{"id":1226,"date":"2012-06-19T14:33:51","date_gmt":"2012-06-19T14:33:51","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/19\/tortura-da-presidenta-e-comissao-da-verdade-2\/"},"modified":"2012-06-19T14:33:51","modified_gmt":"2012-06-19T14:33:51","slug":"tortura-da-presidenta-e-comissao-da-verdade-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/19\/tortura-da-presidenta-e-comissao-da-verdade-2\/","title":{"rendered":"TORTURA DA PRESIDENTA E COMISS\u00c3O DA VERDADE"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Documentos arquivados em uma sala do Conedh-MG, em Belo Horizonte, revelam torturas sofridas pela presidente Dilma Rousseff durante a ditadura militar.At\u00e9 agora, s\u00f3 se sabia que Dilma tinha sido torturada por militares em SP e no RJ. Em depoimento de 2001, contudo, ela conta que tamb\u00e9m foi torturada em Juiz de Fora (MG), para onde foi levada em janeiro de 1972.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O testemunho, prestado a integrantes do Conedh-MG, foi revelado ontem pelo &#8220;Correio Braziliense&#8221;. Segundo o jornal, durante a tortura os militares indagaram sobre um plano de fuga de \u00c2ngelo Pezzuti, ex-l\u00edder do grupo Colina, no qual Dilma militou.Ela descreve os tipos de tortura a que foi submetida, como pau-de-arara, choques el\u00e9tricos e palmat\u00f3ria, e diz ter recebido socos no rosto.&#8221;Minha arcada girou para o outro lado, me causando problemas at\u00e9 hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu&#8221;, relatou ela, de acordo com o jornal. &#8220;S\u00f3 mais tarde, quando voltei para SP, o (capit\u00e3o Alberto) Albernaz completou o servi\u00e7o com um soco, arrancando o dente.&#8221;A corre\u00e7\u00e3o da arcada dent\u00e1ria foi uma das cirurgias a que Dilma se submeteu \u00e0s v\u00e9speras da campanha presidencial de 2010.&#8221;A pior coisa \u00e9 esperar por tortura&#8221;, diz ela no relato de 2001. &#8220;As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim.&#8221;Em 2002, Dilma recebeu indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 30 mil pela pris\u00e3o em Minas. Em 2009, em nota sobre a indeniza\u00e7\u00e3o, a Casa Civil, ent\u00e3o chefiada por Dilma, cita sua pris\u00e3o, mas n\u00e3o menciona torturas. Ao jornal, o fil\u00f3sofo R\u00f3bson S\u00e1vio Reis Souza, que tomou o depoimento de Dilma em outubro de 2001, disse ontem que a ent\u00e3o secret\u00e1ria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul chorou muito durante o testemunho.&#8221;Ela come\u00e7ou falando firme, at\u00e9 um determinado momento em que come\u00e7ou a relatar as torturas. Ela chorava e solu\u00e7ava. Pedimos que ela bebesse \u00e1gua. Depois, interrompemos e dissemos que n\u00e3o seria necess\u00e1rio que ela desse mais detalhes.&#8221;Segundo o relato de Reis Souza, que presidia, na \u00e9poca, a Comiss\u00e3o Estadual de Indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas de Tortura, Dilma dep\u00f4s por pouco mais de 40 minutos em uma sala apertada, nos fundos do pr\u00e9dio da Secretaria de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.&#8221;Ela saiu cabisbaixa. Eu lembro muito bem dessa imagem. Tenho mem\u00f3ria de ela vindo de um jeito e saindo de outro&#8221;, disse. At\u00e9 a conclus\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o, a presidente Dilma Rousseff, procurada por meio de sua assessoria, n\u00e3o havia se manifestado sobre o caso. Ublicado no caderno \u2018Poder\u2019, da Folha.