{"id":1464,"date":"2012-07-10T17:20:54","date_gmt":"2012-07-10T17:20:54","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/10\/estela-de-carlotto-qeles-nao-olham-nos-olhosq-2\/"},"modified":"2012-07-10T17:20:54","modified_gmt":"2012-07-10T17:20:54","slug":"estela-de-carlotto-qeles-nao-olham-nos-olhosq-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/10\/estela-de-carlotto-qeles-nao-olham-nos-olhosq-2\/","title":{"rendered":"Estela de Carlotto: &#8220;Eles n\u00e3o olham nos olhos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao jornal P\u00e1gina\/12, a presidenta das Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maior fala sobre as senten\u00e7as contra nove repressoes pelo roubo de crian\u00e7as durante a ditadura argentina. Estela De Carlotto destaca que ficou provado que os roubos de crian\u00e7as foram uma pr\u00e1tica sistem\u00e1tica duran te a ditadura e afirma que se decepcionou com o tamanho de algumas penas. Tamb\u00e9m contou como foi o momento de escutar a senten\u00e7a frente aos repressores: \u201cEles n\u00e3o falam, n\u00e3o olham, n\u00e3o gesticulam, n\u00e3o demonstram emo\u00e7\u00f5es, nem arrependimento&#8221;.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua escrivaninha est\u00e1 cheia de coisas, mas nada est\u00e1 ali sem uma raz\u00e3o. H\u00e1 presentes, como a pequena virgem de Itat\u00ed ou os dois retratos seus feitos com canetinhas coloridas por crian\u00e7as de seis anos de uma escola que visitou h\u00e1 alguns dias. Tem fotos, entre as quais se distingue uma com sua fam\u00edlia em seu anivers\u00e1rio de oitenta e outra na qual segura Tania, a filha do neto recuperado e agora deputado federal Horacio Pietragalla. O retrato de sua filha Laura, sequestrada em novembro de 1977, quando estava gr\u00e1vida de dois meses e meio, est\u00e1 pendurado na parede, perto de um dos primeiros cartazes das Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio, onde se v\u00ea uma margarida na qual faltam algumas p\u00e9talas. \u201ccrian\u00e7as desaparecidas. Procuremo-las\u201d, diz o cartaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de um dia intenso, de reuni\u00f5es e visitas a programas de televis\u00e3o, Estela de Carlotto refletiu falou ao P\u00e1gina\/12 sobre a senten\u00e7a com a qual a Justi\u00e7a deu por provada a exist\u00eancia de um plano sistem\u00e1tico de roubo de crian\u00e7as durante a \u00faltima ditadura. Embora tenha criticado algumas penas que lhe pareceram baixas (houve duas absolvi\u00e7\u00f5es e penas que v\u00e3o dos 50 anos a Jorge Rafael Videla, at\u00e9 cinco anos, para Susana Colombo, apropriadora de um menino) afirmou que prefere ver \u201co copo meio cheio\u201d e que o processo \u201chierarquiza a Argentina\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m contou como foi o momento de escutar a senten\u00e7a frente aos repressores: \u201cEles n\u00e3o falam, n\u00e3o olham, n\u00e3o gesticulam, n\u00e3o demonstram emo\u00e7\u00f5es, nem arrependimento, nem nada do que humanamente se pode esperar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Qual \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Os cinquenta anos de pena para Videla nos impactaram. \u00c9 a primeira vez que se d\u00e1 uma cifra dessa magnitude. Tamb\u00e9m houve penas de 40 e 30 anos. O que nos decepcionou foi a pena baixa que tiveram os demais. O outro fato muito bom para destacar foi o reconhecimento expl\u00edcito que fazem da exist\u00eancia de um plano sistem\u00e1tico para o sequestro de beb\u00eas que se p\u00f4s em pr\u00e1tica. A senten\u00e7a afian\u00e7a e determina isto para sempre. Portanto, em todos os processos que vamos fazer daqui para frente, isso j\u00e1 n\u00e3o se discute. H\u00e1 que lembrar que n\u00f3s come\u00e7amos isto em 1996. Um grupo de Av\u00f3s, com tr\u00eas advogados, iniciamos esta demanda na Justi\u00e7a porque v\u00edamos que havia um plano. Hav\u00edamos querido provar durante o processo contra os comandantes e nos disseram que n\u00e3o havia elementos. Come\u00e7amos