{"id":1516,"date":"2012-07-12T17:37:19","date_gmt":"2012-07-12T17:37:19","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/12\/decadas-depois-operacao-condor-ainda-gera-polemica-2\/"},"modified":"2012-07-12T17:37:19","modified_gmt":"2012-07-12T17:37:19","slug":"decadas-depois-operacao-condor-ainda-gera-polemica-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/12\/decadas-depois-operacao-condor-ainda-gera-polemica-2\/","title":{"rendered":"D\u00e9cadas depois, Opera\u00e7\u00e3o Condor ainda gera pol\u00eamica"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Considerada a maior opera\u00e7\u00e3o de terrorismo de estado praticada contra a popula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, a Opera\u00e7\u00e3o Condor ainda est\u00e1 envolta em controv\u00e9rsia. Os pontos mais obscuros s\u00e3o a data efetiva do in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, o grau de participa\u00e7\u00e3o dos EUA. O consenso \u00e9 que a opera\u00e7\u00e3o foi oficializada em reuni\u00e3o realizada no Chile, em 1975. Assinam sua ata de funda\u00e7\u00e3o representantes dos governos de Argentina, Paraguai, Uruguai, Bol\u00edvia e Chile.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Cerca de quarto d\u00e9cadas se passaram e a Opera\u00e7\u00e3o Condor continua gerando controv\u00e9rsias. H\u00e1 pol\u00eamica, por exemplo, sobre o in\u00edcio efetivo da articula\u00e7\u00e3o que criou uma esp\u00e9cie de estado paralelo na Am\u00e9rica Latina, com licen\u00e7a para matar os opositores dos regimes ditatoriais. E tamb\u00e9m sobre o grau efetivo de participa\u00e7\u00e3o efetiva dos Estados Unidos, a pot\u00eancia mundial, e do Brasil, o \u201csubimp\u00e9rio da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"> <br \/> <\/span>O consenso \u00e9 que a opera\u00e7\u00e3o foi oficializada em reuni\u00e3o realizada em Santiago, no Chile, em 1975. Assinam sua ata de funda\u00e7\u00e3o representantes dos governos ditatoriais de Argentina, Paraguai, Uruguai, Bol\u00edvia e Chile. Entretanto, o presidente do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos de Porto Alegre, Jair Krischke, defende que, apesar de n\u00e3o constar na ata, o Brasil foi o criador do pacto. E alguns anos antes.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Segundo ele, h\u00e1 documentos que comprovam as pris\u00f5es de dois militantes\u00a0<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>brasileiros na Argentina, em 1970 e 1971, respectivamente. O primeiro deles \u00e9 o coronel Jefferson Cardin, l\u00edder da primeira a\u00e7\u00e3o de guerrilha contra o golpe de 1964. O outro \u00e9 o jornalista Edmur P\u00e9ricles Camargo, cujo desparecimento for\u00e7ado em solo argentino antes do in\u00edcio da vig\u00eancia do pacto foi denunciado com exclusividade pela Carta Maior.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O advogado, professor e ativista paraguaio Martin Almada acredito que o marco inicial \u00e9 ainda anterior. Para ele, o golpe de estado, no Brasil, que dep\u00f4s Jo\u00e3o Goulart, em 1964, iniciou a primeira fase da Opera\u00e7\u00e3o Condor, quando a intera\u00e7\u00e3o entre os aparatos repressivos dos estados envolvidos ainda se dava de forma bilateral. S\u00f3 mais tarde, com a instala\u00e7\u00e3o de ditaduras militares nos demais pa\u00edses, se tornaria multilateral.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O m\u00e9dico, professor e escritor Paraguaio, Alfredo Boccia Paz, minimiza a participa\u00e7\u00e3o do Brasil no pacto, com base na falta de documenta\u00e7\u00e3o comprobat\u00f3ria.\u00a0<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Entretanto, o jornalista Luiz Cl\u00e1udio Cunha, pesquisador do tema, afirma que dois brasileiros estiveram presentes \u00e0 reuni\u00e3o de Santiago, embora tenham tido o cuidado hist\u00f3rico de n\u00e3o assinar a ata, por ordem do ent\u00e3o presidente Geisel: Fl\u00e1vio de Marco e Thaumaturgo Sotero Vaz. Ambos agentes do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE), militares veteranos, ex-combatentes da Guerrilha do Araguaia.\u00a0<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A diretora do Programa de Estudos sobre a Am\u00e9rica Latina da Long Island University de Nova Iorque, Patrice McSherry, acredita que a Condor teve in\u00edcio, de fato, entre 1973 e 1974, com o in\u00edcio das confer\u00eancias dos ex\u00e9rcitos americanos, patrocinadas pelos Estados Unidos, com o objetivo de proteger o continente das a\u00e7\u00f5es do comunismo internacional. \u201cA Condor come\u00e7ou como aparato paralelo, mais formalizado, entre 73 e 74. Antes havia interc\u00e2mbios entre os ex\u00e9rcitos, mas n\u00e3o era uma a\u00e7\u00e3o t\u00e3o organizada\u201d, afirmou.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Segundo ela, a opera\u00e7\u00e3o foi articulada como com o objetivo de unificar as for\u00e7as militares para impedir que governos esquerdistas chegassem ao poder e para exterminar os movimentos de esquerda. \u201cO sistema transnacional da Condor silenciou at\u00e9 mesmo os indiv\u00edduos que haviam conseguido escapar das ditaduras dos seus pa\u00edses\u201d, disse.\u00a0<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A pesquisadora norte-americana atesta, tamb\u00e9m, que a participa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos \u00e9 evidente. Documentos j\u00e1 desclassificados pela CIA comprovam que o pa\u00eds foi respons\u00e1vel, por exemplo, por fornecer um sistema de comunica\u00e7\u00e3o codificado, com base no Panam\u00e1, que permitia a r\u00e1pida e eficiente troca de informa\u00e7\u00f5es entre as ditaduras. \u201cOs Estados Unidos tinham conhecimento de todo o conte\u00fado das conversas\u201d, afirma.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Ela afirma, ainda, que pr\u00f3pria estrutura da opera\u00e7\u00e3o foi montada de modo a dificuldar investigar posteriores e, assim, garantir a impunidade dos seus executores. \u201cA Condor criou um estado paralelo, com ve\u00edculos e aparatos sem identifica\u00e7\u00e3o, centros de tortura e cemit\u00e9rios clandestinos, uma estrutura de comunica\u00e7\u00e3o coficada, utiliza\u00e7\u00e3o de espi\u00f5es civis e esquadr\u00f5es da morte paramilitares\u201d, relatou.\u00a0<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Entretanto, tanto ela quanto v\u00e1rios outros participantes ressaltaram que, apesar dos cuidados para manter os aparatos repressivos fora da estruturas regulares dos governos, h\u00e1 registros dispon\u00edveis que podem ajudar a esclarecer os fatos, como os documentos j\u00e1 desclassificados pela CIA que tratam do apoio norte-americano \u00e0s ditaduras da Am\u00e9rica do Sul. Ou mesmo os documentos do chamado \u201cArquivo do Terror\u201d, descobertos no Paraguai pelo ativista Martin Almada, que tamb\u00e9m participou do evento.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p4\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Carta Capital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerada a maior opera\u00e7\u00e3o de terrorismo de estado praticada contra a popula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, a Opera\u00e7\u00e3o Condor ainda est\u00e1 envolta em controv\u00e9rsia. Os pontos mais obscuros s\u00e3o a data efetiva do in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, o grau de participa\u00e7\u00e3o dos EUA. 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