{"id":1413,"date":"2012-07-02T14:25:36","date_gmt":"2012-07-02T14:25:36","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/02\/comissao-da-verdade-nao-vai-descobrir-muita-coisa-diz-gabeira-2\/"},"modified":"2012-07-02T14:25:36","modified_gmt":"2012-07-02T14:25:36","slug":"comissao-da-verdade-nao-vai-descobrir-muita-coisa-diz-gabeira-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/02\/comissao-da-verdade-nao-vai-descobrir-muita-coisa-diz-gabeira-2\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade n\u00e3o vai  descobrir muita coisa, diz Gabeira"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para ele, principal contribui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 &#8220;incorporar a verdade \u00e0 hist\u00f3ria oficial do Pa\u00eds&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1387\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/fernando-gabeira-hg.jpg\" border=\"0\" width=\"225\" height=\"169\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Gabeira integrou grupo armado que sequestrou embaixador dos EUA  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade que foi instalada no \u00faltimo m\u00eas de maio pela presidente Dilma Rousseff n\u00e3o vai descobrir muita coisa. E dificilmente ter\u00e1 elementos para recomendar a puni\u00e7\u00e3o de crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura. A opini\u00e3o \u00e9 do ex-deputado federal e um dos principais resistentes ao regime da caserna, Fernando Gabeira. Para ele, a principal contribui\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o ser\u00e1 incorporar a verdade \u00e0 hist\u00f3ria oficial do Pa\u00eds.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u2014 \u00c9 uma ilus\u00e3o a gente pensar que a Comiss\u00e3o da Verdade, sozinha, v\u00e1 alcan\u00e7ar um volume de dados muito grande. Ela vai desvendar muito de contribui\u00e7\u00f5es da sociedade e de contribui\u00e7\u00f5es investigativas da imprensa. Mas, de um modo geral, ela nunca descobre muita coisa.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Gabeira participou da luta armada contra o regime militar como membro do MR-8 (Movimento Revolucion\u00e1rio 8 de Outubro), grupo que, em 1969, organizou o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O sequestro serviu para pressionar os militares a libertar quinze presos pol\u00edticos ligados a organiza\u00e7\u00f5es clandestinas de esquerda. A opera\u00e7\u00e3o foi bem sucedida, e todos que integravam a lista de nomes feita pelo MR-8 foram libertos e deixaram o Pa\u00eds, mas os envolvidos no sequestro foram presos algum tempo depois.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O pr\u00f3prio Gabeira foi preso em 1970, na cidade de S\u00e3o Paulo. Ao tentar fugir, foi atingido por um tiro em suas costas, perfurando rim, est\u00f4mago e f\u00edgado. Preso, foi libertado em junho do mesmo ano, tendo sido trocado junto com outros 39 presos pelo embaixador alem\u00e3o Ehrenfried von Holleben, que tamb\u00e9m havia sido sequestrado.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O epis\u00f3dio \u00e9 narrado no seu livro O que \u00e9 isso, companheiro?, de 1979. Na obra, Gabeira fala sobre sua participa\u00e7\u00e3o na luta armada e o per\u00edodo do ex\u00edlio. O livro venceu o Pr\u00eamio Jabuti em 1980 e foi transformado em <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9iD9skE6l-o\">filme<\/a> pelo cineasta Bruno Barreto em 1997. Gabeira esteve exilado entre 1970 e 1979, per\u00edodo em que passou por Chile, Su\u00e9cia e It\u00e1lia. Voltou ao Brasil, em 1979, beneficiado pela Lei de Anistia.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u2014 Eu penso que a Lei de Anistia foi redigida num momento hist\u00f3rico em que uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as existia, e eu comemorei e n\u00e3o me insurgi contra ela naquele momento. Eu achava que, considerada a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que havia, era algo bom para n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ele n\u00e3o acredita em revanchismo na atua\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade, e entende que, caso haja elementos para tal, sejam apurados tamb\u00e9m crimes cometidos pelas organiza\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Entretanto, ressalta, sem nunca comparar quem pegou em armas para lutar contra um regime ilegal com quem reprimiu, prendeu e torturou para sustentar um golpe de Estado. Para Gabeira, um Estado ilegal n\u00e3o pode criminalizar a\u00e7\u00f5es contra sua exist\u00eancia impetrada por setores da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia a seguir a entrevista completa com Fernando Gabeira:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; Antes de ser empossada a Comiss\u00e3o da Verdade, seus membros deram declara\u00e7\u00f5es diferentes. Enquanto alguns acreditam que a investiga\u00e7\u00e3o se limitar\u00e1 aos agentes de Estado, outros dizem que quem participou da luta armada tamb\u00e9m deve ser investigado. Qual a an\u00e1lise o senhor faz sobre isso e sobre a comiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Fernando