{"id":1415,"date":"2012-07-02T18:37:37","date_gmt":"2012-07-02T18:37:37","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/02\/ditadura-destruiu-mais-de-19-mil-documentos-secretos-2\/"},"modified":"2012-07-02T18:37:37","modified_gmt":"2012-07-02T18:37:37","slug":"ditadura-destruiu-mais-de-19-mil-documentos-secretos-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/02\/ditadura-destruiu-mais-de-19-mil-documentos-secretos-2\/","title":{"rendered":"Ditadura destruiu mais de 19 mil documentos secretos"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ordens de destrui\u00e7\u00e3o, agora liberadas, resumem pap\u00e9is eliminados em 1981<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Material ceifado era do extinto SNI; alguns relat\u00f3rios tratavam de Brizola, dom Helder e Vinicius de Moraes<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Guardado em sigilo por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, um conjunto de 40 relat\u00f3rios encadernados detalha a destrui\u00e7\u00e3o de aproximadamente 19,4 mil documentos secretos produzidos ao longo da ditadura militar (1964-1985) pelo extinto SNI (Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es).  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As ordens de destrui\u00e7\u00e3o, agora liberadas \u00e0 consulta pelo Arquivo Nacional de Bras\u00edlia, partiram do comando do SNI e foram cumpridas no segundo semestre de 1981, no governo de Jo\u00e3o Baptista Figueiredo (1979-1985).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Do material destru\u00eddo, o SNI guardou apenas um resumo, de uma ou duas linhas, que ajuda a entender o que foi eliminado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entre os documentos, estavam relat\u00f3rios sobre personalidades famosas, como o ex-governador do Rio Leonel Brizola (1922-2004), o arcebispo cat\u00f3lico dom Helder C\u00e2mara (1909-1999), o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980) e o poeta Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (1920-1999).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Alguns pap\u00e9is podiam causar inc\u00f4modo aos militares, como um relat\u00f3rio intitulado &#8220;Tr\u00e1fico de Influ\u00eancia de Parente do Presidente da Rep\u00fablica&#8221;. O material era relacionado ao ex-presidente Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, que governou de 1969 a 1974.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outros documentos destru\u00eddos descreviam supostas &#8220;contas banc\u00e1rias no exterior&#8221; do ex-governador de S\u00e3o Paulo Adhemar de Barros ou a &#8220;infiltra\u00e7\u00e3o de subversivos no Banco do Brasil&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Boa parte dos documentos eliminados trata de pessoas mortas at\u00e9 1981. A an\u00e1lise dos registros sugere que o SNI procurava se livrar de todos os dados de pessoas mortas, talvez por considerar que elas n\u00e3o eram mais de import\u00e2ncia para as atividades de vigil\u00e2ncia da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>LEGISLA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Algumas das ordens de destrui\u00e7\u00e3o foram assinadas pelo general Newton Cruz, que foi chefe da ag\u00eancia central do SNI entre 1978 e 1983.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em entrevista por telefone realizada na semana passada, Cruz, que est\u00e1 com 87 anos, disse que n\u00e3o se recorda de detalhes das destrui\u00e7\u00f5es. Mas afirmou ter &#8220;cumprido a lei da \u00e9poca&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A legisla\u00e7\u00e3o em vigor nos anos 80 abria amplo espa\u00e7o para elimina\u00e7\u00f5es indiscriminadas de documentos. Baixado durante a ditadura, o Regulamento para Salvaguarda de Assuntos Sigilosos, de 1967, estabelecia que materiais sigilosos poderiam ser destru\u00eddos, mas n\u00e3o exigia motivos objetivos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Bastava que uma equipe de tr\u00eas militares decidisse que os pap\u00e9is eram in\u00fateis como dado de intelig\u00eancia militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica da destrui\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is sigilosos foi adotada por outros \u00f3rg\u00e3os estatais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como a Folha revelou em 2008, pelo menos 39 relat\u00f3rios secretos do Ex\u00e9rcito e do extinto Emfa (Estado-Maior das For\u00e7as Armadas) foram incinerados pela ditadura entre o final dos anos 60 e o in\u00edcio dos 70.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo quatro &#8220;termos de destrui\u00e7\u00e3o&#8221; arquivados pelo CSN (Conselho de Seguran\u00e7a Nacional), \u00f3rg\u00e3o de assessoria direta do presidente da Rep\u00fablica, foram queimados documentos nos anos de 1969 e 1972.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Folha de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ordens de destrui\u00e7\u00e3o, agora liberadas, resumem pap\u00e9is eliminados em 1981 Material ceifado era do extinto SNI; alguns relat\u00f3rios tratavam de Brizola, dom Helder e Vinicius de Moraes Guardado em sigilo por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, um conjunto de 40 relat\u00f3rios encadernados detalha a destrui\u00e7\u00e3o de aproximadamente 19,4 mil documentos secretos produzidos ao longo da ditadura [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1415"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1415\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}