{"id":1539,"date":"2012-07-12T19:19:56","date_gmt":"2012-07-12T19:19:56","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/12\/militares-no-caso-ana-lidia-2\/"},"modified":"2012-07-12T19:19:56","modified_gmt":"2012-07-12T19:19:56","slug":"militares-no-caso-ana-lidia-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/12\/militares-no-caso-ana-lidia-2\/","title":{"rendered":"Militares no caso Ana L\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Documentos apontam que agentes do Estado ignoraram as suspeitas de que o filho do ministro da Justi\u00e7a na \u00e9poca estava envolvido no brutal assassinato da menina de 7 anos em 1973. Arquivos revelam investiga\u00e7\u00e3o paralela do governo  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O caso policial que mais chocou os moradores de Bras\u00edlia foi investigado pelos militares durante a ditadura. Documentos que fazem parte do acervo da Aeron\u00e1utica, obtidos pelo Correio, revelam que integrantes do regime militar, ao apurar o assassinato da menina Ana L\u00eddia Braga, em 1973, rejeitaram as evid\u00eancias de envolvimento de Alfredo Buzaid J\u00fanior, filho do ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Alfredo Buzaid, alegando que a inclus\u00e3o do nome do rapaz na investiga\u00e7\u00e3o tratava-se de &#8220;manobra de grupos a servi\u00e7o da subvers\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O argumento usado para isentar o filho do ministro da Justi\u00e7a do governo M\u00e9dici foi o depoimento de um servidor, identificado como Jos\u00e9 Martin, prestado ao Servi\u00e7o de Seguran\u00e7a do Minist\u00e9rio da Aeron\u00e1utica em 24 de setembro de 1973. Doze dias depois de o corpo da menina de 7 anos ter sido encontrado com marcas de tortura e viol\u00eancia sexual, Jos\u00e9 Martin declarou aos militares que acompanhou Buzaid J\u00fanior ao m\u00e9dico e tamb\u00e9m durante atividades escolares e de rotina da fam\u00edlia na v\u00e9spera e no dia do crime. O filho do ministro figurou \u00e0 \u00e9poca do hediondo assassinato como o suposto respons\u00e1vel por manter a crian\u00e7a sob c\u00e1rcere ap\u00f3s a menina ter sido sequestrada da escola, na tarde de 11 de setembro de 1973. O irm\u00e3o de Ana L\u00eddia, \u00c1lvaro Henrique Braga, foi acusado de ter retirado a crian\u00e7a do col\u00e9gio para entreg\u00e1-la como pr\u00eamio a viciados para pagar d\u00edvida de drogas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Martin era, de acordo com as qualifica\u00e7\u00f5es dos militares, o motorista respons\u00e1vel por servir \u00e0 fam\u00edlia do ex-ministro da Justi\u00e7a. Em seu depoimento, ele afirma que Buzaid J\u00fanior sofreu um acidente de kart na v\u00e9spera do crime que tirou a vida de Ana L\u00eddia e que acompanhou o rapaz no hospital por tr\u00eas vezes em 10 e 11 de setembro de 1973. &#8220;Foi atendido no Hospital Santa L\u00facia pelo Dr. Geraldo Vasconcellos, que colocou aparelho de gesso no bra\u00e7o. Na noite do dia 10, por volta das 20h, a m\u00e3o direita passou a inchar. Com seus pais, foi ent\u00e3o ao Hospital das Pioneiras Sociais, sendo naquela ocasi\u00e3o atendido pelo mesmo doutor Geraldo Vasconcellos que, retirando o aparelho anteriormente posto, colocou uma tala, imobilizando o bra\u00e7o com gase e ataduras, marcando para o dia seguinte, 11 de setembro, \u00e0s 11h nova consulta ao Hospital Santa L\u00facia. A\u00ed ent\u00e3o, ap\u00f3s radiografar o bra\u00e7o, o referido m\u00e9dico colocou novo gesso e determinou que o mesmo s\u00f3 fosse retirado ap\u00f3s tr\u00eas semanas&#8221;, relatou o motorista, acrescentando que, na noite do crime, levou e buscou o filho do ministro a um cursinho pr\u00e9-vestibular na Asa Sul, reafirmando o \u00e1libi.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Informes<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No acervo do Arquivo Nacional tamb\u00e9m h\u00e1 fragmentos da investiga\u00e7\u00e3o paralela realizada pelo pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Apesar de o caso ser da al\u00e7ada da pol\u00edcia brasiliense, os militares enviaram informes a se\u00e7\u00f5es regionais da Divis\u00e3o de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00f5es (DSI) em diversos estados. &#8220;Em Bras\u00edlia, no dia 11\/9\/73, foi raptada e morta a menor Ana L\u00eddia Braga, de 7 anos de idade, filha de \u00c1lvaro Braga e Eloysa Braga, cuja autoria ainda permanece desconhecida. Foram acionadas as nossas cong\u00eaneres dos estados e informaremos a essa DSI dos fatos que vierem a ser apurados com refer\u00eancia ao assunto.