{"id":13323,"date":"2019-12-17T20:33:10","date_gmt":"2019-12-17T20:33:10","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13323"},"modified":"2021-06-11T20:30:09","modified_gmt":"2021-06-11T20:30:09","slug":"ex-agente-da-ditadura-e-extraditado-da-franca-para-a-argentina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2019\/12\/17\/ex-agente-da-ditadura-e-extraditado-da-franca-para-a-argentina\/","title":{"rendered":"Ex-agente da ditadura \u00e9 extraditado da Fran\u00e7a para a Argentina"},"content":{"rendered":"<pre class=\"description\">Publicado originalmente em\u00a016 dez 2019, 17h47<\/pre>\n<h2 class=\"description\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 class=\"description\" style=\"text-align: justify;\">Preso no dia 11 em Paris, Mario Sandoval \u00e9 acusado pela tortura e morte do estudante Hern\u00e1n Abriata e de mais 500 pessoas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ex-policial argentino Mario Sandoval chegou nesta segunda-feira, 16, em Buenos Aires ap\u00f3s ter sido extraditado pela\u00a0<strong>Fran\u00e7a<\/strong>. Sandoval foi preso em Paris na quarta-feira 11 e ser\u00e1 julgado na na\u00a0<strong>Argentina<\/strong>\u00a0pelo desaparecimento do estudante Hern\u00e1n Abriata\u00a0 durante a<strong>\u00a0ditadura militar<\/strong>\u00a0(1976-1983).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO\u00a0 processo de extradi\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Mario Sandoval<\/strong>\u00a0\u00e9 o resultado de um trabalho conjunto da Justi\u00e7a Federal e do Minist\u00e9rio P\u00fablico e dos \u00e1rduos esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos realizados em diferentes \u00e1reas do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e da Embaixada da Rep\u00fablica na Fran\u00e7a desde 2012, que contou com o apoio de um advogado franc\u00eas especializado em direitos humanos para garantir que o ex-policial pudesse ser julgado na Argentina\u201d, informou em comunicado o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A extradi\u00e7\u00e3o de Sandoval \u201cconfirma o car\u00e1ter da pol\u00edtica estatal\u201d de julgar as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e o compromisso universal do pa\u00eds de que crimes contra a humanidade n\u00e3o devem ficar impunes, afirma a nota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sandoval, de 66 anos, exilou-se na Fran\u00e7a ap\u00f3s a queda da Junta Militar que governava o pa\u00eds, em 1983. Ele foi detido na quarta-feira em sua resid\u00eancia em Nogent-sur-Marne, um sub\u00farbio ao leste de Paris. Ele \u00e9 suspeito de ter participado do sequestro e desaparecimento do estudante de arquitetura Hern\u00e1n Abriata, em outubro de 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abriata foi levado para a Escola de Mec\u00e2nica da Armada (ESMA), um dos principais centros de tortura da ditadura argentina. Mais de 5.000 pessoas desapareceram durante o regime militar, muitas das quais foram drogadas, com bra\u00e7os e pernas atados, e lan\u00e7adas de avi\u00f5es sobre o Rio da Prata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as v\u00edtimas dos \u201cvoos da morte\u201d est\u00e3o as freiras francesas\u00a0<strong>Alice Domon<\/strong>\u00a0e<strong>\u00a0L\u00e9onie Duquet<\/strong>, sequestradas e assassinadas junto com fundadoras da associa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria M\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio, em dezembro de 1977, como resultado da infiltra\u00e7\u00e3o do militar Alfredo Astiz, mais conhecido como \u201co anjo da morte\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a suspeita seja de que Mario Sandoval tenha participado de mais de 500 assassinatos, torturas e sequestros durante a ditadura militar, a Justi\u00e7a argentina se apoiou apenas no assassinato de Abriata para pedir sua extradi\u00e7\u00e3o por ser o caso com mais provas e testemunhas contra o ex-policial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sandoval, que obteve a nacionalidade francesa em 1997, disse \u00e0 imprensa no dia em que foi preso que n\u00e3o era a pessoa procurada.\u00a0O ex-policial levava uma vida tranquila em Paris. Ele trabalhou como professor no Instituto de Altos Estudos de Am\u00e9rica Latina da Sorbonne Nouvelle e da Universidade de Marne-la-Vall\u00e9, chegando at\u00e9 a ser conselheiro do ex-presidente Nicolas Sarkozy. Ningu\u00e9m se deu conta de quem ele era at\u00e9 ser reconhecido em uma foto. Em uma declara\u00e7\u00e3o, os professores de Marne-la-Vall\u00e9 pediram sua deten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Argentina, onde a ditadura deixou 30.000 desaparecidos, mais de 3.000 pessoas s\u00e3o acusadas em processos por crimes de lesa-humanidade desde a anula\u00e7\u00e3o de leis de anistia em 2003. Os crimes n\u00e3o prescreveram nem foram objeto de lei de anistia. Cerca de 600 casos ainda est\u00e3o em tramita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FONTE &#8211;\u00a0AFP\/<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/mundo\/ex-agente-da-ditadura-e-extraditado-da-franca-para-a-argentina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">VEJA<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em\u00a016 dez 2019, 17h47 Preso no dia 11 em Paris, Mario Sandoval \u00e9 acusado pela tortura e morte do estudante Hern\u00e1n Abriata e de mais 500 pessoas O ex-policial argentino Mario Sandoval chegou nesta segunda-feira, 16, em Buenos Aires ap\u00f3s ter sido extraditado pela\u00a0Fran\u00e7a. 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