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A presidente Dilma sofreu uma s\u00e9rie de torturas quando esteve presa em M que a fez encarar &#8220;a morte e a solid\u00e3o&#8221; e marcou a ent\u00e3o militante do Colina &#8220;pelo resto da vida&#8221;. \u00c9 o que narra a pr\u00f3pria presidente, em depoimento prestado em 2001 ao Conedh-MG que estava guardado entre milhares de outros documentos em uma sala comercial no centro de Belo Horizonte. No depoimento, divulgado ontem pelo jornal Estado de Minas, Dilma narra uma s\u00e9rie de torturas que sofreu quando esteve encarcerada em Juiz de Fora, em 1972. No relato, ela n\u00e3o soube precisar em qual unidade esteve presa no munic\u00edpio da Zona da Mata mineira, sede da 4.\u00aa Companhia da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito (PE). O munic\u00edpio que faz divisa com o Rio \u00e9 o mesmo onde esteve preso o hoje ministro Fernando Pimentel, amigo de Dilma desde a \u00e9poca em que militavam no movimento estudantil. Dilma confirmou ter passado por sess\u00f5es no pau de arara, al\u00e9m de ter recebido choques e outras agress\u00f5es que causaram at\u00e9 deforma\u00e7\u00e3o. &#8220;Minha arcada girou para o lado, me causando problemas at\u00e9 hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu&#8221;, contou Dilma ao pesquisador Robson S\u00e1vio, em 2001, quando era secret\u00e1ria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul. &#8220;S\u00f3 mais tarde, quando voltei para S\u00e3o Paulo, o Albernaz (capit\u00e3o Alberto Albernaz, do DOI-Codi de SP) completou o servi\u00e7o com um soco, arrancando o dente&#8221;, relatou. Segundo o Estado de Minas, Dilma teria corrigido o problema ortod\u00f4ntico antes de se candidatar \u00e0 Presid\u00eancia, em 2010. &#8220;As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim&#8221;, disse. &#8220;O estresse \u00e9 feroz, inimagin\u00e1vel. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solid\u00e3o. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida&#8221;, declarou. Dilma j\u00e1 havia contado detalhes de torturas sofridas quando era detenta da ditadura militar em carceragens do RJ e SP. Mas ainda n\u00e3o havia revelado os supl\u00edcios vividos nas celas de Minas, onde nasceu e atuou durante boa parte de sua milit\u00e2ncia contra o regime militar, com uma s\u00e9rie de pseud\u00f4nimos.Foi sob um deles, Stela, que Dilma tentou trocar com outros presos bilhetes com o esbo\u00e7o do mapa da ex-Col\u00f4nia Magalh\u00e3es Pinto, feito a m\u00e3o, onde estava preso o companheiro \u00c2ngelo Pezzuti, tamb\u00e9m do Colina. Os bilhetes levaram os agentes da ditadura a pensar que ela estava envolvida em planos de fuga, o que rendeu mais sess\u00f5es de tortura \u00e0 ent\u00e3o estudante de 22 anos.&#8221;Fui interrogada dentro da Oban, em S\u00e3o Paulo, por policiais mineiros sobre processo na auditoria de Juiz de Fora e estavam muito interessados em saber meus contatos com \u00c2ngelo Pezzuti, que, segundo eles, j\u00e1 preso, mantinha comigo um conjunto de contatos para que eu viabilizasse sua fuga. Eu n\u00e3o tinha a menor ideia do que se tratava, pois tinha sa\u00eddo de BH no in\u00edcio de 69 e isso era no in\u00edcio de 70. Desconhecia as tentativas de fuga de Pezzuti, mas eles supuseram que se tratava de uma mentira. Talvez uma das coisas mais dif\u00edceis de voc\u00ea ser no interrogat\u00f3rio \u00e9 inocente. Voc\u00ea n\u00e3o sabe nem do que se trata&#8221;, contou. O advogado M\u00e1rcio Santiago, representante da se\u00e7\u00e3o mineira da Ordem dos Advogados do Brasil no Conedh, disse que deve sugerir o encaminhamento da documenta\u00e7\u00e3o \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade, formada para apurar os fatos relativos \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de agentes do governo e de grupos contr\u00e1rios \u00e0 ditadura durante o regime de exce\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas esse encaminhamento depende tamb\u00e9m de negocia\u00e7\u00e3o entre o governo do Estado e a comiss\u00e3o.