{"id":12723,"date":"2019-03-19T00:41:32","date_gmt":"2019-03-19T00:41:32","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12723"},"modified":"2019-03-19T00:41:32","modified_gmt":"2019-03-19T00:41:32","slug":"caetano-veloso-e-outros-artistas-lembram-periodo-de-exilio-ha-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2019\/03\/19\/caetano-veloso-e-outros-artistas-lembram-periodo-de-exilio-ha-50-anos\/","title":{"rendered":"Caetano Veloso e outros artistas lembram per\u00edodo de ex\u00edlio h\u00e1 50 anos"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"txt-gray mb-0\" style=\"text-align: justify;\">Nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Cac\u00e1 Diegues, Nara Le\u00e3o e Augusto Boal se exilaram para escapar da persegui\u00e7\u00e3o do regime militar<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cNunca quis morar fora do Brasil. Ser exilado me deixou meio deprimido. Lembro-me de que um cara da Pol\u00edcia Federal (acho que era da PF: tudo relativo a nossa pris\u00e3o e ex\u00edlio era muito desorganizado e obscuro) me levou at\u00e9 dentro do avi\u00e3o e me disse: \u2018N\u00e3o volte. Se voltar, nos poupe do trabalho de um dia procurar voc\u00ea\u2019. Numa ida a Paris, j\u00e1 no segundo ano de ex\u00edlio em Londres, a 12 abaixo de zero, chorei na rua e cantei, aos berros,\u00a0<em>Apesar de voc\u00ea<\/em>\u201d. \u00c9 Caetano Veloso quem relata o epis\u00f3dio da sua pris\u00e3o em depoimento ao\u00a0<strong>Correio<\/strong>. Ele foi obrigado a deixar o Brasil em 1969 acompanhado por Gilberto Gil. No mesmo ano, pouco tempo ap\u00f3s institu\u00eddo o Ato Institucional n\u00ba 5 (AI-5), foram impelidos a deixar p\u00e1tria natal Chico Buarque, Augusto Boal, Cac\u00e1 Diegues, Nara Le\u00e3o, entre outros. Durante a ditadura militar, que se estendeu de 1964 a 1985, milhares de pessoas foram exiladas for\u00e7adamente ou se autoexilaram. Eram intelectuais, pol\u00edticos, artistas, jornalistas ou an\u00f4nimos.<\/div>\n<div class=\"row ads ads__with-bg mb-35 mt-35 hidden-print p-0\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna-700\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cO autoex\u00edlio n\u00e3o era uma vontade prazeirosa. Era uma obriga\u00e7\u00e3o. As pessoas eram perseguidas pela pol\u00edcia arbitrariamente.\u00a0 Uma pol\u00edcia que matava, que torturava. A tortura era um fato comum\u201d, conta Zuenir Ventura, jornalista e escritor brasileiro. Em entrevista, o autor do livro\u00a0<em>1968: O ano que n\u00e3o terminou\u00a0<\/em>explica que \u201camea\u00e7as, persegui\u00e7\u00f5es\u201d, al\u00e9m do cerceamento dos direitos, limitavam a capacidade produtiva de artistas no Brasil, que tinham de procurar onde viver fora. \u201cO clima era de puro pavor\u201d. Ventura esteve preso no mesmo per\u00edodo em que Caetano e Gil. Ele fora acusado de comandar o jornalismo no Rio e de fazer parte do Partido Comunista. \u201cEu nunca fui do Partido Comunista, muito menos tive esse poder\u201d. Apesar de os baianos n\u00e3o terem sido torturados, o jornalista soube que estavam sendo \u201cmaltratados\u201d. Pediu a Nelson Motta, que era pr\u00f3ximo dos generais e que visitava o colega de cela de Zuenir, H\u00e9lio Pellegrino, para que interviesse na pris\u00e3o dos tropicalistas. \u201cParece que funcionou\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Cac\u00e1 Diegues e Nara Le\u00e3o<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"img-align-side pull-right pull-xs-none img-mobile-full ml-20 mb-20\">\n<figure><picture class=\"img-wrapper-img-responsive img-wrapper-center-block\"><source srcset=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/BJ1XwfUp6QF-9cgZfv181OlYD5M=\/332x0\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185038355266o.jpg 332w\" media=\"(max-width: 767px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/BJ1XwfUp6QF-9cgZfv181OlYD5M=\/332x0\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185038355266o.jpg\" \/><img decoding=\"async\" class=\"loading\" title=\"Amea\u00e7ados, Cac\u00e1 Diegues e