{"id":1008,"date":"2012-06-10T14:29:09","date_gmt":"2012-06-10T14:29:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/10\/defesa-do-brasil-e-da-paz-2\/"},"modified":"2012-06-10T14:29:09","modified_gmt":"2012-06-10T14:29:09","slug":"defesa-do-brasil-e-da-paz-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/10\/defesa-do-brasil-e-da-paz-2\/","title":{"rendered":"Defesa do Brasil e da paz"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sob esse \u00e2ngulo, a crise mundial \u00e9 examinada em artigo de Renato Guimar\u00e3es que a revista Nosso Caminho, assinada por Oscar Niemeyer, publica em seu n\u00famero 12.2012, rec\u00e9m-editado. O lan\u00e7amento da edi\u00e7\u00e3o da revista, com a presen\u00e7a de Niemeyer, ter\u00e1 lugar no Rio de Janeiro, dia 14 de junho pr\u00f3ximo, \u00e0 Rua Garcia D\u2019\u00c1vila, 113, Ipanema, de 19 \u00e0s 22h.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistamirante.files.wordpress.com\/2012\/06\/nossocaminho.jpg?w=529\" border=\"0\" width=\"143\" height=\"138\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>A crise mundial, a defesa da\u00a0soberania brasileira e da paz<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">Na origem deste artigo, salvo pequenas altera\u00e7\u00f5es, est\u00e1 um texto submetido pelo autor a Jos\u00e9 Luiz Fiori, Luiz Pinguelli Rosa e Marcio Pochmann e por eles aprovado para servir de base a uma proposta de aglutina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Pedro Celestino e Roberto Amaral o endossaram e se associaram ao autor num esfor\u00e7o para reunir ades\u00f5es \u00e0 proposta e dar in\u00edcio ao processo concreto de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nela preconizado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Neste in\u00edcio de 2012, com foco no Oriente M\u00e9dio, mas com alastramento poss\u00edvel a v\u00e1rios continentes, o mundo vive momento de grave perigo, que amea\u00e7a degenerar em guerras e destrui\u00e7\u00f5es de grande escala. Elas podem resultar em danos pesados inclusive para o nosso pa\u00eds, mas aqui abrem tamb\u00e9m valiosas oportunidades de desenvolvimento econ\u00f4mico e institucional, que favorecem e reclamam a mobiliza\u00e7\u00e3o popular na defesa da democracia, dos interesses nacionais e da paz.<\/p>\n<p class=\"p1\">I \u2013 Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, especialmente ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, uma potente ofensiva de direita abriu caminho para uma aparente vit\u00f3ria definitiva do sistema capitalista liderado pelo imperialismo estadunidense, que se pretendeu globalizado. Essa ofensiva afetou profundamente intelectuais e ativistas dos antigos movimentos e partidos de esquerda. Em grande medida, eles foram absorvidos por duas vertentes que, por caminhos diversos, incorporavam as ideias de vit\u00f3ria capitalista. Uma parte aderiu diretamente \u00e0 ideologia neoliberal, que atribui ao mercado o poder exclusivo de decidir sobre as quest\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas. Outra parte, tamb\u00e9m numerosa, se vergou \u00e0 ideia de vit\u00f3ria do capital, mas o fez em diversas constru\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas com ret\u00f3rica de esquerda que aceitam e difundem ideias b\u00e1sicas do neoliberalismo, tais como o imp\u00e9rio global, a preval\u00eancia inevit\u00e1vel do mercado, a fal\u00eancia do conceito de Estado e, por consequ\u00eancia, do conceito de soberania nacional, o fim da luta pol\u00edtica organizada das massas de trabalhadores, a transforma\u00e7\u00e3o destas em \u201cmultid\u00e3o\u201d etc.