{"id":12453,"date":"2018-08-19T15:09:41","date_gmt":"2018-08-19T15:09:41","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12453"},"modified":"2018-08-19T15:12:12","modified_gmt":"2018-08-19T15:12:12","slug":"livro-revela-que-guerrilheiros-desaparecidos-podem-estar-vivos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2018\/08\/19\/livro-revela-que-guerrilheiros-desaparecidos-podem-estar-vivos\/","title":{"rendered":"Livro revela que guerrilheiros &#8216;desaparecidos&#8217; podem estar vivos"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Borboletas e Lobisomens, de Hugo Studart, explica como a Ditadura deu nova identidade para sete jovens<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado h\u00e1 menos de um m\u00eas, o livro &#8216;Borboletas e Lobisomens&#8217;, do historiador e jornalista Hugo Studart, tem sido alvo de cr\u00edticas e elogios por revelar detalhes at\u00e9 ent\u00e3o obscuros e inc\u00f4modos sobre a Guerrilha do Araguaia, movimento de luta armada formado pelo PC do B na Amaz\u00f4nia no in\u00edcio da d\u00e9cada de 70 para combater o regime militar. Uma das teses defendidas pelo autor, ap\u00f3s quase uma d\u00e9cada de pesquisa e an\u00e1lise de documentos in\u00e9ditos e de entrevistas com envolvidos e sobreviventes, \u00e9 que sete dos 59 desaparecidos est\u00e3o, na verdade, vivos, com outras identidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hip\u00f3tese dos mortos-vivos em si n\u00e3o \u00e9 uma novidade. J\u00e1 havia ind\u00edcios de quatro. Studart aponta a exist\u00eancia de sete. Esses jovens foram capturados pelo Ex\u00e9rcito brasileiro quando tentavam fugir da guerrilha, por fome, medo ou doen\u00e7a. A ordem da ditadura era executar todos os guerrilheiros que fossem encontrados, mesmo os que se entregassem. A n\u00e3o ser por um: Edinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Luiz de Magalh\u00e3es, Edinho, era filho de um Capit\u00e3o de Mar e Guerra da Marinha (equivalente a Coronel do Ex\u00e9rcito) e o comando tinha ordens expressas de entreg\u00e1-lo vivo \u00e0 fam\u00edlia. Ele foi capturado com outros dois guerrilheiros (Duda, ou Luiz Ren\u00ea Silveira e Silva e Piau\u00ed, ou Ant\u00f4nio de P\u00e1dua Costa). Alguns homens da c\u00fapula do Ex\u00e9rcito, em opera\u00e7\u00e3o secreta, resolveram poupar n\u00e3o um mas os tr\u00eas: os ajudariam a assumir uma nova identidade com duas condi\u00e7\u00f5es: de colabora\u00e7\u00e3o (dela\u00e7\u00e3o premiada) e que nunca voltassem \u00e0 velha vida, e, portanto, nunca fizessem contato com as fam\u00edlias. Na \u00e9poca, guerrilheiros que virassem colaboradores eram considerados traidores e podiam ser condenados \u00e0 morte pelo partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o autor, o per\u00edodo em que Edinho, Duda e Piau\u00ed assumiram outras identidades coincidiu com uma troca de comando no Pa\u00eds: de M\u00e9dici para Geisel. Durante a transi\u00e7\u00e3o, a alta c\u00fapula do Ex\u00e9rcito ficou sem saber qual seria a conduta em rela\u00e7\u00e3o aos guerrilheiros capturados: se deveriam todos ser executados, como era a ordem sob M\u00e9dici, ou se poderiam ser poupados. Nesse contexto, al\u00e9m dos tr\u00eas j\u00e1 citados, o comando do Ex\u00e9rcito teria poupado e auxiliado a transi\u00e7\u00e3o para uma nova vida de mais quatro guerrilheiros: Rosinha (Maria C\u00e9lia Corr\u00eaa), Ari Armeiro (Marcos Jos\u00e9 de Lima), Josias (Tobias Pereira J\u00fanior) e Tuca (Luiza Augusta Garlippe).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos sete, h\u00e1 ind\u00edcios que n\u00e3o teriam procurado as fam\u00edlias Edinho (procurou o pai, j\u00e1 falecido, mas nunca a m\u00e3e) Duda, Rosinha e Tuca. Para os outros tr\u00eas, Piau\u00ed, Josias e Ari Armeiro, h\u00e1 ind\u00edcios que poderiam estar com as suas fam\u00edlias. Algumas fam\u00edlias, por sinal, nunca procuraram o governo para pedir indeniza\u00e7\u00f5es ou tentar localizar seus parentes desaparecidos, apenas enterraram o assunto e n\u00e3o d\u00e3o entrevistas. J\u00e1 a fam\u00edlia de Duda, que n\u00e3o fez contato, recha\u00e7a a tese de que ele possa estar vivo. Elizabeth Silveira e Silva, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais, n\u00e3o acredita que seu irm\u00e3o Duda possa ter sobrevivido \u00e0 execu\u00e7\u00e3o e qualifica as informa\u00e7\u00f5es como caluniosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Studart, o ideal seria que a Pol\u00edcia Federal seguisse na investiga\u00e7\u00e3o dos &#8216;mortos-vivos.&#8217; Em janeiro de 2011, o Minist\u00e9rio da Defesa e a AGU pediram \u00e0 Justi\u00e7a Federal que a PF investigue os &#8216;mortos-vivos&#8217;. A ju\u00edza Solange Salgado, da 1\u00aa Vara da Justi\u00e7a Federal em Bras\u00edlia, acatou o pedido. Mas, por press\u00e3o de familiares, a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o come\u00e7ou ainda. Na ordem, a ju\u00edza pede a investiga\u00e7\u00e3o sobre Edinho, Duda, Piau\u00ed, \u00c1urea e Dina. Ao longo de suas pesquisas, Studart descobriu que \u00c1urea e Dina teriam sido executadas e Rosinha, Ari, Josias e Tuca poupados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; R7<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Borboletas e Lobisomens, de Hugo Studart, explica como a Ditadura deu nova identidade para sete jovens Lan\u00e7ado h\u00e1 menos de um m\u00eas, o livro &#8216;Borboletas e Lobisomens&#8217;, do historiador e jornalista Hugo Studart, tem sido alvo de cr\u00edticas e elogios por revelar detalhes at\u00e9 ent\u00e3o obscuros e inc\u00f4modos sobre a Guerrilha do Araguaia, movimento de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12454,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12453"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12453"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12453\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12457,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12453\/revisions\/12457"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12454"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}