{"id":1552,"date":"2012-07-13T13:24:42","date_gmt":"2012-07-13T13:24:42","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/13\/a-discreta-acao-em-defesa-dos-perseguidos-pelas-ditaduras-2\/"},"modified":"2012-07-13T13:24:42","modified_gmt":"2012-07-13T13:24:42","slug":"a-discreta-acao-em-defesa-dos-perseguidos-pelas-ditaduras-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/13\/a-discreta-acao-em-defesa-dos-perseguidos-pelas-ditaduras-2\/","title":{"rendered":"A discreta a\u00e7\u00e3o em defesa dos perseguidos pelas ditaduras"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Uma das atua\u00e7\u00f5es de maior destaque da trajet\u00f3ria de dom Eugenio Sales foi quando, de maneira silenciosa, abrigou no Rio mais de quatro mil pessoas perseguidas pelos regimes militares do Cone Sul, entre 1976 e 1982. A maioria vinha da Argentina, mas havia tamb\u00e9m chilenos, uruguaios e paraguaios. Essa hist\u00f3ria veio \u00e0 tona numa s\u00e9rie de reportagens do GLOBO, assinadas pelo jornalista Jos\u00e9 Casado, em mar\u00e7o de 2008.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Discretamente, o cardeal cultivou rela\u00e7\u00f5es com os militares no poder no Brasil e ajudou a salvar vidas. O cap\u00edtulo inicial dessa hist\u00f3ria se desenrolou num fim de tarde do outono de 1976, quando um jovem bateu na porta do Pal\u00e1cio S\u00e3o Joaquim, escrit\u00f3rio e resid\u00eancia de dom Eugenio, na Gl\u00f3ria. Sem documentos, dizia-se refugiado do regime militar instaurado seis semanas antes na Argentina. Dom Eugenio contou ter vivido um conflito.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi um drama. Com o crucifixo na m\u00e3o, eu pensava: &#8220;Como cidad\u00e3o brasileiro, n\u00e3o posso receber montonero, tupamaro, aqueles refugiados que vinham (&#8230;) Em seguida, repensava: &#8220;Agora eu, como pastor, tenho o dever de receber&#8221;, relembrou ele em 2008.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O arcebispo pegou o telefone, um instrumento de trabalho fundamental \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos bastidores, e ligou para o general Sylvio Frota, ent\u00e3o ministro do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Chamei o Frota no telefone vermelho (&#8230;) e falei: &#8220;Frota, se voc\u00ea receber comunica\u00e7\u00e3o de que comunistas est\u00e3o abrigados no Pal\u00e1cio S\u00e3o Joaquim, de que estou protegendo comunistas, saiba que \u00e9 verdade, eu sou o respons\u00e1vel. Ponto final&#8221;, recordou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Esse gesto acabou se transformando numa grande opera\u00e7\u00e3o. Para dar conta de tantos pedidos de abrigo de refugiados pol\u00edticos, dom Eugenio autorizou o aluguel de quartos e depois apartamentos. Foram 80 im\u00f3veis alugados em 14 bairros da cidade, como Centro, Lapa, Flamengo, Copacabana e Botafogo. Dom Eugenio mandou abrir os cofres da Mitra e liberou dinheiro tamb\u00e9m para gastos pessoais, assist\u00eancia m\u00e9dica e aux\u00edlio jur\u00eddico. Em pouco tempo, o n\u00famero de foragidos das ditaduras do Cone Sul chegando ao Rio chegou a 15 por semana. Na \u00e9poca, o arcebispo s\u00f3 exigiu que se mantivesse sigilo absoluto sobre a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se eu anunciasse o que estava fazendo, n\u00e3o tinha chance. Muitos n\u00e3o concordavam, mas eu preferia dialogar e salvar&#8221;, disse. &#8220;Eu n\u00e3o tinha, nem nunca tive interesse em divulgar nada disso. Queria que as coisas funcionassem, e o caminho naquele momento era esse, o caminho de n\u00e3o pisar no p\u00e9 (do governo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ajuda tamb\u00e9m a presos brasileiros<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A ajuda aos perseguidos pol\u00edticos, no entanto, n\u00e3o se restringiu aos nossos vizinhos. Dom Eugenio costumava visitar os presos da ditadura brasileira no Natal e na P\u00e1scoa. Sebasti\u00e3o Paix\u00e3o, ex-dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), lembrou quando foi mandado para o pres\u00eddio da Frei Caneca ap\u00f3s ser torturado por 83 dias: &#8220;Um dia, dom Eugenio foi l\u00e1 e pedi que arranjasse nossa transfer\u00eancia para Bangu, onde as fam\u00edlias poderiam nos visitar. Dois dias depois, nos mudamos. Na pris\u00e3o, eu fiz uma pirogravura do Cristo Redentor para ele, em agradecimento.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em outra ocasi\u00e3o, dom Eugenio deixou embara\u00e7ado o general Abdon Sena, que lhe pediu uma missa pelo anivers\u00e1rio do AI-5. &#8220;Voc\u00eas que est\u00e3o satisfeitos com o AI-5 podem agradecer a Deus, mas n\u00e3o por meu interm\u00e9dio&#8221;, respondeu.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Gazeta do Povo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das atua\u00e7\u00f5es de maior destaque da trajet\u00f3ria de dom Eugenio Sales foi quando, de maneira silenciosa, abrigou no Rio mais de quatro mil pessoas perseguidas pelos regimes militares do Cone Sul, entre 1976 e 1982. A maioria vinha da Argentina, mas havia tamb\u00e9m chilenos, uruguaios e paraguaios. 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