&#8221; Publicado no Estado.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Reportragem de capa do Correio Braziliense. &#8220;Or\u00f3s, pe\u00e7o-lhe procurar com urg\u00eancia a Stela e mand\u00e1-la procurar por Jo\u00e3o, \u00e0\u00a0<a href=\"x-apple-data-detectors:\/\/10\">rua Oru\u00e1, 246<\/a>, no bairro S. Paulo, para discutir um tro\u00e7o. Se n\u00e3o conseguir encontr\u00e1-la, v\u00e1 voc\u00ea mesma. \u00c9 important\u00edssimo. Sauda\u00e7\u00f5es de Gabriel&#8221; Apesar de ter sido escrito na surdina, o bilhete enviado por Gabriel, codinome de \u00c2ngelo Pezzuti, principal dirigente da Colina em Belo Horizonte, consegue preservar a corre\u00e7\u00e3o gramatical e demonstrar a urg\u00eancia do momento. Preso na Col\u00f4nia Magalh\u00e3es Pinto, a Penitenci\u00e1ria de Neves, na Grande BH, Gabriel tentava escapar da pris\u00e3o, como outros companheiros, envolvendo no ousado plano de fuga a jovem militante pol\u00edtica Estela, codinome de Dilma Rousseff, que mais tarde seria eleita democraticamente \u00e0 Presid\u00eancia do Brasil. Ele pensou que poderia contar tamb\u00e9m com a ajuda de Oroslinda Maria Taranto Goulart, a Or\u00f3s, que era do setor oper\u00e1rio da OPM. Mas a verdade \u00e9 que a mensagem (leia reprodu\u00e7\u00e3o nesta p\u00e1gina) nunca chegaria \u00e0s m\u00e3os de nenhuma das duas militantes pol\u00edticas, sendo interceptada pelos agentes da repress\u00e3o. Por causa desse e de outros 21 bilhetes endere\u00e7ados a Dilma (Estela), a Oroslinda (de codinome M\u00f4nica) e a outros companheiros de milit\u00e2ncia, Dilma voltaria a ser torturada, agora nos por\u00f5es da ditadura de Juiz de Fora, em Minas. Ao descrever os sistemas de troca de guarda, as cinco galerias de celas e inclusive desenhar o mapa da penitenci\u00e1ria, Pezzuti involuntariamente despertou a suspeita de que havia militantes infiltrados em \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a de Minas. &#8220;Eu n\u00e3o tinha a menor ideia do que se tratava, pois tinha sa\u00eddo de BH no in\u00edcio de 1969 e isso era no in\u00edcio de 1970. Desconhecia as tentativas de fuga do \u00c2ngelo Pezzuti, mas eles supuseram que se tratava de uma mentira&#8221;, revelou Dilma, em depoimento at\u00e9 ontem in\u00e9dito, prestado em 2001 \u00e0 equipe do Conedh-MG, segundo publicou ontem com exclusividade este jornal e \u2018O Estado de Minas\u2019, revelando em primeira m\u00e3o os relatos e a dor da pr\u00f3pria presidente na pris\u00e3o em Minas. Pensativa, Estela disse mais: &#8220;Talvez uma das coisas mais dif\u00edceis de voc\u00ea ser no interrogat\u00f3rio \u00e9 inocente. Voc\u00ea n\u00e3o sabe nem do que se trata&#8221;. O resultados dos bilhetinhos foi um s\u00f3: Dilma voltou a apanhar em Minas, e de forma ainda mais brutal. Os agentes da repress\u00e3o queriam que Estela contasse o que sabia sobre o plano de fuga dos presos, a qual, ali\u00e1s, acabou n\u00e3o ocorrendo. Ao ser levada num cambur\u00e3o de S\u00e3o Paulo para Minas, Estela imaginava que seria apenas interrogada, como das outras vezes, pois j\u00e1 estava na fase final do julgamento na auditoria da 4\u00aa CJM, em Juiz de Fora. Mas as sess\u00f5es de sofrimento, que j\u00e1 haviam acontecido em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, recome\u00e7aram.