{"id":12474,"date":"2018-08-29T11:46:34","date_gmt":"2018-08-29T11:46:34","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12474"},"modified":"2018-08-29T11:46:34","modified_gmt":"2018-08-29T11:46:34","slug":"eua-sabiam-ja-nos-anos-1960-de-tortura-no-regime-militar-mostram-documentos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2018\/08\/29\/eua-sabiam-ja-nos-anos-1960-de-tortura-no-regime-militar-mostram-documentos\/","title":{"rendered":"EUA sabiam j\u00e1 nos anos 1960 de tortura no regime militar, mostram documentos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Documentos mostram nova evid\u00eancia de que o governo americano, j\u00e1 nos anos 1960, sabia da\u00a0repress\u00e3o violenta no Brasil durante ditadura militar, al\u00e9m de detalhes sobre o monitoramento de nomes como Portinari e Niemeyer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em julho de 1970, o jornalista americano Robert Erlandson, do Baltimore Sun, bateu \u00e0 porta da embaixada de seu pa\u00eds no Rio. O rep\u00f3rter investigava den\u00fancias envolvendo especialistas dos EUA e a instru\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de tortura a policiais e militares brasileiros mediante o programa de treinamento da Usaid (ag\u00eancia americana para o desenvolvimento internacional).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encurralado pelas perguntas, Robert Ballantyne, diretor da ag\u00eancia, tergiversou: n\u00e3o confirmava, mas n\u00e3o negava a pr\u00e1tica de tortura no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da reportagem, no dia 4 de agosto, William Rogers, secret\u00e1rio de Estado dos EUA, repreendeu a equipe da embaixada num telegrama que at\u00e9 agora n\u00e3o havia se tornado p\u00fablico: \u201cEstamos cientes da campanha para deslegitimar o governo brasileiro [\u2026]. Tamb\u00e9m estamos cientes, assim como a embaixada, de que a tortura est\u00e1 sendo usada deliberadamente pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a do governo brasileiro em certas inst\u00e2ncias. Ent\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o podemos parecer, de nenhum modo, tolerar ou justificar ou explicar a\u00e7\u00f5es repugnantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oficialmente, portanto, os EUA deveriam adotar posi\u00e7\u00e3o p\u00fablica bastante diplom\u00e1tica. \u201cN\u00f3s nos preocupamos com alega\u00e7\u00f5es e relatos de tortura. Discutimos o assunto com oficiais de alto escal\u00e3o que nos garantiram que o governo brasileiro n\u00e3o tolera a tortura\u201d, disse Rogers, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Extraoficialmente, a hist\u00f3ria \u00e9 outra. O telegrama de Rogers agrega nova evid\u00eancia de que o governo americano estava ciente da repress\u00e3o violenta no Brasil. O historiador Rodrigo Patto S\u00e1 Motta afirma: \u201cOs EUA estavam perfeitamente informados das viola\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o podiam admitir e apoiar, inclusive financeiramente, uma ditadura violenta. Assim, adotaram uma postura c\u00ednica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, sabe-se que a Usaid cuidava do treinamento policial brasileiro, inclusive da PM, enquanto outras ag\u00eancias americanas se dedicavam ao treinamento de oficiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs americanos diziam atuar pelo mundo livre, pela democracia e pelos direitos humanos. Justificavam o apoio a governos militares na Am\u00e9rica Latina como defesa da liberdade contra o comunismo. Quando surgiram informa\u00e7\u00f5es de que seus aliados praticavam tortura, o constrangimento foi enorme, pois eram pr\u00e1ticas atribu\u00eddas apenas aos inimigos comunistas\u201d, diz Patto, 52, ex-presidente da Anpuh (Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hist\u00f3ria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_th.jpg%20100w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_sm.jpg%20480w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_md.jpg%20768w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_lg.jpg%201024w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_xl.jpg%201200w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_rt.jpg%202400w\" srcset=\" https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_th.jpg 