Nara Le\u00e3o se autoexilaram em Paris(foto: Arquivo CB\/D.A Press)\" src=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/W-WR-HwtUyEdtcyypJGCWFhuVwM=\/332x\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185038355266o.jpg\" alt=\"Amea\u00e7ados, Cac\u00e1 Diegues e Nara Le\u00e3o se autoexilaram em Paris(foto: Arquivo CB\/D.A Press)\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Amea\u00e7ados, Cac\u00e1 Diegues e Nara Le\u00e3o se autoexilaram em Paris<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Arquivo CB\/D.A Press)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Para Cac\u00e1 Diegues, \u201co problema do ex\u00edlio n\u00e3o \u00e9 onde voc\u00ea est\u00e1, e sim aonde voc\u00ea n\u00e3o pode ir\u201d. O expoente do movimento Cinema Novo e a bossa-novista Nara Le\u00e3o, com quem era casado, se autoexilaram na Fran\u00e7a naquele ano \u201cdebaixo das amea\u00e7as que and\u00e1vamos sofrendo\u201d. A oportunidade de fugir surgiu quando o cineasta teve o filme\u00a0<em>Os herdeiros<\/em>, que fora proibido no Brasil, selecionado para o Festival de Veneza. Foi convidado \u00e0 It\u00e1lia por Bernardo Bertolucci. Compromissou-se a voltar, mas, em vez disso, foi viver em Paris e arrumou emprego numa tev\u00ea local. Voltariam somente em 1971.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na capital francesa, Nara deu luz \u00e0 primeira filha e engravidou do segundo filho. Ela lan\u00e7ou um disco de bossa nova produzido pelo produtor musical Andr\u00e9 Midani. Diegues lan\u00e7ou\u00a0<em>Os herdeiros\u00a0<\/em>internacionalmente e divulgou o Cinema Novo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sobre a sensa\u00e7\u00e3o ao lembrar daquele momento, 50 anos depois, ele explica que n\u00e3o guarda os maus sentimentos. \u201cN\u00e3o me causa mais emo\u00e7\u00e3o alguma. Ainda encontro alguns amigos do ex\u00edlio, na It\u00e1lia, na Fran\u00e7a e em outros pa\u00edses da Europa. Mas ningu\u00e9m se lembra mais dessa \u00e9poca, a n\u00e3o ser como um passado triste que n\u00e3o \u00e9 mesmo para ser lembrado. A ang\u00fastia e a ansiedade do ex\u00edlio terminam quando voc\u00ea chega de volta\u201d. Em 2018, ele dirigiu\u00a0<em>O grande circo m\u00edstico<\/em>, escolhido para representar o Brasil no Oscar.<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nCaetano Veloso<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">Formuladores da Tropic\u00e1lia, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos em 1969 sem motivo aparente. \u201cEles foram julgados como subversivos porque tinham m\u00fasicas libert\u00e1rias, mas nenhum do dois tinha milit\u00e2ncia pol\u00edtica\u201d, diz Zuenir Ventura. A Pol\u00edcia Federal ofereceu uma alternativa \u00e0 cadeia, onde ficaram tr\u00eas meses: sair do\u00a0 pa\u00eds. Ficaram confinados em Salvador por alguns meses at\u00e9 embarcar para a Europa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Numa visita ao Brasil durante o per\u00edodo de ex\u00edlio, em 1971, conta Caetano em\u00a0<em>Verdade tropical<\/em>, ele se deparou com um adesivo que o marcou. \u201cNunca vou esquecer o momento em que, na Bahia, (&#8230;) percebi os dizeres \u2018Brasil, ame-o ou deixe-o\u2019\u201d. Ele e Gil eram chamados de \u201cpersonas non gratas\u201d pela embaixada brasileira em Londres. Enquanto esteve l\u00e1, escreveu para o seman\u00e1rio de maior circula\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca,\u00a0<em>O Pasquim<\/em>. Num dos artigos, declarou: \u201cN\u00f3s estamos mortos. Ele est\u00e1 mais vivo do que n\u00f3s\u201d, numa refer\u00eancia a Carlos Marighella, l\u00edder da guerrilha urbana, que havia sido assassinado poucos dias antes.