{"id":12940,"date":"2019-06-03T13:40:58","date_gmt":"2019-06-03T13:40:58","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12940"},"modified":"2019-06-03T13:40:58","modified_gmt":"2019-06-03T13:40:58","slug":"censura-ao-cinema-no-brasil-e-tema-de-palestra-na-fafich","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2019\/06\/03\/censura-ao-cinema-no-brasil-e-tema-de-palestra-na-fafich\/","title":{"rendered":"Censura ao cinema no Brasil \u00e9 tema de palestra na Fafich"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"news__mustache\" style=\"text-align: justify;\">Historiadora da Federal do Cear\u00e1 analisa como o regime militar usava seu poder para controlar as vis\u00f5es do passado exibidas em filmes<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O passado \u00e9 alvo de disputas em qualquer sociedade, mas elas se tornam mais agudas em regimes de exce\u00e7\u00e3o, que lan\u00e7am m\u00e3o de instrumentos autorit\u00e1rios para control\u00e1-lo e, assim, ditar o encaminhamento dos conflitos do presente. Esse fen\u00f4meno \u00e9 observado pela historiadora Meize Lucas, professora da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), na an\u00e1lise que faz sobre o trabalho de censura ao cinema executado pela Divis\u00e3o de Censura \u00e0s Divers\u00f5es P\u00fablicas (DCDP) durante o regime militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meize, que faz resid\u00eancia p\u00f3s-doutoral na UFMG, apresentar\u00e1 detalhes da sua pesquisa na palestra\u00a0<em class=\"redactor-inline-converted\">A hist\u00f3ria negociada: censura e cinema no Brasil<\/em>\u00a0(1964-1985), promovida pelo Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria do Tempo Presente, da Fafich. A atividade ser\u00e1 realizada nesta segunda-feira, dia 3, a partir das 17h, no audit\u00f3rio Baesse (quarto andar da Fafich), no campus Pampulha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus estudos, a historiadora analisa a a\u00e7\u00e3o dos censores sobre filmes que relatavam acontecimentos ou experi\u00eancias hist\u00f3ricas distantes ou recentes, com o intuito de compreender as disputas em torno dos usos pol\u00edticos do passado. Ela examinou documentos produzidos pela DCDP, hoje sob a guarda Arquivo Nacional, materiais recebidos pela Divis\u00e3o provenientes de outras inst\u00e2ncias do governo, como os minist\u00e9rios da Justi\u00e7a e das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, e os pareceres dos filmes. \u201cTodo filme exibido ou produzido no Brasil passava obrigatoriamente pela divis\u00e3o de censura\u201d, lembra Meize.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"attachment_12942\" style=\"width: 331px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Captura-de-Tela-2019-06-03-a\u0300s-10.35.23.png\" rel=\"attachment wp-att-12942\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12942\" class=\"size-full wp-image-12942\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Captura-de-Tela-2019-06-03-a\u0300s-10.35.23.png\" alt=\"Trecho do parecer da censura sobre o filme Desaparecido, de Costa-Gravas (Arquivo Naciona)\" width=\"321\" height=\"316\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Captura-de-Tela-2019-06-03-a\u0300s-10.35.23.png 321w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Captura-de-Tela-2019-06-03-a\u0300s-10.35.23-300x295.png 300w\" sizes=\"(max-width: 321px) 100vw, 321px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12942\" class=\"wp-caption-text\">Trecho do parecer da censura sobre o filme Desaparecido, de Costa-Gravas (Arquivo Naciona)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora dedicou-se, por exemplo, aos pareceres que a censura emitiu sobre os filmes\u00a0<em class=\"redactor-inline-converted\">Sacco e Vanzetti<\/em>, dirigido por Guiuliano Montaldo, de 1971, e\u00a0<em>Desaparecido<\/em>, de 1982, de Constantin Costa-Gravas. O primeiro\u00a0relata o julgamento manipulado de dois anarquistas italianos nos Estados Unidos, na d\u00e9cada de 1920. J\u00e1 o filme do grego Costa-Gravas \u00e9 inspirado no golpe de Estado conduzido no Chile pelo general Augusto Pinochet, em 1973. No Brasil, sua exibi\u00e7\u00e3o foi liberada para maiores de 16 anos. Em seu parecer, o censor Ar\u00e9sio Teixeira Peixoto registrou que o filme exibia &#8220;cenas de viol\u00eancia e tens\u00e3o&#8221;, cuja compreens\u00e3o\u00a0exigia &#8220;certa maturidade&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong class=\"redactor-inline-converted\">For\u00e7as desiguais<br \/>\n<\/strong>\u201cEmbora a disputa pelo passado em suas representa\u00e7\u00f5es ocorra em qualquer sociedade, h\u00e1, nos regimes de exce\u00e7\u00e3o, uma correla\u00e7\u00e3o desigual de for\u00e7as, na qual a censura exercida pelo Estado ocupa papel central na prescri\u00e7\u00e3o de condutas e normas sociais e na constru\u00e7\u00e3o da figura do inimigo, seja ele interno ou externo\u201d, afirma pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meize Lucas conta que os bra\u00e7os da censura transcendiam a\u00a0DCDP, alcan\u00e7ando outros atores com poder e influ\u00eancia, como funcion\u00e1rios do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), dos minist\u00e9rios das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e da Justi\u00e7a, da Embrafilme e do judici\u00e1rio. Ainda nesse \u201cecossistema\u201d controlado pela censura, figuravam produtores, diretores, distribuidores e exibidores empenhados em reduzir o alcance da \u201ctesoura\u201d sobre as suas produ\u00e7\u00f5es. \u201cMesmo reconhecendo que a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as era desigual, podemos identificar uma a\u00e7\u00e3o negociada desses personagens que buscavam ampliar o n\u00famero de filmes liberados para faixas et\u00e1rias menores\u201d, explica a historiadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pesquisadora<br \/>\n<\/strong>Professora do Departamento de Hist\u00f3ria e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), Meize Lucas \u00e9 doutora em Hist\u00f3ria pela UFRJ, com resid\u00eancia p\u00f3s-doutoral nas universidades de Bras\u00edlia e de Groningen (Holanda). Ela \u00e9 autora dos livros\u00a0<em class=\"redactor-inline-converted\">Caravana Farkas: itiner\u00e1rios do document\u00e1rio brasileiro<\/em>,\u00a0<em class=\"redactor-inline-converted\">Imagens do moderno: o olhar de Jacques Tati<\/em>,\u00a0<em class=\"redactor-inline-converted\">Por uma escrita da hist\u00f3ria do cinema<\/em>, al\u00e9m de\u00a0<em class=\"redactor-inline-converted\">Dizer \u00e9 poder &#8211; escritos sobre censura e comportamento no Brasil autorit\u00e1rio (1964-1985)<\/em>, este em parceria com Ana Rita Fonteles e Jailson Pereira da Silva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">FONTE &#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/ufmg.br\/comunicacao\/noticias\/censura-ao-cinema-no-brasil-e-tema-de-palestra-na-fafich\" target=\"_blank\">ufmg.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historiadora da Federal do Cear\u00e1 analisa como o regime militar usava seu poder para controlar as vis\u00f5es do passado exibidas em filmes O passado \u00e9 alvo de disputas em qualquer sociedade, mas elas se tornam mais agudas em regimes de exce\u00e7\u00e3o, que lan\u00e7am m\u00e3o de instrumentos autorit\u00e1rios para control\u00e1-lo e, assim, ditar o encaminhamento dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12940"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12940"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12940\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12943,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12940\/revisions\/12943"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}