100w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_sm.jpg 480w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_md.jpg 768w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_lg.jpg 1024w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_xl.jpg 1200w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351534455b80952560cd8_1535153445_3x2_rt.jpg 2400w \" alt=\"rodrigo fala ao microfone\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O historiador Rodrigo Patto S\u00e1 Motta, professor da UFMG, durante debate sobre os 50 anos do golpe militar na Folha<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma hipocrisia: eles sabiam, mas tentaram minimizar a gravidade, como se fossem excessos epis\u00f3dicos ou casos isolados; desmentir, como se tratasse de propaganda comunista para desmoralizar os Estados Unidos; ou se desvencilhar da responsabilidade, dizendo que s\u00f3 treinavam a Pol\u00edcia Federal, tida como menos violenta\u201d, afirma o historiador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes da reportagem do Baltimore Sun, o governo americano recebeu um relat\u00f3rio de janeiro de 1970 da Ag\u00eancia de Intelig\u00eancia do Departamento de Estado que dizia que o DOI-Codi era eficiente devido ao uso de tortura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, embora o governo brasileiro n\u00e3o tenha ido t\u00e3o longe a ponto de formalizar instru\u00e7\u00f5es sobre a pr\u00e1tica, prevalecia um entendimento t\u00e1cito de que as agress\u00f5es deveriam ser discretas e, segundo o relato do c\u00f4nsul dos EUA em Porto Alegre, evitar deixar marcas f\u00edsicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano antes, diplomatas americanos e pol\u00edticos paulistas se encontraram para discutir o Ato Institucional n\u00ba 5, de dezembro de 1968, que marcou o recrudescimento da repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00f4nsul dos EUA em S\u00e3o Paulo registrou em telegrama: \u201cApreens\u00e3o, cinismo e pessimismo foram as palavras para descrever as impress\u00f5es sobre a atual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil. O AI-5 foi considerado um passo atr\u00e1s para o pa\u00eds, que levaria primeiro \u00e0 ditadura militar e finalmente a um banho de sangue\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novas, essas narrativas de bastidores chamaram a aten\u00e7\u00e3o de Patto enquanto ele revirava documentos nos Arquivos Nacionais dos EUA na cidade de College Park, em Maryland, de agosto de 2006 a julho de 2007. A unidade \u00e9 conhecida como Nara 2 (sigla para National Archives and Records Administration).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Professor titular da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e \u00e0 \u00e9poca professor visitante da Universidade de Maryland, Patto investigava rela\u00e7\u00f5es entre a Usaid e o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o no Brasil, o que resultou no livro\u00a0\u201cAs Universidades e o Regime Militar\u201d\u00a0(Zahar, 2014). \u00c0 parte, ele fotografou mais de 7.000 p\u00e1ginas in\u00e9ditas da documenta\u00e7\u00e3o americana a respeito da ditadura brasileira, citadas ao longo desta reportagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora o acervo estava parado no escrit\u00f3rio do historiador, em Belo Horizonte. Desde junho, est\u00e1 sendo compartilhado, aos poucos, na p\u00e1gina do Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria do Tempo Presente, da UFMG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Patto passou oito meses no segundo andar do Nara 2. Munido de papel, l\u00e1pis e uma c\u00e2mera Sony de cinco megabytes, vasculhou centenas de caixas de documentos impressos do Departamento de Estado e de ag\u00eancias americanas \u2014cartas, relat\u00f3rios e transcri\u00e7\u00f5es de conversas de diplomatas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a ditadura, diplomatas americanos convidavam empres\u00e1rios, jornalistas (como Carlos Castelo Branco e Oliveiros Ferreira), militares (entre eles o general Golbery do Couto e Silva) e pol\u00edticos (Juscelino Kubitschek e Jos\u00e9 Sarney, por exemplo) para conversar nas