Gabeira &#8211; <\/strong>Originalmente, essas comiss\u00f5es s\u00e3o feitas para apurar crimes cometidos por agentes do Estado. Se, eventualmente, surgir alguma coisa de importante que n\u00e3o seja isso, eu acho que pode ser incorporado. Mas, principalmente, a Comiss\u00e3o da Verdade nunca foi apenas isso. Ela, quando surgiu na \u00c1frica do Sul, era uma comiss\u00e3o da verdade e da concilia\u00e7\u00e3o, da reconcilia\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, acredito que tudo aquilo que for verdadeiro a respeito do que aconteceu, ajuda do ponto do vista do reconhecimento hist\u00f3rico, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m definir o foco. E, evidentemente, o foco s\u00e3o os agentes do Estado, que tinham mais condi\u00e7\u00f5es de serem violentos do que os revolucion\u00e1rios, j\u00e1 que detinham o aparato do Estado, a lei, e condi\u00e7\u00f5es de realizar tortura. Minha posi\u00e7\u00e3o \u00e9 que o foco seja nos agentes do Estado. Mas, se surgir outra coisa, n\u00e3o h\u00e1 nenhum inconveniente em examinar, uma vez que o princ\u00edpio \u00e9 a busca da verdade.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; O senhor acha que \u00e9 poss\u00edvel comparar quem pegou em armas para lutar contra um regime ilegal com quem torturou para sustentar um golpe de Estado?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel equiparar. S\u00e3o atitudes diferentes. No meu entender, apesar de a escolha pela luta armada ser historicamente equivocada, uma coisa \u00e9 a pessoa tentando resistir a uma quebra violenta da ordem legal. Outra coisa \u00e9 um aparato de Estado produzir tanta viol\u00eancia como foi naquela \u00e9poca. Esse processo foi criado naquele momento pela sociedade brasileira e foram, de certa maneira, anistiados os dois lados. A Comiss\u00e3o da Verdade n\u00e3o se colocou naquela posi\u00e7\u00e3o de punir as pessoas, mas sim estabelecer a verdade. E a partir da\u00ed ver o que fazer.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; A Lei da Anistia, em tese, j\u00e1 garantiu essa reconcilia\u00e7\u00e3o a que o senhor se refere. A comiss\u00e3o n\u00e3o deve ir al\u00e9m? E a lei, deve ser revista?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211; <\/strong>Eu penso que a Lei de Anistia foi redigida num momento hist\u00f3rico em que uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as existia, e eu comemorei e n\u00e3o me insurgi contra ela naquele momento. Eu achava que, considerada a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que havia, era algo bom para n\u00f3s. Agora mudou a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Mas n\u00e3o acho razo\u00e1vel, uma vez mudada essa correla\u00e7\u00e3o, dizer que agora a Lei de Anistia tem que mudar s\u00f3 porque somos mais fortes do que quando chegamos do ex\u00edlio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; Corrija-me se estiver errado, mas os membros da luta armada julgados por crimes de sangue n\u00e3o foram anistiados, eles apenas receberam diminui\u00e7\u00e3o das penas.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> N\u00e3o. Eles foram anistiados mesmo. Havia na \u00e9poca \u2013 e inclusive a anistia no surpreendeu \u2013 uma suposi\u00e7\u00e3o de que seriam anistiados apenas aqueles que n\u00e3o participaram de atos armados. Mas o conceito de anistia geral, ampla e irrestrita, atingiu esses casos tamb\u00e9m, que \u00e9 o meu caso.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; A Lei de anistia impede a puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pelos crimes cometidos na ditadura?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> Ela anistia os crimes pelos dois lados. Ao afirmar isso, reconhece que houve crimes cometidos pelos militares. Mas anistia a todos os crimes cometidos naquele per\u00edodo. Agora, existem teses que v\u00e3o ser discutidas ainda, e cada caso ser\u00e1 um caso. H\u00e1 teses de que o desaparecimento ou morte de pessoas s\u00e3o crimes continuados, que n\u00e3o poderiam ser anistiado. Existem v\u00e1rias teses em jogo tentando alterar esse princ\u00edpio da lei. Mas, pelo que observo, n\u00e3o existe na sociedade brasileira uma disposi\u00e7\u00e3o muito grande em rever essa quest\u00e3o. Existem movimentos isolados de pessoas que est\u00e3o denunciando torturadores.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; Nos \u00faltimos meses, grupos de jovens t\u00eam feito manifesta\u00e7\u00f5es, os chamados \u201cesculachos\u201d, contra pessoas ligadas \u00e0 ditadura. Como o senhor observa esses movimentos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> \u00c9 uma tentativa de dramatizar a quest\u00e3o da ditadura para apontar para a necessidade de uma avalia\u00e7\u00e3o do que foi feito. N\u00e3o tenho elementos para afirmar que tipo de movimento \u00e9 esse e qual o tipo de espontaneidade envolvido nisso. N\u00e3o sei o distanciamento que ele tem de partidos, se ele \u00e9 somente a express\u00e3o de um partido pol\u00edtico ou algo espont\u00e2neo de uma garotada que se juntou para fazer isso.