{"id":13598,"date":"2021-02-25T13:01:26","date_gmt":"2021-02-25T13:01:26","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13598"},"modified":"2021-02-25T13:01:26","modified_gmt":"2021-02-25T13:01:26","slug":"mulheres-comemoram-89-anos-da-conquista-do-voto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2021\/02\/25\/mulheres-comemoram-89-anos-da-conquista-do-voto\/","title":{"rendered":"Mulheres comemoram 89 anos da conquista do voto"},"content":{"rendered":"<pre class=\"publish-time\">Publicado originalmente em 24\/02\/2021 - 10h22 -Por\u00a0<b>Mariana Camba\/ Correio Popular<\/b><\/pre>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Get\u00falio Vargas oficializou o direito de ir \u00e0s urnas em 24 de fevereiro de 1932<\/h3>\n<div class=\"fe-content\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 exatamente 89 anos, em 1932, as mulheres brasileiras garantiam o direito ao voto. Na data de hoje \u2013 24 de fevereiro \u2013 \u00e9 comemorado o Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil. Quase nove d\u00e9cadas depois do decreto assinado pelo ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas, muita coisa mudou: se naquela \u00e9poca tiveram que lutar para depositar o voto nas urnas, hoje as mulheres contam com representatividade na pol\u00edtica, como eleitora, candidata e cidad\u00e3.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Gl\u00e1ucia Fraccaro, historiadora e autora da obra &#8220;Os Direitos das Mulheres \u2014 Feminismo e Trabalho no Brasil&#8221;, lembra algo fundamental na hist\u00f3ria do voto feminino no Pa\u00eds. \u201cO voto das mulheres n\u00e3o era proibido pela primeira Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1891. N\u00e3o havia eleitoras devido aos costumes e moral que eram vivenciados naquela sociedade. As mulheres, ao terem conhecimento disso, entravam com pedidos de alistamento eleitoral, mas os ju\u00edzes negavam. As decis\u00f5es eram baseadas apenas na hierarquia da sociedade. Eles justificavam: \u2018mas se a mulher j\u00e1 tem filhos, por que ela quer votar?\u2019\u201d, explicou a historiadora.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Importante lembrar que o voto no Brasil passou a ser universal apenas em 1988, quando al\u00e9m das mulheres, tamb\u00e9m foi inclu\u00eddo como eleitor o analfabeto. A hist\u00f3ria do voto \u00e9 algo recente, mas marcada por muitos impasses. \u201cAs mulheres lutaram por isso desde a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Elas queriam fazer valer o direito que existia, mas que n\u00e3o era reconhecido. Queriam ser cidad\u00e3s tamb\u00e9m na pr\u00e1tica, e n\u00e3o s\u00f3 no papel\u201d, relembrou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As formas de batalhas eram muitas, de acordo com a historiadora. \u201cElas entravam com o pedido de alistamento eleitoral, mesmo sabendo que ele seria negado. A press\u00e3o pol\u00edtica existia desde 1891. Havia muitos grupos feministas espalhados pelo Brasil. Leolinda Daltro chegou a ser candidata \u00e0 Prefeitura do Rio de Janeiro no come\u00e7o do s\u00e9culo XX. Isso \u00e9 um exemplo de que esse envolvimento da mulher na pol\u00edtica n\u00e3o era proibido pela lei, mas sim algo imposto pelos ju\u00edzes. Existiam outros movimentos como o da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira do Progresso Feminino, fundado em 1922, e o da Liga Eleitoral Independente. Naquela \u00e9poca, nenhum outro movimento era t\u00e3o abrangente e com tamanha ader\u00eancia no Pa\u00eds, como esses\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Gl\u00e1ucia lembra que as mulheres e seus grupos pressionavam diretamente os governantes. \u201cEnviavam cartas para os parlamentares e ju\u00edzes. Procuravam a imprensa. Agiam de maneira organizada, por meio de reuni\u00f5es. Sem d\u00favida, formaram um movimento de express\u00e3o pol\u00edtica. E essa press\u00e3o popular tamb\u00e9m justificou a decis\u00e3o de Get\u00falio Vargas, em 24 de fevereiro de 1932, ao decretar o direito do voto feminino no Brasil, momento em que ele passou a ser leg\u00edtimo. O fato ocorreu durante o governo provis\u00f3rio do ent\u00e3o presidente. N\u00e3o foi um presente de Vargas, como muitos pensavam na \u00e9poca. Foram as mulheres que lutaram para que essa conquista ocorresse\u201d, afirmou Gl\u00e1ucia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9a Freitas, professora de Ci\u00eancia Pol\u00edtica e pesquisadora do Centro de Estudo de Opini\u00e3o P\u00fablica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisa a hist\u00f3ria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 menos de um s\u00e9culo, as mulheres n\u00e3o podiam votar. O motivo estava relacionado com a falta de autonomia feminina. Era como se elas tivessem de ser dependentes dos pais e dos maridos e n\u00e3o pudessem viver fora desse contexto, muito menos ter express\u00e3o pol\u00edtica. Isso fez com que o direito \u00e0 cidadania valesse pela metade. Hoje, anos depois, o voto da mulher foi naturalizado, a ponto das pessoas n\u00e3o se lembrarem de tudo o que aconteceu para isso passar a valer\u201d, afirmou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Depois de tantos anos, Andr\u00e9a comenta sobre o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico. \u201cA hist\u00f3ria mudou, mas por conta de uma s\u00e9rie de movimentos sociais que ocorreram desde o final do s\u00e9culo XIX. Pessoas morreram nesse processo, em prol do voto feminino.