{"id":12613,"date":"2018-12-13T12:21:06","date_gmt":"2018-12-13T12:21:06","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12613"},"modified":"2021-06-11T20:33:19","modified_gmt":"2021-06-11T20:33:19","slug":"ex-diretores-da-ford-sao-condenados-por-cumplicidade-com-a-ditadura-argentina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2018\/12\/13\/ex-diretores-da-ford-sao-condenados-por-cumplicidade-com-a-ditadura-argentina\/","title":{"rendered":"Ex-diretores da Ford s\u00e3o condenados por cumplicidade com a ditadura argentina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Dois ex-diretores da Ford foram condenados nesta ter\u00e7a-feira a 12 e 10 anos de pris\u00e3o respectivamente por cumplicidade na persegui\u00e7\u00e3o de representantes sindicais durante a ditadura argentina (1976-1983).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um ano de processo, um tribunal argentino condenou H\u00e9ctor Sibilla, ex-diretor de seguran\u00e7a da Ford, a 12 anos de pris\u00e3o e Pedro Muller, ex-gerente de manufatura, a 10 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambos foram sentenciados por ser &#8220;participantes na priva\u00e7\u00e3o ilegal da liberdade, agravada pelo uso de viol\u00eancia e amea\u00e7as, tormentos agravados por serem as v\u00edtimas perseguidas pol\u00edticas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso de Sibilla, ela tamb\u00e9m presenciou uma sess\u00e3o de tortura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois est\u00e3o atualmente em pris\u00e3o domiciliar, mas quando suas condena\u00e7\u00f5es forem definitivas, ter\u00e3o que cumpri-las na pris\u00e3o, aponta a decis\u00e3o recebida com aplausos e gritos de sobreviventes e parentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma senten\u00e7a, o ex-general Santiago Riveros foi condenado a 15 anos de pris\u00e3o por dirigir o centro de deten\u00e7\u00e3o clandestino Campo de Mayo, ao norte de Buenos Aires e perto da sede da f\u00e1brica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O militar, que cumpre pena por outras condena\u00e7\u00f5es por viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos durante a ditadura, foi considerado co-autor de invas\u00e3o ilegal de domic\u00edcilo e priva\u00e7\u00e3o ilegal de liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se n\u00e3o tivesse sido pela vontade e o apoio do povo, n\u00e3o ter\u00edamos chegado at\u00e9 aqui. Mas a quest\u00e3o dos direitos humanos est\u00e1 bem inserida (na Argentina), j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 algo que se discute&#8221;, declarou \u00e0 AFP Pedro Troaini, uma das v\u00edtimas, antes de entrar na sala de audi\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;S\u00f3 quero falar da minha vida pessoa. Cheguei ao pa\u00eds em dezembro de 1949 e encontrei trabalho como mec\u00e2nico automotor e assim paguei meus estudos. Desde ent\u00e3o nunca parei de trabalhar. Me dei conta que tinha que trabalhar de maneira apol\u00edtica. Tenho a consci\u00eancia tranquila porque jamais fui acusado por minha conduta&#8221;, declarou Muller, o \u00fanico que falou nesta ter\u00e7a-feira perante o tribunal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Promotoria havia solicitado penas de 25 anos de pris\u00e3o, a m\u00e1xima prevista para os crimes de priva\u00e7\u00e3o ilegal de liberdade e tormentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esperamos um veredicto de responsabilidade, para que fique claro que houve cumplicidade empresarial com a ditadura. \u00c9 muito importante para a hist\u00f3ria da Argentina&#8221;, declarou \u00e0 AFP Tom\u00e1s Ojea, advogado das v\u00edtimas, antes do veredicto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 a primeira vez que ex-diretores de uma multinacional s\u00e3o julgados na Argentina por crimes vinculados \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A vit\u00f3ria \u00e9 de ter chegado at\u00e9 aqui, ter feito com que este julgamento acontecesse e feito com os trabalhadores apresentassem uma den\u00fancia conjunta&#8221;, afirmou \u00e0 AFP Elizabeth G\u00f3mez Alcorta, advogada das v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do ano, apenas Muller compareceu ao tribunal durante a etapa das alega\u00e7\u00f5es, mas sem pronunciar uma palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1976, quando aconteceu o golpe de Estado que derrubou a presidente Mar\u00eda Estela Mart\u00ednez de Per\u00f3n, a f\u00e1brica da Ford tinha quase 5.000 oper\u00e1rios e 2.500 funcion\u00e1rios administrativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e1brica tinha 100 representantes sindicais e 24 deles foram levados para cativeiro, muitas vezes no pr\u00f3prio local de trabalho e com listas elaboradas pela empresa, em repres\u00e1lia por seu ativismo sindical, de acordo com a Promotoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios deles foram torturados na f\u00e1brica, na localidade de General Pacheco, na periferia norte de Buenos Aires, antes da transfer\u00eancia para centros clandestinos de deten\u00e7\u00e3o, segundo os depoimentos das v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos sobreviveram \u00e0 ditadura, mas ap\u00f3s mais de 40 anos apenas 13 representantes sindicais seguem vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ex-gerente de rela\u00e7\u00f5es trabalhistas Guillermo Galarraga chegou a ser processado, mas morreu em 2016 sem que o julgamento tivesse come\u00e7ado. Nicol\u00e1s Courad, ex-presidente da Ford na Argentina, morreu em 1989, muito antes de qualquer processo judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O julgamento se limita a determinar a responsabilidade dos acusados e n\u00e3o envolve a empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; EM<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois ex-diretores da Ford foram condenados nesta ter\u00e7a-feira a 12 e 10 anos de pris\u00e3o respectivamente por cumplicidade na persegui\u00e7\u00e3o de representantes sindicais durante a ditadura argentina (1976-1983). 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