{"id":13032,"date":"2019-08-02T13:53:03","date_gmt":"2019-08-02T13:53:03","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13032"},"modified":"2019-08-02T13:54:19","modified_gmt":"2019-08-02T13:54:19","slug":"documentos-oficiais-comprovaram-crimes-cometidos-pela-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2019\/08\/02\/documentos-oficiais-comprovaram-crimes-cometidos-pela-ditadura\/","title":{"rendered":"Documentos oficiais comprovaram crimes cometidos pela ditadura"},"content":{"rendered":"<pre class=\"article__author\">Publica\u00e7\u00e3o original em 31\/07\/2019 - 04:30 \/ Atualizado em 31\/07\/2019 - 07:24 -Jussara Soares e Juliana Dal Piva<\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s questionar morte do pai do presidente da OAB, Bolsonaro chama de \u2018balela\u2019 registros formais do Estado sobre repress\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia depois de negar que o desaparecimento do ex-militante Fernando Santa Cruz, em 1974, tenha sido responsabilidade do\u00a0<strong>regime militar<\/strong>\u00a0,\u00a0ao contr\u00e1rio do que confirmam documentos oficiais\u00a0, o presidente\u00a0<strong>Jair Bolsonaro<\/strong>\u00a0voltou a\u00a0minimizar nesta ter\u00e7a-feira registros formais do Estado sobre a repress\u00e3o\u00a0durante a ditadura. O presidente contestou o trabalho da\u00a0<strong>Comiss\u00e3o Nacional da Verdade\u00a0<\/strong>(CNV), que apurou entre 2012 e 2014 viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos no regime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 A quest\u00e3o de 1964&#8230; n\u00e3o existem documentos de matou, n\u00e3o matou, isso a\u00ed \u00e9 balela. Voc\u00ea quer documento para isso (desaparecimento de Fernando Santa Cruz), meu Deus do c\u00e9u. Documento \u00e9 quando voc\u00ea casa, voc\u00ea se divorcia. Eles t\u00eam documentos dizendo o contr\u00e1rio? \u2014 perguntou Bolsonaro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta ter\u00e7a-feira, O GLOBO e a \u00c9poca revelaram um registro secreto da Aeron\u00e1utica datado de 1978 sobre a pris\u00e3o de Fernando Santa Cruz em 1974 e um atestado de \u00f3bito, da semana passada, da Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos, do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos, afirmando que Santa Cruz foi morto quando estava sob dom\u00ednio do Estado.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"left\">Arquivos oficiais<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso de Santa Cruz, por\u00e9m, n\u00e3o foi o \u00fanico de crimes contra os direitos humanos durante a ditadura comprovados com documentos oficiais nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Diversos outros arquivos oficiais revelaram a situa\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas fatais da ditadura. Um dos mais extensos \u00e9 o do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), \u00f3rg\u00e3o de intelig\u00eancia que assessorava diretamente a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica durante a ditadura, e dispon\u00edvel para consulta desde 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse arquivo est\u00e1, por exemplo, a foto que comprova que o engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira, preso por agentes do Dops, no Rio, em 1\u00ba de agosto de 1971, estava com sua integridade f\u00edsica e sa\u00fade preservadas quando entrou na carceragem. Depois de preso, foi levado no dia seguinte para o DOI-Codi, no quartel da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, na Tijuca. Torturado durante dias, morreu no Hospital Central do Ex\u00e9rcito. Os militares devolveram o corpo \u00e0 fam\u00edlia 11 dias depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Na imagem, ele est\u00e1 visivelmente surpreso, assustado com a pris\u00e3o arbitr\u00e1ria e, com certeza, n\u00e3o fazia ideia do que estava lhe esperando: c\u00e2maras de tortura organizadas no quartel da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito e o leito de morte no Hospital Central do Ex\u00e9rcito (HCE). Em muitos outros casos, nem se viu o corpo \u2014 lamentou Pedro Ferreira, irm\u00e3o de Raul, ao receber a imagem, in\u00e9dita na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios outros casos, nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, tiveram sua hist\u00f3ria revelada e comprovada\u00a0a partir das iniciativas do governo federal e leis aprovadas no Congresso para investigar\u00a0abusos cometidos pelo regime militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O GLOBO tamb\u00e9m localizou, em 2012, o primeiro documento em que a ditadura identificava como \u201cmorto\u201d o secret\u00e1rio-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucion\u00e1rio (PCBR), M\u00e1rio Alves de Souza Vieira. Apesar de quatro testemunhas terem presenciado a tortura de Vieira na Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, mesmo local que viria a ser o DOI-Codi do Rio, o Ex\u00e9rcito nunca assumiu a pris\u00e3o dele. Ele desapareceu em 16 de janeiro de 1970. O documento que integra o acervo do SNI \u00e9 de 1971, um ano ap\u00f3s o desaparecimento, e constitui uma listagem com nomes de militantes, seus codinomes e suas organiza\u00e7\u00f5es. Na p\u00e1gina 143 est\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es sobre o militante do PCBR. Na primeira coluna, o codinome pelo qual era conhecido: \u201cVila\u201d, na \u00faltima, seu nome completo: M\u00e1rio Alves de Souza Vieira; no meio, o campo \u201csitua\u00e7\u00e3o atual\u201d indica: morto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Esse documento \u00e9 mais um dado que mostra que eles n\u00e3o tinham nenhum pudor de fazer uma lista com os nomes dos mortos. Se at\u00e9 hoje eles negam a pris\u00e3o, como \u00e9 que o d\u00e3o como morto? \u2014 desabafou L\u00facia Alves, filha de M\u00e1rio, quando o documento foi localizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No acervo do SNI tamb\u00e9m est\u00e1 o primeiro documento da ditadura em que o deputado federal cassado, Rubens Paiva foi contabilizado como \u201cfalecido\u201d. No \u201cPedido de Busca 10\/15\/AC\/77\u201d, datado em 20 de janeiro de 1977, o SNI fez uma atualiza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de diversas pessoas que tinham sido alvo de cassa\u00e7\u00e3o em 1964. Nesse documento, localizado pela Ag\u00eancia Lupa, o nome de Rubens Paiva surge como \u201cfalecido\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preso em janeiro de 1971 e levado ao DOI-Codi do Rio, o parlamentar morreu sob tortura.\u00a0 Os militares, por\u00e9m, forjaram uma vers\u00e3o em que ele teria fugido durante um reconhecimento no Alto da Boa Vista. Essa hist\u00f3ria s\u00f3 foi desmentida por um dos militares respons\u00e1veis por sua pris\u00e3o recentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FONTE &#8211; <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/documentos-oficiais-comprovaram-crimes-cometidos-pela-ditadura-23844216\" target=\"_blank\">O GLOBO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publica\u00e7\u00e3o original em 31\/07\/2019 &#8211; 04:30 \/ Atualizado em 31\/07\/2019 &#8211; 07:24 -Jussara Soares e Juliana Dal Piva Ap\u00f3s questionar morte do pai do presidente da OAB, Bolsonaro chama de \u2018balela\u2019 registros formais do Estado sobre repress\u00e3o Um dia depois de negar que o desaparecimento do ex-militante Fernando Santa Cruz, em 1974, tenha sido responsabilidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13032"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13032"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13032\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13035,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13032\/revisions\/13035"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13032"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13032"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13032"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}