embaixadas. Buscavam informa\u00e7\u00f5es para a tomada de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEram informantes lato sensu\u201d, diz Patto. \u201cMas h\u00e1 casos e casos. Uns queriam influenciar os americanos em determinada dire\u00e7\u00e3o, inclusive para ajudar na press\u00e3o contra a viol\u00eancia. Outros quiseram estimular os americanos a ajudar na derrubada de [Jo\u00e3o] Goulart. Os brasileiros tinham prop\u00f3sitos pr\u00f3prios tamb\u00e9m, n\u00e3o eram apenas marionetes nesse jogo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_th.jpg%20100w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_sm.jpg%20480w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_md.jpg%20768w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_lg.jpg%201024w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_xl.jpg%201200w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_rt.jpg%202400w\" srcset=\" https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_th.jpg 100w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_sm.jpg 480w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_md.jpg 768w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_lg.jpg 1024w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_xl.jpg 1200w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351537715b80966bea351_1535153771_4x3_rt.jpg 2400w \" alt=\"interior de quarto vermelho com homem de p\u00e9\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o para p\u00e1gina interna da Ilustr\u00edssima \u2013\u00a0<span class=\"widget-image__credits\">Tatiana Blass<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As informa\u00e7\u00f5es contidas nos documentos digitalizados por Patto se somam a outras revela\u00e7\u00f5es recentes sobre os anos de chumbo. Em maio, Matias Spektor, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas e colunista da\u00a0<strong>Folha<\/strong>,\u00a0divulgou memorando liberado pela CIA\u00a0no qual o chefe da ag\u00eancia afirmava que o general Ernesto Geisel autorizou a continuidade da pol\u00edtica de execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias iniciada por Emilio Garrastazu M\u00e9dici.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em junho, esta\u00a0<strong>Folha<\/strong>\u00a0noticiou\u00a0que a ditadura atuou para abafar uma investiga\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o na compra de fragatas do Reino Unido, segundo documentos brit\u00e2nicos analisados pelo historiador Jo\u00e3o Roberto Martins Filho, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros estudiosos v\u00eam vasculhando acervos do Reino Unido, da Fran\u00e7a e da antiga Tchecoslov\u00e1quia. Despachos diplom\u00e1ticos americanos de 1973-1974 recentemente revelaram que a administra\u00e7\u00e3o do presidente americano Richard Nixon (1969-74) foi informada das torturas no Brasil, mas n\u00e3o tratou publicamente das den\u00fancias, mantendo assist\u00eancia militar no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Informa\u00e7\u00f5es da embaixada americana de 1975-1976 publicadas pelo WikiLeaks endossam a interpreta\u00e7\u00e3o de que a Casa Branca sabia das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, mas as minimizavam como exce\u00e7\u00f5es para justificar a continuidade do apoio e treinamento militar das for\u00e7as brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta tamb\u00e9m foi a trilha investigada por Patto, com a diferen\u00e7a da data: enquanto o que j\u00e1 foi revelado sobre o conhecimento da tortura trata de meados da d\u00e9cada de 1970, o historiador mineiro encontrou vest\u00edgios anteriores, dos anos 1960.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Nara 2, \u201cgigantesco e moderno\u201d, nas palavras do pesquisador, h\u00e1 um universo de documentos sobre diversos pa\u00edses, incluindo o Brasil. \u201cQuase um hangar de avi\u00e3o, com metros e mais metros de arquivos de a\u00e7o e divis\u00f3rias m\u00f3veis\u201d, lembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos arquivos americanos vieram contribui\u00e7\u00f5es relevantes para a compreens\u00e3o da ditadura brasileira, como a divulga\u00e7\u00e3o do memorando da CIA e a descoberta dos pap\u00e9is da Opera\u00e7\u00e3o Brother Sam, referente ao apoio americano ao golpe de 1964 \u2014os americanos s\u00f3 passaram a criticar oficialmente os abusos do regime militar a partir da Presid\u00eancia de Jimmy Carter (1977-81).