h\u00e1 muitos anos e nunca deixamos de recorrer \u00e0 Justi\u00e7a. Agora conseguimos um resultado satisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A senten\u00e7a \u00e9 melhor que ruim ou pior que boa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 \u00c9 melhor que ruim. Digo essa frase que \u00e9 t\u00e3o comum agora, que \u00e9 melhor ver o copo meio cheio e n\u00e3o o copo meio vazio. Existe um copo meio vazio, mas o copo meio cheio \u00e9 muito bom. \u00c0s penas baixas se pode recorrer e tamb\u00e9m, os r\u00e9us est\u00e3o envolvidos em outros processos, nos quais tamb\u00e9m v\u00e3o ser julgados e condenados. Por exemplo, nos surpreendeu que (Eduardo) Ruffo (repressor do centro clandestino Automotores Orletti) fosse absolvido, ainda que n\u00e3o fosse decretada sua liberdade porque est\u00e1 implicado em outros casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Como foi o momento no qual voc\u00ea escutou a senten\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Foi muito chocante. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que me choca muito, humanamente. Quando entram esses velhos corcundas algemados eu abstraio sobre quem estou vendo, me parece t\u00e3o humilhante ter algemas para um ser humano&#8230; que lhe atem as m\u00e3os. Me despojo de quem s\u00e3o e penso: \u201cque vergonha, que humilha\u00e7\u00e3o\u201d. Mas depois digo: \u201cque bom\u201d. Isso \u00e9 pouco perto do que eles fizeram. N\u00e3o tem que ter d\u00f3 nem piedade, s\u00e3o rostos totalmente petrificados, p\u00e9treos. Perguntaram-me se eu tinha olhado nos seus olhos. Nem me ocorreu tal coisa, mas, tamb\u00e9m, eles n\u00e3o olham nos olhos. Eles n\u00e3o falam, n\u00e3o olham, n\u00e3o gesticulam, n\u00e3o demonstram emo\u00e7\u00f5es, nem arrependimento, nem nada que de humanamente se possa esperar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 De fato, a \u00faltima que Videla disse no processo foi que as mulheres gr\u00e1vidas usavam seus filhos por nascer como escudos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Quando vi o que havia dito este animal, porque outra cosa n\u00e3o me sai&#8230; ainda diz que respeita as m\u00e3es. Mas que respeito, n\u00e3o? Se assim respeitou a sua m\u00e3e&#8230; Dizer que estas mulheres, \u201csubversivas\u201d como ele as chamou, usavam os filhos como escudos, dizer isso das jovens que eles mataram, que tinham o valor de lutar por um pa\u00eds melhor, com riscos, tinham um projeto de vida no qual estava esse filho. Eu logo lembrei de Laura, e pensei: \u201cn\u00e3o pode se defender, portanto me ofendo eu com essas palavras\u201d. Me machucaram, me ofenderam, me enfureceram. Laura esteve nove meses sequestrada. Ali nasceu seu menino. Ela estava em uma maca, as liberadas contaram. Estava presa, atada, como estavam todas. Teve o beb\u00ea, o tiraram, lhe disseram que iam d\u00e1-lo a mim e nunca me deram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Laura havia perdido dois beb\u00eas com seu primeiro companheiro, at\u00e9 de seis meses de gravidez. E eu pensava&#8230; mal alimentada, torturada, o que vai acontecer. E, entretanto, o beb\u00ea nasceu em tempo e saud\u00e1vel, porque assim o viu ela e o disse \u00e0s companheiras. E a mataram dois meses depois de dar a luz. Este personagem n\u00e3o tem perd\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada de bom para dizer, para mim \u00e9 um dem\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O triste \u00e9 que \u00e9 um ser humano o que fez essas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Eu acho que s\u00f3 tem o semblante, nada mais. N\u00e3o consigo imagin\u00e1-lo com<br \/>seus seres familiares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Quais penas lhe pareceram baixas, a do m\u00e9dico Jorge Luis Magnacco, parteiro da ESMA (10 anos), a de Colombo, a apropriadora de Francisco Madariaga (cinco anos)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Todas me pareceram baixas. Os advogados v\u00e3o estudar os argumentos