{"id":12954,"date":"2019-06-24T12:20:25","date_gmt":"2019-06-24T12:20:25","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12954"},"modified":"2019-06-24T12:20:25","modified_gmt":"2019-06-24T12:20:25","slug":"ditadura-brasileira-pagava-frances-para-espionar-exilados-em-paris","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2019\/06\/24\/ditadura-brasileira-pagava-frances-para-espionar-exilados-em-paris\/","title":{"rendered":"Ditadura brasileira pagava franc\u00eas para espionar exilados em Paris"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O franc\u00eas Georges Albertini pode ser considerado um &#8220;funcion\u00e1rio PJ&#8221; a servi\u00e7o da ditadura brasileira no come\u00e7o do regime militar. Recebia US$ 3.600 trimestrais para espionar exilados brasileiros na Fran\u00e7a, pa\u00eds que recebeu personalidades proeminentes que fugiram ap\u00f3s o golpe de 1964, como o ex-diretor do jornal \u00daltima Hora Samuel Wainer, e at\u00e9 mesmo o bispo dom H\u00e9lder C\u00e2mara durante suas visitas a Paris. Os recibos de pagamento feitos pelo Itamaraty a Albertini, anticomunista e colaborador do nazismo durante a Segunda Guerra, constam do livro &#8220;Liberdade Vigiada&#8221;, do historiador brasiliense Paulo C\u00e9sar Gomes. A obra \u00e9 resultado de sua pesquisa de doutorado e aborda as rela\u00e7\u00f5es entre a ditadura militar brasileira e o governo franc\u00eas. &#8220;Fiquei muito surpreso com a descoberta da colabora\u00e7\u00e3o de Georges Albertini com o governo brasileiro nos primeiros anos da ditadura. Inicialmente, comecei a encontrar nos arquivos do Itamaraty diversos recibos de pagamento em nome dele devidamente assinados. Foi preciso todo um esfor\u00e7o de investiga\u00e7\u00e3o para conseguir entender quem era Albertini&#8221;, contou Gomes em entrevista ao UOL. O pesquisador participou da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, que apurou os crimes da ditadura brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"attachment_12956\" style=\"width: 760px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-3.jpg\" rel=\"attachment wp-att-12956\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12956\" class=\"size-full wp-image-12956\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-3.jpg\" alt=\"Documento do Itamaraty autorizando o trabalho de Albertini e a autoriza\u00e7\u00e3o de saque\" width=\"750\" height=\"421\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-3.jpg 750w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-3-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12956\" class=\"wp-caption-text\">Documento do Itamaraty autorizando o trabalho de Albertini e a autoriza\u00e7\u00e3o de saque<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o historiador, o trabalho de Albertini tinha dois focos principais. &#8220;Ele atuava para vigiar os brasileiros que passaram a viver em Paris logo ap\u00f3s o golpe. H\u00e1 diversos informes em seu acervo pessoal que comprovam seu trabalho de monitoramento de cidad\u00e3os brasileiros. H\u00e1 tamb\u00e9m correspond\u00eancias com autoridades brasileiras, at\u00e9 mesmo com o presidente Castelo Branco&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na obra, Gomes conta que o SNI (Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es), vinculado ao Itamaraty, aprovou a contrata\u00e7\u00e3o do franc\u00eas para elaborar relat\u00f3rios mensais sobre atividades comunistas, em especial sobre o Brasil, informando \u00e0 embaixada brasileira em Paris sobre informa\u00e7\u00f5es de brasileiros na Fran\u00e7a. Ele ainda atuava como uma esp\u00e9cie de assessor de imprensa informal, na &#8220;produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter fortemente anticomunista elogiosas ao governo brasileiro&#8221;, diz Gomes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tais informa\u00e7\u00f5es eram publicadas tanto no jornal que possu\u00eda, o Est &amp; Ouest [Oriente e Ocidente, em tradu\u00e7\u00e3o livre], como em outras publica\u00e7\u00f5es francesas nas quais ele tinha contatos. Cabe lembrar que muitas reportagens sobre o Brasil produzidas sob seu comando eram publicadas mediante pagamento&#8221;, destaca o pesquisador.