{"id":1009,"date":"2012-06-10T14:33:02","date_gmt":"2012-06-10T14:33:02","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/10\/a-bomba-no-riocentro-e-uma-pequena-agenda-de-telefones-2\/"},"modified":"2012-06-10T14:33:02","modified_gmt":"2012-06-10T14:33:02","slug":"a-bomba-no-riocentro-e-uma-pequena-agenda-de-telefones-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/10\/a-bomba-no-riocentro-e-uma-pequena-agenda-de-telefones-2\/","title":{"rendered":"A bomba no Riocentro e uma pequena agenda de telefones"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o modus faciendi da turma do terror: cia&#038;mossad. Usam de todos os expedientes, at\u00e9 os mais escusos, para conseguirem sucesso em suas invas\u00f5es. N\u00f3s, brasileiros, j\u00e1 tivemos essa experi\u00eancia: o sargento que morreu com a bomba no colo, em frente ao Riocentro. Estava pensado: &#8216;quem sabe detonou a bomba de prop\u00f3sito e salvou muitas vidas?&#8217; J\u00e1 que desenterramos verdades, seria bom descobrir se esse menino seria um her\u00f3i&#8230;<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/t3.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcRvQVJB7PA94t6laE9n0Zh3SsRcVlv-8W5eT_auCCBb2Z_GVvTG\" border=\"0\" width=\"197\" height=\"256\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">De O Globo<\/p>\n<p class=\"p2\"><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/politica\/agenda-do-sargento-que-morreu-no-atentado-no-riocentro-revela-apos-30-anos-rede-de-conspiradores-do-periodo-2793109\">Agenda do sargento que morreu no atentado no Riocentro revela, ap\u00f3s 30 anos, rede de conspiradores do per\u00edodo<\/a><\/p>\n<p class=\"p2\">Deixar que a bomba explodisse em seu colo n\u00e3o foi o \u00fanico erro do sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio na noite de 30 de abril de 1981, no Riocentro. O &#8220;agente Wagner&#8221; do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do 1\u00ba Ex\u00e9rcito (DOI I), principal centro de tortura do regime militar no Rio, tamb\u00e9m levava no bolso uma pequena agenda telef\u00f4nica, contendo nomes reais, e n\u00e3o codinomes, e respectivos telefones, de militares e civis envolvidos com tortura e espionagem. Quatro deles eram ligados ao &#8220;Grupo Secreto&#8221;, organiza\u00e7\u00e3o paramilitar de direita que desencadeou uma s\u00e9rie de atos terroristas na tentativa de deter a abertura pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"p2\">Havia ainda nomes-chave da pol\u00edcia fluminense, como o chefe de gabinete do secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a e o chefe da unidade de elite policial da \u00e9poca, o Grupo de Opera\u00e7\u00f5es Especiais, mais tarde Departamento Geral de Investiga\u00e7\u00f5es Especiais, setor especializado em explosivos que tinha a responsabilidade de investigar justamente atentados a bomba como os patrocinados pelos bols\u00f5es radicais alojados na caserna.<\/p>\n<p class=\"p2\">&#8230;.<\/p>\n<p class=\"p2\">Trinta anos depois do atentado que vitimou o pr\u00f3prio autor e feriu gravemente o ent\u00e3o capit\u00e3o Wilson Machado, O GLOBO localizou a agenda e identificou metade dos 107 nomes e telefones anotados pelo sargento. De oficiais graduados a soldados, de delegados a detetives, Ros\u00e1rio tinha contatos em setores estrat\u00e9gicos, como o Estado-Maior da PM e a chefia de gabinete da Secretaria de Seguran\u00e7a, al\u00e9m de amigos ligados a setores operacionais, como f\u00e1brica de armamento e cadastros de tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\"><strong>Terror de direita usou paraquedistas<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\">A rede formada por esses contatos mostra onde se apoiavam as a\u00e7\u00f5es dos insatisfeitos com a abertura. Na segunda metade dos anos 70, o governo Geisel determinou a desmobiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina de torturar e matar nos por\u00f5es do regime, que mudou de dire\u00e7\u00e3o, indo da brutalidade para a\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia, com a reestrutura\u00e7\u00e3o dos DOIs. Descontentes com as mudan\u00e7as, sargentos como Ros\u00e1rio, sobretudo os paraquedistas arregimentados anos antes pela repress\u00e3o, transformaram-se em bra\u00e7os operacionais de grupos terroristas de extrema direita. Ros\u00e1rio e sua turma foram buscar na a\u00e7\u00e3o clandestina, fora da cadeia de comando, o poder gradativamente perdido.