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Depois disso, conseguimos n\u00e3o s\u00f3 recuperar a nossa cidadania, mas tamb\u00e9m ganhar autonomia. Ainda assim, h\u00e1 discuss\u00e3o do papel da mulher na sociedade e sobre a presen\u00e7a delas na pol\u00edtica. Ainda estamos conquistando esse espa\u00e7o. Apenas 15% de todos os pol\u00edticos no Brasil s\u00e3o mulheres. Isso considerando o Legislativo. No Executivo, o n\u00famero \u00e9 menor ainda. Como presidente, apenas uma mulher foi eleita na hist\u00f3ria do Pa\u00eds\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Muitos t\u00eam atuado para tentar mudar essa situa\u00e7\u00e3o, de acordo com a cientista pol\u00edtica. Existe a Lei de Cotas Partid\u00e1rias, que exige que 30% dos candidatos de um partido sejam do sexo com menor presen\u00e7a. \u201cNo m\u00ednimo, tem que haver 70% de homens e 30% de mulheres, ou o contr\u00e1rio, caso as mulheres passem a ser a maioria. O sistema pol\u00edtico vem trabalhando para inserir a mulher nesse segmento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Mas, infelizmente, a lei n\u00e3o trouxe um feito concreto. Os partidos colocaram mulheres que n\u00e3o conseguiram ter acesso \u00e0 competitividade. Preencheram as vagas e n\u00e3o deram apoio a essas candidaturas. Sem o apoio do partido, n\u00e3o h\u00e1 como movimentar a estrutura, dar maior visibilidade \u00e0s candidatas\u201d, pontuou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cNos partidos, as mulheres ocupam 15% dos cargos dos diret\u00f3rios estaduais e municipais. Est\u00e3o nas secretarias de menor import\u00e2ncia. Portanto, n\u00e3o \u00e9 a toa que poucas mulheres s\u00e3o eleitas. Tivemos uma melhora significativa nas elei\u00e7\u00f5es de 2020. Na medida que essas candidaturas ganharem acesso aos recursos, ser\u00e3o mais competitivas. N\u00e3o \u00e9 o eleitor que n\u00e3o vota nas mulheres, \u00e9 o partido que n\u00e3o investe na visibilidade delas\u201d ressaltou Andr\u00e9a Freitas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ABAP-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-13600\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ABAP-2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"389\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div><strong>\u2018Precisamos ir al\u00e9m\u2019, afirma Mariana<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>Vereadora lembra que representatividade ainda \u00e9 pequena nos Parlamentos<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mariana Conti (PSOL), vereadora mais votada em Campinas nas elei\u00e7\u00f5es 2020, afirma que o voto feminino \u00e9 uma maneira de participa\u00e7\u00e3o e ades\u00e3o pol\u00edtica. \u201dMas precisamos ir al\u00e9m. N\u00e3o podemos esquecer que as mulheres s\u00e3o minoria nos Parlamentos, na ocupa\u00e7\u00e3o de cargos executivos e no Judici\u00e1rio. Ainda sofremos com o preconceito dessa representatividade, mas seguimos provando que somos capazes, principalmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres negras. Desigualdade racial \u00e9 uma discuss\u00e3o importante na esfera da diversidade feminina\u201d, declarou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mariana lembra que a mulher, de uma forma geral, sempre participou da pol\u00edtica, seja nas comunidades, nos movimentos sociais, na garantia dos direitos ou nos conselhos. \u201cAs mulheres est\u00e3o l\u00e1. A quest\u00e3o \u00e9 que, historicamente, elas n\u00e3o tiveram espa\u00e7os de poder, de decis\u00e3o. Na legislatura passada, eu era a \u00fanica mulher eleita na C\u00e2mara de Campinas. Agora, conseguimos ampliar esse n\u00famero para quatro mulheres. Esse aumento ocorreu em v\u00e1rias cidades. Foram eleitas vereadoras feministas, negras, jovens e mulheres trans. \u00c9 um fen\u00f4meno que precisa continuar crescendo. O grande desafio \u00e9 transferir \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas, as necessidades femininas. Precisamos conseguir conectar as mulheres \u00e0s propostas pol\u00edticas.\u201d<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div><strong>\u2018N\u00e3o me sinto representada no Congresso\u2019<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Kethlen Oliveira, 22 anos, vendedora, comemora o direito ao voto, mas defende muito maior representatividade das mulheres na sociedade. \u201cPor muito tempo, n\u00f3s fomos oprimidas. N\u00e3o t\u00ednhamos o direito ao voto. N\u00e3o pod\u00edamos falar o que quer\u00edamos. Hoje, nos libertamos. Mostramos que as mulheres tamb\u00e9m podem fazer a diferen\u00e7a. Mas ainda precisamos mudar v\u00e1rios fatores no \u00e2mbito da pol\u00edtica no Brasil com rela\u00e7\u00e3o a essa representatividade. Porque eu, como mulher brasileira, n\u00e3o me sinto representada diante do Congresso, dos pol\u00edticos eleitos neste Pa\u00eds.\u201d<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><strong>Fonte &#8211; <a href=\"https:\/\/correio.rac.com.br\/_conteudo\/2021\/02\/campinas_e_rmc\/1066457-mulheres-comemoram-89-anos-da-conquista-do-voto.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Correio Popular<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em 24\/02\/2021 &#8211; 10h22 -Por\u00a0Mariana Camba\/ Correio Popular Get\u00falio Vargas oficializou o direito de ir \u00e0s urnas em 24 de fevereiro de 1932 H\u00e1 exatamente 89 anos, em 1932, as mulheres brasileiras garantiam o direito ao voto. Na data de hoje \u2013 24 de fevereiro \u2013 \u00e9 comemorado o Dia da Conquista do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13598"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13598"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13598\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13601,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13598\/revisions\/13601"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}