{"id":12141,"date":"2018-01-15T17:02:07","date_gmt":"2018-01-15T17:02:07","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12141"},"modified":"2018-01-15T17:02:07","modified_gmt":"2018-01-15T17:02:07","slug":"livro-relata-colaboracao-britanica-com-tortura-no-brasil-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2018\/01\/15\/livro-relata-colaboracao-britanica-com-tortura-no-brasil-na-ditadura\/","title":{"rendered":"Livro relata colabora\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica com tortura no Brasil na ditadura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma carta enviada pelo ent\u00e3o embaixador brit\u00e2nico no Brasil, David Hunt, ao Foreign Office, o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores brit\u00e2nico, em 1972, comprova que o Reino Unido colaborou com o sistema repressivo da ditadura militar (1964-1985), e que a diplomacia do pa\u00eds sabia dessa colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento secreto, encontrado nos arquivos da diplomacia inglesa, \u00e9 uma das principais evid\u00eancias citadas por um livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado que revela a coniv\u00eancia e ajuda brit\u00e2nicas com o regime militar. Em &#8220;Segredos de Estado: O Governo Brit\u00e2nico e a Tortura no Brasil (1969-1976)&#8221; (Ed. Prismas), o pesquisador Jo\u00e3o Roberto Martins Filho, professor da UFSCar, analisa a ainda pouco explorada rela\u00e7\u00e3o dos governos europeus com a ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;At\u00e9 aqui, havia relatos de empr\u00e9stimo de t\u00e9cnicas brit\u00e2nicas de interrogat\u00f3rio ao Brasil, mas n\u00e3o havia nada detalhando o que aconteceu. Ningu\u00e9m usava a palavra tortura, claro, mas a pesquisa prova que houve colabora\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica com a tortura no Brasil&#8221;, explicou Martins Filho, em entrevista \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, m\u00e9todos de tortura psicol\u00f3gica como obrigar os detidos a permanecer em p\u00e9 contra a parede com os bra\u00e7os estendidos, a priva\u00e7\u00e3o de sono, uso de ru\u00eddo cont\u00ednuo e mon\u00f3tono, al\u00e9m da geladeira (uma cela com temperaturas baix\u00edssimas), foram usados em presos pol\u00edticos no Brasil por influ\u00eancia brit\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo, realizado durante passagem de Martins Filho pelo King&#8217;s College de Londres, avaliou documentos liberados recentemente e outros adquiridos por meio da lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o do Reino Unido, al\u00e9m de depoimentos de presos torturados no Brasil e na Irlanda do Norte. Ele tra\u00e7a uma minuciosa cronologia do uso de t\u00e9cnicas de interrogat\u00f3rio brit\u00e2nicas, as chamadas &#8220;cinco t\u00e9cnicas do Ulster&#8221;, no Brasil por pelo menos seis anos desde o in\u00edcio de 1971. O nome \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0 tortura usada pelos brit\u00e2nicos contra presos da Irlanda do Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso indica que as t\u00e9cnicas foram empregadas no Brasil antes de serem usadas pelos pr\u00f3prios brit\u00e2nicos na Irlanda do Norte, explica. &#8220;Acho que os ingleses queriam testar a t\u00e9cnica no Brasil, onde conseguiriam acompanhar os testes sem ter que assumir responsabilidade pelo uso de tortura&#8221;, disse Martins Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SEGREDO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Martins Filho, um dos aspectos mais marcantes da descoberta \u00e9 a comprova\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o direta do Reino Unido na constru\u00e7\u00e3o do sistema de tortura do Brasil, o que na \u00e9poca n\u00e3o figurava entre as suspeitas de grupos de defesa dos direitos humanos ou mesmo da esquerda brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Durante a ditadura, os EUA assumiram o papel de principal colaborador com o Brasil. Ningu\u00e9m acreditava que a Inglaterra podia estar envolvida.&#8221; Sua pesquisa mostrou que nem mesmo na Irlanda do Norte se imaginava que os brit\u00e2nicos eram respons\u00e1veis por influenciar os brasileiros. &#8220;Nem mesmo os americanos ficaram sabendo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da revela\u00e7\u00e3o documental da colabora\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica e de a informa\u00e7\u00e3o ter chegado ao Foreign Office, Martins Filho diz acreditar que o empr\u00e9stimo de t\u00e9cnicas de tortura ocorreu sem o conhecimento dos primeiros-ministros da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o autor, o Reino Unido foi conivente porque viu a oportunidade de melhorar as rela\u00e7\u00f5es comerciais com o Brasil \u2013especialmente a venda de fragatas, helic\u00f3pteros e m\u00edsseis ao pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O governo ingl\u00eas teria ca\u00eddo caso fosse revelada a colabora\u00e7\u00e3o com a tortura no Brasil&#8221;, disse. Para ele, nenhum dos primeiros-ministros do per\u00edodo devia ter conhecimento sobre essa ajuda. &#8220;A diplomacia sabia, mas \u00e9 prov\u00e1vel que deixasse isso escondido. Os governantes tamb\u00e9m preferiam n\u00e3o perguntar, pois era mais f\u00e1cil n\u00e3o ficar sabendo&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o pesquisador, o que houve foi uma colabora\u00e7\u00e3o &#8220;subterr\u00e2nea. Uma a\u00e7\u00e3o supersecreta de grupos militares que agem \u00e0 revelia do governo at\u00e9 hoje, como se viu no Iraque. \u00c9 um conhecimento de t\u00e9cnicas de tortura que n\u00e3o \u00e9 documentado, mas passado por tradi\u00e7\u00e3o oral&#8221;, explicou o autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FONTE &#8211; CORREIO DO ESTADO<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma carta enviada pelo ent\u00e3o embaixador brit\u00e2nico no Brasil, David Hunt, ao Foreign Office, o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores brit\u00e2nico, em 1972, comprova que o Reino Unido colaborou com o sistema repressivo da ditadura militar (1964-1985), e que a diplomacia do pa\u00eds sabia dessa colabora\u00e7\u00e3o. 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