<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A documenta\u00e7\u00e3o internacional, entretanto, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o aberta quanto pode parecer. Como diz Patto, governos liberam documentos sigilosos apenas sob press\u00e3o. \u201cOs americanos abrem o que pensam que n\u00e3o fere a seguran\u00e7a nacional deles. De 100 mil registros, escolhem e publicam digitalmente uns cinco. \u00c0s vezes liberam trechos tarjados, outras n\u00e3o liberam nada.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por demandas de sigilo ou defici\u00eancias na infraestrutura, nem tudo \u00e9 digitalizado, seja nos EUA, seja no Brasil. Assim, muitos documentos hist\u00f3ricos est\u00e3o dispon\u00edveis s\u00f3 em meio a montanhas de papel, e o trabalho do historiador equivale a procurar agulha no palheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre historiadores\u00a0discute-se o ineditismo de determinados documentos. A respeito da recente divulga\u00e7\u00e3o do memorando da CIA (do diretor William Colby a Henry Kissinger, ent\u00e3o secret\u00e1rio de Estado) implicando o posicionamento de Geisel, por exemplo, Patto lembra que o jornalista\u00a0Elio Gaspari\u00a0j\u00e1 havia publicado um di\u00e1logo entre o presidente brasileiro e um coronel no mesmo tom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO documento \u00e9 importante por confirmar mais uma vez que os chef\u00f5es militares sabiam das matan\u00e7as e as chancelavam, mas n\u00e3o muda a interpreta\u00e7\u00e3o sobre a distens\u00e3o do per\u00edodo. N\u00e3o chega a ser uma novidade\u201d, diz. Na avalia\u00e7\u00e3o de Patto, o mais importante no memorando da CIA \u00e9 o impacto pol\u00edtico:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[Esses documentos] ajudam a chamar aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre a viol\u00eancia da ditadura e a responsabilidade dos generais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acad\u00eamico americano James Green, 67, destaca outro aspecto: \u201c\u00c9 \u00f3timo encontrar revela\u00e7\u00f5es, desvendar narrativas, descobrir detalhes. Mas, como historiador, preciso dizer que a an\u00e1lise desses dados \u00e9 muito mais complexa, lenta e trabalhosa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Green coordena o projeto \u201cOpening the Archives\u201d (abrindo os arquivos), parceria entre a Universidade Brown, nos EUA, e a UEM (Universidade Estadual de Maring\u00e1), que pretende indexar 100 mil documentos americanos das d\u00e9cadas de 1960, 1970 e 1980 sobre o Brasil \u2014at\u00e9 agora, 23 mil arquivos est\u00e3o dispon\u00edveis online.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAp\u00f3s o AI-5, iniciou-se um debate intenso nos EUA sobre o Brasil\u201d, diz Green. De acordo com o historiador, muitos jornalistas liberais e progressistas publicaram den\u00fancias de tortura, criticando o apoio americano \u00e0 ditadura, em publica\u00e7\u00f5es como The Washington Post e The New York Times. No livro \u201cApesar de Voc\u00eas\u201d (Companhia das Letras, 2009), Green conta que alguns correspondentes americanos eram considerados hostis ao regime militar no Brasil \u2014entre eles, Robert Erlandson, do Baltimore Sun, citado nos documentos de Patto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351539605b80972899bec_1535153960_3x2_th.jpg%20100w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351539605b80972899bec_1535153960_3x2_sm.jpg%20480w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351539605b80972899bec_1535153960_3x2_md.jpg%20768w,%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351539605b80972899bec_1535153960_3x2_lg.jpg%201024w,\" srcset=\" https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351539605b80972899bec_1535153960_3x2_th.jpg 100w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351539605b80972899bec_1535153960_3x2_sm.jpg 480w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351539605b80972899bec_1535153960_3x2_md.jpg 