{"id":12151,"date":"2018-01-23T20:44:41","date_gmt":"2018-01-23T20:44:41","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12151"},"modified":"2018-01-23T20:44:41","modified_gmt":"2018-01-23T20:44:41","slug":"legistas-sao-denunciados-por-falsificacao-de-laudos-e-ocultacao-de-cadaveres-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2018\/01\/23\/legistas-sao-denunciados-por-falsificacao-de-laudos-e-ocultacao-de-cadaveres-na-ditadura\/","title":{"rendered":"Legistas s\u00e3o denunciados por falsifica\u00e7\u00e3o de laudos e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres na ditadura"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\">Laudo oficial omitiu marcas de tortura em dois integrantes da ALN<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (<strong>MPF<\/strong>) denunciou os\u00a0<strong>ex-legistas Abeylard de Queiroz Orsini e Antonio Valentini<\/strong>\u00a0por terem falsificado laudos sobre o assassinato de dois integrantes da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (<strong>ALN<\/strong>), movimento armado contra a\u00a0<strong>ditadura militar<\/strong>. Segundo o MPF, as falsifica\u00e7\u00f5es contribu\u00edram para a oculta\u00e7\u00e3o dos cad\u00e1veres de Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher, militantes da ALN, e para a impunidade dos autores das mortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o MPF, os peritos Abeylard de Queiroz Orsini e Antonio Valentini, apesar dos militantes da ALN apresentarem marcas de tortura, feitas quando as v\u00edtimas ainda estavam vivas, ao prepararem o laudo de exame necrosc\u00f3pico de Alex e Gelson, ignoraram as les\u00f5es de tortura que ele tinha nos olhos e na regi\u00e3o do peito. De acordo com a den\u00fancia, os contra laudos realizados depois com base na foto dos cad\u00e1veres apontam que as v\u00edtimas ainda estavam vivas e em posi\u00e7\u00e3o inferior aos policiais. O laudo oficial omitiu n\u00e3o apenas a tortura, mas tamb\u00e9m que a v\u00edtima foi executada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alex e Gelson, integrantes da ALN, estavam em um fusca vermelho com placas frias quando, no dia 19 de janeiro de 1972, foram tentar contato com outro integrante da ALN, Gilberto Telmo Sidney Marques, que havia sido preso dias antes e, sob tortura, havia entregado \u00e0 pol\u00edcia a informa\u00e7\u00e3o do local do encontro. Ainda de acordo com o MPF, a pol\u00edcia montou uma campana e quando o carro parou em um sem\u00e1foro, pediram documentos para os dois militantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alex sacou uma submetralhadora, atirou e matou o policial Silas Feche. Outros policiais, Devanir Antonio de Castro Queiroz, Osvaldo Ribeiro Le\u00e3o (ambos falecidos) e Jo\u00e3o Alves dos Santos, n\u00e3o completamente identificado, cercaram o ve\u00edculo e atiraram na dupla. Na vers\u00e3o oficial, os militantes teriam sa\u00eddo correndo do carro e houve intenso tiroteio. De acordo com o MPF, contudo, a pol\u00edcia n\u00e3o preservou o suposto local do crime e divulgou nota oficial somente dois dias depois, dois ind\u00edcios de que esta vers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o sustentada pelos familiares das v\u00edtimas e pela Comiss\u00e3o Especial Sobre Mortos e Desaparecidos, ap\u00f3s an\u00e1lise dos exames do IML feitos nos corpos de Alex e Gelson, \u00e9 que os dois foram retirados do carro ainda com vida, provavelmente levados para outro local, torturados e assassinados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo laudos produzidos por peritos independentes encomendados pela Comiss\u00e3o sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos e pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, os corpos possu\u00edam hematomas e escoria\u00e7\u00f5es vis\u00edveis n\u00e3o apontadas nos laudos oficiais, as quais n\u00e3o eram compat\u00edveis com a vers\u00e3o oficial, pois teriam sido produzidas quando as v\u00edtimas ainda estavam vivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na den\u00fancia, o MPF aponta que foi encontrada a presen\u00e7a de sangue nas cavidades do corpo de Alex, indicando que ele teve algum tempo de sobrevida. Al\u00e9m disso, os laudos apontam que Alex recebeu v\u00e1rios tiros no rosto quando j\u00e1 estava ca\u00eddo, que segundo o MPF, \u00e9 uma caracter\u00edstica t\u00edpica de execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, incompat\u00edvel com a vers\u00e3o oficial de morte em tiroteio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O laudo de Alex, apesar dos dois peritos terem tido acesso a sua identidade, foi registrado no nome de Jo\u00e3o Maria de Freitas, um dos nomes que o militante utilizava para viver na clandestinidade. Alex foi enterrado como indigente na vala comum do cemit\u00e9rio de Perus, o que dificultou a localiza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima pela fam\u00edlia, o que s\u00f3 ocorreu 8 anos depois, em setembro de 1980. A identifica\u00e7\u00e3o certeira da v\u00edtima s\u00f3 foi poss\u00edvel em 2014, ap\u00f3s exame de DNA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o laudo de Gelson foi elaborado por Abramovitch (falecido) e Antonio Valentini, que tamb\u00e9m ignoraram as torturas que ele sofreu antes de ser assassinado. Apesar de conhecerem a identidade da v\u00edtima, ambos os peritos o identificaram como Emiliano Sessa.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-3\" class=\"arroba publicidade clearfix\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CNqsien47tgCFVAdHwod5mMAuw\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8216;ATOS FORAM INTENCIONAIS&#8217;, AFIRMA PROCURADOR DA REP\u00daBLICA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crimes de que s\u00e3o acusados os ex-legistas ocorreram h\u00e1 exatos 45 anos, em 20 de janeiro de 1972. Contudo, para o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, tais crimes n\u00e3o prescrevem, pois se tratam de crimes contra a humanidade, praticados num contexto de graves e sistem\u00e1ticas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas pelo Estado contra parte de seus cidad\u00e3os com a inten\u00e7\u00e3o de eliminar opositores e manter o regime militar no poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o procurador da Rep\u00fablica Andrey Borges de Mendon\u00e7a, autor da den\u00fancia, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que os atos de falsidade ideol\u00f3gica dos m\u00e9dicos foram intencionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A \u00fanica raz\u00e3o para tais atos era a inten\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a, com a imprescind\u00edvel participa\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos legistas ora denunciados, de esconder os corpos das v\u00edtimas, de modo a ocultar, consequentemente, os sinais de torturas sofridos por Alex e Gelson, sustentando assim a vers\u00e3o oficial\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 quinta den\u00fancia de falsidade ideol\u00f3gica por manipula\u00e7\u00e3o de dados de laudos necrosc\u00f3picos contra Orsini e a segunda contra Valentini. Contudo, para o MPF, al\u00e9m da falsidade ideol\u00f3gica, neste caso h\u00e1 prova que ambos os legistas sabiam que estavam atestando falsamente que Alex era Jo\u00e3o e Gelson, Emiliano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Fonte &#8211; O Globo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laudo oficial omitiu marcas de tortura em dois integrantes da ALN O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) denunciou os\u00a0ex-legistas Abeylard de Queiroz Orsini e Antonio Valentini\u00a0por terem falsificado laudos sobre o assassinato de dois integrantes da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), movimento armado contra a\u00a0ditadura militar. 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