<\/p>\n<p class=\"p2\">Recolhida pelo ent\u00e3o tenente Divany Carvalho Barros, o &#8220;doutor \u00c1ureo&#8221;, tamb\u00e9m do DOI, pouco depois da explos\u00e3o, a agenda de Ros\u00e1rio s\u00f3 seria submetida \u00e0 per\u00edcia 19 anos depois, em abril de 2000, no segundo IPM sobre o atentado. Por\u00e9m, desde que o caso foi arquivado, naquele mesmo ano, o caderninho marrom, do tamanho da palma da uma m\u00e3o e que trazia em seu cabe\u00e7alho a prece &#8220;Confio em Deus com todas as for\u00e7as e pe\u00e7o a Deus que ilumine o meu caminho e toda a minha vida&#8221;, permanecia esquecido em um envelope, num dos anexos do volumoso processo sobre o caso, no Superior Tribunal Militar (STM).<\/p>\n<p class=\"p2\">Para montar a rede do sargento, foi preciso cruzar nomes e n\u00fameros da agenda com cat\u00e1logos telef\u00f4nicos da \u00e9poca, e com telefones e endere\u00e7os atuais, bem como outras fontes de informa\u00e7\u00e3o. Para entender a rede, a lista de contatos foi dividida em cinco segmentos: integrantes do Grupo Secreto, do qual Ros\u00e1rio era provavelmente ativo protagonista; a comunidade de informa\u00e7\u00f5es (incluindo militares at\u00e9 hoje envolvidos com arapongagem); agentes da Secretaria estadual de Seguran\u00e7a (pol\u00edcias Civil e Militar, como integrantes do servi\u00e7o de intelig\u00eancia e de grupos de peritos em explosivos); representantes da sociedade civil, como empresas de constru\u00e7\u00e3o civil e de equipamentos el\u00e9tricos; al\u00e9m de um sub-reitor da Uerj que consta como tendo auxiliado quadros da repress\u00e3o; e at\u00e9 meios de comunica\u00e7\u00e3o, cujos telefones seriam usados pelos terroristas para a comunica\u00e7\u00e3o de atentados.<\/p>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\"><strong>IPMs ignoraram nomes da agenda<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\">O atentado do Riocentro foi alvo de dois inqu\u00e9ritos policial-militares do Ex\u00e9rcito. O primeiro, em 1981, foi considerado farsa ao concluir que o sargento e o capit\u00e3o foram v\u00edtimas, e n\u00e3o autores da a\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o segundo IPM, provocado pela reabertura do caso em 1999, mudou a vers\u00e3o oficial, comprovando o envolvimento da dupla do DOI, al\u00e9m de um oficial (Freddie Perdig\u00e3o) e um civil (Hil\u00e1rio Corrales), mas ningu\u00e9m foi levado a julgamento: o STM entendeu que os autores estavam cobertos pela anistia.<\/p>\n<p class=\"p2\">A agenda, por\u00e9m, nunca foi considerada como pista para o esclarecimento do atentado e da a\u00e7\u00e3o dos terroristas do per\u00edodo. Se os investigadores se detivessem nos nomes anotados, teriam descoberto, por exemplo, que o aviador Leuzinger Marques Lima (para Ros\u00e1rio, L\u00e9o Asa) , um dos nomes do Grupo Secreto, participara da Revolta de Aragar\u00e7as, contra o governo JK, ainda nos anos 50. No epis\u00f3dio, L\u00e9o Asa envolveu-se no sequestro de um avi\u00e3o da Panair e planejou com outros revoltosos jogar bombas nos pal\u00e1cios das Laranjeiras e do Catete.<\/p>\n<p class=\"p2\">Outro do Grupo Secreto no caderno de Ros\u00e1rio era o general Camilo Borges de Castro, cujo telefone pessoal refor\u00e7a a tese de que o terror agia fora da cadeia de comando, sem respeitar a hierarquia. Castro era amigo do marceneiro Hil\u00e1rio Corrales, civil que integrava o grupo e que teria montado a bomba que colocaria Ros\u00e1rio na Hist\u00f3ria pol\u00edtica do pa\u00eds. O irm\u00e3o de Hil\u00e1rio, Gilberto Corrales, tamb\u00e9m teve o nome anotado na agenda.