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na apura\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, um depoimento de Buzaid J\u00fanior informando suas atividades no dia do crime foi tomado por carta precat\u00f3ria e integra o acervo do Arquivo Nacional. Em 1975, uma servidora do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores lotada na Divis\u00e3o de Transmiss\u00f5es Internacionais, identificada como Celina, obteve informa\u00e7\u00f5es sigilosas a respeito da morte de Ana L\u00eddia por um policial que participou das investiga\u00e7\u00f5es. No informe dos militares, que faz parte dos arquivos do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), em vez de detalhar as pistas que a servidora tinha sobre o crime, os militares pontuam que a mulher e uma amiga &#8220;costumam fazer programas com deputados do MDB&#8221;, desqualificando a testemunha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;(&#8230;) grupos a servi\u00e7o da subvers\u00e3o, que aproveitaram a ocorr\u00eancia para lan\u00e7ar acusa\u00e7\u00f5es falsas e desgastar nomes de figuras do atual governo&#8221;<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Trecho de documento do Minist\u00e9rio da Aeron\u00e1utica sobre investiga\u00e7\u00e3o contra Buzaid Jr.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Itamaraty libera arquivos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em reuni\u00e3o ontem com a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Antonio Patriota, colocou o Itamaraty \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para colaborar com as requisi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. Segundo ele, quatro toneladas de documentos j\u00e1 foram encaminhadas ao Arquivo Nacional, todos em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 um material que nunca foi pesquisado. Poderemos investigar a rela\u00e7\u00e3o do Brasil com outros pa\u00edses que tinham regimes ditatoriais&#8221;, analisou o coordenador do colegiado, ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) Gilson Dipp.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Viol\u00eancia\u00a0 impune<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Em 11 de setembro de 1973, um casal de funcion\u00e1rios p\u00fablicos deixou a filha de 7 anos, Ana L\u00eddia Braga (foto), no Col\u00e9gio Madre C\u00e1rmen Salles, na Asa Norte, por volta das 14h. Logo depois, &#8220;um homem alourado&#8221; deixou a escola com Ana L\u00eddia. A menina, tamb\u00e9m loira, parecia conhecer o rapaz. Na tarde do dia seguinte, o corpo da crian\u00e7a foi encontrado em um terreno da UnB com marcas de tortura e viol\u00eancia sexual. A causa da morte teria sido asfixia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Antes de o caso ser encoberto, as investiga\u00e7\u00f5es apontaram que Ana L\u00eddia teria sido levada pelo irm\u00e3o, \u00c1lvaro Henrique Braga, ent\u00e3o com 18 anos, ao s\u00edtio de um senador. L\u00e1, o filho do parlamentar, o filho do ministro da Justi\u00e7a \u00e0 \u00e9poca, Alfredo Buzaid J\u00fanior, e um traficante identificado como Raimundo Lacerda Duque teriam recebido a menina como uma esp\u00e9cie de pagamento por d\u00edvidas de drogas de \u00c1lvaro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Duque e \u00c1lvaro Henrique foram absolvidos por falta de provas. Ambos deixaram Bras\u00edlia ap\u00f3s o crime. O traficante se mudou para Goi\u00e1s e a fam\u00edlia da v\u00edtima foi para o Rio de Janeiro. Alfredo Buzaid J\u00fanior, que n\u00e3o chegou a ser indiciado, \u00e9 dado como morto desde 1975, vitimado em um suposto acidente de carro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o crime, o playground infantil no Parque da Cidade, batizado como Iolanda Costa, passou a ser chamado de Parque Ana L\u00eddia, nome oficializado em 1993, quando o crime prescreveu. At\u00e9 hoje, ningu\u00e9m foi punido pelo assassinato da crian\u00e7a. (JJ)<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documentos apontam que agentes do Estado ignoraram as suspeitas de que o filho do ministro da Justi\u00e7a na \u00e9poca estava envolvido no brutal assassinato da menina de 7 anos em 1973. 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