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Exilado, deu o pr\u00f3prio nome a um disco lan\u00e7ado em 1971 que re\u00fane alguns das mais ic\u00f4nicas can\u00e7\u00f5es, bil\u00edngues e cheias de experimenta\u00e7\u00f5es, como<em>\u00a0London, London<\/em>,\u00a0<em>Maria Beth\u00e2nia<\/em>\u00a0e<em>\u00a0If you hold a stone<\/em>. Em 1971, depois de ver Jards Macal\u00e9 levar adiante no Brasil as apresenta\u00e7\u00f5es \u00e0 la Tropic\u00e1lia com\u00a0<em>Gotham city<\/em>, o convidou para a participa\u00e7\u00e3o de um novo disco. Nasce\u00a0<em>Transa<\/em>. \u201cTalvez seja at\u00e9 hoje o disco mais forte da carreira do Caetano\u201d, observa Guilherme Wisnik, autor do livro\u00a0<em>Caetano Veloso<\/em>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Gilberto Gil<\/h3>\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna-1700\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Gilberto Gil canta em\u00a0<em>Back in Bahia<\/em>\u00a0que era \u201ccomo se ter ido fosse necess\u00e1rio para voltar\u201d. Ele se refere ao retorno \u00e0 Bahia ap\u00f3s o per\u00edodo \u201cl\u00e1 em Londres\u201d, onde se exilou at\u00e9 1972 com Caetano Veloso. Sob autoriza\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, ele e Caetano realizaram um show em Salvador em 1969 para custear a expatria\u00e7\u00e3o. Impedidos de fazer apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, os astros n\u00e3o tinham dinheiro para se manter. Na apresenta\u00e7\u00e3o, ele se despede do Brasil com\u00a0<em>Aquele abra\u00e7o<\/em>. \u201cFinalmente, eu ia poder ir embora do pa\u00eds e tinha que dizer \u2018bye bye\u2019, sumarizar o epis\u00f3dio todo que estava vivendo e o que ele representava\u201d, contou o m\u00fasico sobre um de seus maiores sucessos no livro\u00a0<em>Gilberto Gil \u2014 Todas as letras<\/em>. \u201cQue outra coisa para um compositor fazer uma catarse sen\u00e3o numa can\u00e7\u00e3o?\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na Inglaterra, em 1969, gravou disco hom\u00f4nimo marcado pelas can\u00e7\u00f5es\u00a0<em>C\u00e9rebro eletr\u00f4nico<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Volks-Volkswagen Blue<\/em>. Essa \u00faltima apareceria no disco seguinte, de 1969, tamb\u00e9m hom\u00f4nimo, desta vez, com os versos em ingl\u00eas. Em 1970, Gil gravou a trilha sonora do an\u00e1rquico\u00a0<em>Copacabana mon amour<\/em>, de Rog\u00e9rio Sganzerla. O filme foi censurado no Brasil. Na volta, gravou o cl\u00e1ssico\u00a0<em>Expresso 2222<\/em>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Chico Buarque<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"img-align-side pull-left pull-xs-none img-mobile-full mr-20 mb-20 col-sm-push-negative-1 col-md-push-negative-2\">\n<figure><picture class=\"img-wrapper-img-responsive img-wrapper-center-block\"><source srcset=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/JKPWT8g6D6V-uSiputAIQtVdhPI=\/332x0\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185129205100e.jpg 332w\" media=\"(max-width: 767px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/JKPWT8g6D6V-uSiputAIQtVdhPI=\/332x0\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185129205100e.jpg\" \/><img decoding=\"async\" class=\"loading\" title=\"Boicotado pela censura, Chico Buarque se autoexilou em Roma(foto: Cristiano Mascaro\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/laCwBKvaj-65PY5BUBzeaueiclQ=\/332x\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185129205100e.jpg\" alt=\"Boicotado pela censura, Chico Buarque se autoexilou em Roma(foto: Cristiano Mascaro\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Boicotado pela censura, Chico Buarque se autoexilou em Roma<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Cristiano Mascaro\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O m\u00fasico carioca se autoexilou com Marieta Severo, com que foi casado, em Roma, entre 1969 e 1970. Era para ser apenas uma viagem \u00e0 capital italiana, quando descobriu que sua volta ao Brasil implicaria c\u00e1rcere. Antes, sob a mira dos censores, n\u00e3o conseguia lan\u00e7ar can\u00e7\u00f5es. Inventou o pseud\u00f4nimo Julinho da Adelaide para ter as can\u00e7\u00f5es aprovadas. \u201cAs m\u00fasicas do Chico Buarque eram censuradas e as pessoas n\u00e3o sabiam o porqu\u00ea. Depois de inventar o Julinho da Adelaide, as m\u00fasicas passavam pelos censores. Com o nome Chico Buarque, eles tinham m\u00e1 vontade\u201d, diz o pesquisador Guilherme Wisnik.