estaca zero ao afirmar: \u201cMaior aten\u00e7\u00e3o deve ser dedicada ao trabalho de massas entre as mulheres, que podem ser reunidas nos mais variados tipos de organiza\u00e7\u00e3o, especificamente femininas ou n\u00e3o para a luta em torno de reivindica\u00e7\u00f5es, tais como o amparo \u00e0 crian\u00e7a, o combate \u00e0 carestia, a aboli\u00e7\u00e3o de desigualdades de direitos, a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida nos bairros etc.\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em 22 de janeiro de 1957, Juscelino Kubitschek assinou um decreto discricion\u00e1rio que afirmava: \u201cArt. 1\u00ba Fica suspenso, pelo prazo e seis meses, o funcionamento da Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres do Brasil, com sede no Distrito Federal e das organiza\u00e7\u00f5es a ela filiadas em todo o Territ\u00f3rio Nacional; Art. 2\u00ba O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal promover\u00e1 imediatamente (&#8230;) a competente a\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o das entidades referidas no artigo primeiro; Art. 3\u00ba Este decreto entrar\u00e1 em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o, revogadas as disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio\u201d. Termos muito pr\u00f3ximos aos usados por Vargas quando fechou a Uni\u00e3o Feminina do Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\">Os comunistas n\u00e3o esbo\u00e7aram qualquer rea\u00e7\u00e3o diante desse ato arbitr\u00e1rio. Na mesma \u00e9poca, sem apoio, chegava ao fim o jornal Momento Feminino. O novo n\u00facleo dirigente, que come\u00e7ou a se formar em 1957, tamb\u00e9m fechou a Uni\u00e3o da Juventude Comunista.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mesmo o PC do Brasil, reorganizado em 1962, n\u00e3o conseguiu retomar no mesmo patamar a discuss\u00e3o sobre a quest\u00e3o da mulher, esbo\u00e7ada nos meado dos anos 1950. Al\u00e9m de muito pequeno, travava uma luta tit\u00e2nica pela pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia diante do poderoso PC Brasileiro, que passaria a ser conhecido como Partid\u00e3o. Na Confer\u00eancia Extraordin\u00e1ria, que reorganizou o Partido, s\u00f3 se tem not\u00edcia da participa\u00e7\u00e3o de uma mulher, Elza Monnerat. Esta passaria a compor o novo Comit\u00ea Central e continuaria a ser uma estrela solit\u00e1ria at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do VI Congresso do PCdoB, realizado entre 1982 e 1983. Mas esta j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"p1\">* Augusto Buonicore \u00e9 historiador e secret\u00e1rio-geral da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois, autor do livro Marxismo, hist\u00f3ria e revolu\u00e7\u00e3o burguesa: encontros e desencontros.<\/p>\n<p class=\"p1\">** Fernando Garcia \u00e9 historiador e respons\u00e1vel pelo Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Mem\u00f3ria (CDM) da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\"><br \/> <\/span><strong>Fontes<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Cole\u00e7\u00e3o de Documentos e correspond\u00eancias da Internacional Comunista (IC) \u2013 Asmob\/ CEDEM [CDM\/ Grabois]; http:\/\/www.grabois.org.br\/portal\/cdm<span class=\"s2\"><br \/> <\/span>Cole\u00e7\u00e3o do jornal Voz Oper\u00e1ria, n. 307 a 376.<span class=\"s2\"><br \/> <\/span>Cole\u00e7\u00e3o do jornal A Classe Oper\u00e1ria \u2013 2\u00aa e 3\u00aa fases (1928-53).<span class=\"s2\"><br \/> <\/span>Revista Problemas n. 64, dezembro de 1954 a janeiro de 1955.<\/p>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O subt\u00edtulo dado por Maria Elena Bernardes \u00e0 biografia da comunista Laura Brand\u00e3o foi \u201ca invisibilidade na pol\u00edtica\u201d. De fato, existe uma d\u00edvida da historiografia brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria da participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas lutas sociais em nosso pa\u00eds no s\u00e9culo XX, especialmente sobre o papel desempenhado pelas militantes comunistas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1007"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1007"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1007\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1007"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}