<\/p>\n<p class=\"p1\">Essa ofensiva de direita intensificou-se ap\u00f3s os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. \u00a0Numa extens\u00e3o singular do conceito cl\u00e1ssico de que \u201csoberano \u00e9 quem decide sobre o estado de exce\u00e7\u00e3o\u201d, o governo deste pa\u00eds enveredou por uma pol\u00edtica de ruptura declarada e prepotente com o regime de respeito \u00e0 soberania dos Estados, que o Tratado de Westfalia instituiu h\u00e1 mais de 300 anos, e passou a encabe\u00e7ar um processo de volta \u00e0s trevas nas rela\u00e7\u00f5es entre povos e pa\u00edses. Comandado pelo tenebroso-mor complexo industrial militar, depois de p\u00f4r seu pr\u00f3prio povo sob tutela ? a ponto de priv\u00e1-lo de direitos civis b\u00e1sicos, \u00e0 semelhan\u00e7a do regime do AI 5 que sufocou o Brasil nos anos 1970 ?, adotou uma diretriz de projetar sua soberania nacional sobre o mundo inteiro e exportar o estado de exce\u00e7\u00e3o a qualquer pa\u00eds onde, a seu crit\u00e9rio, seus interesses o reclamem. Proclamou para si o direito de ignorar fronteiras nacionais e institui\u00e7\u00f5es internacionais a fim de empreender em qualquer rinc\u00e3o da Terra opera\u00e7\u00f5es militares de todo tipo, em grande escala, com invas\u00f5es e bombardeios, ou em pequena escala, com opera\u00e7\u00f5es abertas ou encobertas de assassinato em s\u00e9rie de civis que os desagradam, ou de seq\u00fcestr\u00e1-los e submet\u00ea-los a trato de presas de guerra, sem quaisquer direitos legais.<\/p>\n<p class=\"p1\">A ofensiva expansionista dos Estados Unidos e seus aliados, principalmente ex-pot\u00eancias colonialistas da Europa, disfar\u00e7ada sob bandeiras humanit\u00e1rias, mas com objetivo principal de se apossar do petr\u00f3leo dos pa\u00edses \u00e1rabes, despertou natural indigna\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia no mundo e, em primeiro lugar, nos povos agredidos. Ao mesmo tempo, contribuiu para a eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e para outras mudan\u00e7as econ\u00f4micas e pol\u00edticas no cen\u00e1rio mundial que aumentaram enormemente os custos da agress\u00e3o para o agressor. Este, em particular, ficou sobrecarregado pelo aumento de gastos com as for\u00e7as armadas, tanto pela alta de pre\u00e7o dos equipamentos de tecnologia atual como pelo fato de ele n\u00e3o poder mais contar com alistamento obrigat\u00f3rio e ficar limitado ao recrutamento de soldados profissionais \u2013 que pouco diferem de mercen\u00e1rios \u2013, cujo custo de opera\u00e7\u00e3o e de seguridade cresce em escala geom\u00e9trica. Com isso, a ofensiva comprometeu os recursos econ\u00f4micos, militares e pol\u00edticos dessa superpot\u00eancia num grau muito acima de qualquer previs\u00e3o de seu governo. Este viu-se em curto prazo impossibilitado de p\u00f4r em pr\u00e1tica sua estrat\u00e9gia proclamada de impor de modo fulminante e inconteste sua domina\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p class=\"p1\">O r\u00e1pido crescimento de outras pot\u00eancias, especialmente a China, mas tamb\u00e9m a R\u00fassia, a \u00cdndia, o Brasil, e ainda a Alemanha e outros pa\u00edses europeus, op\u00f4s novos e maiores obst\u00e1culos \u00e0 express\u00e3o dessa estrat\u00e9gia de poder sem limites dos Estados Unidos. Sem perder a pose arrogante, dispondo ainda de grandes reservas e com a maior agressividade que caracteriza o comportamento de uma fera acuada, o governo de Washington decaiu gradativamente para uma situa\u00e7\u00e3o de dificuldade econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar, enquanto crescia a consci\u00eancia mundial sobre o car\u00e1ter de rapina do imperialismo estadunidense e a sobre a necessidade de resistir a ele.