768w, https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/08\/24\/15351539605b80972899bec_1535153960_3x2_lg.jpg 1024w, \" alt=\"james green\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O historiador brasilianista norte-americano James Green, da Universidade Brown<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa \u00faltima temporada de pesquisa, Patto desengavetou informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas e inusitadas dos americanos de olho em personalidades como Candido Portinari e Oscar Niemeyer pr\u00e9-golpe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em abril de 1959, um oficial da embaixada no Rio avaliou a concess\u00e3o de visto para Portinari visitar os Estados Unidos. Defendeu que era mais inteligente conceder autoriza\u00e7\u00e3o a personalidades da alta cultura, \u201ctecnicamente ineleg\u00edveis para vistos por pr\u00e9vias associa\u00e7\u00f5es comunistas\u201d, para evitar que esquerdistas explorassem o caso para criticar o governo americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em agosto de 1963, Niemeyer recebeu o pr\u00eamio L\u00eanin da Paz, no campus da Universidade de Bras\u00edlia, com a presen\u00e7a de autoridades como o presidente Goulart, Lu\u00eds Carlos Prestes e Darcy Ribeiro. Autor do relat\u00f3rio, Robert Dean, conselheiro da embaixada de Bras\u00edlia, ficou enfurecido com o discurso do arquiteto e rompeu o protocolo, indo embora diante das cr\u00edticas ao imperialismo americano no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em abril de 1964, pouco depois do golpe, o ent\u00e3o embaixador americano Lincoln Gordon criticou o AI-1, que se desviava da linha de manter o ar de legalidade dos militares. Em novembro de 1965, Dean Rusk, secret\u00e1rio de Estado, inquietou-se ainda mais com o AI-2, dizendo que n\u00e3o interessava aos Estados Unidos um governo de extrema direita, pois provocaria mais instabilidade na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, o c\u00f4nsul Niles Bond relatou que a linha dura dos militares queria afastar o governador paulista Adhemar de Barros, acusado de corrup\u00e7\u00e3o, mas o pol\u00edtico, diz o memorando, tinha cartas na manga: cercou o ent\u00e3o presidente Castello Branco em busca de apoio, cultivou amizade com o general Amaury Kruel e, segundo rumores fortes citados pelos americanos, pagou d\u00edvidas de jogo do ent\u00e3o ministro da Guerra, Artur da Costa e Silva, que se tornaria o segundo presidente do per\u00edodo militar, de 1967 a 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em dezembro de 1970, Kubitschek, por sua vez, recebeu representantes da Casa Branca na sua casa no Rio. O ex-presidente pediu garantias de que a conversa seria estritamente off-the-record e que nenhum dos presentes era jornalista. Uma vez \u00e0 vontade, criticou o regime militar e o apoio americano, expressando preocupa\u00e7\u00f5es com os linha-dura e sua ca\u00e7ada a lideran\u00e7as democr\u00e1ticas civis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o documento confidencial, o ex-presidente afirmou abertamente que integrantes da Igreja Cat\u00f3lica estavam ajudando a abrigar \u201csubversivos\u201d (express\u00e3o que consta entre aspas no memorando), relatando um incidente de 1969 em Ribeir\u00e3o Preto (SP), onde freiras teriam sido presas e estupradas por agentes da repress\u00e3o. Segundo JK, a madre superiora teria engravidado durante os abusos e se exilado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso \u00e9 famoso. Na verdade, madre Maurina foi presa e torturada, mas negou a gravidez. Seu irm\u00e3o, frei Manoel Borges, disse \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade que a religiosa, que morreu em 2011, foi v\u00edtima de ass\u00e9dio sexual, mas n\u00e3o estupro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs documentos dizem muito, mas n\u00e3o dizem tudo. Meia d\u00fazia de p\u00e1ginas trazem ind\u00edcios, mas n\u00e3o v\u00e3o trazer resposta definitiva de nada. A\u00ed entra a necessidade de an\u00e1lise cr\u00edtica\u201d, diz Patto. \u201cNa hist\u00f3ria, n\u00e3o pensamos documentos a partir da ideia de \u2018prova cabal\u2019. \u00c9 a diferen\u00e7a entre o historiador e o juiz. O primeiro encontra verdades provis\u00f3rias; o segundo, verdades