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Continua\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria do Correio. No per\u00edodo em que Gabriel (\u00c2ngelo Pezzuti) estava preso e tentava estabelecer conttao com M\u00f4nica (Oroslinda) e com Estela (Dilma), no in\u00edcio de 1970, a hoje presidente da Rep\u00fablica j\u00e1 havia deixado a organiza\u00e7\u00e3o de esquerda conhecida como Colina. Sabe-se que, no fim de 1969, o grupo seria praticamente dizimado, com a pris\u00e3o, a tortura e a persegui\u00e7\u00e3o de militantes em Belo Horizonte. No carnaval de 1969, a Colina j\u00e1 havia sido fundida com a VPR e Estela passaria a adotar o codinome de Vanda. Antes disso, em uma fase de transi\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o do novo grupo, Colina e VPR foram provisoriamente batizados de \u00d3 Pontinho. &#8220;Ainda vai ser necess\u00e1rio mais tempo para que essa hist\u00f3ria bonita de luta seja entendida sem paix\u00e3o&#8221;, compara Jos\u00e9 Francisco da Silva, que era secret\u00e1rio adjunto de Direitos Humanos na \u00e9poca e foi respons\u00e1vel por enviar a jovem equipe \u00e0 capital ga\u00facha. Dilma continua contando a hist\u00f3ria do Brasil depois de 31 de mar\u00e7o de 1964, data do golpe militar. &#8220;Em Minas, fiquei s\u00f3 com a Terezinha. Um dia, a gente estava nessa cela, sem vidro. Eis que entra uma bomba de g\u00e1s lacrimog\u00eanio, pois estavam treinando l\u00e1 fora. Eu e Terezinha ficamos queimadas nas mucosas&#8221;, continua a presidente. No movimento de esquerda de BH, onde Dilma militava, n\u00e3o h\u00e1 registros conhecidos da participa\u00e7\u00e3o de uma Terezinha. E quanto ao estudante da Faculdade de Medicina da UFMG \u00c2ngelo Pezzuti, dirigente do Colina? Segundo o grupo Tortura Nunca Mais, ele foi banido do pa\u00eds em 1970, trocado com outros 39 companheiros, inclusive o irm\u00e3o Murilo Pezzuti, pelo embaixador alem\u00e3o.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Continua\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria do Correio. O jornal publica parte da repercuss\u00e3o da not\u00edcia na imprensa internacional.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Continua\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria do Correio. A passagem de Dilma Rousseff pelo c\u00e1rcere de Juiz de Fora foi mais mineira, no sentido de reservada, mas nem por isso menos dura. Conforme depoimento pessoal, durante quase um m\u00eas Dilma ficou sozinha na cela, na condi\u00e7\u00e3o de clandestina, sendo torturada em Juiz de Fora. &#8220;Fiquei em absoluto isolamento, mantendo contatos apenas com os meus torturadores, entregue a um carcereiro, que tamb\u00e9m me conduzia ao banheiro, quando conseguia andar. Nesse per\u00edodo, fui submetida, por quase um m\u00eas, a interrogat\u00f3rios e a toda sorte de torturas&#8221;, revelou a presidente, por escrito, em documenta\u00e7\u00e3o anexa ao depoimento pessoal, que consta do processo mineiro do Conedh-MG. Nem sob tortura intensa, a ent\u00e3o jovem militante pol\u00edtica de esquerda, de codinome Estela, confirmou a hip\u00f3tese de infiltra\u00e7\u00e3o de colegas da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o no meio policial e militar. Tampouco revelou a identidade desses tais militantes infiltrados e nem sequer o nome da organiza\u00e7\u00e3o a que pertencia. Somente em 2001, diante da dupla de estagi\u00e1rios do Conedh-MG, enviados a Porto Alegre para tentar convencer a ent\u00e3o ministra de Minas e Energia daquele estado a prestar depoimento \u00e0 comiss\u00e3o, Dilma revelou o nome de todos os grupos a que pertencera. Em voz alta. &#8220;Eu pertenci \u00e0s seguintes organiza\u00e7\u00f5es: Colina, Polop, O&#8230; (l\u00ea-se \u00d3 Pontinho) e VAR. A Polop deu Colina, VPR e POC&#8221;, afirmou, com todas as letras.