<\/p>\n<p class=\"p1\">II \u2013 O rep\u00fadio \u00e0 prepot\u00eancia dos Estados Unidos e a disposi\u00e7\u00e3o de opor-se a ela, manifestados com for\u00e7a crescente no mundo inteiro, evidenciaram mais uma vez a import\u00e2ncia do fator nacional na luta pol\u00edtica. Os Estados-na\u00e7\u00f5es, ao inv\u00e9s de desaparecerem, regressaram com for\u00e7a maior \u00e0 cena. A defesa do interesse nacional diante da domina\u00e7\u00e3o ou da agress\u00e3o externa, que \u00e9 motor principal da mobiliza\u00e7\u00e3o popular nos movimentos revolucion\u00e1rios desde a luta pela independ\u00eancia nos pr\u00f3prios Estados Unidos, repontando sempre, sob diversas formas, na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, na Comuna de Paris, na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, na Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa, na Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, volta a mostrar-se fator-chave para que a cidadania se apresente como for\u00e7a transformadora, a fim de levar adiante movimentos que no in\u00edcio apontam para objetivos patri\u00f3ticos e parciais, mas tendem a avan\u00e7ar para conquistas democr\u00e1ticas de maior alcance social.<\/p>\n<p class=\"p1\">Esse ressurgimento do fator nacional no centro da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 realidade hoje por toda parte no mundo, particularmente na Palestina e no Oriente M\u00e9dio, mas tamb\u00e9m na \u00c1sia e na \u00c1frica e at\u00e9 na Europa. \u00c9 entretanto na Am\u00e9rica do Sul que ele encontra sua manifesta\u00e7\u00e3o mais saliente e que mais de perto interessa aos brasileiros.<\/p>\n<p class=\"p1\">III \u2013 A condi\u00e7\u00e3o isolada e pouco relevante da Am\u00e9rica do Sul no quadro dos grandes conflitos em que se envolveram os Estados Unidos, afinal, deixou este pa\u00eds tolhido para intervir nessa regi\u00e3o que ele tradicionalmente considerou seu \u201cquintal\u201d. Num eco \u00e0 assertiva cl\u00e1ssica de que a revolu\u00e7\u00e3o escolhe o elo mais fraco da corrente para eclodir, isto parece ter contribu\u00eddo para que os povos sul-americanos percebessem a oportunidade de ir \u00e0 forra das humilha\u00e7\u00f5es e infort\u00fanios que durante d\u00e9cadas lhe impusera a pol\u00edtica imperialista de Washington.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em 1998, elege-se na Venezuela o presidente Hugo Ch\u00e1vez, com uma plataforma claramente antiimperialista e, para surpresa de muitos, com a inten\u00e7\u00e3o firme de cumprir o prometido. Em 2002, elege-se no Brasil o presidente Lula da Silva, que manteve a pol\u00edtica econ\u00f4mica neoliberal dos governos anteriores no seu primeiro mandato, mas a alterou, ainda que muito gradativamente, no segundo mandato, para beneficiar a acelera\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico, e adotou uma pol\u00edtica de socorro \u00e0s camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o, fortalecendo com isso o mercado interno; adotou tamb\u00e9m uma pol\u00edtica externa de maior aproxima\u00e7\u00e3o com a Am\u00e9rica Latina e com outras pot\u00eancias que n\u00e3o os Estados Unidos, embora mantendo com este pa\u00eds rela\u00e7\u00f5es amistosas. Em 2003, elege-se na Argentina o presidente N\u00e9stor Kirchner, que corajosamente enfrentou a banca internacional a fim de livrar seu pa\u00eds de uma d\u00edvida externa abusiva e impag\u00e1vel, conseguindo com isso condi\u00e7\u00f5es para p\u00f4r a na\u00e7\u00e3o vizinha numa trilha de desenvolvimento autogerido, que at\u00e9 hoje prossegue em ritmo alto, agora sob a presid\u00eancia de Cristina Fernandes Kirchner, em segundo mandato. A elei\u00e7\u00e3o