{"id":1049,"date":"2012-06-11T12:02:53","date_gmt":"2012-06-11T12:02:53","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/11\/um-mergulho-no-ultimo-suspiro-da-guerrilha-2\/"},"modified":"2012-06-11T12:02:53","modified_gmt":"2012-06-11T12:02:53","slug":"um-mergulho-no-ultimo-suspiro-da-guerrilha-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/11\/um-mergulho-no-ultimo-suspiro-da-guerrilha-2\/","title":{"rendered":"Um mergulho no \u00faltimo suspiro da guerrilha"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para o soldado Cid, foi um ato banal. &#8220;Pisei em seu bra\u00e7o, impedindo que levantasse a arma, e perguntei: &#8216;Qual o seu nome?&#8217; Com ar de deboche e \u00f3dio, respondeu aos gritos: &#8216;Guerrilheira n\u00e3o tem nome&#8217;. Eu e Jo\u00e3o Pedro a metralhamos.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Assim morreu, em 24 de outubro de 1974, numa obscura grota na selva, ao norte de Goi\u00e1s, a militante do PC do B L\u00facia Maria de Souza, ou S\u00f4nia, capturada pelo grupo do major Sebasti\u00e3o Curi\u00f3 &#8211; o homem que o regime militar havia encarregado de liquidar sumariamente a Guerrilha do Araguaia.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">S\u00f4nia, Raul, Osvald\u00e3o, Arildo, Grabois, \u00c1urea, Queixada, as duas Dinas&#8230; Os momentos finais de todos eles foram semelhantes. O registro de tudo, pelo pr\u00f3prio major, ficou por mais de 30 anos no fundo de uma mala vermelha guardada em um por\u00e3o. Pelas m\u00e3os do jornalista Leonencio Nossa, rep\u00f3rter especial da Ag\u00eancia Estado em Bras\u00edlia, esse precioso pacote de mem\u00f3rias est\u00e1 virando livro. Editado pela Companhia das Letras, Mata! &#8211; O Major Curi\u00f3 e as Guerrilhas no Araguaia chega ter\u00e7a-feira \u00e0s livrarias e deixa mais rica a bibliografia da recente hist\u00f3ria do Brasil. Em 512 p\u00e1ginas, que incluem um caderno central com fotos cuidadosamente guardadas por Curi\u00f3, v\u00eam \u00e0 luz as caminhadas finais, pela selva, da Opera\u00e7\u00e3o Marajoara &#8211; a a\u00e7\u00e3o militar que entre 1972 e 1975 acabou com a brev\u00edssima aventura da luta armada do PC do B no fund\u00e3o de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A tarefa exigiu paci\u00eancia, determina\u00e7\u00e3o, talento. Leonencio rodeou o assunto e o major durante longos anos. Vasculhou 32 pastas, um pacote de mapas, seis \u00e1lbuns de fotos e muitos pap\u00e9is soltos que o xerif\u00e3o das selvas, hoje tenente-coronel reformado, guardava para escrever, ele pr\u00f3prio, o seu livro &#8211; cujo t\u00edtulo seria A Selva do Araguaia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Meu desejo \u00e9 que a narrativa agrade. \u00c9 importante que isso seja conhecido, esclarecido&#8221;, afirma o autor, que antecipou no Estado boa parte desse material em uma s\u00e9rie de reportagens em junho de 2009.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cor local. Fato marcante dos anos 70, a aventura armada no Araguaia tem sido objeto de muitos outros autores, mas o que surpreende em Mata! \u00e9 o testemunho direto dos epis\u00f3dios &#8211; o que s\u00f3 as mem\u00f3rias de Curi\u00f3 tornariam poss\u00edvel. Breves cap\u00edtulos v\u00e3o despejando, aos poucos, a cansativa caminhada, as conversas, o dia, a hora, o lugar, o ataque, o grito, a fuga, o tiro. O cerco e a liquida\u00e7\u00e3o dos inimigos, j\u00e1 exaustos e sem recursos. O resultado, para a hist\u00f3ria, \u00e9 uma corre\u00e7\u00e3o atr\u00e1s da outra de muitos relat\u00f3rios &#8211; falsos &#8211; que o regime divulgou sobre quem morreu, onde e como. N\u00e3o h\u00e1 grandes surpresas sobre o destino dos corpos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas sabe-se, por exemplo, que foram 41 e n\u00e3o 25 os fugitivos que, j\u00e1 detidos, foram executados quando n\u00e3o ofereciam mais risco. Que Paulo Roberto Marques, o Amauri, n\u00e3o morreu no cerco \u00e0 c\u00fapula da guerrilha no Natal de 1973, mas fugiu e dias depois se entregou. &#8220;Entrou num helic\u00f3ptero com as m\u00e3os amarradas. Foi fuzilado perto do Rio Saranzal&#8221;, anunciam os pap\u00e9is de Curi\u00f3. Que Dinalva Oliveira Teixeira, a Dina, n\u00e3o caiu em combate, mas morreu na cadeia de Marab\u00e1 em 26 de junho de 1974.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Serra Pelada. Na segunda metade do livro vem \u00e0 tona outra grande aventura de Curi\u00f3: os seus turbulentos anos no comando de Serra Pelada. Uma saga de garimpeiros esfarrapados e prostitutas valentonas, gente que ele defendia e manipulava numa \u00e1rea maior que Inglaterra, Irlanda e Gales juntos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Passados 38 anos da aventura, o tenente-coronel aposentado confessa ao rep\u00f3rter sua nostalgia. &#8220;Em Serra Pelada eram dois objetivos: extrair o ouro para encher o cofre do Banco Central e continuar o trabalho pol\u00edtico. N\u00e3o via o tempo passar. Hoje qual \u00e9 meu rumo? Para onde eu vou? Araguaia foi uma guerra, nunca esque\u00e7a.&#8221; E bate na sua tecla preferida: &#8220;Se n\u00e3o houvesse determina\u00e7\u00e3o e pulso forte na erradica\u00e7\u00e3o da guerrilha, ter\u00edamos at\u00e9 hoje um movimento semelhante \u00e0s Farc.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; MSN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o soldado Cid, foi um ato banal. &#8220;Pisei em seu bra\u00e7o, impedindo que levantasse a arma, e perguntei: &#8216;Qual o seu nome?&#8217; Com ar de deboche e \u00f3dio, respondeu aos gritos: &#8216;Guerrilheira n\u00e3o tem nome&#8217;. 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