<\/p>\n<div id=\"attachment_12957\" style=\"width: 760px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-4.jpg\" rel=\"attachment wp-att-12957\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12957\" class=\"size-full wp-image-12957\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-4.jpg\" alt=\"Documento do Itamaraty autorizando pagamento e emiss\u00e3o de passagem a\u00e9rea para Albertini\" width=\"750\" height=\"421\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-4.jpg 750w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-4-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12957\" class=\"wp-caption-text\">Documento do Itamaraty autorizando pagamento e emiss\u00e3o de passagem a\u00e9rea para Albertini<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O tr\u00e2nsito bastante livre de Albertini em \u00f3rg\u00e3os do servi\u00e7o secreto e da pol\u00edcia franceses \u00e9 bastante surpreendente e eram essas as origens das fontes que usava para colaborar com as autoridades brasileiras&#8221;, explica o autor. Al\u00e9m dos pagamentos trimestrais, Albertini recebia ainda do governo militar passagens a\u00e9reas para vir ao Brasil regularmente. Aqui, chegou a se reunir com Castelo Branco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de ser contratado para trabalhar para a ditadura brasileira na Fran\u00e7a, Albertini j\u00e1 tinha passado pelo Brasil. Em 1961, deu entrevista \u00e0 r\u00e1dio Globo, palestrou para estudantes na Faculdade de Direito do Largo de S\u00e3o Francisco, em S\u00e3o Paulo, e na Universidade de Uberaba, em Minas Gerais. Segundo Gomes, o franc\u00eas passava pelo Brasil pelo menos duas vezes por ano.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Espionagem e propaganda para o regime<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na obra, o pesquisador conta que Albertini chegou a escrever em seu jornal que o governo de Jo\u00e3o Goulart &#8220;mereceu ser derrubado&#8221; por ter &#8220;conduzido o pa\u00eds \u00e0 ru\u00edna econ\u00f4mica, financeira e monet\u00e1ria, sem, contudo, fazer avan\u00e7ar um reformismo construtivo, demonstrando uma total inaptid\u00e3o para dominar os problemas do pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Albertini se encontrava bastante com o ent\u00e3o embaixador brasileiro em Paris, Mendes Viana, que buscava informa\u00e7\u00f5es sobre as atividades de Samuel Wainer, respons\u00e1veis pelos ataques da imprensa francesa ao regime brasileiro. O diplomata do Itamaraty quis ainda confirmar se o pintor Di Cavalcanti teria doado mil d\u00f3lares para o Partido Comunista franc\u00eas.<\/p>\n<div id=\"attachment_12958\" style=\"width: 760px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-5.jpg\" rel=\"attachment wp-att-12958\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12958\" class=\"size-full wp-image-12958\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-5.jpg\" alt=\"Documento do Itamaraty nega prote\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica a Samuel Wainer\" width=\"750\" height=\"421\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-5.jpg 750w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-5-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12958\" class=\"wp-caption-text\">Documento do Itamaraty nega prote\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica a Samuel Wainer<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O pesquisador, que consultou tanto documentos do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores quanto do governo franc\u00eas, constatou que o governo brasileiro pediu a Albertini que vigiasse dom H\u00e9lder C\u00e2mara em suas viagens &#8211;o franc\u00eas, em um de seus relat\u00f3rios, acusou o bispo de passar informa\u00e7\u00f5es secretas de uma das reuni\u00f5es do Vaticano para os jornais franceses.