{"id":12,"date":"2012-05-04T18:18:42","date_gmt":"2012-05-04T18:18:42","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/04\/familiares-cobram-apuracao-das-mortes-de-militantes-incinerados\/"},"modified":"2012-05-04T18:18:42","modified_gmt":"2012-05-04T18:18:42","slug":"familiares-cobram-apuracao-das-mortes-de-militantes-incinerados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/04\/familiares-cobram-apuracao-das-mortes-de-militantes-incinerados\/","title":{"rendered":"Familiares cobram apura\u00e7\u00e3o das mortes de militantes incinerados"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>As revela\u00e7\u00f5es do ex-delegado capixaba Ant\u00f4nio Cl\u00e1udio Guerra, do antigo Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), no livro Mem\u00f3rias de uma Guerra Suja, sobre as torturas e os assassinatos de militantes de esquerda por agentes da ditadura trouxeram mais uma vez \u00e0 tona o debate sobre a necessidade do esclarecimento das barb\u00e1ries cometidas pelo regime militar (1964-1985).   <!--more-->  <span class=\"s1\"><br \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Na publica\u00e7\u00e3o, o ex-delegado afirma que pelo menos dez corpos de militantes executados \u2014 e brutalmente torturados \u2014 teriam sido incinerados em uma usina de a\u00e7\u00facar no norte do estado do Rio de Janeiro em 1973. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entre as v\u00edtimas est\u00e3o Jo\u00e3o Batista e Joaquim Pires Cerveira, presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury; Ana Rosa Kucinski, Wilson Silva; David Capistrano, Jo\u00e3o Massena Mello, Jos\u00e9 Roman e Luiz Ign\u00e1cio Maranh\u00e3o Filho, dirigentes hist\u00f3ricos comunistas; Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da A\u00e7\u00e3o Popular Marxista-Leninista (APML).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o torturador apesar de na \u00e9poca dos crimes a imprensa estar sob censura, havia forte press\u00e3o no Brasil e no exterior contra as atrocidades cometidas pelos militares. \u201cEm determinado momento da guerra contra os advers\u00e1rios do regime passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Est\u00e1vamos no final de 1973. Precis\u00e1vamos ter um plano\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para o advogado e vereador de Olinda (PE), Marcelo Santa Cruz \u2014 irm\u00e3o de Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, identificado como um dos supostos militantes incinerados \u2014 as revela\u00e7\u00f5es devem ser vistas com cautela. \u201c\u00c9 a primeira vez que algu\u00e9m oferece dados concretos e objetivos pelas atrocidades cometidas pelos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o. A \u00fanica forma de realmente esclarecermos a quest\u00e3o dos mortos e desaparecidos \u00e9 algu\u00e9m que tenha participado desses crimes resolver falar. Estranhamente, queremos que o governo federal ofere\u00e7a prote\u00e7\u00e3o para que ele possa viver muito e tenha a possibilidade de falar tudo o sabe\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Vermelho, Marcelo afirma que apesar dos familiares dos militantes terem consci\u00eancia das mortes, esses s\u00e3o os primeiros ind\u00edcios sobre o real paradeiro dessas pessoas. \u201cA not\u00edcia dos requintes de perversidade e do modo como essas pessoas foram colocadas em fornos e incineradas n\u00e3o fica nada a dever aos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas. As atrocidades fogem a qualquer dimens\u00e3o humana\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O jornalista e escritor Bernardo Kucinski tamb\u00e9m se manteve cauteloso sobre a veracidade das revela\u00e7\u00f5es. Bernardo, que desde os anos 1970 procura por informa\u00e7\u00f5es que levem aos restos mortais de sua irm\u00e3, a militante Ana Rosa Kucinski e de seu cunhado Wilson Silva, afirma que as informa\u00e7\u00f5es coincidem com uma s\u00e9rie de outras j\u00e1 reveladas em outras reportagens ou investiga\u00e7\u00f5es. &#8220;J\u00e1 em 1982, o ex-sargento Marival Dias Chaves havia feito relatos sobre como as pessoas eram presas e encaminhadas para Petr\u00f3polis. S\u00f3 muda um pouco a vers\u00e3o sobre o destino dos cad\u00e1veres, mas os pontos podem ser ligados\u201d, disse \u00e0 Rede Brasil Atual.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Embora as revela\u00e7\u00f5es de Cl\u00e1udio Guerra tenham nexo, Bernardo Kucinski n\u00e3o acha imposs\u00edvel que o ex-delegado fale em incinera\u00e7\u00e3o dos corpos com objetivo de &#8220;afrouxar&#8221; as buscas dos restos mortais dos desaparecidos por seus familiares.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ainda em entrevista por email ao Vermelho, o presidente da Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, Paulo Abr\u00e3o, disse que h\u00e1 uma dupla ruptura quando um repressor assume a postura de dignidade e respeito \u00e0 verdade. \u201cPrimeiro uma ruptura com um estado de sil\u00eancio ou nega\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, segundo uma ruptura com algo pior que \u00e9 justifica\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Comiss\u00e3o da Verdade<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Marcelo Santa Cruz lamenta que, apesar de formalmente aprovada em novembro do ano passado, os nomes dos membros que ir\u00e3o compor a Comiss\u00e3o da Verdade ainda n\u00e3o tenham sido definidos pela presidente Dilma Rousseff. \u201cLamentamos que a Comiss\u00e3o da Verdade n\u00e3o esteja funcionando. Esse \u00e9 um dado concreto para ela investigar e apurar\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ele explica que, assim como tem acontecido nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ser\u00e3o os familiares dos militantes que dever\u00e3o iniciar o processo de apura\u00e7\u00e3o das revela\u00e7\u00f5es feitas pelo ex-delegado. \u201cMais uma vez isso fica a cargo dos familiares dos desaparecidos e das entidades de direitos humanos que atuam nessa \u00e1rea. Seremos n\u00f3s que iremos atr\u00e1s das pistas e das informa\u00e7\u00f5es, mas quem deveria fazer isso era o Estado brasileiro atrav\u00e9s da Comiss\u00e3o da Verdade\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em nota divulgada nesta quinta-feira (3), o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, que o paradeiro dos militantes pol\u00edticos desaparecidos na \u00e9poca ainda \u00e9 uma ferida n\u00e3o cicatrizada na sociedade brasileira. \u201c&#8221;Est\u00e1 mais do que na hora de a presidenta Dilma Rousseff nomear a Comiss\u00e3o da Verdade&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a disse que a escolha dos nomes exige matura\u00e7\u00e3o e cuidado, pois se trata de uma tarefa hist\u00f3rica para o Brasil. \u201cPela primeira vez na nossa hist\u00f3ria vamos sistematizar cada uma das graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos produzidas e identificar individualmente suas autorias\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Marcelo desabafa que, caso seja constatada a veracidade das informa\u00e7\u00f5es, os familiares das v\u00edtimas poder\u00e3o completar um ciclo da vida e da morte. \u201cO direito de enterrar os seus mortos e de saber como foi o fim da vida daquelas pessoas \u00e9 um direito. Precisamos ter desdobramentos e uma conclus\u00e3o. Precisamos contar a hist\u00f3ria como ela realmente aconteceu\u201d.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As revela\u00e7\u00f5es do ex-delegado capixaba Ant\u00f4nio Cl\u00e1udio Guerra, do antigo Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), no livro Mem\u00f3rias de uma Guerra Suja, sobre as torturas e os assassinatos de militantes de esquerda por agentes da ditadura trouxeram mais uma vez \u00e0 tona o debate sobre a necessidade do esclarecimento das barb\u00e1ries cometidas pelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}