para ver que atitude tomar. Com a mulher, a apropriadora de Francisco, acontece o que aconteceu com todas as mulheres, que em geral n\u00e3o foram presas, as consideraram v\u00edtimas do apropriador. S\u00e3o classificadas mais como v\u00edtimas do que como vitimadoras. Nunca houve uma pena forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Ela argumenta que (V\u00edctor Gallo), o apropriador, lhe batia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Coisa que \u00e9 poss\u00edvel. Ao Francisco, que, pobrezinho, fugiu aos 16 anos para salvar sua vida, ele lhe dava um rev\u00f3lver para que fizesse guarda, quando o menino n\u00e3o sabia nem manej\u00e1-lo. Era muito violento o homem e a mulher pode ter sido v\u00edtima. Mas isso n\u00e3o a libera. O fato de ter se apropriado de uma crian\u00e7a \u00e9 um delito grave. N\u00e3o a libera da responsabilidade de, por consci\u00eancia, ter criado um filho que n\u00e3o era pr\u00f3prio, registr\u00e1-lo como nascido dela e nunca t\u00ea-lo ajudado a libertar-se, ainda que seja escondido do homem. N\u00e3o teve a coragem ou n\u00e3o quis faz\u00ea-lo, isso s\u00f3 ela saber\u00e1. A Justi\u00e7a n\u00e3o pode considerar que n\u00e3o \u00e9 culpada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Acha que seria necess\u00e1rio fazer uma reforma para elevar as penas previstas por delitos de apropria\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as ou com as ferramentas que h\u00e1 chega, mas os ju\u00edzes n\u00e3o as usam?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Acho que tem que modificar algo, porque sempre sofremos esta ang\u00fastia de que as penas para os apropriadores de nossos netos eram muito baixas. O roubo de beb\u00eas n\u00e3o est\u00e1 qualificado como um delito grave. Em todos os casos \u00e9 grav\u00edssimo, mas neste caso particular \u00e9 muito mais grave ainda, porque foi mediante o terrorismo de Estado. H\u00e1 um delito de apropria\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as quando a uma m\u00e3e, em uma cl\u00ednica, lhe dizem que seu pequeno morreu e n\u00e3o \u00e9 verdade e o deram a outra pessoa. O delito \u00e9 muito grave. Mas aqui o delito est\u00e1 ligado \u00e0 morte da m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Quer dizer que n\u00e3o se leva em conta que a apropria\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada a um homic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Exatamente. Aqui h\u00e1 um delito que n\u00e3o prescreve, que \u00e9 de lesa humanidade. Estes casos deveriam ter mais anos de castigo. At\u00e9 agora n\u00e3o pedimos especificamente, apesar de sempre nos queixarmos de que roubar uma crian\u00e7a parece que \u00e9 menos grave que roubar uma vaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Voc\u00ea disse que quando Videla falou se lembrou da sua filha. Depois de declarar tantas vezes o testemunho se transforma em um tr\u00e2mite mais ou sempre mobiliza?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sempre mobiliza porque se est\u00e1 falando de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Enquanto trabalho aqui e falo, como estou fazendo agora, me despojo um pouco dessa hist\u00f3ria para ser a presidenta da institui\u00e7\u00e3o Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio. Quando tenho que ir testemunhar sou a m\u00e3e da Laura e a hist\u00f3ria se materializa, tenho que falar dela, me perguntam sobre sua vida, sua milit\u00e2ncia e isso me leva a lembrar coisas, inclusive coisas que aparentemente havia me esquecido. Ou seja, \u00e9 remexer na ferida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Ent\u00e3o, como m\u00e3e da Laura, que pensou quando escutou a senten\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Como Av\u00f3 da Pra\u00e7a de Maio, como argentina, como m\u00e3e da Laura, me senti muito bem. Me pareceu correto, sobretudo esses aspectos importantes dos quais falamos. Disse: \u201cmiss\u00e3o cumprida\u201d. \u00c9 a satisfa\u00e7\u00e3o da coisa feita. Me senti