em seguida de Evo Morales, na Bol\u00edvia, Rafael Correia, no Equador, Fernando Lugo, no Paraguai, Jos\u00e9 Mujica, no Uruguai, e Ollanta Humala, no Peru, deu maior firmeza \u00e0 tend\u00eancia de expans\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul de governos empenhados em alcan\u00e7ar express\u00e3o soberana e desenvolvimento pleno, econ\u00f4mico, cultural e social, de suas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\">Essa tend\u00eancia, embora firme, n\u00e3o \u00e9 com certeza retil\u00ednea, nem imbat\u00edvel. Em cada pa\u00eds, a ela se op\u00f5em fortes correntes internas de direita alinhadas com os Estados Unidos, que atuam orquestradas em escala internacional e dominam a m\u00eddia, os bancos, setores importantes do empresariado local e agrupamentos militares. Com apoio financeiro, pol\u00edtico e militar dos Estados Unidos e outros pa\u00edses imperialistas menores, assim como de seus respectivos \u00f3rg\u00e3os de espionagem e opera\u00e7\u00f5es encobertas, de ONGs financiadas por empresas e governos imperialistas, de sociedades secretas tipo Opus Dei etc., tais setores de direita empreendem em seus respectivos pa\u00edses e na regi\u00e3o em conjunto uma campanha sem tr\u00e9gua atrav\u00e9s da maioria dos \u00f3rg\u00e3os da grande m\u00eddia. Esta assume car\u00e1ter de partido pol\u00edtico golpista, cuja finalidade \u00e9 impedir que se elejam governantes comprometidos com os interesses nacionais e, quando n\u00e3o conseguem isto, tentar a todo custo acuar e tornar ref\u00e9m deles o governante eleito para, se poss\u00edvel e conveniente para eles, derrub\u00e1-lo. \u00c9 o que se v\u00ea cada dia, na Venezuela, na Bol\u00edvia, no Brasil, na Argentina, em toda parte.<\/p>\n<p class=\"p1\">IV \u2013 H\u00e1 entretanto nesse processo de ascens\u00e3o nacional e democr\u00e1tica na Am\u00e9rica do Sul uma singularidade que lhe d\u00e1 for\u00e7a de sustenta\u00e7\u00e3o: ela se desenvolve com a rigorosa observ\u00e2ncia pelos governos das normas de regime democr\u00e1tico do modelo estadunidense, que pressup\u00f5e a m\u00eddia submetida aos bancos e outros grandes patrocinadores privados e as elei\u00e7\u00f5es sujeitas a campanhas publicit\u00e1rias de alto custo, subvencionadas por doa\u00e7\u00f5es de empresas milion\u00e1rias. A vit\u00f3ria e a perman\u00eancia de governantes que desagradam \u00e0 direita, em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o adversas, tornou-se poss\u00edvel gra\u00e7as a uma s\u00fabita e auspiciosa eleva\u00e7\u00e3o da arg\u00facia pol\u00edtica das massas populares. Estas continuam a deslumbrar-se com a propaganda consumista na TV, mas aprenderam a descolar-se do discurso das grandes redes midi\u00e1ticas na hora de escolher candidato e ajuizar governo. Com isso, definhou o poder de empossar e derrubar governos que a m\u00eddia dos grandes neg\u00f3cios exibia em d\u00e9cadas passadas.<\/p>\n<p class=\"p1\">Criam-se portanto condi\u00e7\u00f5es novas que favorecem e exigem a recupera\u00e7\u00e3o das correntes progressistas e sua interven\u00e7\u00e3o na cena pol\u00edtica. No plano internacional, a luta contra a pol\u00edtica de guerras sem fim do imperialismo estadunidense e seus associados, que hoje preparam uma agress\u00e3o de grande escala e consequ\u00eancias imprevis\u00edveis \u00e0 S\u00edria e ao Ir\u00e3, \u00e9 meta que a todos obriga. Na Am\u00e9rica do Sul, e no Brasil em particular, a luta em defesa dos interesses nacionais, da preserva\u00e7\u00e3o e do aprofundamento do regime democr\u00e1tico, da soberania e da coes\u00e3o dos Estados da regi\u00e3o \u00e9 a diretriz que, bem atendida, permitir\u00e1 a