{"id":1306,"date":"2012-06-26T13:23:36","date_gmt":"2012-06-26T13:23:36","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/26\/o-que-os-estados-unidos-podem-ganhar-com-o-golpe-no-paraguai-2\/"},"modified":"2012-06-26T13:23:36","modified_gmt":"2012-06-26T13:23:36","slug":"o-que-os-estados-unidos-podem-ganhar-com-o-golpe-no-paraguai-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/26\/o-que-os-estados-unidos-podem-ganhar-com-o-golpe-no-paraguai-2\/","title":{"rendered":"O que os Estados Unidos podem ganhar com o golpe no Paraguai"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A rea\u00e7\u00e3o de Washington ao golpe \u201cdemocr\u00e1tico\u201d\u00a0 no Paraguai ser\u00e1, como sempre, amb\u00edgua. Descartada a hip\u00f3tese de que os estadunidenses agiram para fomentar o golpe \u2014 o que, em se tratando de Am\u00e9rica Latina, nunca pode ser descartado \u2013, o Departamento de Estado vai nadar com a corrente, esperando com isso obter favores do atual governo de fato.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 pouco o que Washington pode obter: um parceiro dentro do Mercosul, o bloco econ\u00f4mico que se fortaleceu com o enterro da ALCA \u2014 a \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas, de inspira\u00e7\u00e3o neoliberal. O Paraguai \u00e9 o respons\u00e1vel pelo congelamento do ingresso da Venezuela no Mercosul, ingresso que n\u00e3o interessa a Washington e que interessa ao Brasil, especialmente aos estados brasileiros que t\u00eam aprofundado o com\u00e9rcio com os venezuelanos, no Norte e no Nordeste.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Hugo Ch\u00e1vez controla as maiores reservas mundiais de petr\u00f3leo, maiores inclusive que as da Ar\u00e1bia Saudita. O petr\u00f3leo pesado da faixa do Orinoco, cuja explora\u00e7\u00e3o antes era economicamente invi\u00e1vel, passa a valer a pena com o desenvolvimento de novas tecnologias e a crescente escassez de outras fontes. \u00c9 uma das maiores reservas remanescentes, capaz de dar sobrevida ao mundo tocado a combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Washington tamb\u00e9m pode obter condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio no Chaco, o grande vazio do Paraguai. Uma das preocupa\u00e7\u00f5es das empresas que atuam no agroneg\u00f3cio \u2014 da Monsanto \u00e0 Cargill, da Bunge \u00e0 Basf \u2014 \u00e9 a famosa \u201cseguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d. Ou seja, elas querem a garantia de que seus investimentos n\u00e3o correm risco. \u00c9 \u00f3bvio que Fernando Lugo, a esquerda e os sem terra do Paraguai oferecem risco a essa associa\u00e7\u00e3o entre o agroneg\u00f3cio e o capital internacional, num momento em que ela se aprofunda.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que os ruralistas brasileiros, atuando no Congresso, pretendem facilitar a compra de terra por estrangeiros no Brasil. Numa recente visita ao Par\u00e1, testemunhei a estreita rela\u00e7\u00e3o entre uma ONG estadunidense e os latifundi\u00e1rios locais, com o objetivo de eliminar o passivo ambiental dos propriet\u00e1rios de terras e, presumo,\u00a0 facilitar futura associa\u00e7\u00e3o com o capital externo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Finalmente \u2014 e n\u00e3o menos importante \u2013, o Paraguai tem uma base militar \u201cdormente\u201d\u00a0 em Mariscal Estigarribia, no Chaco. Estive l\u00e1 fazendo uma reportagem para a CartaCapital, em 2008.\u00a0 \u00c9 um imenso aeroporto, constru\u00eddo pelo ditador Alfredo Stroessner, que \u00e0 moda dos militares brasileiros queria ocupar o vazio geogr\u00e1fico do pa\u00eds. O Chaco paraguaio, para quem n\u00e3o sabe, foi conquistado em guerra contra a Bol\u00edvia. H\u00e1 imensas por\u00e7\u00f5es de terra no Chaco prontas para serem incorporadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de commodities.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O aeroporto tem uma gigantesca pista de pouso de concreto, bem no cora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina. Com a desmobiliza\u00e7\u00e3o da base estadunidense em Manta, no Equador, o aeroporto cairia como uma luva como base dos Estados Unidos. N\u00e3o mais no sentido tradicional de base, com a custosa \u2014 pol\u00edtica e economicamente custosa \u2014 presen\u00e7a de soldados e avi\u00f5es. Mas como ponto de apoio e reabastecimento para o deslocamento das for\u00e7as especiais, o que faz parte da nova estrat\u00e9gia do Pent\u00e1gono. O renascimento da Quarta Frota, respons\u00e1vel pelo Atl\u00e2ntico Sul, veio no mesmo pacote estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o neocolonialismo, agora faminto pelo controle direto ou indireto das riquezas do s\u00e9culo 21: petr\u00f3leo, terras, \u00e1gua doce, biodiversidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um Paraguai alinhado a Washington, portanto, traz grandes vantagens potenciais a interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos, diplom\u00e1ticos e militares estadunidenses.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por Luiz Carlos Azenha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rea\u00e7\u00e3o de Washington ao golpe \u201cdemocr\u00e1tico\u201d\u00a0 no Paraguai ser\u00e1, como sempre, amb\u00edgua. 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