muito emocionada. Francisco, que estava ao meu lado, chorou muit\u00edssimo. Acho que, al\u00e9m dos anos que lhes deram, sentiu que finalmente foram condenados, seu rosto se contraiu, foi o impacto de que essa pessoa recebeu um castigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O fato de que Videla foi condenado usando a lei Blumberg, lhe provoca algum tipo de contradi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Quando disseram que \u00edamos pedir 50 anos pela lei Blumberg n\u00e3o gostei. Disse: \u201cn\u00e3o queremos essa lei\u201d. \u00c9 de um personagem que \u00e9 uma fraude, que queria vingan\u00e7a ou sei l\u00e1 o que queria&#8230; mas depois me fizeram ver que, j\u00e1 que a lei existia e se podia usar, havia que us\u00e1-la para evitar que Videla recuperasse sua liberdade. Essa foi a estrat\u00e9gia, usar as ferramentas para que o homem n\u00e3o recupere a liberdade. Agora vai ficar na cadeia at\u00e9 o fim de seus dias. O que nos d\u00e1 satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 que, sem d\u00favida, a Argentina e nosso governo se hierarquizam com o processo. A Argentina assume o papel de l\u00edder no tema e de vanguarda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 \u00c9 importante que se d\u00ea por provado na senten\u00e7a o sequestro das crian\u00e7as que n\u00e3o foram encontradas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 No come\u00e7o nos diziam que eles n\u00e3o tinham entidade jur\u00eddica. Para a Justi\u00e7a n\u00e3o haviam nascido, n\u00e3o tinham nome, n\u00e3o pod\u00edamos levar certid\u00e3o de nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o consideravam os sequestros das crian\u00e7as nascidas em cativeiro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Nos recursos de habeas corpus coloc\u00e1vamos as crian\u00e7as por nascer, mas nos diziam que essa pessoa n\u00e3o existia, que n\u00e3o se sabia se havia nascido ou n\u00e3o. Mas isso era antes. Agora j\u00e1 se aceita. E agora est\u00e1 provado que s\u00e3o pessoas v\u00edtimas. \u00c9 muito importante. Se reconhece a realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Que mudan\u00e7as houveram na Justi\u00e7a e na sociedade desde que se fez a den\u00fancia em 1996 at\u00e9 agora?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013H\u00e1 um caminho que percorremos nestes 35 anos nos quais fizemos doc\u00eancia e que nos demonstra que as pessoas v\u00e3o tomando consci\u00eancia de que a ditadura afetou a todos, que as crian\u00e7as desaparecidas s\u00e3o de todos e os adultos tamb\u00e9m. Ainda que n\u00e3o seja um familiar, pode ser um vizinho, algu\u00e9m que caminhou pelas mesmas ruas, que o cumprimentava todos os dias, que ia fazer as compras no mesmo mercado. Isso est\u00e1 instalado. Da\u00ed vem a solidariedade que nos manifestam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Procura seu neto Guido em jovens de sua idade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o, ainda que me sobressalte com o nome Guido sempre, mas agora \u00e9 bastante comum. Sobressalto-me e pergunto: \u201cque idade tem\u201d. Tem vezes que me trazem dados que podem coincidir com meu neto, mas trato de n\u00e3o me animar. N\u00e3o \u00e9 bom agarrar-se a algo que \u00e9 uma possibilidade, nada mais. A decep\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande. Esse n\u00e3o \u00e9 meu temperamento, meu temperamento \u00e9 mais frio, para ter a cabe\u00e7a bem posta e poder seguir fazendo coisas. Nunca digo quando encontramos um neto: \u201cpor que ela e n\u00e3o eu?\u201d. Jamais. Sempre \u00e9 uma sorte ter mais um neto e \u00e9 como se fosse meu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Carta Maior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista ao jornal P\u00e1gina\/12, a presidenta das Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maior fala sobre as senten\u00e7as contra nove repressoes pelo roubo de crian\u00e7as durante a ditadura argentina. 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