{"id":1146,"date":"2012-06-14T17:53:00","date_gmt":"2012-06-14T17:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/14\/comissao-da-verdade-admite-apurar-crimes-contra-indigenas-durante-ditadura-2\/"},"modified":"2012-06-14T17:53:00","modified_gmt":"2012-06-14T17:53:00","slug":"comissao-da-verdade-admite-apurar-crimes-contra-indigenas-durante-ditadura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/14\/comissao-da-verdade-admite-apurar-crimes-contra-indigenas-durante-ditadura-2\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade admite apurar crimes contra ind\u00edgenas durante ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Em reuni\u00e3o na capital paulista, organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos humanos lembram que, mesmo tendo sido dizimados pelo regime, \u00edndios brasileiros permanecem no esquecimento<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>A Associa\u00e7\u00e3o de Ju\u00edzes para a Democracia (AJD), o Grupo Tortura Nunca Mais de S\u00e3o Paulo e a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, ligada \u00e0 igreja cat\u00f3lica, foram recebidos ter\u00e7a-feira (12) pelos integrantes da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, que investiga os crimes cometidos pelo Estado brasileiro entre 1946 e 1988, e pediram a seus membros que se dediquem a elucidar as viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos cometidas contras as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas durante a ditadura.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O encontro foi realizado na capital paulista e durou cerca de uma hora e meia. \u201cExpusemos a necessidade hist\u00f3rica de desvendar os abusos praticados contra os povos origin\u00e1rios\u201d, relata Keranik Boujikian, membro do conselho executivo da AJD. Segundo a ju\u00edza, os tr\u00eas membros da comiss\u00e3o presentes ao encontro (Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, Rosa Maria Cardoso da Cunha e Jos\u00e9 Carlos Dias) mostraram-se sens\u00edveis ao pedido. \u201cMas ainda n\u00e3o estabeleceram uma metodologia de trabalho\u201d, ressalva.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cPor que analisar apenas os mortos e desaparecidos pol\u00edticos?\u201d, questiona Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais S\u00e3o Paulo, que apresentou \u00e0 comiss\u00e3o os resultados preliminares de uma pesquisa que analisa todos os 4,3 mil discursos proferidos no Congresso Nacional entre 1946 e 1985 com a palavra &#8216;\u00edndio&#8217; e os 1,527 mil que ostentam, juntos, os termos &#8216;\u00edndio&#8217; e &#8216;massacre&#8217;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 no povo waimiri-atroari, que enfrentou a constru\u00e7\u00e3o da rodovia BR-174, morreram mais de dois mil ind\u00edgenas\u201d, lembra Zelic. \u201cInforma\u00e7\u00f5es do antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro, que aparecem em alguns discursos de parlamentares, dizem que em 1964 existiam mais de 6,4 mil yanomamis na Amaz\u00f4nia. Em 1979, sobraram apenas 640.\u201d O vice-presidente do Tortura Nunca Mais S\u00e3o Paulo explica que as pol\u00edticas de exterm\u00ednio foram conduzidas por setores ligados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de recursos minerais interessados em ocupar a terra dos \u00edndios.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Subcomiss\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cNossa prioridade, por\u00e9m, s\u00e3o os casos de tortura, mortos e desaparecidos pol\u00edticos\u201d, pondera Rose Nogueira, presidente do Tortura Nunca Mais de S\u00e3o Paulo, ela mesma uma das pessoas que sofreram nos por\u00f5es da ditadura. \u201cAinda assim, acreditamos que, se algumas subcomiss\u00f5es tem\u00e1ticas forem constitu\u00eddas, a Comiss\u00e3o da Verdade vai encontrar um monte de coisa que nem imagina.\u201d Al\u00e9m dos abusos cometidos contra os \u00edndios, Rose sugere a cria\u00e7\u00e3o de pequenos grupos para averiguar especificamente a censura sobre a imprensa e as artes.