dogm\u00e1ticas. No trabalho hist\u00f3rico, buscamos evid\u00eancias emp\u00edricas fortes que se cruzem e possam corroborar outros elementos na mesma dire\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O investigador Sidnei Munhoz, 60, organizador do livro \u201cRela\u00e7\u00f5es Brasil \u2013 Estados Unidos\u201d (Eduem, 2011), refor\u00e7a esse argumento. \u201cUm documento pode n\u00e3o ser falso, mas pode conter informa\u00e7\u00f5es inconsistentes, incompletas, parciais. Tudo deve ser aferido por quem pretende utilizar a fonte\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Integrante do \u201cOpening the Archives\u201d, o acad\u00eamico considera dois tipos de ineditismo no trabalho hist\u00f3rico: a descoberta de um documento sigiloso, inteiramente inacess\u00edvel at\u00e9 ent\u00e3o, ou uma perspectiva nova sobre arquivos j\u00e1 abertos e conhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 antiga a discuss\u00e3o sobre abertura de arquivos relacionados \u00e0 ditadura. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 criou instrumentos para garantir o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o ficou bem resolvido em lei o conflito com direitos individuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs mesmos instrumentos legais que permitiram aos pesquisadores ler registros dos Dops [Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social] ou do SNI [Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es] criaram restri\u00e7\u00f5es e possibilidade de a\u00e7\u00f5es indenizat\u00f3rias para os que se sentirem agredidos, e n\u00e3o \u00e9 simples definir que tipo de informa\u00e7\u00e3o pode ferir a intimidade de algu\u00e9m\u201d, afirma Patto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o processo de consolida\u00e7\u00e3o da democracia, a Lei de Arquivos, de 1991, regulamentada por decreto de 1997, estabeleceu categorias para classifica\u00e7\u00e3o de documentos \u2014aqueles considerados ultrassecretos poderiam permanecer em sigilo por no m\u00e1ximo de 60 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2002, no entanto, novo decreto de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tornou esse prazo prorrog\u00e1vel indefinidamente. \u201cO decreto caiu como uma bomba entre historiadores e arquivistas\u201d, afirma Patto. Em 2005, uma nova lei foi editada, amenizando os impactos do decreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na noite de 20 de mar\u00e7o de 2007, o historiador proferiu a confer\u00eancia \u201cOpen to the public\u201d (aberto ao p\u00fablico), na Universidade Brown. A convite de Green, ele abordou a abertura dos arquivos do Dops.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando Henrique Cardoso, \u00e0 \u00e9poca professor convidado da universidade, estava na plateia. Segundo a lembran\u00e7a do conferencista e outra fonte que preferiu n\u00e3o se identificar, o tucano foi o primeiro a pedir a palavra ao fim da palestra. Afirmou ter assinado o decreto que restringia o acesso a documentos sigilosos sem ter lido o teor do of\u00edcio, no meio de uma pilha de pap\u00e9is, durante sua \u00faltima semana na Presid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procurado pela reportagem, o ex-presidente apenas reafirmou os termos de uma\u00a0declara\u00e7\u00e3o dada \u00e0\u00a0<b>Folha\u00a0<\/b>em junho de 2011: \u201cFiz sem tomar conhecimento. Foi no \u00faltimo dia do mandato, tinha uma pilha de documentos e eu s\u00f3 vi dois anos depois\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2011, no governo Dilma Rousseff (PT), foi editada a Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, que veda restri\u00e7\u00e3o de acesso a informa\u00e7\u00f5es ou documentos relativos a casos de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos por agentes p\u00fablicos ou a mando de autoridades p\u00fablicas. No entanto, muitos pap\u00e9is ficaram de fora dessas gavetas abertas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de 19 mil documentos do SNI foram destru\u00eddos, por exemplo. Pap\u00e9is oficiais referentes \u00e0 guerrilha do Araguaia foram incinerados. Outros nunca foram encontrados, como assinala o livro-reportagem \u201cLugar Nenhum\u201d, de Lucas