{"id":1228,"date":"2012-06-19T14:41:58","date_gmt":"2012-06-19T14:41:58","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/19\/bilhetes-foram-a-causa-do-horror-2\/"},"modified":"2012-06-19T14:41:58","modified_gmt":"2012-06-19T14:41:58","slug":"bilhetes-foram-a-causa-do-horror-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/19\/bilhetes-foram-a-causa-do-horror-2\/","title":{"rendered":"Bilhetes foram a causa do horror"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinte e duas mensagens endere\u00e7adas a militantes pol\u00edticos levaram Dilma de volta \u00e0s sess\u00f5es no pau-de-arara, desta vez, em Minas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Or\u00f3s,\u00a0pe\u00e7o-lhe procurar com urg\u00eancia a Stela e mand\u00e1-la procurar por Jo\u00e3o, \u00e0 rua Oru\u00e1, 246, no bairro S. Paulo, para discutir um tro\u00e7o. Se n\u00e3o conseguir encontr\u00e1-la, v\u00e1 voc\u00ea mesma. \u00c9 important\u00edssimo. Sauda\u00e7\u00f5es de Gabriel&#8221;<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de ter sido escrito na surdina, o bilhete enviado por Gabriel, codinome de \u00c2ngelo Pezzuti, principal dirigente da Comando de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (Colina) em Belo Horizonte, consegue preservar a corre\u00e7\u00e3o gramatical e demonstrar a urg\u00eancia do momento. Preso na Col\u00f4nia Magalh\u00e3es Pinto, a Penitenci\u00e1ria de Neves, na Grande BH, Gabriel tentava escapar da pris\u00e3o, como outros companheiros, envolvendo no ousado plano de fuga a jovem militante pol\u00edtica Estela, codinome de Dilma Rousseff, que mais tarde seria eleita democraticamente \u00e0 Presid\u00eancia do Brasil. Ele pensou que poderia contar tamb\u00e9m com a ajuda de Oroslinda Maria Taranto Goulart, a Or\u00f3s, que era do setor oper\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o Pol\u00edticos (OPM). Mas a verdade \u00e9 que a mensagem (leia reprodu\u00e7\u00e3o nesta p\u00e1gina) nunca chegaria \u00e0s m\u00e3os de nenhuma das duas militantes pol\u00edticas, sendo interceptada pelos agentes da repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por causa desse e de outros 21 bilhetes endere\u00e7ados a Dilma (Estela), a Oroslinda (de codinome M\u00f4nica) e a outros companheiros de milit\u00e2ncia, Dilma voltaria a ser torturada, agora nos por\u00f5es da ditadura de Juiz de Fora, em Minas. Ao descrever os sistemas de troca de guarda, as cinco galerias de celas e inclusive desenhar o mapa da penitenci\u00e1ria, Pezzuti involuntariamente despertou a suspeita de que havia militantes infiltrados em \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a de Minas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu n\u00e3o tinha a menor ideia do que se tratava, pois tinha sa\u00eddo de BH no in\u00edcio de 1969 e isso era no in\u00edcio de 1970. Desconhecia as tentativas de fuga do \u00c2ngelo Pezzuti, mas eles supuseram que se tratava de uma mentira&#8221;, revelou Dilma, em depoimento at\u00e9 ontem in\u00e9dito, prestado em 2001 \u00e0 equipe do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Conedh-MG), segundo publicou ontem com exclusividade o Correio\/Estado de Minas, revelando em primeira m\u00e3o os relatos e a dor da pr\u00f3pria presidente na pris\u00e3o em Minas. Pensativa, Estela disse mais: &#8220;Talvez uma das coisas mais dif\u00edceis de voc\u00ea ser no interrogat\u00f3rio \u00e9 inocente. Voc\u00ea n\u00e3o sabe nem do que se trata&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O resultados dos bilhetinhos foi um s\u00f3: Dilma voltou a apanhar em Minas, e de forma ainda mais brutal. Os agentes da repress\u00e3o queriam que Estela contasse o que sabia sobre o plano de fuga dos presos, a qual, ali\u00e1s, acabou n\u00e3o ocorrendo. &#8220;At\u00e9 tentei ajudar, mas logo depois a pol\u00edcia foi atr\u00e1s de mim. N\u00e3o deu tempo&#8221;, lamenta Oroslinda, que deixou para tr\u00e1s o apelido de Or\u00f3s e hoje \u00e9 conhecida como Linda. De codinome M\u00f4nica, a ex-militante entrou para a clandestinidade e nunca chegou a ser presa pelos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a. Atualmente, trabalha como chefe de gabinete de outra militante da \u00e9poca, a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Pol\u00edticas para Mulheres, que tamb\u00e9m entrou com pedido de indeniza\u00e7\u00e3o na comiss\u00e3o mineira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao ser levada num cambur\u00e3o de S\u00e3o Paulo para Minas, Estela imaginava que seria apenas interrogada, como das outras vezes, pois j\u00e1 estava na fase final do julgamento na auditoria da 4\u00aa Circunscri\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria Militar (CJM), em Juiz de Fora. Mas as sess\u00f5es de sofrimento, que j\u00e1 haviam acontecido em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, recome\u00e7aram. &#8220;A convic\u00e7\u00e3o de que haveria traidores no meio policial militar explicavam a viol\u00eancia dos interrogat\u00f3rios e a intensidade das torturas que, sem cessar, intercalavam, ao longo do dia: pau de arara, afogamento, choques el\u00e9tricos, palmat\u00f3ria, pau-de-arara, num rod\u00edzio infernal e, em alguns momentos, o horror da simultaneidade de todas essas sev\u00edcias&#8221;, declarou Dilma, quando era ainda secret\u00e1ria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul e filiada ao PDT. O documento serviu de base para requerer a indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 30 mil concedida \u00e0s v\u00edtimas de tortura pelo Conedh-MG, a primeira comiss\u00e3o do pa\u00eds a reconhecer esse direito, ainda na \u00e9poca do governador Itamar Franco.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Vinte e duas mensagens endere\u00e7adas a militantes pol\u00edticos levaram Dilma de volta \u00e0s sess\u00f5es no pau-de-arara, desta vez, em Minas &#8220;Or\u00f3s,\u00a0pe\u00e7o-lhe procurar com urg\u00eancia a Stela e mand\u00e1-la procurar por Jo\u00e3o, \u00e0 rua Oru\u00e1, 246, no bairro S. Paulo, para discutir um tro\u00e7o. Se n\u00e3o conseguir encontr\u00e1-la, v\u00e1 voc\u00ea mesma. \u00c9 important\u00edssimo. 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