{"id":12516,"date":"2018-10-10T13:05:05","date_gmt":"2018-10-10T13:05:05","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12516"},"modified":"2021-06-11T20:29:30","modified_gmt":"2021-06-11T20:29:30","slug":"justica-da-espanha-absolve-medico-em-processo-sobre-bebes-roubados-na-ditadura-de-franco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2018\/10\/10\/justica-da-espanha-absolve-medico-em-processo-sobre-bebes-roubados-na-ditadura-de-franco\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a da Espanha absolve m\u00e9dico em processo sobre beb\u00eas roubados na ditadura de Franco"},"content":{"rendered":"<div class=\"intro\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O ex-ginecologista Eduardo Vela, acusado de participar de um esc\u00e2ndalo envolvendo ado\u00e7\u00f5es ilegais de crian\u00e7as durante a ditadura de Franco, foi considerado respons\u00e1vel pelos crimes nesta segunda-feira (8) em Madri. No entanto, o m\u00e9dico foi absolvido ap\u00f3s sua defesa ter alegado a prescri\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tribunal informou em um comunicado que ficou &#8220;provado de forma incontest\u00e1vel no julgamento que o doutor Vela entregou a beb\u00ea (In\u00e9s Madrigal, atualmente com 49 anos) para ado\u00e7\u00e3o fora dos canais legais e sem que conste que tenha mediado consentimento nem sequer conhecimento por parte dos progenitores da rec\u00e9m-nascida&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, mesmo se o m\u00e9dico, hoje com 85 anos, foi acusado de &#8220;deten\u00e7\u00e3o ilegal, suposi\u00e7\u00e3o de parto e falsidade em documento oficial\u201d, as ju\u00edzas consideraram que &#8220;na data da apresenta\u00e7\u00e3o da den\u00fancia, em abril de 2012, os delitos estavam prescritos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerado um dos principais membros do\u00a0esc\u00e2ndalo de tr\u00e1fico de crian\u00e7as denunciado h\u00e1 d\u00e9cadas na Espanha, Vela era acusado de ter separado In\u00e9s Madrigal de sua m\u00e3e ap\u00f3s o parto, em 1969, e falsificado sua certid\u00e3o de nascimento antes de entreg\u00e1-la \u00e0 Ines Perez, uma mulher est\u00e9ril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>M\u00e9dico poderia ser condenado a uma pena de 11 anos de pris\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tenho uma sensa\u00e7\u00e3o agridoce&#8221;, afirmou In\u00e9s Madrigal, ao indicar que estava &#8220;contente&#8221; com o reconhecimento na decis\u00e3o das a\u00e7\u00f5es do doutor Vela. O advogado da demandante, Guillermo Pe\u00f1a, anunciou recorrer da decis\u00e3o junto ao Tribunal Supremo, alegando que &#8220;n\u00e3o pode prescrever um delito quando algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 consciente de ser v\u00edtima do mesmo&#8221;, em refer\u00eancia ao fato de que Madrigal soube apenas em 2010 da exist\u00eancia da rede de roubo de beb\u00eas, que pode ter afetado milhares de fam\u00edlias durante a ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua decis\u00e3o, as ju\u00edzas tomaram como ponto de partida o ano de 1987, quando Madrigal completou a maioridade (18 anos) e sua m\u00e3e confessou que n\u00e3o era sua progenitora. Assim, as magistradas consideraram os crimes prescritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Promotoria solicitara pena de 11 anos de pris\u00e3o para Vela, al\u00e9m de uma indeniza\u00e7\u00e3o de \u20ac 350 mil, por privar a denunciante de sua &#8220;identidade biol\u00f3gica e social&#8221;. O m\u00e9dico trabalhava na cl\u00ednica San Ram\u00f3n de Madri, onde em junho de 1969 entregou o beb\u00ea com documentos falsos. Um\u00a0padre jesu\u00edta foi o mediador da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Mais de 2.000 casos foram arquivados<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de seus esfor\u00e7os, In\u00e9s Madrigal n\u00e3o conseguiu descobrir nada sobre a identidade de seus pais biol\u00f3gicos. V\u00e1rios anos depois, ela se tornou a primeira demandante que conseguiu levar a julgamento um caso do tipo na Espanha, onde entre 2.000 e 3.000 den\u00fancias similares foram arquivadas por falta de provas ou prescri\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um cap\u00edtulo menos conhecido da ditadura franquista (1939-1975), estas crian\u00e7as eram retiradas de seus pais ap\u00f3s o parto e declaradas mortas, sem a apresenta\u00e7\u00e3o de provas. Em seguida, eram adotadas por casais est\u00e9reis, de prefer\u00eancia pr\u00f3ximos ao regime franquista, e geralmente com a cumplicidade da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tr\u00e1fico perdurou inclusive na democracia, pelo menos at\u00e9 1987, por raz\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211;\u00a0 AFP\/RFI<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-ginecologista Eduardo Vela, acusado de participar de um esc\u00e2ndalo envolvendo ado\u00e7\u00f5es ilegais de crian\u00e7as durante a ditadura de Franco, foi considerado respons\u00e1vel pelos crimes nesta segunda-feira (8) em Madri. No entanto, o m\u00e9dico foi absolvido ap\u00f3s sua defesa ter alegado a prescri\u00e7\u00e3o dos fatos. 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