Figueiredo, primeiro t\u00edtulo da cole\u00e7\u00e3o \u201cArquivos da Repress\u00e3o no Brasil\u201d (2015), organizada por Heloisa Starling, da UFMG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de depoimentos reveladores na Comiss\u00e3o da Verdade, alguns militares afirmaram n\u00e3o possuir registros sobre a repress\u00e3o, o que obriga historiadores a trabalhar com fontes reduzidas. Nas audi\u00eancias, alguns oficiais se limitaram a responder \u00e0s quest\u00f5es com a frase \u201cnada a declarar\u201d; outros se recusaram a comparecer, argumentando \u201cn\u00e3o colaborar com o inimigo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAdemais, h\u00e1 detalhes que n\u00e3o s\u00e3o arquivados. Ningu\u00e9m escreve no papel que torturou algu\u00e9m ou botou fogo no fulano\u201d, ressalva Patto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de veteranos como Green, Munhoz e Patto, jovens historiadores defendem a divulga\u00e7\u00e3o de mais documentos como ferramenta para pensar pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias do passado e do presente. Para Diego Knack, 27, autor de \u201cDitadura e Corrup\u00e7\u00e3o\u201d, que recebeu o pr\u00eamio Mem\u00f3rias Reveladas, \u201cessa amplia\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e porque persiste certo desconhecimento sobre o regime militar, animado pelo que circula de fake news e leituras limitadas sobre o per\u00edodo, quando n\u00e3o distorcidas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Cesar Gomes, 36, editor do portal \u201cHist\u00f3ria da Ditadura\u201d e professor da Universidade Federal Fluminense, diz: \u201c[Essa abertura] traz temas hist\u00f3ricos para o debate p\u00fablico. No entanto, \u00e9 preciso ter cuidado com o \u2018fetiche\u2019 do documento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, os principais acervos dispon\u00edveis s\u00e3o os do Dops, que se encontram nos arquivos p\u00fablicos estaduais, e as unidades do Arquivo Nacional, no Rio e em Bras\u00edlia. At\u00e9 hoje, os mais inacess\u00edveis s\u00e3o os acervos dos Centros de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito e da Marinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na internet, \u00e9 poss\u00edvel fazer pesquisas no projeto \u201cMem\u00f3rias Reveladas\u201d e no fundo Dops-MG, al\u00e9m de consultar o citado \u201cOpening the Archives\u201d e o \u201cNational Security Archives\u201d, este \u00faltimo uma entidade acad\u00eamica que re\u00fane documentos americanos e os disponibiliza na web.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDigo que temos por\u00f5es digitais. \u00c9 preciso ter formatos e sistemas de indexa\u00e7\u00e3o que possibilitem a pesquisa, sen\u00e3o os documentos ficam perdidos\u201d, diz Munhoz, que digitalizou microfilmes do Departamento de Estado dos EUA dos per\u00edodos 1908-39 e 1945-63, dispon\u00edveis na UEM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO trabalho nos arquivos exige disciplina e paci\u00eancia. No meio do caminho, h\u00e1 muitos registros repetitivos ou detalhes irrelevantes. Num dia inteiro de trabalho, revirando milhares de pap\u00e9is, voc\u00ea talvez encontre quatro p\u00e1ginas que valham a pena. Mas, quando valem\u2026 \u00c9 um garimpo\u201d, define Patto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 ainda muito desconhecimento do que aconteceu na ditadura, apesar da farta documenta\u00e7\u00e3o e das atividades das Comiss\u00f5es da Verdade. \u00c9 um paradoxo. E por isso \u00e9 t\u00e3o importante divulgar a hist\u00f3ria hoje, para refletirmos sobre um passado que ainda \u00e9 presente. \u00c9 a met\u00e1fora cl\u00e1ssica: o passado que n\u00e3o passa.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Folha de S.Paulo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documentos mostram nova evid\u00eancia de que o governo americano, j\u00e1 nos anos 1960, sabia da\u00a0repress\u00e3o violenta no Brasil durante ditadura militar, al\u00e9m de detalhes sobre o monitoramento de nomes como Portinari e Niemeyer. Em julho de 1970, o jornalista americano Robert Erlandson, do Baltimore Sun, bateu \u00e0 porta da embaixada de seu pa\u00eds no Rio. 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