{"id":1213,"date":"2012-06-17T21:00:25","date_gmt":"2012-06-17T21:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/17\/dilma-rousseff-revela-detalhes-do-sofrimento-vivido-nos-poroes-da-ditadura-2\/"},"modified":"2012-06-17T21:00:25","modified_gmt":"2012-06-17T21:00:25","slug":"dilma-rousseff-revela-detalhes-do-sofrimento-vivido-nos-poroes-da-ditadura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/17\/dilma-rousseff-revela-detalhes-do-sofrimento-vivido-nos-poroes-da-ditadura-2\/","title":{"rendered":"Dilma Rousseff revela detalhes do sofrimento vivido nos por\u00f5es da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Dilma Vana Rousseff foi torturada nos por\u00f5es da ditadura em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, e n\u00e3o apenas em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, como se pensava at\u00e9 agora<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><strong \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1209\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/imagem_1706121339952896_g.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <br \/><\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A presidente Dilma Vana Rousseff foi torturada nos por\u00f5es da ditadura em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, e n\u00e3o apenas em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, como se pensava at\u00e9 agora. Em Minas, ela foi colocada no pau de arara, apanhou de palmat\u00f3ria, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dent\u00e1ria. \u00c9 o que revelam documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas , que at\u00e9 ent\u00e3o mofavam na \u00faltima sala do Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG). As instala\u00e7\u00f5es do conselho ocupam o quinto andar do Edif\u00edcio Maletta, no Centro de Belo Horizonte. Um tanto decadente, sujeito a inc\u00eandios e infiltra\u00e7\u00f5es, o velho Maletta foi reduto da milit\u00e2ncia estudantil nas d\u00e9cadas de 1960 e 70.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Perdido entre caixas-arquivo de papel\u00e3o, empilhadas at\u00e9 o teto, repousa o depoimento pessoal de Dilma, o \u00fanico que mereceu uma c\u00f3pia xerox entre os mais de 700 processos de presos pol\u00edticos mineiros analisados pelo Conedh-MG. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, vem \u00e0 tona o testemunho de Dilma relatando todo o sofrimento vivido em Minas na pele da militante pol\u00edtica de codinomes Estela, Stela, Vanda, Lu\u00edza, Mariza e tamb\u00e9m Ana (menos conhecido, que ressurge neste processo mineiro). Ela contava ent\u00e3o com 22 anos e militava no setor estudantil do Comando de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR), dando origem \u00e0 VAR-Palmares.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">As terr\u00edveis sess\u00f5es de tortura enfrentadas pela ent\u00e3o jovem estudante subversiva j\u00e1 foram ditas e repisadas ao longo dos \u00faltimos anos, mas os relatos sempre se referiam ao eixo Rio-S\u00e3o Paulo, envolvendo a Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes, a temida Oban de S\u00e3o Paulo, e a cargeragem na capital fluminense. J\u00e1 o epis\u00f3dio da tortura sofrida por Dilma em Minas, onde, segundo ela pr\u00f3pria, exerceu 90% de sua milit\u00e2ncia durante a ditadura, tinha ficado no esquecimento. At\u00e9 agora.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Com a palavra, a presidente: \u201cAlgumas caracter\u00edsticas da tortura. No in\u00edcio, n\u00e3o tinha rotina. N\u00e3o se distinguia se era dia ou noite. Geralmente, o b\u00e1sico era o choque\u201d. Ela continua: \u201c(&#8230;) se o interrogat\u00f3rio \u00e9 de longa dura\u00e7\u00e3o, com interrogador experiente, ele te bota no pau de arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que n\u00e3o deixa rastro, s\u00f3 te mina. Muitas vezes usava palmat\u00f3ria; usaram em mim muita palmat\u00f3ria. Em S\u00e3o Paulo, usaram pouco este \u2018m\u00e9todo\u2019\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Bilhetes Dilma foi transferida em janeiro de 1972 para Juiz de Fora, ficando presa possivelmente no quartel da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, a 4\u00aa Companhia da PE. Nesse ponto do depoimento, falham as mem\u00f3rias do c\u00e1rcere de Dilma e ela crava apenas n\u00e3o ter sido levada ao Departamento de Ordem e Pol\u00edtica Social (Dops) de BH. Como j\u00e1 era presa antiga, a militante deveria ter ido a Juiz de Fora somente para ser ouvida pela auditoria da 4\u00aa Circunscri\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria Militar (CJM). Dilma pensou que, como havia ocorrido das outras vezes, estava vindo de S\u00e3o Paulo a Minas para a nova fase do julgamento no processo mineiro. Chegando a Juiz de Fora, por\u00e9m, ela afirma ter sido novamente torturada e submetida a p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es carcer\u00e1rias, possivelmente por dois meses.