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; Com isso e com a instala\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o, a ditadura voltou ao centro do debate. Esse resgate do tema \u00e9 interessante? Ajuda o trabalho da comiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> Ajuda. Tanto \u00e9 que houve apari\u00e7\u00f5es de algumas pessoas que j\u00e1 come\u00e7aram a falar. Tivemos recentemente o lan\u00e7amento do livro de um delegado contando algumas coisas que eles fizeram no per\u00edodo. E agora tivemos a revela\u00e7\u00e3o sobre aquela \u201ccasa da morte\u201d que existia em Petr\u00f3polis. Essas revela\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais. \u00c9 uma ilus\u00e3o a gente pensar que a comiss\u00e3o da verdade, sozinha, vai alcan\u00e7ar um volume de dados muito grande. Ela vai desvendar muito de contribui\u00e7\u00f5es da sociedade e de contribui\u00e7\u00f5es investigativas da imprensa. Mas, de um modo geral, ela nunca descobre muita coisa.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; Outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina onde aconteceram golpes militares est\u00e3o h\u00e1 anos enfrentando a ditadura. Alguns j\u00e1 julgaram e puniram os golpistas e respons\u00e1veis, os torturadores e assassinos. O Brasil vai fazer isso algum dia?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> Eu tenho minhas d\u00favidas de que o Brasil um dia chegue a julgar e punir militares que participaram daquele momento. As cr\u00edticas ao processo brasileiro, que permitiu que torturadores e pessoas envolvidas na luta armada fossem anistiados s\u00e3o antigas e nunca houve grande repercuss\u00e3o sobre isso. Parece-me que o objetivo maior disso tudo \u00e9 conhecer o que houve. Uma vez esclarecido, a\u00ed come\u00e7a outra discuss\u00e3o, sobre o que fazer com a verdade.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; E o que se deve fazer?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> Incorpor\u00e1-la \u00e0 hist\u00f3ria oficial do Brasil. Quanto \u00e0 puni\u00e7\u00e3o dos militares, quando chegarmos a esse ponto, os militares envolvidos, se j\u00e1 n\u00e3o estiverem mortos, estar\u00e3o no final da vida deles. Pode ser que uma tentativa de puni\u00e7\u00e3o deles, num contexto em que a sociedade n\u00e3o est\u00e1 envolvida profundamente no tema, traga para eles uma aura de simpatia no final da vida e eles acabem saindo como v\u00edtimas. Tendo a favorecer a ideia de estabelecer a verdade sem estabelecer puni\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 no final da vida.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; Concorda com a tese de que os militares buscam tratar a quest\u00e3o como um problema individual e n\u00e3o um tema pol\u00edtico de interesse de toda a sociedade? Da\u00ed a ideia do revanchismo.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> N\u00e3o concordo. Dependendo da maneira como a comiss\u00e3o for conduzida, n\u00e3o \u00e9 absolutamente revanchismo. At\u00e9 porque, dependendo de como for, o estabelecimento da verdade \u00e9 o que interessa a todos. Todos t\u00eam interesse em que a hist\u00f3ria do Brasil seja contada de forma transparente. O que incomoda mesmo os militares \u00e9 a amea\u00e7a de puni\u00e7\u00e3o, sobretudo aqueles que j\u00e1 est\u00e3o no fim da vida.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; J\u00e1 se v\u00e3o 48 anos do golpe de 1964. O que o senhor lembra daquele dia?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> Aquele dia foi muito triste para mim. N\u00e3o contava que o golpe fosse ser vitorioso t\u00e3o rapidamente e sem nenhuma resist\u00eancia. N\u00f3s \u00e9ramos cinco jornalistas que mor\u00e1vamos num apartamento quarto e sala na rua Barata Ribeiro, em Copacabana, e ficamos surpreendidos com isso. Um dos nossos companheiros, inclusive j\u00e1 morto, foi ao quartel dos fuzileiros navais pegar armas. Porque havia uma promessa de que eles iriam resistir. A verdade \u00e9 que nem isso aconteceu e a resist\u00eancia praticamente se desfez em poucas horas. Est\u00e1vamos, ent\u00e3o, diante de outra situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que ia marcar nossa vida adulta. Ter\u00edamos a\u00ed quase 30 anos de ditadura militar pela frente.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R7 &#8211; O senhor tem algum arrependimento daquele tempo?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabeira &#8211;<\/strong> N\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 arrependimentos. Mas, se eu tivesse a possibilidade de reexaminar a situa\u00e7\u00e3o, eu teria me dedicado \u00e0 resist\u00eancia pac\u00edfica.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para ele, principal contribui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 &#8220;incorporar a verdade \u00e0 hist\u00f3ria oficial do Pa\u00eds&#8221; Gabeira integrou grupo armado que sequestrou embaixador dos EUA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1413"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1413\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}