{"id":1096,"date":"2012-06-12T19:31:00","date_gmt":"2012-06-12T19:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/12\/execucao-sumaria-no-fogueteiro-policiais-da-upp-agem-como-toda-a-pm-nas-favelas-2\/"},"modified":"2012-06-12T19:31:00","modified_gmt":"2012-06-12T19:31:00","slug":"execucao-sumaria-no-fogueteiro-policiais-da-upp-agem-como-toda-a-pm-nas-favelas-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/12\/execucao-sumaria-no-fogueteiro-policiais-da-upp-agem-como-toda-a-pm-nas-favelas-2\/","title":{"rendered":"Execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria no Fogueteiro: policiais da UPP agem como toda a PM nas favelas"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Na \u00faltima quinta-feira 07\/06, em pleno feriado de Corpus Christi, o mec\u00e2nico Jackson Lessa dos Santos, 20 anos, saiu da obra onde ajudava seu pai, na favela do Fogueteiro (Catumbi), passou na casa da irm\u00e3, Jacqueline, para levar o sobrinho \u00e0 sua casa, onde o esperava a esposa e seus tr\u00eas filhos. Por volta das 15h, dirigia-se para um bar, onde se encontravam v\u00e1rias crian\u00e7as, para comprar biscoitos, quando foi surpreendido pelo aparecimento de seis policiais militares vindo do Beco da Raia, j\u00e1 atirando.  <!--more-->  <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Jackson foi atingido nas costas e cercado pelos PMs. Segundo diversas testemunhas, implorou para que o deixassem viver, mas os policiais o executaram com diversos tiros no rosto. A viol\u00eancia da execu\u00e7\u00e3o foi tamanha que um membro da Rede contra a Viol\u00eancia, irm\u00e3o de <a href=\"http:\/\/www.redecontraviolencia.org\/Casos\/2009\/470.html\">Josenildo dos Santos<\/a>, assassinado por policiais em 2009, localizou peda\u00e7os da arcada dent\u00e1ria de Jackson no local da execu\u00e7\u00e3o, o que indica que seu cr\u00e2nio foi praticamente estra\u00e7alhado a tiros.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A irm\u00e3 de Jackson tentaram ainda socorr\u00ea-lo mas foi agredida pelos policiais, que arrastaram o corpo como se fosse um animal, infringindo ainda por cima todas as recomenda\u00e7\u00f5es de n\u00e3o altera\u00e7\u00e3o do local para execu\u00e7\u00e3o de per\u00edcia t\u00e9cnica. O corpo foi colocado numa viatura e levado para o Hospital Sousa Aguiar, embora j\u00e1 fosse evidentemente um cad\u00e1ver. Esse tipo de a\u00e7\u00e3o visa normalmente justificar a remo\u00e7\u00e3o do corpo sob pretexto de \u201csocorro\u201d \u00e0s v\u00edtimas, e conta infelizmente com a coniv\u00eancia de funcion\u00e1rios dos hospitais que aceitam dar entrada em cad\u00e1veres.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Todas as testemunhas negam que houve troca de tiros e a irm\u00e3 de Jackson, Jacqueline, e outras testemunhas, afirmaram que os PMs rasgaram o documento do mec\u00e2nico e ainda colocaram uma arma em suas m\u00e3os e efetuaram pelo menos um tiro. Como normalmente faz a PM em favelas para encobrir seus crimes cometidos contra trabalhadores pobres e negros, a Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP) da Coroa\/Fallet\/Fogueteiro divulgou uma nota alegando que houve confronto durante uma opera\u00e7\u00e3o e que com Jackson foram encontradas armas e drogas. Como os parentes imediatamente procuraram a imprensa e denunciaram a execu\u00e7\u00e3o, a PM foi obrigada a recolher armas dos policiais para a per\u00edcia, mas s\u00f3 o fizeram para dois PMs, enquanto pelo menos seis participaram da a\u00e7\u00e3o. Segundo as testemunhas, entre estes PMs est\u00e1 um policial conhecido como \u201cEspinha\u201d, conhecido como matador por atirar imprudentemente nas opera\u00e7\u00f5es policiais, sem nenhum cuidado pela presen\u00e7a de pessoas, inclusive crian\u00e7as. Policiais civis s\u00f3 chegaram ao local para realizar uma \u201cper\u00edcia\u201d cerca de tr\u00eas horas ap\u00f3s o fato.