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cPrivar a popula\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 cultura e informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o grave dos direitos humanos, e a comiss\u00e3o dever\u00e1 se dedicar a esses temas\u201d, prop\u00f5e. No que depender do Tortura Nunca Mais de S\u00e3o Paulo, at\u00e9 mesmo a pol\u00edtica econ\u00f4mica da ditadura ser\u00e1 devassada. \u201cTemos de elucidar melhor os impactos da infla\u00e7\u00e3o e da d\u00edvida externa que assolaram o pa\u00eds durante o regime. Quanta gente morreu de fome, perdeu a casa e amargou a mis\u00e9ria por causa das decis\u00f5es do governo? Foi criminoso.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Documentos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A reuni\u00e3o de ontem tamb\u00e9m informou \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade sobre em que p\u00e9 anda a digitaliza\u00e7\u00e3o do acervo do Projeto Brasil Nunca Mais. S\u00e3o 710 processos judiciais recuperados por advogados e defensores dos direitos humanos nos arquivos do Superior Tribunal Militar (STM) a partir de 1979, e que em 1985 deram origem ao relat\u00f3rio Brasil Nunca Mais sobre a repress\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds durante a ditadura. Na \u00e9poca, a compila\u00e7\u00e3o do material foi encabe\u00e7ada pelos religiosos dom Paulo Evaristo Arns, rabino Henry Sobel e reverendo James Wright.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cJ\u00e1 temos 702 processos judiciais digitalizados, desde o inqu\u00e9rito policial at\u00e9 a senten\u00e7a dos tribunais\u201d, explica Rose Nogueira. Esse trabalho foi realizado na Universidade de Chicago, onde os microfilmes dos documentos ficaram protegidos at\u00e9 o ano passado por iniciativa de pastores protestantes estadunidenses. \u201cOs oito processos restantes j\u00e1 come\u00e7aram a ser escaneados na Universidade de Campinas (Unicamp)\u201d, diz Marcelo Zelic.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Aos processos judiciais ser\u00e3o adicionadas as cerca de tr\u00eas mil p\u00e1ginas dos documentos de Genebra: correspond\u00eancias trocadas entre dom Paulo e o Conselho Mundial de Igrejas, sediado na cidade su\u00ed\u00e7a, sobre a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no Brasil durante o regime. Al\u00e9m disso, o acervo contar\u00e1 ainda com os arquivos sigilosos do arcebispo em\u00e9rito de S\u00e3o Paulo. \u201cS\u00e3o cartas que chegavam \u00e0 C\u00faria denunciando casos de tortura, sequestro e desaparecimento\u201d, resgata Zelic. \u201cMuitos deles foram escritos por presos pol\u00edticos e vazaram clandestinamente. S\u00e3o in\u00e9ditos.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Tudo ser\u00e1 colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos membros da Comiss\u00e3o da Verdade, com mecanismo de busca eletr\u00f4nica para facilitar a localiza\u00e7\u00e3o de nomes, datas e localidades. Segundo o vice-presidente do Tortura Nunca Mais, o grupo demonstrou grande interesse pelo projeto: ofereceram-se inclusive a verificar a probabilidade de conseguir um esc\u00e2ner de alta tecnologia para acelerar a digitaliza\u00e7\u00e3o dos documentos. \u201cNo ritmo atual, devemos disponibilizar os arquivos em mar\u00e7o de 2013\u201d, diz Zelic. \u201cCom novos equipamentos, poderemos abreviar o processo.\u201d<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em reuni\u00e3o na capital paulista, organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos humanos lembram que, mesmo tendo sido dizimados pelo regime, \u00edndios brasileiros permanecem no esquecimento A Associa\u00e7\u00e3o de Ju\u00edzes para a Democracia (AJD), o Grupo Tortura Nunca Mais de S\u00e3o Paulo e a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, ligada \u00e0 igreja cat\u00f3lica, foram recebidos ter\u00e7a-feira (12) [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1146"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1146\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}