mobiliza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as capaz de vencer as fortes coaliz\u00f5es de direita e assegurar o avan\u00e7o econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social de nossos povos e na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\">V \u2013 N\u00e3o h\u00e1 receitas prontas nem caminhos tra\u00e7ados para essa luta. As experi\u00eancias vividas por outros povos, no passado ou no presente, servem de li\u00e7\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o servem de modelo. A originalidade e a variedade das solu\u00e7\u00f5es que a vida vai gerando nos pa\u00edses sul-americanos s\u00e3o muito fecundas. Em comum, existe entre elas a circunst\u00e2ncia de que s\u00e3o encabe\u00e7adas por l\u00edderes n\u00e3o egressos das classes dirigentes, que souberam perceber e potencializar o desejo de mudan\u00e7a das massas populares e o descr\u00e9dito entre elas dos partidos e institui\u00e7\u00f5es que conduziam antes a vida pol\u00edtica. Essa depend\u00eancia de lideran\u00e7as pessoais fortes \u00e9 ao mesmo tempo positiva, porque facilita a participa\u00e7\u00e3o das grandes massas no processo pol\u00edtico, e negativa, porque p\u00f5e esse processo na depend\u00eancia das escolhas e limita\u00e7\u00f5es pessoais do l\u00edder. Mas a necessidade de recorrer \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular, uma vez que as for\u00e7as poderosas que o hostilizam manipulam as grandes empresas de comunica\u00e7\u00e3o, as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas formais e fac\u00e7\u00f5es militares, induz o l\u00edder a estimular a gesta\u00e7\u00e3o de novas formas de organiza\u00e7\u00e3o de massas do povo trabalhador para o combate pol\u00edtico e at\u00e9 para a resist\u00eancia armada. Chama a aten\u00e7\u00e3o, nesse sentido, especialmente na Venezuela, na Bol\u00edvia e no Equador, a ascens\u00e3o em bairros prolet\u00e1rios de associa\u00e7\u00f5es de moradores que se articulam em torno de conselhos comunit\u00e1rios e, ao mesmo tempo, defendem os interesses imediatos da popula\u00e7\u00e3o local, t\u00eam presen\u00e7a ativa na resist\u00eancia ao golpismo de direita e pressionam em favor do aprofundamento da democracia.<\/p>\n<p class=\"p1\">VI \u2013 No Brasil, o movimento organizado de massas populares \u00e9 ainda d\u00e9bil. No per\u00edodo final da ditadura militar, recuperou-se um pouco da derrota que esta lhe imp\u00f4s, mas voltou a perder for\u00e7a depois. O governo do presidente Lula refletiu essa debilidade. Contradit\u00f3rio, ele manteve como j\u00e1 vimos uma pol\u00edtica econ\u00f4mica na qual ainda sobrevive o neoliberalismo, mas adotou medidas de favorecimento ao poder aquisitivo da popula\u00e7\u00e3o pobre e desenvolveu uma pol\u00edtica externa de relativa autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo estadunidense e defesa da paz. A presidente Dilma Roussef, eleita gra\u00e7as ao apoio de Lula, mant\u00e9m nas linhas gerais essa diretriz.<\/p>\n<p class=\"p1\">Por sua pol\u00edtica de favorecimento aos pobres e \u00e0 soberania dos povos sul-americanos, o presidente Lula foi alvo de uma constante e incans\u00e1vel campanha hostil da m\u00eddia. Para defender-se, ele se apoiou por\u00e9m, quase exclusivamente, em sua popularidade pessoal. Isso o deixou vulner\u00e1vel a press\u00f5es e o levou a fazer concess\u00f5es pol\u00edticas onerosas para o interesse p\u00fablico, al\u00e9m de tolher suas possibilidades de avan\u00e7o e p\u00f4r em risco a preserva\u00e7\u00e3o no governo dos tra\u00e7os positivos de sua gest\u00e3o. Com Dilma Roussef, tal situa\u00e7\u00e3o de modo geral se mant\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00c9 portanto urgente a necessidade de expans\u00e3o de uma consci\u00eancia p\u00fablica de defesa do desenvolvimento soberano e democr\u00e1tico do pa\u00eds \u2013 na sua economia, na sua organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, na sua cultura. Quanto maior seja essa consci\u00eancia, mais forte estar\u00e1 o governo para resistir \u00e0s agress\u00f5es da direita e, ao mesmo tempo, maior ser\u00e1 a press\u00e3o dos movimentos de massa para que ele torne suas pol\u00edticas mais coerentes com os interesses do pa\u00eds e da sociedade.