{"id":1451,"date":"2012-07-07T02:24:46","date_gmt":"2012-07-07T02:24:46","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/07\/os-doutores-da-tortura-2\/"},"modified":"2012-07-07T02:24:46","modified_gmt":"2012-07-07T02:24:46","slug":"os-doutores-da-tortura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/07\/os-doutores-da-tortura-2\/","title":{"rendered":"Os doutores da tortura"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1449\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/562256_424292054277481_180269923_n.jpg\" border=\"0\" width=\"400\" height=\"163\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Doutores do mal: F\u00e9lix Freire (\u00e0 esq.), Aldir Maciel (ao lado) e Jos\u00e9 Brant (\u00e0 dir.) s\u00e3o os homens que se destacaram nos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o pela frieza e morbidez receberam licen\u00e7a do governo para matar e ocultar cad\u00e1veres de militantes do PCdoB, da AP, da VPR, do PCB &#8211; Por Amaury Ribeiro Jr.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Congresso Nacional e o regime militar aprovaram a Lei da Anistia em 1979, passando uma borracha nos crimes praticados por militantes de esquerda e militares que torturaram e executaram<span class=\"s1\"> <\/span>presos pol\u00edticos durante a ditadura. Mas, embora tenham sido anistiados, os coron\u00e9is do Ex\u00e9rcito Paulo Malh\u00e3es, 66 anos, Jos\u00e9 Brant Teixeira, 70, e Aldir Santos Maciel, 71, continuam vivendo, ainda hoje, em plena clandestinidade. A busca pelo anonimato faz parte tamb\u00e9m da rotina dos ex-cabos F\u00e9lix Freire Dias, 55 anos, e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Carvalho, 56.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Esses cinco militares da reserva n\u00e3o possuem telefones registrados em seus nomes, n\u00e3o fornecem o endere\u00e7o sequer a amigos e continuam utilizando os mesmos codinomes de \u201cdoutores\u201d, criados nos centros de informa\u00e7\u00e3o do regime. Para garantir que jamais seria reconhecido, o coronel Aldir chegou ao extremo de fazer uma cirurgia pl\u00e1stica: retirou uma mancha preta do rosto que tornava inconfund\u00edvel a figura do implac\u00e1vel \u201cDoutor Silva\u201d, comandante do DOI-Codi de S\u00e3o Paulo durante o per\u00edodo de 1973 a 1975. O ex-sargento Marival diz que o Doutor Silva matou, com inje\u00e7\u00f5es de droga para sacrificar cavalos, os dirigentes do Comit\u00ea Central do PCB. As den\u00fancias foram confirmadas por outras testemunhas, como o corretor Severino Gomes, ex-prefeito de Ara\u00e7ariguama (SP), que ajudou na localiza\u00e7\u00e3o da ch\u00e1cara onde, segundo Marival, os militantes foram executados. \u201cSe morreram do lado de l\u00e1, meus amigos tamb\u00e9m est\u00e3o morrendo. Sobre isso, voc\u00ea n\u00e3o arranca mais nada de mim\u201d, respondeu o coronel Aldir, ao ser perguntado sobre as tais inje\u00e7\u00f5es, depois de ter sido encontrado em sua casa, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Anonimato \u2013 \u201cComo voc\u00ea me achou? Tem alguma coisa errada nisso&#8230; n\u00e3o dou meu telefone nem aos melhores amigos. Meu passado \u00e9 um segredo de Estado\u201d, disse o coronel Brant ao ser descoberto por ISTO\u00c9, h\u00e1 duas semanas, num apartamento na Asa Sul de Bras\u00edlia, depois de quatro meses de procura. O anonimato do coronel Malh\u00e3es \u00e9 ainda mais dif\u00edcil de ser violado: \u201cMeu cliente \u00e9 invis\u00edvel. Quem o procura chega ao m\u00e1ximo at\u00e9 mim\u201d, contou o advogado Manuel Luiz Soares, localizado no bairro do M\u00e9ier, no Rio, no m\u00eas passado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tanto segredo n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. De acordo com a nova pol\u00edtica de n\u00e3o deixar vest\u00edgios, estabelecida na reuni\u00e3o entre o presidente M\u00e9dici e seu sucessor, Ernesto Geisel, em 1973, a partir do final daquele ano, os cinco militares participaram, em ocasi\u00f5es distintas, das principais opera\u00e7\u00f5es que resultaram na pris\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de guerrilheiros e militantes de esquerda. Estes homens sabem, mas n\u00e3o revelam, os locais dos cemit\u00e9rios clandestinos que as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos tentam encontrar desde o in\u00edcio dos anos 80. Os assassinatos, torturas e oculta\u00e7\u00f5es de cad\u00e1veres que teriam sido praticados por eles foram relatados a ISTO\u00c9, a partir de janeiro deste ano, pelo ex-sargento Marival Chaves, que de 1967 a 1985 trabalhou nos principais \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o do Ex\u00e9rcito Brasileiro: no DOI-Codi de S\u00e3o Paulo (at\u00e9 1976); nos Batalh\u00f5es de Infantaria de Selva, de Imperatriz e de Manaus (de 1977 a 1980); e no CIE (de 1981 a 1985). \u201cResolvi entregar os nomes porque n\u00e3o levo o crime desses monstros para o t\u00famulo\u201d, diz. Aos que pensam em vingan\u00e7a, Marival manda um recado: \u201cDeixei o nome das pessoas que podem atentar contra a minha integridade f\u00edsica em tr\u00eas lugares diferentes. Um deles \u00e9 um policial militar que atuava na Casa de Petr\u00f3polis e tem nome de p\u00e1ssaro.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Revolucion\u00e1rios Eternamente<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doutores do mal: F\u00e9lix Freire (\u00e0 esq.), Aldir Maciel (ao lado) e Jos\u00e9 Brant (\u00e0 dir.) s\u00e3o os homens que se destacaram nos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o pela frieza e morbidez receberam licen\u00e7a do governo para matar e ocultar cad\u00e1veres de militantes do PCdoB, da AP, da VPR, do PCB &#8211; Por Amaury Ribeiro Jr.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1451"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1451"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1451\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}