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Demitido por seus servi\u00e7os muito caros<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de Albertini \u00e9 dispensada em 1967, quando Costa e Silva assume a Presid\u00eancia e Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici passa a comandar o SNI. O argumento para o fim da parceria foi que o pre\u00e7o dos servi\u00e7os de Albertini eram muito altos para o or\u00e7amento do \u00f3rg\u00e3o. O livro relata que Castelo Branco ainda tentou ajudar o franc\u00eas, mas morreu antes de encontr\u00e1-lo no Brasil, onde poderia fazer a ponte com as autoridades no comando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1968, Albertini voltou ao Brasil e foi convidado para palestrar na Fiesp pelo presidente da institui\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, Theobaldo de Nigris. Mesmo sem ser remunerado, o franc\u00eas ainda manteve sua an\u00e1lise sobre a situa\u00e7\u00e3o brasileira &#8211;mas desta vez n\u00e3o a servi\u00e7o dos militares. Ele chegou a afirmar em suas publica\u00e7\u00f5es que o AI-5 era control\u00e1vel e est\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhecido por sua produ\u00e7\u00e3o anticomunista ap\u00f3s a Segunda Guerra, Albertini \u00e9 uma figura inusitada: ainda jovem, entrou para o Partido Socialista franc\u00eas. Em 1934, entrou para o Comit\u00ea de Vigil\u00e2ncia de Intelectuais Antifascistas, grupo que visava combater a ascens\u00e3o do fascismo na Europa. Durante o per\u00edodo da ocupa\u00e7\u00e3o nazista da Fran\u00e7a, Albertini aliou-se ao chamado governo de Vichy, usado pelos alem\u00e3es nazistas para administrar a \u00e1rea invadida durante a guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colaboracionista do nazismo, o franc\u00eas &#8220;desprezava a democracia parlamentar&#8221;, nutria grande admira\u00e7\u00e3o pelo fascismo alem\u00e3o e defendia Hitler, diz o autor no livro. &#8220;Embora n\u00e3o se considerasse antissemita, defendia que judeus n\u00e3o eram capazes de serem assimilados pela sociedade francesa e que, por essa raz\u00e3o, deviam construir uma na\u00e7\u00e3o fora da Fran\u00e7a&#8221;, afirma Gomes na obra.<\/p>\n<div id=\"attachment_12959\" style=\"width: 760px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-6.jpg\" rel=\"attachment wp-att-12959\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12959\" class=\"size-full wp-image-12959\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-6.jpg\" alt=\"Documento do Itamaraty autorizando pagamento para Albertini e verba para viagens\" width=\"750\" height=\"421\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-6.jpg 750w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-6-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12959\" class=\"wp-caption-text\">Documento do Itamaraty autorizando pagamento para Albertini e verba para viagens<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1944, foi condenado a cinco anos de trabalhos for\u00e7ados por sua colabora\u00e7\u00e3o com os nazistas, mas recebeu o perd\u00e3o presidencial em 1948. A partir da\u00ed, inicia sua cruzada anticomunista e antissovi\u00e9tica. De acordo com a pesquisa de Gomes, entre 1940 e 1981, Albertini aconselhou todas as lideran\u00e7as francesas, coordenou campanhas eleitorais e escreveu discursos pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas lutar contra o comunismo na Europa n\u00e3o era suficiente, e o franc\u00eas voltou sua aten\u00e7\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina. &#8220;A maior evid\u00eancia de que Albertini tamb\u00e9m mantinha contato com outros governos da Am\u00e9rica Latina \u00e9 o fato de que o jornal Est &amp; Ouest tinha uma vers\u00e3o em espanhol. O objetivo dessa publica\u00e7\u00e3o, segundo o pr\u00f3prio Albertini, n\u00e3o era ser acessada diretamente pela popula\u00e7\u00e3o, mas servir de base para \u00f3rg\u00e3os difusores de informa\u00e7\u00f5es, ligados \u00e0 imprensa, empresas privadas, organiza\u00e7\u00f5es sindicais e at\u00e9 mesmo religiosas&#8221;, explica o autor.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Itamaraty atuou como bra\u00e7o da ditadura no exterior<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na obra, o autor afirma que o golpe de 1964 n\u00e3o prejudicou as rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e Fran\u00e7a. &#8220;Ao contr\u00e1rio, a chegada de um novo grupo ao poder foi vista pelas autoridades francesas como um sinal de maior estabilidade na pol\u00edtica brasileira&#8221;, diz Gomes no livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A colabora\u00e7\u00e3o do governo franc\u00eas com a ditadura militar brasileira foi bastante diferente do que ocorreu no caso dos EUA, mesmo porque o Brasil n\u00e3o estava na zona de influ\u00eancia francesa e, portanto, n\u00e3o era t\u00e3o importante para o pa\u00eds&#8221;, explica o historiador.