<\/p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em Roma, Chico comp\u00f4s\u00a0<em>Samba e amor<\/em>,\u00a0<em>Apesar de voc\u00ea<\/em>,\u00a0<em>Agora falando s\u00e9rio<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Samba de Orly<\/em>. Entre os trabalhos, gravou o disco\u00a0<em>Chico Buarque de Hollanda \u2014 N\u00ba4<\/em>. Ennio Morricone fez os arranjos do sexto \u00e1lbum de est\u00fadio do carioca:\u00a0<em>Per un pugno di samba<\/em>. Tamb\u00e9m adaptou m\u00fasicas de Luis Enr\u00edquez Bacalov para o disco\u00a0<em>Os Saltimbancos<\/em>, gravado ao lado de Edu Lobo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica\u00a0<em>Meu caro amigo<\/em>\u00a0foi escrita em homenagem ao dramaturgo Augusto Boal, que se exilou em Lisboa tamb\u00e9m a partir de 1969. A faixa fez parte do disco\u00a0<em>Meus Caros Amigos<\/em>, de 1976. Boal s\u00f3 voltou ao Brasil em 1981.<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nPodados pela ditadura<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\">\n<figure><picture class=\"img-wrapper-img-responsive img-wrapper-center-block\"><source srcset=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/TWvCARayupw5hFWAm9-05SP9yz8=\/360x0\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185223457149a.jpg 360w\" media=\"(max-width: 767px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/rwpVph42eha1hyg-NVFMaH570vk=\/675x0\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185223457149a.jpg 675w\" media=\"(max-width: 1365px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/jvdPWkvUhhgApOLmFT93aZScNYI=\/820x0\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185223457149a.jpg 820w\" media=\"(min-width: 1366px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/HiGHDmyHcrw3gO_cdjF0xnCFLt4=\/332x0\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185223457149a.jpg\" \/><img decoding=\"async\" class=\"loading\" title=\"Gilberto, Caetano Veloso e Chico Buarque tiveram o trabalho influenciado pelo ex\u00edlio(foto: Casa da Palavra\/Reprodu\u00e7\u00e3o)\" src=\"https:\/\/i.correiobraziliense.com.br\/n-Za24eQkKIVcJ4P_hK2061UeBI=\/675x\/smart\/imgsapp2.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/17\/743311\/20190315185223457149a.jpg\" alt=\"Gilberto, Caetano Veloso e Chico Buarque tiveram o trabalho influenciado pelo ex\u00edlio(foto: Casa da Palavra\/Reprodu\u00e7\u00e3o)\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Gilberto, Caetano Veloso e Chico Buarque tiveram o trabalho influenciado pelo ex\u00edlio<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Casa da Palavra\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em>Guilherme Wisnik se debru\u00e7ou sobre vida e obra de Caetano Veloso no livro que carrega o nome do tropicalista, publicado em 2005 pela editora Publifolha. Nomes importantes para aquele momento de efervesc\u00eancia cultural entram na pesquisa do autor, como os de Gilberto Gil e Chico Buarque. Na entrevista, ele resume consequ\u00eancias do ex\u00edlio imposto \u00e0 dupla baiana e cita figuras que permeiam a hist\u00f3ria. Durante aquele momento, ele garante: \u201cCaetano se sentia sufocado\u201d.<\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Por que Caetano Veloso e Gilberto Gil foram perseguidos?<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">O Caetano fazia um show na boate Sucata, no Rio de Janeiro, em 1968. Eles tinham uma bandeira de H\u00e9lio Oiticica, que era um estandarte com a imagem de uma pessoa morta e em que estava escrito \u201cseja marginal, seja her\u00f3i\u201d. Era um elemento do cen\u00e1rio que estava l\u00e1 e que tinha conte\u00fado pol\u00edtico evidente. Mas, um radialista de direita fez uma den\u00fancia para a pol\u00edcia dizendo que Caetano e Gil se enrolavam na bandeira do Brasil e faziam xingamentos. Isso era mentira.<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nEles sabiam disso?