{"id":1510,"date":"2012-07-11T22:51:13","date_gmt":"2012-07-11T22:51:13","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/11\/comissao-da-verdade-na-unb-2\/"},"modified":"2012-07-11T22:51:13","modified_gmt":"2012-07-11T22:51:13","slug":"comissao-da-verdade-na-unb-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/11\/comissao-da-verdade-na-unb-2\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade na UnB"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Universidade de Bras\u00edlia institui grupo com o objetivo de esclarecer epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra a comunidade acad\u00eamica durante a didatura militar. Desvendar o desaparecimento de alunos \u00e9 o principal foco do trabalho<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Testemunhas da repress\u00e3o no c\u00e2mpus entre 1964 e 1984 devem ser ouvidas pela comiss\u00e3o da UnB  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Universidade de Bras\u00edlia (UnB) vai remexer o seu passado. Em 15 dias, um grupo de professores e historiadores se reunir\u00e1 para esmiu\u00e7ar documentos engavetados que podem revelar detalhes da violenta repress\u00e3o sofrida pela comunidade acad\u00eamica durante o regime militar. Testemunhas ser\u00e3o convidadas a contar o que viram e ouviram entre 1964 e 1984. O projeto, batizado de Comiss\u00e3o da Verdade da UnB, ter\u00e1 duas abordagens. Uma pretende desvendar o desaparecimento de l\u00edderes estudantis no per\u00edodo da ditadura e investigar epis\u00f3dios de tortura contra servidores. A segunda visa resgatar a hist\u00f3ria de uma das maiores institui\u00e7\u00f5es de ensino do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Alguns estudantes da UnB se tornaram s\u00edmbolos de luta e a hist\u00f3ria deles pode iluminar o futuro dos jovens de hoje que n\u00e3o conhecem a fundo o que se passou naquele dif\u00edcil per\u00edodo&#8221;, afirmou o professor da Faculdade de Direito Cristiano Paix\u00e3o, um dos entusiastas da proposta. A conclus\u00e3o do trabalho auxiliar\u00e1, ainda, a Comiss\u00e3o da Verdade em \u00e2mbito nacional, instalada em maio \u00faltimo a fim de apurar viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos cometidos nos anos de chumbo. &#8220;Esse grupo tem sete membros e apenas dois anos para investigar tudo entre 1946 e 1988. \u00c9 pouco tempo. A UnB foi alvo direto da ditadura, era vista como uma amea\u00e7a e, por essa raz\u00e3o, existem quest\u00f5es que ainda n\u00e3o foram completamente entendidas&#8221;, destacou Paix\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma das prioridades do colegiado da universidade \u00e9 esclarecer o que houve com Honestino Guimar\u00e3es, aluno do curso de geologia e um dos principais opositores do regime. Ele foi visto pela \u00faltima vez em outubro de 1973, ap\u00f3s ser descoberto, no Rio de Janeiro, por homens do Centro de Informa\u00e7\u00e3o da Marinha. Honestino passou a viver na clandestinidade na capital carioca em 1968, depois de ser preso diversas vezes em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ele era acusado por arapongas do governo de &#8220;promover e orientar a a\u00e7\u00e3o subversiva na UnB e ser o respons\u00e1vel por todas as crises por que tem passado a UnB. Um agitador contumaz e pernicioso ao ambiente universit\u00e1rio&#8221;. O texto consta em arquivos secretos do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), publicados com exclusividade pelo Correio em abril \u00faltimo. Ele foi declarado desaparecido pol\u00edtico, dado oficialmente como morto em 1994, mesmo que o corpo nunca tenha aparecido. &#8220;Esclarecer o que houve com Honestino, Paulo de Tarso e Ieda Delgado ser\u00e1 uma quest\u00e3o de honra para a UnB&#8221;, destacou Cristiano Paix\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Primeiras tarefas<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>No fim da tarde de ontem, Cristiano Paix\u00e3o e o reitor da UnB, Jos\u00e9 Geraldo de Sousa J\u00fanior, se encontraram para discutir o assunto. Nos pr\u00f3ximos dias, devem ser definidos os integrantes da comiss\u00e3o. O Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE) ser\u00e1 convidado a participar do processo. Tamb\u00e9m em breve ser\u00e3o distribu\u00eddas as primeiras tarefas do grupo. &#8220;A comunidade acad\u00eamica est\u00e1 se mobilizando bastante em torno desse tema, pois todos entendem que se trata de uma quest\u00e3o de restaurar a dignidade violada e, sobretudo, de n\u00e3o permitir que fatos como esse se percam na obscuridade do passado&#8221;, frisou Jos\u00e9 Geraldo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O reitor destacou ainda que a Comiss\u00e3o da Verdade da UnB pretende consultar reportagens publicadas pelo Correio Braziliense nos \u00faltimos anos sobre a repress\u00e3o da ditadura nas universidades federais. &#8220;O jornal, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, prestou um grande servi\u00e7o \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 hist\u00f3ria do Brasil. Muitos textos revelaram fatos da ditadura na universidade que nem eu conhecia. Certamente, eles nos ajudar\u00e3o a consolidar o trabalho da comiss\u00e3o&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O senador Cristovam Buarque (PDT), primeiro reitor eleito pela comunidade universit\u00e1ria, em 1984, considerou fundamental o passo dado pela atual administra\u00e7\u00e3o na tentativa de trazer \u00e0 tona fatos do passado. &#8220;\u00c9 totalmente relevante o que o atual reitor est\u00e1 fazendo, pois, na universidade, formamos historiadores. N\u00e3o podemos admitir que passagens t\u00e3o importantes da UnB permane\u00e7am no campo do desconhecimento. Eu lamento n\u00e3o ter feito isso na minha gest\u00e3o, mas est\u00e1vamos no come\u00e7o da democracia, tendo em vista que n\u00e3o era f\u00e1cil aprovar um projeto t\u00e3o ousado \u00e0 \u00e9poca&#8221;, destacou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Reportagens do Correio subsidiar\u00e3o o trabalho da equipe<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sumi\u00e7o<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Paulo de Tarso e Ieda Delgado foram alunos do curso de direito da UnB na d\u00e9cada de 1960. Ieda formou-se em 1969, e Paulo \u2014 que inclusive presidiu a Federa\u00e7\u00e3o dos Estudantes da UnB (Feub), \u00f3rg\u00e3o substitu\u00eddo pelo DCE\u2014, em 1971. Ambos foram militantes da Alian\u00e7a Nacional Libertadora, um dos grupos mais agressivos e atuantes entre as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. Ele desapareceu em 1971 e Ieda em 1974.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Universidade de Bras\u00edlia institui grupo com o objetivo de esclarecer epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra a comunidade acad\u00eamica durante a didatura militar. 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