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Continua\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria do Correio. Logo de manh\u00e3, antes de deixar o Brasil rumo ao M\u00e9xico, onde participa de reuni\u00e3o do G-20, a presidente Dilma Rousseff leu a reportagem do Correio\/Estado de Minas sobre a tortura por ela sofrida em Juiz de Fora (MG), em 1972, mas preferiu o sil\u00eancio. Entre setores do governo e da sociedade civil, entretanto, os relatos contundentes da mandat\u00e1ria do pa\u00eds foram motivo de muita repercuss\u00e3o. Secret\u00e1rio nacional de Justi\u00e7a e presidente da Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio de Justi\u00e7a, Paulo Abr\u00e3o destacou a import\u00e2ncia de testemunhos como o de Dilma ao Conselho Estadual de Indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas de Tortura. &#8220;Eles s\u00e3o fundamentais para desconstruir as verdades produzidas pela ditadura&#8221;, disse ele.&#8221;A riqueza do testemunho de Dilma Rousseff na comiss\u00e3o estadual \u00e9 recorrente nesses quase 11 anos de julgamentos. Esse caso ajuda a divulgarmos para a sociedade a import\u00e2ncia do arquivo das v\u00edtimas&#8221;, afirmou Abr\u00e3o. A divulga\u00e7\u00e3o das torturas sofridas pela presidente em Juiz de Fora (MG) reacendeu, na OAB, se\u00e7\u00e3o Minas Gerais, o debate encerrado pelo STF, que considerou a anistia ampla, para os dois lados \u2014 agentes do Estado e atores da resist\u00eancia. &#8220;N\u00f3s, da OAB, continuamos a entender que a Lei da Anistia n\u00e3o prospera diante da uma situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica do crime da tortura. Temos de continuara exigir puni\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Lu\u00eds Cl\u00e1udio Chaves, presidente da OAB-MG. No mesmo coro, o presidente da OAB no Rio de Janeiro, Wadih Damous, lembrou a import\u00e2ncia da Comiss\u00e3o da Verdade, que pretende esclarecer viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos ocorridas no per\u00edodo da ditadura. &#8220;O fato de a presidente ter sido torturada em Juiz de Fora era desconhecido de todos, o que mostra a amplitude e a responsabilidade dos trabalhos que a Comiss\u00e3o da Verdade ter\u00e1 que desenvolver&#8221;, afirmou Wadih. Ele se disse impressionado com a contund\u00eancia do depoimento de Dilma reproduzido pela reportagem. &#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil conter a indigna\u00e7\u00e3o diante do relato da presidente Dilma, em que ela descreve os seus padecimentos sob tortura. S\u00e3o sofrimentos extraordin\u00e1rios que n\u00e3o encontram paralelo no cotidiano das nossas vidas.&#8221; O deputado Paulo Teixeira ressaltou que o epis\u00f3dio de tortura sofrido por Dilma, at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dito, pode vir a integrar a agenda de trabalho da Comiss\u00e3o da Verdade. &#8220;A partir do depoimento dela, a comiss\u00e3o pode investigar a fundo o que ocorreu, exist\u00eancia de outras v\u00edtimas&#8221;, ressaltou o parlamentar. Para o deputado C\u00e2ndido Vaccarezza, conhecer mais um relato de tortura sofrida pela presidente da Rep\u00fablica colabora para a conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade, especialmente no momento em que a Comiss\u00e3o da Verdade come\u00e7ou a funcionar. &#8220;Todas essas hist\u00f3rias servem para as pessoas saberem a verdade, os fatos ocorridos, para que eles nunca mais se repitam&#8221;, destacou o