{"id":1401,"date":"2012-07-02T14:09:04","date_gmt":"2012-07-02T14:09:04","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/02\/a-juventude-e-a-ditadura-militar-de-64-2\/"},"modified":"2012-07-02T14:09:04","modified_gmt":"2012-07-02T14:09:04","slug":"a-juventude-e-a-ditadura-militar-de-64-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/02\/a-juventude-e-a-ditadura-militar-de-64-2\/","title":{"rendered":"A juventude e a ditadura militar de 64"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Em 1964 a burguesia brasileira, assustada com os trabalhadores do campo e da cidade que faziam greves e ocupavam terras por todo o pa\u00eds, por meio do ex\u00e9rcito brasileiro e com apoio de camadas da pequena burguesia, realizou um golpe militar que reprimiu violentamente a classe oper\u00e1ria e a juventude. Teve in\u00edcio assim dos per\u00edodos mais sombrios da hist\u00f3ria do Brasil. A ditadura militar n\u00e3o s\u00f3 torturou, censurou e matou aqueles que lutavam por uma sociedade mais justa como tamb\u00e9m entregou o pa\u00eds para o imperialismo norte americano.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A juventude teve papel importante na luta contra a ditadura. Nesse per\u00edodo surgiram as grandes correntes de massa do movimento estudantil. Os Diret\u00f3rios Centrais dos Estudantes (DCE), Gr\u00eamios Estudantis e a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE) renascem.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas apesar dos incr\u00edveis esfor\u00e7os da juventude, foram os trabalhadores o fator determinante para por abaixo a ditadura, realizaram poderosas greves e constru\u00edram a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>1968: das mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis \u00e0s greves oper\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O mundo estava em ebuli\u00e7\u00e3o no ano de 1968, eventos como a Primavera de Praga na Tchecoslov\u00e1quia e o Maio de 68 na Fran\u00e7a influenciavam os movimentos no resto do globo terrestre.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No Brasil a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi muito diferente. Apesar de n\u00e3o possuir nenhuma liga\u00e7\u00e3o direta com nenhum desses acontecimentos, na base dos movimentos havia o inicio de um questionamento do capitalismo. Isso aterrorizava a burguesia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No m\u00eas de abril de 68, o assassinato do estudante secundarista Edson Luiz desencadeou uma s\u00e9rie de mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis e em protesto contra sua morte, a UNE decretou greve geral estudantil. Em junho do mesmo ano ocorreu a passeata dos cem mil, na \u00e9poca um dos atos mais importantes contra a ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Desde o primeiro de maio os trabalhadores se mobilizavam de norte a sul do pa\u00eds, mas foi no dia 16 de julho que os oper\u00e1rios da metal\u00fargica Cobrasma de Osasco (SP) entraram em cena. A sirene anunciava para as 9h o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica e imediatamente, ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o, panfletos foram amplamente distribu\u00eddos para informar outras f\u00e1bricas que foram parando uma a uma impulsionando o Comit\u00ea Interf\u00e1bricas por cima e apesar da pelegada que dirigia a maioria dos sindicatos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A greve de Osasco serviu para mostrar o descontentamento em rela\u00e7\u00e3o aos sal\u00e1rios, a repress\u00e3o sindical e que existia uma perspectiva oper\u00e1ria de resist\u00eancia ao regime militar, mas as dire\u00e7\u00f5es d\u00e9beis e o triste papel do PCB que via nos militares uma resist\u00eancia antiimperialista, permitiram a reorganiza\u00e7\u00e3o da ditadura que desfechou violenta repress\u00e3o ao movimento.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em dezembro de 68 a repress\u00e3o foi \u201clegalizada\u201d atrav\u00e9s do AI-5. As manifesta\u00e7\u00f5es foram violentamente reprimidas, come\u00e7a a tortura e a persegui\u00e7\u00e3o aos dirigentes oper\u00e1rios e estudantis.