{"id":1240,"date":"2012-06-19T15:21:42","date_gmt":"2012-06-19T15:21:42","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/19\/dilma-relata-tortura-sofrida-em-minas-2\/"},"modified":"2012-06-19T15:21:42","modified_gmt":"2012-06-19T15:21:42","slug":"dilma-relata-tortura-sofrida-em-minas-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/19\/dilma-relata-tortura-sofrida-em-minas-2\/","title":{"rendered":"Dilma relata tortura sofrida em Minas"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em depoimento de 2001 revelado agora, presidente diz ter perdido dente na pris\u00e3o em interrogat\u00f3rios que &#8220;marcam pelo resto da vida&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A presidente Dilma Rousseff sofreu uma s\u00e9rie de torturas quando esteve presa em Minas Gerais que a fez encarar &#8220;a morte e a solid\u00e3o&#8221; e marcou a ent\u00e3o militante do Comando de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (Colina) &#8220;pelo resto da vida&#8221;. \u00c9 o que narra a pr\u00f3pria presidente, em depoimento prestado em 2001 ao Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG) que estava guardado entre milhares de outros documentos em uma sala comercial no centro de Belo Horizonte.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No depoimento, divulgado ontem pelo jornal Estado de Minas, Dilma narra uma s\u00e9rie de torturas que sofreu quando esteve encarcerada em Juiz de Fora, em 1972. No relato, ela n\u00e3o soube precisar em qual unidade esteve presa no munic\u00edpio da Zona da Mata mineira, sede da 4.\u00aa Companhia da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito (PE).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O munic\u00edpio que faz divisa com o Rio \u00e9 o mesmo onde esteve preso o hoje ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior), amigo de Dilma desde a \u00e9poca em que militavam no movimento estudantil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dilma confirmou ter passado por sess\u00f5es no pau de arara, al\u00e9m de ter recebido choques e outras agress\u00f5es que causaram at\u00e9 deforma\u00e7\u00e3o. &#8220;Minha arcada girou para o lado, me causando problemas at\u00e9 hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu&#8221;, contou Dilma ao pesquisador Robson S\u00e1vio, em 2001, quando era secret\u00e1ria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul. &#8220;S\u00f3 mais tarde, quando voltei para S\u00e3o Paulo, o Albernaz (capit\u00e3o Alberto Albernaz, do DOI-Codi de S\u00e3o Paulo) completou o servi\u00e7o com um soco, arrancando o dente&#8221;, relatou. Segundo o Estado de Minas, Dilma teria corrigido o problema ortod\u00f4ntico antes de se candidatar \u00e0 Presid\u00eancia, em 2010.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim&#8221;, disse. &#8220;O estresse \u00e9 feroz, inimagin\u00e1vel. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solid\u00e3o. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida&#8221;, declarou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Bilhetes. Dilma j\u00e1 havia contado detalhes de torturas sofridas quando era detenta da ditadura militar em carceragens do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Mas ainda n\u00e3o havia revelado os supl\u00edcios vividos nas celas de Minas, onde nasceu e atuou durante boa parte de sua milit\u00e2ncia contra o regime militar, com uma s\u00e9rie de pseud\u00f4nimos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi sob um deles, Stela, que Dilma tentou trocar com outros presos bilhetes com o esbo\u00e7o do mapa da ex-Col\u00f4nia Magalh\u00e3es Pinto, feito a m\u00e3o, onde estava preso o companheiro \u00c2ngelo Pezzuti, tamb\u00e9m do Colina. Os bilhetes levaram os agentes da ditadura a pensar que ela estava envolvida em planos de fuga, o que rendeu mais sess\u00f5es de tortura \u00e0 ent\u00e3o estudante de 22 anos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fui interrogada dentro da Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes (Oban, em S\u00e3o Paulo) por policiais mineiros sobre processo na auditoria de Juiz de Fora e estavam muito interessados em saber meus contatos com \u00c2ngelo Pezzuti, que, segundo eles, j\u00e1 preso, mantinha comigo um conjunto de contatos para que eu viabilizasse sua fuga. Eu n\u00e3o tinha a menor ideia do que se tratava, pois tinha sa\u00eddo de BH no in\u00edcio de 69 e isso era no in\u00edcio de 70. Desconhecia as tentativas de fuga de Pezzuti, mas eles supuseram que se tratava de uma mentira. Talvez uma das coisas mais dif\u00edceis de voc\u00ea ser no interrogat\u00f3rio \u00e9 inocente. Voc\u00ea n\u00e3o sabe nem do que se trata&#8221;, contou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rea\u00e7\u00e3o. O advogado M\u00e1rcio Santiago, representante da se\u00e7\u00e3o mineira da Ordem dos Advogados do Brasil no Conedh, disse que deve sugerir o encaminhamento da documenta\u00e7\u00e3o \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade, formada para apurar os fatos relativos \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de agentes do governo e de grupos contr\u00e1rios \u00e0 ditadura durante o regime de exce\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas esse encaminhamento depende tamb\u00e9m de negocia\u00e7\u00e3o entre o governo do Estado e a comiss\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211;\u00a0\u00a0O Estado de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em depoimento de 2001 revelado agora, presidente diz ter perdido dente na pris\u00e3o em interrogat\u00f3rios que &#8220;marcam pelo resto da vida&#8221; A presidente Dilma Rousseff sofreu uma s\u00e9rie de torturas quando esteve presa em Minas Gerais que a fez encarar &#8220;a morte e a solid\u00e3o&#8221; e marcou a ent\u00e3o militante do Comando de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1240"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1240"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1240\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}