petista. M\u00e1rcio Santiago, coordenador executivo da Comiss\u00e3o Estadual de Indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas de Tortura de Minas Gerais, ressaltou ontem a coragem de pessoas como Dilma, de reviverem momentos dolorosos. &#8220;S\u00e3o depoimentos que servir\u00e3o para a hist\u00f3ria. Essas pessoas que superam a dor e contam o que viveram contribuem para a hist\u00f3ria de todos e a hist\u00f3ria do Brasil naqueles anos t\u00e3o dif\u00edceis&#8221;, considerou Santiago. Paulo Abr\u00e3o tem opini\u00e3o semelhante, destacando os relatos como pe\u00e7as fundamentais na apura\u00e7\u00e3o da verdade. &#8220;S\u00f3 a an\u00e1lise combinada entre esses aqruivos das v\u00edtimas e os arquivos da repress\u00e3o, que est\u00e3o no Arquivo Nacional, pode, de fato, elucidar o que ocorreu no pa\u00eds naqueles anos de exce\u00e7\u00e3o&#8221;, assinalou. Do total de 60 mil processos julgados, entre os 70 mil recebidos pela Comiss\u00e3o da Anistia desde 28 de agosto de 2001, quando foi instalada, um ter\u00e7o resultou em repara\u00e7\u00e3o moral \u00e0s v\u00edtimas, com \u00a0pedido formal de desculpas do Estado. Em outros 20 mil processos, os cidad\u00e3os que sofreram n\u00e3o apenas graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos \u2014 tortura, execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, massacre, genoc\u00eddio e desaparecimento for\u00e7ado \u2014 como tamb\u00e9m viola\u00e7\u00f5es do tipo monitoramento il\u00edcito, demiss\u00f5es arbitr\u00e1rias, compelimento ao ex\u00edlio, entre outras, tiveram reconhecido o direito a indeniza\u00e7\u00f5es no valor m\u00e1ximo de R$ 100 mil, que, juntas, somam R$ 2,4 bilh\u00f5es.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O Globo veicula que em relato in\u00e9dito, a presidente Dilma Rousseff contou detalhes das sess\u00f5es de tortura \u00e0s quais foi submetida na pris\u00e3o em Juiz de Fora (MG), quando era presa pol\u00edtica, na d\u00e9cada de 1970. Ela narrou seu sofrimento ao Conselho dos Direitos Humanos de Minas (Conedh-MG), que a ouviu em 2001, nove anos antes de ascender ao Planalto. O depoimento, divulgado pelo jornal &#8220;Estado de Minas&#8221;, exp\u00f5e um cap\u00edtulo pouco conhecido da milit\u00e2ncia pol\u00edtica da petista: os castigos em seu estado natal, onde iniciou a trajet\u00f3ria subversiva. No depoimento, ela diz que foi colocada no pau de arara, tomou choques el\u00e9tricos, apanhou de palmat\u00f3ria e levou socos. &#8220;Minha arcada girou para o lado, me causando problemas at\u00e9 hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu&#8221;, relatou, segundo o documento. Ela conta ainda que os torturadores amea\u00e7aram agredi-la no rosto, dizendo que, depois de deformada, &#8220;ningu\u00e9m ia quer\u00ea-la&#8221;. As sequelas no maxilar s\u00f3 teriam sido corrigidas, atrav\u00e9s de cirurgias, depois que ela assumiu cargos no governo Lula, em 2002. A presidente foi ouvida pelo Conedh-MG no Rio Grande do Sul, quando era secret\u00e1ria estadual de Minas e Energia. O depoimento fazia parte de processo aberto por determina\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o governador Itamar Franco para indenizar militantes mineiros. Dilma teria resistido em fazer o relato, tendo resolvido depor na \u00faltima hora. Ela n\u00e3o precisava falar para ser indenizada por j\u00e1 haver provas da tortura que sofrera, mas entendeu que era importante registrar os fatos para a Hist\u00f3ria. No ano seguinte, foi indenizada em R$ 30 mil. Com 24 anos, Dilma foi levada para Juiz de Fora em 1972, onde teria ficado por cerca de dois meses. Os militares suspeitavam que ela teria ajudado \u00c2ngelo Pezzuti, ex-companheiro no Comando de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (Colina), em um suposto plano de fuga da penitenci\u00e1ria em Ribeir\u00e3o das Neves (MG). Eles haviam flagrado bilhetes entre Stela (um dos codinomes dela) e Cabral (codinome de \u00c2ngelo). &#8220;O estresse \u00e9 feroz, inimagin\u00e1vel. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solid\u00e3o. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida&#8221;, descreveu a presidente. Dilma relatou ter ficado sozinha a maior parte do tempo no c\u00e1rcere. Segundo ela, a solid\u00e3o fazia parte da tortura. Ela se lembra de que a m\u00e3e ia visit\u00e1-la algumas vezes, mas nunca em seus piores momentos. &#8220;As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim&#8221;, contou. A reportagem sobre Dilma, que evita falar de seu sofrimento na ditadura, tamb\u00e9m revela detalhes do dia a dia na cadeia, como os bilhetes que trocava com o ex-marido, Carlos Ara\u00fajo, escritos em pequenos peda\u00e7os de papel envoltos em durex e escondidos pelos presos nos dentes.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>LAI<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Servidores do Arquivo Nacional, respons\u00e1veis por implementar a Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, v\u00e3o parar hoje. Na lista de reivindica\u00e7\u00f5es, est\u00e1 um plano de carreira para o \u00f3rg\u00e3o. Informa\u00e7\u00e3o da coluna \u2018Painel\u2019, de Vera Magalh\u00e3es, publicada no caderno \u2018Poder\u2019, da Folha.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Editorial da Folha de S.Paulo. Ningu\u00e9m haveria de pensar que seria f\u00e1cil. N\u00e3o \u00e9 da natureza dos governos, mesmo democr\u00e1ticos, abrir ao conhecimento p\u00fablico informa\u00e7\u00f5es da \u00e1rea militar. Mesmo assim, cabe notar com estranhamento as dificuldades trazidas pelo Minist\u00e9rio da Defesa nessa quest\u00e3o. Manifestaram-se a partir da solicita\u00e7\u00e3o, feita por este jornal, de uma lista das vendas de armamentos brasileiros para o exterior entre 1990 e 2012. H\u00e1 raz\u00f5es s\u00e9rias para que o tema desperte interesse. Estariam as armas aqui fabricadas sendo usadas por grupos paramilitares, quadrilhas de traficantes, ditaduras? \u00a0O combate \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos e ao narcotr\u00e1fico assume, cada vez mais, um car\u00e1ter global -e o risco de reca\u00edrem sobre o Brasil estigmas de cumplicidade afeta o pr\u00f3prio peso do pa\u00eds nos f\u00f3runs internacionais. Mesmo do ponto de vista da seguran\u00e7a nacional, se for o caso de recorrer ao conceito, \u00e9 importante a multiplica\u00e7\u00e3o dos controles p\u00fablicos sobre as atitudes do governo nessa \u00e1rea. O pedido de acesso \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o pertinente foi, contudo, frustrado. Poucos dias antes de entrar em vigor a lei que o possibilita, a Defesa modificou o grau de confidencialidade dos dados. Pela nova LAI sancionada pela presidente Dilma Rousseff, dados sigilosos em posse do governo passaram a classificar-se em tr\u00eas categorias. Os &#8220;ultrassigilosos&#8221; s\u00f3 se tornam acess\u00edveis num prazo de 25 anos, prorrog\u00e1vel uma vez. Os &#8220;secretos&#8221; t\u00eam prazo de 15 anos, a ser renovado mediante recurso. Os &#8220;reservados&#8221;, apenas 5 anos. Foi consider\u00e1vel avan\u00e7o diante dos prazos que vigiam anteriormente: 30, 20, 10 ou 5 anos, conforme o caso, todos duplic\u00e1veis. A lista sobre venda de armas, antes classificada