{"id":13587,"date":"2021-01-26T22:33:09","date_gmt":"2021-01-26T22:33:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13587"},"modified":"2021-01-26T22:33:09","modified_gmt":"2021-01-26T22:33:09","slug":"historia-da-ex-guerrilheira-maria-auxiliadora-vira-filme","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2021\/01\/26\/historia-da-ex-guerrilheira-maria-auxiliadora-vira-filme\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da ex-guerrilheira Maria Auxiliadora vira filme"},"content":{"rendered":"<pre>Publicado originalmente em 24 de janeiro de 2021, 17:49<\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 23 anos, Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, entrou para a luta armada contra a ditadura. Foi presa, torturada, exilada no Chile e agora sua hist\u00f3ria virou filme, que estreou na Mostra de Cinema de Tiradentes e segue at\u00e9 31 de janeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSou boi marcado, fui aprendiz de feiticeira\u2026 Eu era crian\u00e7a e idealista. Hoje sou adulta e materialista, mas continuo sonhando. Dentro da minha represa n\u00e3o tem lei nesse mundo que vai impedir o boi de voar.\u201d A frase \u00e9 da ex-guerrilheira Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, citada no discurso de posse da ex-presidente Dilma Rousseff, juntamente com Carlos Alberto de Freitas, o Beto. Emocionada, Dilma os homenageou, dizendo que gostaria de t\u00ea-los ao seu lado naquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para resgatar essa hist\u00f3ria pouco conhecida, a atriz e criadora Sara Antunes mergulhou na trajet\u00f3ria dessa aguerrida mineira, estudante de medicina e guerrilheira, criando o curta \u201cDe Dora, por Sara\u201d, que estreou na Mostra de Cinema de Tiradentes e segue at\u00e9 31 de janeiro\u00a0<a href=\"https:\/\/mostratiradentes.com.br\/filme\/querida-mamae-de-dora-por-sara\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>dispon\u00edvel no link do festival<\/u><\/a>. Sara montou tamb\u00e9m o espet\u00e1culo digital Dora, que estreia dia 5 de mar\u00e7o, pela plataforma Vimeo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 23 anos, Maria Auxiliadora entrou para a luta armada contra a ditadura, como integrante da organiza\u00e7\u00e3o Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria Palmares (VAR-Palmares). Foi presa no dia 21 de novembro de 1969, com Ant\u00f4nio Roberto Espinoza e Chael Charles Schreier. Dora, ou Dodora \u2013 como era chamada -, e Chael foram v\u00edtimas de torturas severas. Ela passou por choques el\u00e9tricos e palmat\u00f3rias nos seios e Chael morreu, por conta dos pontap\u00e9s e socos que levou, 24 horas ap\u00f3s os maus tratos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tudo isto, foi inclu\u00edda na lista dos presos trocados \u2013 num total de 70 militantes de esquerda \u2013 aceitos pelo Chile, do presidente Salvador Allende. Com o golpe que levou Allende \u00e0 morte e muitos exilados \u00e0 pris\u00e3o, conseguiu sair e viveu na B\u00e9lgica, Fran\u00e7a e, em 1974, fixou-se na Alemanha, onde viveu at\u00e9 1976, quando atormentada pelos traumas do passado, se jogou nos trilhos do metr\u00f4, aos 31 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para realizar este trabalho, Sara conta que \u201ca pesquisa \u00e9 como um caleidosc\u00f3pio fragmentado, mesclando trechos de cartas, imagens de arquivos e relatos autobiogr\u00e1ficos da atriz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Angela Bicalho, m\u00e3e da cineasta, faz uma participa\u00e7\u00e3o especial, tra\u00e7ando um paralelo entre a vida de Dora e a trajet\u00f3ria familiar da diretora. Dora, mineira como os pais de Sara, nasceu no mesmo ano em que sua m\u00e3e e se envolveu na resist\u00eancia \u00e0 ditadura, tendo sido presa e exilada, assim como aconteceu tamb\u00e9m com o pai da Sara, In\u00e1cio Bueno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De posse de um material hist\u00f3rico in\u00e9dito, confiado pelos familiares \u00e0 atriz e cineasta, Sara