{"id":1427,"date":"2012-07-03T21:34:16","date_gmt":"2012-07-03T21:34:16","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/03\/a-comissao-da-verdade-tropecou-num-terrorista-aposentado-2\/"},"modified":"2012-07-03T21:34:16","modified_gmt":"2012-07-03T21:34:16","slug":"a-comissao-da-verdade-tropecou-num-terrorista-aposentado-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/03\/a-comissao-da-verdade-tropecou-num-terrorista-aposentado-2\/","title":{"rendered":"V\u00eddeo: A Comiss\u00e3o da Verdade trope\u00e7ou num terrorista aposentado"},"content":{"rendered":"<p><p><strong style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade trope\u00e7ou num terrorista aposentado que acaba de se transformar em assassino confesso de um companheiro de luta contra a ditadura<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rcio Leite de Toledo tinha 19 anos quando foi enviado a Cuba pela Ali<\/strong><strong>an\u00e7a Libertadora Nacional, para fazer um curso de guerrilha<\/strong><\/p>\n<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rcio Leite de Toledo tinha 19 anos quando foi enviado a Cuba pela Alian\u00e7a Libertadora Nacional, para fazer um curso de guerrilha. De volta ao Brasil em 1970, tinha 20 quando se tornou e um dos cinco integrantes da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da ALN, organiza\u00e7\u00e3o de extrema-esquerda fundada pelo terrorista Carlos Marighela. Ent\u00e3o com 19 anos, fazia parte do quinteto o militante comunista Carlos Eug\u00eanio Sarmento Coelho da Paz, o \u201cClemente\u201d. Da mesma forma que o Paz da certid\u00e3o de nascimento, o codinome contrastava com o temperamento e o prontu\u00e1rio de um devoto da viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Em outubro de 1970, durante uma reuni\u00e3o clandestina, os componentes da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional debateram as circunst\u00e2ncias do assassinato de Joaquim C\u00e2mara Ferreira, que havia 11 meses substitu\u00edra o chefe supremo Marighela, fuzilado numa rua de S\u00e3o Paulo por uma mil\u00edcia liderada pelo delegado S\u00e9rgio Fleury. Sob o argumento de que estavam percorrendo o caminho mais curto para a elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos engajados na luta armada, M\u00e1rcio prop\u00f4s aos demais dirigentes uma pausa na guerra desigual.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o era a primeira vez que aquele companheiro desafinava do restante da dire\u00e7\u00e3o, desconfiou Clemente. Demorou duas horas para concluir que M\u00e1rcio era um dissidente prestes a tra\u00ed-los, entregar-se \u00e0 pol\u00edcia da ditadura e contar o muito que sabia. Demorou dois dias para convencer o restante da c\u00fapula a avalizar seu parecer. Demorou um pouco mais para, com o endosso dos parceiros, montar o tribunal revolucion\u00e1rio, propor a pena capital e aprovar a senten\u00e7a que, j\u00e1 com 20 anos, ajudou a executar numa rua de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Convocado para uma reuni\u00e3o de rotina do alto comando, M\u00e1rcio foi para o encontro com a morte no fim da tarde de 23 de mar\u00e7o de 1971. Antes de sair do apartamento que lhe servia de esconderijo, o condenado que n\u00e3o tivera o direito de defender-se e sequer suspeitava da tocaia deixou um registro manuscrito: \u201cNada me impedir\u00e1 de continuar combatendo\u201d, prometeu-se. N\u00e3o imaginava que fora proibido de continuar vivendo. Assim que chegou ao ponto combinado na regi\u00e3o dos Jardins, foi abatido a tiros.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Alguns foram disparados por Clemente, acaba de admitir o terrorista aposentado ao jornalista Geneton Moraes Neto, que o entrevistou para o programa Dossi\u00ea, exibido pela Globo News neste 30 de junho. O v\u00eddeo abaixo reproduz o trecho da entrevista em que o depoente se transforma oficialmente em assassino confesso. \u201cEnt\u00e3o n\u00f3s fomos l\u00e1 e cumprimos a tarefa\u201d, diz Clemente depois de resumir a decis\u00e3o do tribunal revolucion\u00e1rio composto por tr\u00eas ju\u00edzes com pouco mais de 20 anos de idade. \u201cCumprir a tarefa\u201d \u00e9 bem menos chocante que \u201cexecutar um companheiro de luta contra a ditadura\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Entrevistador competente, Geneton vai direto ao ponto: \u201cVoc\u00ea participou diretamente da execu\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o?\u201d Com a placidez de quem recita uma receita de bolo, Clemente enfim assume a autoria do crime. \u201cEssa \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje eu n\u00e3o dei\u201d, avisa. \u201cE, na verdade verdadeira, eu n\u00e3o dei tamb\u00e9m porque ningu\u00e9m teve essa atitude de chegar e me perguntar diretamente. Participei, sim, da a\u00e7\u00e3o. A tiros\u2026 a tiros\u2026\u201d A express\u00e3o sem culpas e o olhar de quem n\u00e3o perde o sono por pouca coisa informam que, para o declarante, tirar ou n\u00e3o a vida de um ser humano \u00e9 algo que merece tanta reflex\u00e3o quanto ir \u00e0 praia ou ficar na piscina do pr\u00e9dio.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Alguns integrantes da Comiss\u00e3o da Verdade dividem o universo que resolveram devassar em torturadores a servi\u00e7o da ditadura e her\u00f3is da resist\u00eancia. Uns merecem o fogo do inferno, outros s\u00f3 merecem a gratid\u00e3o do pa\u00eds (e desfrutar de uma Bolsa Ditadura de bom tamanho). Em qual dessas categorias devem ser enquadrados Carlos Eng\u00eanio Coelho Sarmento da Paz e M\u00e1rcio Leite de Toledo? O algoz pode alegar que a execu\u00e7\u00e3o de um dissidente que tamb\u00e9m combatia a ditadura militar foi um acidente de percurso? Essa esp\u00e9cie de homic\u00eddio foi engavetada pela anistia? A fam\u00edlia da v\u00edtima de um crime que o Estado n\u00e3o cometeu pode figurar na rela\u00e7\u00e3o dos indenizados? Como reparar a mem\u00f3ria do jovem executado? A Comiss\u00e3o da Verdade est\u00e1 convidada a oferecer respostas convincentes para tais interroga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Bem menos complicado \u00e9 responder \u00e0 pergunta feita por Clemente em novembro de 2008, quando voltei a tratar do epis\u00f3dio infame: \u201cO que quer o jornalista Augusto Nunes quando publica um artigo como este?\u201d. Simples: quero deixar claro que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma diferen\u00e7a entre o torturador que matou Vladimir Herzog e o terrorista que executou M\u00e1rcio Leite de Toledo. Um servindo \u00e0 ditadura militar, outro perseguindo a ditadura comunista, ambos se tornaram assassinos sem direito ao perd\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\"><span style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Veja<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span style=\"text-align: justify;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p> <object width=\"480\" height=\"360\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/o-LPZJ1d4uk?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"480\" height=\"360\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/o-LPZJ1d4uk?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o da Verdade trope\u00e7ou num terrorista aposentado que acaba de se transformar em assassino confesso de um companheiro de luta contra a ditadura M\u00e1rcio Leite de Toledo tinha 19 anos quando foi enviado a Cuba pela Alian\u00e7a Libertadora Nacional, para fazer um curso de guerrilha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1427"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}