como &#8220;confidencial&#8221;, o que a tornava sigilosa por dez anos no m\u00ednimo, deveria passar por nova categoriza\u00e7\u00e3o. Em vez de tornar os dados &#8220;reservados&#8221; (5 anos) ou de liber\u00e1-los de vez, a pasta elevou seu grau de confidencialidade, contrariando o esp\u00edrito da lei que estava para entrar em vigor. Foi um mal-entendido, afirmou a Defesa em nota oficial. A orienta\u00e7\u00e3o do ministro Celso Amorim, esclarece-se, \u00e9 manter ou reduzir o prazo previsto de sigilo, n\u00e3o aument\u00e1-lo, como ocorreu. O levantamento das informa\u00e7\u00f5es solicitadas prossegue. Resta esperar que o zelo das autoridades na manuten\u00e7\u00e3o dos segredos oficiais n\u00e3o entre em novas contradi\u00e7\u00f5es com outro tipo de zelo, ainda mais indeclin\u00e1vel -o de obedecer \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e \u00e0 hierarquia do pr\u00f3prio Estado.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>#<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A presidente da Rep\u00fablica,Dilma Rousseff , aposta na LAI e na divulga\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios de cada servidor p\u00fablico ainda este ano para conseguir segurar as press\u00f5es por reajustes nos pr\u00f3ximos anos e estabelecer uma pol\u00edtica que corrija as distor\u00e7\u00f5es entre as carreiras dos tr\u00eas Poderes. &#8220;A alternativa do governo \u00e9 jogar com a opini\u00e3o p\u00fablica&#8221;, concorda o economista Raul Velloso. &#8220;O governo criou uma armadilha, pagando altos sal\u00e1rios, que n\u00e3o consegue desmontar. Tenho a esperan\u00e7a de que a divulga\u00e7\u00e3o das remunera\u00e7\u00f5es totais sirva para coibir novos aumentos&#8221;, afirma Velloso. Na edi\u00e7\u00e3o desta semana, a revista inglesa The Economist classificou de &#8220;roubo&#8221; os altos sal\u00e1rios pagos a uma parcela dos servidores p\u00fablicos brasileiros, muito acima dos da iniciativa privada e de quaisquer par\u00e2metros internacionais. Velloso observa que o problema \u00e9 criado a partir dos Poderes, que t\u00eam autonomia pela Constitui\u00e7\u00e3o para propor reajustes, como o Legislativo e o Judici\u00e1rio, al\u00e9m do MPU. A fatia do gasto com servidores ativos desses dois Poderes e do MPU, informa, saltou de 6,9% de 1988, ano da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, para 25,7% no fim de 2011. A C\u00e2mara e o Senado s\u00e3o os que mais t\u00eam reajustado os sal\u00e1rios nos \u00faltimos anos, sem contar os ganhos extras com gordas fun\u00e7\u00f5es gratificadas, ocupadas por dois ter\u00e7os deles, e as gratifica\u00e7\u00f5es dobradas nos meses de fevereiro, junho e dezembro.&#8221;O movimento constante de reajuste come\u00e7a com os Poderes aut\u00f4nomos. No momento seguinte, as carreiras organizadas do Executivo, com for\u00e7a pol\u00edtica, como da Pol\u00edcia Federal e do Itamaraty, v\u00e3o atr\u00e1s, alegando isonomia. A turma que est\u00e1 no meio, os chamados barnab\u00e9s, fica na ponta fr\u00e1gil da cadeia. Mas chega uma hora em que se mobilizam e fazem greve tamb\u00e9m, pois os sindicatos s\u00e3o muito fortes&#8221;, analisa o economista. Para ele, \u00e9 um c\u00edrculo vicioso, &#8220;um processo sem fim&#8221;. Publicado no Correio.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documentos arquivados em uma sala do Conedh-MG, em Belo Horizonte, revelam torturas sofridas pela presidente Dilma Rousseff durante a ditadura militar.At\u00e9 agora, s\u00f3 se sabia que Dilma tinha sido torturada por militares em SP e no RJ. 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