<\/p>\n<p class=\"p2\">O coronel do Ex\u00e9rcito Freddie Perdig\u00e3o Pereira foi o quarto nome do Grupo Secreto encontrado no caderno de Ros\u00e1rio. Apontado pelo projeto Brasil Nunca Mais como not\u00f3rio torturador, era o &#8220;dr. Nagib&#8221; do DOI I e da &#8220;Casa da Morte&#8221;, em Petr\u00f3polis. Na \u00e9poca do Riocentro, estava na Ag\u00eancia Rio do SNI. O general Newton Cruz, chefe da Ag\u00eancia Central do \u00f3rg\u00e3o, chegou a admitir que Perdig\u00e3o lhe falou do atentado antes de ele ocorrer.<\/p>\n<p class=\"p2\">Da Secretaria de Seguran\u00e7a, havia integrantes das pol\u00edcias Militar e Civil com algum tipo de rela\u00e7\u00e3o com o atentado. Um dos PMs na agenda, o segundo-tenente Jos\u00e9 Armindo Naz\u00e1rio, trabalhava no Estado-Maior da PM &#8211; justamente a unidade que deu ordem para suspender o patrulhamento no Riocentro na noite do atentado. Naz\u00e1rio tamb\u00e9m era ligado \u00e0 intelig\u00eancia da PM, a P-2. Em 69, foi designado pelo general Em\u00edlio M\u00e9dici, ent\u00e3o chefe do SNI, para servir em Bras\u00edlia; em 73, foi para a divis\u00e3o de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p2\">Outro nome do caderninho \u00e9 o do coronel da PM Hamilton Dorta, ex-sargento do Ex\u00e9rcito e chefe da P-2 de v\u00e1rios batalh\u00f5es da PM nos anos 1970. De 1978 a 1981, ele foi subdiretor de seguran\u00e7a externa da Secretaria de Justi\u00e7a, cargo ligado ao Desipe, no qual cuidava da intelig\u00eancia de movimenta\u00e7\u00f5es de presos comuns e pol\u00edticos, e tamb\u00e9m da seguran\u00e7a de pres\u00eddios, para evitar, por exemplo, a\u00e7\u00f5es de resgate. O telefone associado a Dorta na agenda pertencia ao Departamento Penitenci\u00e1rio da \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p2\">Da Pol\u00edcia Civil, um dos nomes identificados \u00e9 o do delegado S\u00e9rgio Farjalla. Ex-instrutor de tiro da Academia de Pol\u00edcia, ele tamb\u00e9m foi ligado \u00e0 Delegacia de Pol\u00edcia Pol\u00edtica e Social (DPPS), \u00f3rg\u00e3o que investigava atentados a bomba na \u00e9poca. Mais tarde, Farjalla se tornaria um dos primeiros especialistas em efeitos especiais do pa\u00eds e abriria uma empresa especializada.<\/p>\n<p class=\"p2\">A agenda registra ainda o telefone de &#8220;Solange Tavares &#8211; esposa dr. Ilo&#8221;. A advogada Solange era mulher do delegado Ilo Salgado Bastos, chefe de gabinete do secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a nos anos 80 &#8211; na \u00e9poca, o secret\u00e1rio era Olavo de Lima Rangel, ex-Dops. Nessa fun\u00e7\u00e3o, Ilo, ex-Dops, ex-DPPS e pr\u00f3ximo de alguns dos &#8220;Doze Homens de Ouro&#8221; da pol\u00edcia, coordenava todas as delegacias distritais do Rio. Na secretaria, era um dos poucos a ter uma esp\u00e9cie de &#8220;telefone vermelho&#8221;, um aparelho sem discador, s\u00f3 para receber liga\u00e7\u00f5es diretas do secret\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"p2\">A maioria das pessoas que constavam da agenda e que foram contactadas pela reportagem disse n\u00e3o se lembrar do sargento, mas n\u00e3o soube explicar por que seu nome estava na agenda.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\">Fonte &#8211; Luis Nassif Online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 o modus faciendi da turma do terror: cia&#038;mossad. Usam de todos os expedientes, at\u00e9 os mais escusos, para conseguirem sucesso em suas invas\u00f5es. N\u00f3s, brasileiros, j\u00e1 tivemos essa experi\u00eancia: o sargento que morreu com a bomba no colo, em frente ao Riocentro. 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