tra\u00e7a um percurso de registro de mem\u00f3ria e afirma\u00e7\u00e3o das trajet\u00f3rias femininas na pol\u00edtica. \u00a0\u201cNeste projeto, n\u00e3o pretendo mitificar her\u00f3is, tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de uma homenagem, mas acho importante debru\u00e7ar sobre a hist\u00f3ria do pa\u00eds do ponto de vista de quem participou dela. Principalmente, as mulheres\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sara detalha que \u201cem seus dias na pris\u00e3o Dora foi exposta a diferentes tipos de viola\u00e7\u00f5es, sobretudo de cunho desmoralizante frente \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de mulher. Entre ser colocada em exposi\u00e7\u00e3o como objeto para visita\u00e7\u00e3o de militares curiosos e degrada\u00e7\u00e3o moral diante dos companheiros. Dora denunciou as viol\u00eancias sofridas na ocasi\u00e3o de seu julgamento, na Justi\u00e7a Militar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a import\u00e2ncia de trazer Dora \u00e0 cena, explica: \u201cao reconstruirmos a subjetividade de per\u00edodos traum\u00e1ticos que deixaram marcas profundas na hist\u00f3ria deste pa\u00eds, confrontamos a pol\u00edtica da amn\u00e9sia com que se pretende, reiteradamente, apagar um passado inc\u00f4modo para criar campos de ignor\u00e2ncia hist\u00f3rica que, novamente, convocam abertamente for\u00e7as repressoras. Dora \u00e9 um projeto importante de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, de pretens\u00e3o multidisciplinar em que as lutas femininas do Brasil est\u00e3o em foco\u201d, resume Sara.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Conte\u00fados confiados \u00e0 Sara, pela fam\u00edlia, geraram diferentes obras<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que tomou conhecimento da hist\u00f3ria de Dora que Sara vem gestando a ideia de um espet\u00e1culo, com estreia prevista para 2020. Com a pandemia o projeto ganhou novas possibilidades e nasceu o curta \u201cDe Dora por Sara\u201d, filmado e dirigido em parceria com Henrique Landulfo, que estreou na mostra de Tiradentes (em janeiro de 2021). Para Sara, trata-se de um projeto transm\u00eddia. \u201cEle n\u00e3o foi pensando assim, mas se transformou pela necessidade do momento. Nasceu como cinema, ser\u00e1 apresentado como teatro no formato on-line e, futuramente, quando for poss\u00edvel, pretendo levar para o teatro presencial. S\u00e3o obras distintas, mas complementares\u201d, detalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse projeto \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de uma pesquisa que a atriz vem fazendo sobre hist\u00f3ria e representa\u00e7\u00e3o das mulheres no Brasil como nas cria\u00e7\u00f5es: \u201cHysteria\u201d, \u201cHygiene\u201d, \u201cNegrinha\u201d, \u201cGuerrilheiras\u201d, ou \u201cPara a Terra N\u00e3o h\u00e1 Desaparecidos\u201d e \u201cLeopoldina, Independ\u00eancia e Morte\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm um momento como o que vivemos, de nega\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, trazer o documento real, o arquivo e os fatos, \u00e9 de suma import\u00e2ncia. Temos aqui o registro e compartilhamento em grande escala, e a chance de fazermos o ato teatral se transformar em ativa\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria social, ponte entre tempos, potencializando o corpo feminino em luta. \u00c9 uma oportunidade imensa de registrarmos outro olhar para as mulheres da hist\u00f3ria brasileira e promover um encontro que nos foi negado e segue sendo\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; <a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/historia-da-ex-guerrilheira-maria-auxiliadora-vira-filme\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Brasil 247<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em 24 de janeiro de 2021, 17:49 &nbsp; Aos 23 anos, Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, entrou para a luta armada contra a ditadura. 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