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Nesse per\u00edodo, foi mantida na clandestinidade e jogada em uma cela, onde permaneceu na maior parte do tempo sozinha e em outra na companhia de uma \u00fanica presa, Terezinha, de identidade desconhecida. Dilma voltou a apanhar dos agentes da repress\u00e3o em Minas porque havia a suspeita de que Estela teria organizado, no fim de 1969, um plano para dar fuga a \u00c2ngelo Pezzuti, ex-companheiro da organiza\u00e7\u00e3o Colina, que havia sido preso na ex-Col\u00f4nia Magalh\u00e3es Pinto, hoje Penitenci\u00e1ria de Neves. Os militares haviam conseguido interceptar bilhetinhos trocados entre Estela (Stela nos bilhetes, codinome de Dilma) e Cabral (\u00c2ngelo), contendo inclusive o croqui do mapa do pres\u00eddio, desenhado \u00e0 m\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Seja por discri\u00e7\u00e3o ou por precau\u00e7\u00e3o, Dilma sempre evitou falar sobre a tortura. N\u00e3o consta o depoimento dela nos arquivos do grupo Tortura Nunca Mais, nem no livro Mulheres que foram \u00e0 luta armada, de Luiz Maklouf, de 1998. S\u00f3 mais tarde, em 2003, ele conseguiria que Dilma contasse detalhes sobre a tortura que sofrera nas pris\u00f5es do Rio e de S\u00e3o Paulo. Em 2005, trechos da entrevista foram publicados. Naquela \u00e9poca, a ent\u00e3o ministra acabava de ser indicada para ocupar a Casa Civil.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O relato pessoal de Dilma, que agora se torna p\u00fablico, \u00e9 anterior a isso. Data de 25 de outubro de 2001, quando ela ainda era secret\u00e1ria das Minas e Energia no Rio Grande do Sul, filiada ao PDT e nem sonhava em ocupar a cadeira da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Diante do jovem fil\u00f3sofo Robson S\u00e1vio, que atuava na coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Estadual de Indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas de Tortura (Ceivt) do Conedh-MG, sem remunera\u00e7\u00e3o, Dilma revelou pormenores das sess\u00f5es de humilha\u00e7\u00e3o sofridas em Minas. \u201cO estresse \u00e9 feroz, inimagin\u00e1vel. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solid\u00e3o. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Humilde Apesar de ser ainda apenas a secret\u00e1ria das Minas e Energia, a postura de Dilma impressionou Robson: \u201cA secret\u00e1ria tinha fama de durona. Ela j\u00e1 chegou ao corredor com um jeito impositivo, firme, muito decidida. \u00c0 medida que foi contando os fatos no seu depoimento, ela foi se emocionando. N\u00f3s interrompemos o depoimento e ela deixou a sala com uma postura diferente em rela\u00e7\u00e3o ao momento em que entrou. Saiu cabisbaixa\u201d, conta ele, que teve tr\u00eas dias de prazo para colher sete depoimentos na capital ga\u00facha. Na avalia\u00e7\u00e3o de Robson, Dilma teve uma postura humilde para a \u00e9poca ao concordar em prestar depoimento perante a comiss\u00e3o. \u201cCom ou sem o depoimento dela, a comiss\u00e3o iria aprovar a indeniza\u00e7\u00e3o de qualquer jeito, porque j\u00e1 tinha provas suficientes. Mas a gente insistia em colher os testemunhos, pois tinha a no\u00e7\u00e3o de estar fazendo algo hist\u00f3rico\u201d, afirma o fil\u00f3sofo.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Surgiu.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dilma Vana Rousseff foi torturada nos por\u00f5es da ditadura em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, e n\u00e3o apenas em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, como se pensava at\u00e9 agora<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1209,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1213"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1213\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1209"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}