<\/p>\n<div id=\"attachment_12960\" style=\"width: 760px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-7.jpg\" rel=\"attachment wp-att-12960\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12960\" class=\"size-full wp-image-12960\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-7.jpg\" alt=\"Presidente da Fran\u00e7a, general Charles de Gaulle, \u00e9 recebido pelo presidente Castelo Branco em 1964\" width=\"750\" height=\"421\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-7.jpg 750w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ABAP-7-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12960\" class=\"wp-caption-text\">Presidente da Fran\u00e7a, general Charles de Gaulle, \u00e9 recebido pelo presidente Castelo Branco em 1964<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Logo depois do golpe de 1964, chegou a haver certa desconfian\u00e7a por parte do governo franc\u00eas acerca de que atitude adotar em rela\u00e7\u00e3o ao que estava ocorrendo no Brasil. Mesmo porque, enquanto a imprensa francesa de modo geral sempre foi muito cr\u00edtica \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o inconstitucional do presidente Jo\u00e3o Goulart, os diplomatas franceses, no \u00e2mbito das comunica\u00e7\u00f5es secretas, avaliavam com simpatia a chegada dos militares ao poder. Seja como for, ao contr\u00e1rio dos EUA, que foi o primeiro pa\u00eds a reconhecer o novo regime, a Fran\u00e7a tergiversou e s\u00f3 se posicionou oficialmente ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es indiretas que levaram Castelo Branco \u00e0 Presid\u00eancia&#8221;, diz o professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gomes ressalta ainda a visita do presidente franc\u00eas, general Charles de Gaulle, ao Brasil em 1964, &#8220;onde foi recebido com grande efusividade por parte das autoridades e da popula\u00e7\u00e3o por todas as cidades pelas quais passou&#8221;. &#8220;Internacionalmente, essa viagem acabou tendo um significado muito positivo para a imagem do Brasil. Podemos, no entanto, considerar que a op\u00e7\u00e3o do governo franc\u00eas em n\u00e3o interferir nas quest\u00f5es internas brasileiras, mesmo quando den\u00fancias de tortura e demais viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos pipocavam na Fran\u00e7a, foi um tipo de colabora\u00e7\u00e3o direta, j\u00e1 que havia um esfor\u00e7o para que os interesses econ\u00f4mico-financeiros, sobretudo relativos \u00e0 venda de armamentos, n\u00e3ofossem afetados.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nos documentos consultados nos dois pa\u00edses e os depoimentos concedidos por diplomatas \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, Gomes destaca o papel do Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores brasileiro &#8220;como o bra\u00e7o da ditadura no exterior&#8221;. &#8220;Isso n\u00e3o apenas pelas atividades de vigil\u00e2ncia de brasileiros considerados subversivos e, portanto, perigosos para a seguran\u00e7a nacional, como pelo esfor\u00e7o de proteger a imagem internacional do Brasil, divulgando informa\u00e7\u00f5es elogiosas ao pa\u00eds e tentando impedir a circula\u00e7\u00e3o de cr\u00edticas ao governo brasileiro&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor lembra ainda que, apesar de ter tido acesso aos documentos brasileiros por meio da LAI (Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o) e \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas francesas, h\u00e1 muitos documentos de \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a e informa\u00e7\u00f5es militares que at\u00e9 hoje est\u00e3o inacess\u00edveis. Segundo ele, os adidos militares nas embaixadas e consulados respondiam diretamente \u00e0s For\u00e7as Armadas, e n\u00e3o ao SNI, do Itamaraty.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">FONTE &#8211; <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/internacional\/ultimas-noticias\/2019\/06\/22\/ditadura-brasileira-pagava-frances-para-espionar-exilados-mostra-livro.htm\" target=\"_blank\">UOL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O franc\u00eas Georges Albertini pode ser considerado um &#8220;funcion\u00e1rio PJ&#8221; a servi\u00e7o da ditadura brasileira no come\u00e7o do regime militar. 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