<\/p>\n<p class=\"p1\">Um elenco de propostas nesse sentido com certeza incluir\u00e1: 1) a efetiva acelera\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds; 2) a subordina\u00e7\u00e3o dos sistemas banc\u00e1rio e cambial aos interesses desse desenvolvimento; 3) a posse dos recursos naturais do pa\u00eds e tanto quanto poss\u00edvel a recupera\u00e7\u00e3o das empresas e recursos p\u00fablicos estrat\u00e9gicos dilapidados; 4) a efetiva\u00e7\u00e3o de um programa de reforma agr\u00e1ria que penalize o latif\u00fandio improdutivo e beneficie as propriedades produtivas de pequeno e m\u00e9dio porte; 5) a destina\u00e7\u00e3o de maiores verbas \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade; 6) a mudan\u00e7a da pol\u00edtica vigente de repress\u00e3o policial direcionada contra a popula\u00e7\u00e3o mais pobre, principalmente n\u00e3o branca, por uma pol\u00edtica democr\u00e1tica de seguran\u00e7a p\u00fablica; 7) o refor\u00e7o do controle pelo poder p\u00fablico das concess\u00f5es de meios de comunica\u00e7\u00e3o a grupos privados e outras medidas que proporcionem o aprofundamento do regime democr\u00e1tico; 8) o reequipamento das For\u00e7as Armadas e a dota\u00e7\u00e3o a elas de recursos necess\u00e1rios \u00e0 eficiente defesa do territ\u00f3rio nacional; 9) a amplia\u00e7\u00e3o e a consolida\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de unidade com a Am\u00e9rica Latina \u2013 essencial para a preserva\u00e7\u00e3o dos governos progressistas na regi\u00e3o; e 10) a maior afirma\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica externa de respeito \u00e0 soberania dos Estados, de rela\u00e7\u00f5es amistosas com todos os povos e de defesa da paz.<\/p>\n<p class=\"p1\">Muitas s\u00e3o as metas a nos desafiarem, cujo alcance requer todo o engenho e toda a for\u00e7a que sejam capazes de reunir as correntes progressistas em nosso pa\u00eds, com sentido estrat\u00e9gico e esp\u00edrito transformador. Povo e governo precisam mobilizar suas reservas de civismo e patriotismo, a fim de que o Brasil possa aproveitar a grande oportunidade que tem hoje de consolidar-se em breve prazo como na\u00e7\u00e3o poderosa, soberana, projetada no cen\u00e1rio mundial e consolidada em seu papel de lastro e l\u00edder do processo democr\u00e1tico de reconstru\u00e7\u00e3o nacional, pac\u00edfico e progressista, que se desenvolve na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">Fonte &#8211; Revista Mirante<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sob esse \u00e2ngulo, a crise mundial \u00e9 examinada em artigo de Renato Guimar\u00e3es que a revista Nosso Caminho, assinada por Oscar Niemeyer, publica em seu n\u00famero 12.2012, rec\u00e9m-editado. O lan\u00e7amento da edi\u00e7\u00e3o da revista, com a presen\u00e7a de Niemeyer, ter\u00e1 lugar no Rio de Janeiro, dia 14 de junho pr\u00f3ximo, \u00e0 Rua Garcia D\u2019\u00c1vila, 113, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1008"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1008"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1008\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}