{"id":1273,"date":"2012-06-22T17:56:05","date_gmt":"2012-06-22T17:56:05","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/22\/o-araguaia-e-uma-ferida-ainda-nao-cicatrizada-2\/"},"modified":"2012-06-22T17:56:05","modified_gmt":"2012-06-22T17:56:05","slug":"o-araguaia-e-uma-ferida-ainda-nao-cicatrizada-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/22\/o-araguaia-e-uma-ferida-ainda-nao-cicatrizada-2\/","title":{"rendered":"&#8216;O Araguaia \u00e9 uma ferida ainda n\u00e3o cicatrizada&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Com acesso ao arquivo pessoal do major Curi\u00f3, jornalista Leonencio Nossa resgata hist\u00f3ria de guerrilheiros torturados e mortos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Uma nota de jornal com a not\u00edcia da morte da guerrilheira \u00c1urea Elisa Pereira Valad\u00e3o, aos 24 anos, no Araguaia, na d\u00e9cada de 1970, encontrada pelo ent\u00e3o estudante universit\u00e1rio Leonencio Nossa em 1997, foi a motiva\u00e7\u00e3o para que, cinco anos depois e j\u00e1 formado em jornalismo, ele iniciasse uma pesquisa que duraria 10 anos. O resultado \u00e9 o livro &#8220;Mata! O major Curi\u00f3 e as guerrilhas no Araguaia&#8221; (Companhia das Letras, 512 p\u00e1ginas, R$ 45).  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foram mais de 150 entrevistas, al\u00e9m da pesquisa de documentos em arquivos p\u00fablicos e privados, para tra\u00e7ar o perfil e reconstituir a vida e a morte de 30 militantes do PCdoB e de moradores que se ligaram a eles durante os confrontos na regi\u00e3o da floresta Amaz\u00f4nica conhecida como Bico do Papagaio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O autor, que depois de sete anos de persist\u00eancia, teve acesso exclusivo ao arquivo de Sebasti\u00e3o Rodrigues de Moura, o major Curi\u00f3, explica que os documentos e o testemunho do militar s\u00e3o uma das vers\u00f5es da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Curi\u00f3 n\u00e3o assume ter torturado e matado \u00c1urea, a estudante mineira de F\u00edsica da UFRJ, que se entregou sem apresentar resist\u00eancia. No entanto, a apura\u00e7\u00e3o de Leonencio indica que a jovem foi executada, depois de ter sido submetida a sess\u00f5es de tortura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; O livro \u00e9 a voz de Curi\u00f3 e de mais 150 pessoas. O Araguaia, como outras guerras, n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria que vai ser explicada por um \u00fanico arquivo, uma \u00fanica testemunha. Para cont\u00e1-la, ser\u00e1 preciso confrontar in\u00fameras vers\u00f5es &#8211; diz o jornalista, explicando que \u00c1urea, a personagem que mais o intrigou, revela a face da brasileira comum que um dia esteve na luta armada. \u00c1urea est\u00e1 na lista oficial dos desaparecidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00c9 poss\u00edvel fazer leituras humanas. \u00c1urea \u00e9 o s\u00edmbolo disso. \u00c9 muito simpl\u00f3rio dizer que a Guerrilha do Araguaia queria derrubar a ditadura, implantar o comunismo. Eram 70 pessoas, cada uma com objetivos e vis\u00f5es de vida diferentes. A partir de 1968, depois do AI-5, jovens ligados ao movimento estudantil eram perseguidos e presos nas cidades. Muitos foram para o Araguaia para sobreviver e continuar a resistir \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao tra\u00e7ar um panorama hist\u00f3rico da viol\u00eancia na regi\u00e3o, chegando a conflitos recentes como o Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, em 1996, o jornalista contesta a tese de que a Guerrilha do Araguaia \u00e9 s\u00f3 mais um epis\u00f3dio da Guerra Fria. Para ele, \u00e9 poss\u00edvel contar a hist\u00f3ria do Brasil por meio do Araguaia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; O Araguaia \u00e9 uma ferida n\u00e3o cicatrizada e nos ajuda a entender o cotidiano de tortura nas delegacias, de execu\u00e7\u00f5es por parte de policiais. A barb\u00e1rie pode n\u00e3o ter nascido naquele per\u00edodo, mas certamente piorou por causa dele e continua presente &#8211; acredita o escritor.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os documentos guardados por Curi\u00f3 &#8211; que foi prefeito de Curion\u00f3polis, cidade do Par\u00e1 batizada em sua homenagem, e se manteve no poder at\u00e9 ser cassado em 2008 por compra de votos &#8211; contrariam o discurso dos militares de que os arquivos da ditadura foram destru\u00eddos e, portanto, seria imposs\u00edvel reconstituir os acontecimentos da ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Estamos num momento em que essa hist\u00f3ria precisa ser contada e os relatos t\u00eam de ser confrontados por diferentes vers\u00f5es &#8211; diz, explicando que optou por excluir do livro depoimentos de Curi\u00f3 sobre os quais n\u00e3o tivesse outros testemunhos ou documentos para chec\u00e1-los ou confront\u00e1-los.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O jornalista diz n\u00e3o esperar que seu livro sirva de refer\u00eancia para a Comiss\u00e3o da Verdade.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Sou c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o a uma comiss\u00e3o de governo, at\u00e9 porque h\u00e1 uma senten\u00e7a judicial de 2003 para a abertura dos arquivos militares que at\u00e9 hoje n\u00e3o foi cumprida. A pol\u00edtica e a Justi\u00e7a decidiram pela anistia, mas o jornalismo n\u00e3o precisa acatar esta decis\u00e3o. N\u00e3o devemos julgar, mas podemos contar essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com acesso ao arquivo pessoal do major Curi\u00f3, jornalista Leonencio Nossa resgata hist\u00f3ria de guerrilheiros torturados e mortos Uma nota de jornal com a not\u00edcia da morte da guerrilheira \u00c1urea Elisa Pereira Valad\u00e3o, aos 24 anos, no Araguaia, na d\u00e9cada de 1970, encontrada pelo ent\u00e3o estudante universit\u00e1rio Leonencio Nossa em 1997, foi a motiva\u00e7\u00e3o para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1273"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}