<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 tempos depois, eles descobriram que a raz\u00e3o formal pela qual foram presos tinha sido essa den\u00fancia. O interessante \u00e9 perceber, no caso do Caetano Veloso e do Gilberto Gil, que eles eram acusados pela esquerda de serem alienados. A m\u00fasica de esquerda era Geraldo Vandr\u00e9, Caminhando e cantando, uma m\u00fasica dita engajada. E quem foi preso foram Caetano e Gil.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Afinal, qual era o crit\u00e9rio?<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, da\u00ed se percebe, talvez, que uma efic\u00e1cia pol\u00edtica mais forte n\u00e3o era exatamente uma den\u00fancia pol\u00edtica, e sim, uma quest\u00e3o comportamental. Porque o que os m\u00fasicos tropicalistas estavam fazendo era mexer na quest\u00e3o comportamental. Homem usar roupa de mulher. Passar batom. Isso, no fundo, incomodou mais. O problema, para os moralistas, \u00e9 que esse tipo de atitude era muito grave.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">E no caso de Chico Buarque?<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">As m\u00fasicas do Chico Buarque foram censuradas. E as pessoas n\u00e3o sabiam por que as m\u00fasicas eram censuradas. Ele inventou o Julinho da Adelaide. Da\u00ed, ele conseguia aprovar as m\u00fasicas. Com o nome Chico Buarque, eles j\u00e1 tinham m\u00e1 vontade. Depois, o Chico soube, quando acabou a ditadura e foram abertos os arquivos.<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nE como ocorreu o autoex\u00edlio?<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">Foram artistas de esquerda que n\u00e3o quiseram ficar no pa\u00eds porque aqui estavam sendo cerceados, embora n\u00e3o estivesse sendo presos. Tamb\u00e9m entenderam que o ex\u00edlio seria uma forma de luta contra o regime, denunciando uma insatisfa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Males que v\u00eam para o bem?<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">Acredito que sim (ri). No caso do Caetano, foi muito importante. Ele diz que l\u00e1 perdeu uma timidez em cantar. Na Inglaterra, diziam que ele cantava bem e ele se sentiu mais livre. Eles incorporaram refer\u00eancias do rock. Participaram de festivais com Jimi Hendrix. Tiveram outros tipos de experi\u00eancia que no Brasil eles n\u00e3o tinham. O Chico Buarque ficou na It\u00e1lia. Num ambiente com menos troca cultural. Depois, ele acabou fazendo v\u00e1rias vers\u00f5es de m\u00fasicas italianas, que foram importantes, como no disco\u00a0<em>Saltimbancos<\/em>. Isso tudo acabou sendo positivo. Esses artistas exilados conseguiram ver o Brasil de fora, tiveram uma perspectiva outra do pr\u00f3prio Brasil. Isso alargou muito a vis\u00e3o que eles passaram a ter.<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nIsso est\u00e1 presente, por exemplo, no disco\u00a0<em>Transa<\/em>, do Caetano Veloso?<\/h3>\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna-2700\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em>Transa\u00a0<\/em>foi gravado l\u00e1, com o grupo que estava l\u00e1. Como \u00e9 o caso de Jards Macal\u00e9, que fez os arranjos (apesar de n\u00e3o ter sido creditado). Voc\u00ea percebe uma liberdade naquelas m\u00fasicas. \u00c9 paradoxal que num momento de tanta restri\u00e7\u00e3o tenha uma liberdade t\u00e3o intensa. Eles estavam soltos ali, exilados; ent\u00e3o, estavam vivendo para aquilo. Houve uma experimenta\u00e7\u00e3o musical muito grande. O<em>\u00a0Transa<\/em>, talvez seja at\u00e9 hoje o disco mais forte da carreira do Caetano. Eles receberam na Capela Sixteena (em refer\u00eancia \u00e0 rua de n\u00famero 16 onde viveram em Londres) Jorge Mautner, Waly Salom\u00e3o e Jards Macal\u00e9.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Correio Braziliense<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Cac\u00e1 Diegues, Nara Le\u00e3o e Augusto Boal se exilaram para escapar da persegui\u00e7\u00e3o do regime militar \u201cNunca quis morar fora do Brasil. Ser exilado me deixou meio deprimido. 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