\u00a0 A UNE \u00e9 posta na ilegalidade e se inicia um refluxo da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O t\u00e9rmino da d\u00e9cada de 60 e in\u00edcio de 70 foram marcados pela liquida\u00e7\u00e3o f\u00edsica de quadros do movimento estudantil e oper\u00e1rio. A t\u00e1tica de guerrilhas criou uma \u201cjustificativa\u201d para a repress\u00e3o que o regime militar desencadeou com mais ferocidade. As a\u00e7\u00f5es sect\u00e1rias e vanguardistas, desesperadas da pequena burguesia radicalizada, apartou o movimento do conjunto da classe oper\u00e1ria. A maioria das dire\u00e7\u00f5es, em geral tinha um programa nacionalista e muitos n\u00e3o rompiam com a pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o de classes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O movimento estudantil se reorganiza e apoia o movimento oper\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A partir de 1975 com a crise financeira a situa\u00e7\u00e3o se modificou e o movimento estudantil come\u00e7ou a se reorganizar e antecipar o que viria a acontecer a partir de 79. O combate sob a palavra de ordem \u201cAbaixo a ditadura\u201d se inicia nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Vale destacar a importante atua\u00e7\u00e3o dos Trotskistas nesse per\u00edodo, em particular a tend\u00eancia estudantil Liberdade e Luta (Libelu), organiza\u00e7\u00e3o de jovens impulsionada pela Organiza\u00e7\u00e3o Socialista Internacionalista (OSI), decide levantar a bandeira de luta \u201cAbaixo a Ditadura\u201d no bojo do combate pelas liberdades democr\u00e1ticas o que lhe possibilitou seu r\u00e1pido crescimento no movimento estudantil, animando milhares de estudantes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Era na USP em que a Libelu possu\u00eda forte atua\u00e7\u00e3o, em 76 chegou a disputar o DCE-livre da USP e a partir da reorganiza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Estadual dos Estudantes (UEE) de S\u00e3o Paulo em 77, a primeira UEE livre do pa\u00eds depois de 68, a Liberdade e Luta participou do processo com chapa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1978 no 4\u00ba Encontro Nacional dos Estudantes a Libelu apresentou a proposta da constru\u00e7\u00e3o de um partido oper\u00e1rio, esse encontro tamb\u00e9m convocou o Congresso de Reconstru\u00e7\u00e3o da UNE. No ano de 1979 a chapa Liberdade e Luta ganhou as elei\u00e7\u00f5es para o DCE-livre da USP, posteriormente denominado Alexandre Vannucchi Leme, assassinado em 1973 pela repress\u00e3o. A palavra de ordem de \u201cAbaixo a Ditadura\u201d se generalizou e no movimento oper\u00e1rio cresciam as lutas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Libelu foi uma organiza\u00e7\u00e3o importante na hist\u00f3ria do movimento estudantil, mas principalmente do trotskismo no Brasil, ela aglutinou milhares de estudantes no pa\u00eds e permitiu impulsionar a OSI no meio oper\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A UNE foi refundada em 1979 no Congresso que reuniu cerca de 10 mil jovens no Centro de Conven\u00e7\u00f5es de Salvador (BA), a hist\u00f3rica Carta de Princ\u00edpios aprovada nesse Congresso apresentava em um de seus pontos que \u201cA UNE deve lutar contra toda forma de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, prestando irrestrita solidariedade \u00e0 luta dos trabalhadores de todo o mundo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>1975 a 1979: o crescimento<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante os anos de 75 a 79 as ruas voltaram a ser o palco da atua\u00e7\u00e3o estudantil e toda essa for\u00e7a que a juventude demonstrou exigindo o fim do regime militar inspirou e reanimou a classe trabalhadora e outros movimentos. Os estudantes estavam, a partir desse momento, ao lado dos trabalhadores apoiando as greves e se envolvendo nas organiza\u00e7\u00f5es clandestinas de f\u00e1bricas, ajudando as oposi\u00e7\u00f5es sindicais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O Encontro Nacional dos Trabalhadores em Oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Estrutura Sindical (ENTOES), realizado em setembro de 1980, no Rio de Janeiro, e da Articula\u00e7\u00e3o Nacional dos Movimentos Populares e Sindical (ANAMPOS), criada tamb\u00e9m em 1980, foram instrumentos que surgiram a partir das mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias que colocavam a necessidade de uma central sindical na ordem do dia. O PT e a CUT s\u00e3o os frutos colhidos dessa \u00e9poca, a classe oper\u00e1ria aprendeu com a ditadura que precisava de seu instrumento de luta contra os velhos partidos que a havia abandonado. Os trabalhadores necessitavam de sua unidade para a utilizar na luta por seus direitos, derrubar a ditadura e abrir caminho para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A chama da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Observando a atua\u00e7\u00e3o da juventude durante a ditadura militar no Brasil, duas caracter\u00edsticas se tornam evidentes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A primeira pode ser exemplificada atrav\u00e9s de um trecho do texto A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de Maio de 1968 de Alan Woods, onde o autor colocava que \u201cA efervesc\u00eancia entre os estudantes era apenas a manifesta\u00e7\u00e3o mais evidente do descontentamento da sociedade francesa. Apesar do auge econ\u00f4mico, os empres\u00e1rios franceses haviam aplicado uma press\u00e3o violenta sobre os trabalhadores. Abaixo da superf\u00edcie de aparente calma existia um enorme ac\u00famulo de descontentamento, rancor e frustra\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em janeiro houve violentos conflitos durante uma manifesta\u00e7\u00e3o de grevistas em Caen\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Woods afirma que os estudantes s\u00e3o um bar\u00f4metro sens\u00edvel \u00e0s tens\u00f5es da luta de classes e que em 68 eles s\u00f3 estavam antecipando as greves oper\u00e1rias que colocariam em xeque o governo do presidente franc\u00eas, De Gaulle. Em outros momentos da hist\u00f3ria, inclusive mais recentes como na Tun\u00edsia em 2011, os jovens desempenharam esse papel, o que poderia ser considerado como o rel\u00e2mpago que anuncia a tormenta.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A outra caracter\u00edstica e a mais importante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 juventude \u00e9 aquela que Trotsky afirma no Programa de Transi\u00e7\u00e3o e que ficou n\u00edtida nos movimentos que ocorreram de 1975 a 1979 no Brasil. Para o revolucion\u00e1rio russo \u201cApenas o fresco entusiasmo e o esp\u00edrito ofensivo da juventude podem assegurar os primeiros triunfos da luta e somente ela trar\u00e1 de volta ao caminho da revolu\u00e7\u00e3o os melhores elementos da velha gera\u00e7\u00e3o. Sempre foi assim e sempre ser\u00e1\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com a frustra\u00e7\u00e3o diante da fal\u00eancia do stalinismo e completa trai\u00e7\u00e3o da social democracia muitos ativistas e correntes passaram a crer no surgimento da chamada nova vanguarda, tratando o Movimento Estudantil como se fosse a vanguarda revolucion\u00e1ria. Mas a classe oper\u00e1ria sempre acabou dando o tom e apagou estas concep\u00e7\u00f5es pseudovanguardistas. A mesma rela\u00e7\u00e3o pode ser vista nas manifesta\u00e7\u00f5es de massas que ocorreram no mundo recentemente.\u00a0 Vimos a juventude impulsionar o movimento oper\u00e1rio na Gr\u00e9cia, Espanha, no Chile e no Egito. Mas a palavra final e decisiva \u00e9 sempre dada pela classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Atualmente os jovens desempenham um papel fundamental na luta de classes, assim como, desenvolveram na ditadura militar brasileira, mas um entendimento sobre a real import\u00e2ncia dos jovens \u00e9 extremamente necess\u00e1rio para n\u00e3o cometermos erros que podem prejudicar o desenvolvimento da pr\u00f3pria luta de classes. A juventude \u00e9 a chama da revolu\u00e7\u00e3o, a classe oper\u00e1ria, seu motor e dirigente.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por Evandro Jos\u00e9 Colzani<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1964 a burguesia brasileira, assustada com os trabalhadores do campo e da cidade que faziam greves e ocupavam terras por todo o pa\u00eds, por meio do ex\u00e9rcito brasileiro e com apoio de camadas da pequena burguesia, realizou um golpe militar que reprimiu violentamente a classe oper\u00e1ria e a juventude. 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