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Parentes e amigos de Jackson, muito revoltados, enterraram seu corpo no s\u00e1bado 09\/06, ap\u00f3s sua m\u00e3e, Edileide, conseguir liber\u00e1-lo no IML. Membros da Rede contra a Viol\u00eancia estiveram presentes e j\u00e1 organizaram o encaminhamento dos parentes e testemunhas ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e \u00e0 Defensoria P\u00fablica para formalizar a den\u00fancia de assassinato.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A brutal execu\u00e7\u00e3o de Jackson acontece quase exatamente um ano depois do primeiro caso de execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria numa favela ocupada por UPP, o assassinato de <a href=\"http:\/\/www.redecontraviolencia.org\/Casos\/2011\/814.html\">Andr\u00e9 de Lima Cardoso Ferreira<\/a> no Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho em 12\/06\/2011, caso tamb\u00e9m acompanhado pela Rede, que levou \u00e0 den\u00fancia por homic\u00eddio de dois PMs (a primeira audi\u00eancia judicial do processo ser\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 16\/07). Desde ent\u00e3o, as den\u00fancias de graves abusos cometidos por policiais das UPPs, inclusive viol\u00eancia sexual contra moradoras das comunidades e roubos. Existem inclusive relatos de outras execu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o denunciadas porque teriam sido de pessoas realmente ligadas ao tr\u00e1fico de drogas, feitos por moradores, acusando policiais da mesma UPP do Fogueteiro e da UPP vizinha do Morro da Mineira. A Rede tem denunciado sistematicamente <a href=\"http:\/\/www.redecontraviolencia.org\/Atividades\/852.html\">viola\u00e7\u00f5es no Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho-Cantagalo<\/a>, e as den\u00fancias s\u00e3o tantas que j\u00e1 est\u00e3o sendo feitas freq\u00fcentemente pela grande imprensa mesmo.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Esses fatos desmentem completamente a alega\u00e7\u00e3o oficial, do governo estadual e em especial da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica, de que os policiais das UPPs receberam um treinamento diferenciado e que n\u00e3o repetem os m\u00e9todos brutais e corruptos que sempre caracterizaram a atua\u00e7\u00e3o das Pol\u00edcias Militar e Civil nas favelas e periferias do Rio de Janeiro. Embora n\u00e3o se possa afirmar que todos os policiais das UPPs estejam envolvidos nesses atos e viola\u00e7\u00f5es, \u00e9 fato ineg\u00e1vel que subsistem violentas quadrilhas que aterrorizam os moradores nos \u201cplant\u00f5es do terror\u201d, e a situa\u00e7\u00e3o tende a se agravar com a implanta\u00e7\u00e3o das UPPs em outras regi\u00f5es fora do eixo Centro-Zona Sul-Tijuca, onde pelo menos as den\u00fancias s\u00e3o mais f\u00e1ceis de serem realizadas junto \u00e0 imprensa, a \u00f3rg\u00e3os do poder p\u00fablico e organiza\u00e7\u00f5es defensoras dos Direitos Humanos.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima quinta-feira 07\/06, em pleno feriado de Corpus Christi, o mec\u00e2nico Jackson Lessa dos Santos, 20 anos, saiu da obra onde ajudava seu pai, na favela do Fogueteiro (Catumbi), passou na casa da irm\u00e3, Jacqueline, para levar o sobrinho \u00e0 sua casa, onde o esperava a esposa e seus tr\u00eas filhos. 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