{"id":1571,"date":"2012-07-14T02:49:37","date_gmt":"2012-07-14T02:49:37","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/14\/a-voz-de-roma-contra-a-ditadura-2\/"},"modified":"2012-07-14T02:49:37","modified_gmt":"2012-07-14T02:49:37","slug":"a-voz-de-roma-contra-a-ditadura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/14\/a-voz-de-roma-contra-a-ditadura-2\/","title":{"rendered":"A voz de Roma contra a ditadura"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-align: justify;\">Morre o cardeal alinhado ao Vaticano que defendeu as tradi\u00e7\u00f5es da Igreja e n\u00e3o afrontou os militares enquanto, secretamente, protegeu presos pol\u00edticos<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \"><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1556\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mi_16095132892138668.jpg\" border=\"0\" width=\"245\" height=\"203,5\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address>S\u00cdMBOLO<\/address>\n<address \/>  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma pomba pousou sobre o caix\u00e3o do cardeal: at\u00e9 o fim\u00a0da vida ele atuou para propagar a f\u00e9 cat\u00f3lica<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1557\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mi_16095159718505119.jpg\" border=\"0\" width=\"490\" height=\"322\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os militares da linha dura o viam como comunista. A esquerda chegou a tach\u00e1-lo de pr\u00f3-ditadura. A controversa e, muitas vezes, aparentemente amb\u00edgua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do cardeal dom Eugenio de Ara\u00fajo Sales tinha prop\u00f3sitos que inclu\u00edam n\u00e3o s\u00f3 os interesses da Igreja Cat\u00f3lica como, tamb\u00e9m, a defesa de direitos pol\u00edticos e humanos. A principal voz alinhada a Roma no Pa\u00eds se calou na noite da segunda-feira 9, em sua casa, no Sumar\u00e9, no alto da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, aos 91 anos. A morte n\u00e3o interrompe, entretanto, a constante reavalia\u00e7\u00e3o de seu papel \u2014 fundamental em momentos como a transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica no Brasil e durante o regime militar (1964-1985). Ao mesmo tempo que era respeitad\u00edssimo nos altos postos das For\u00e7as Armadas, dom Eugenio protegeu milhares de perseguidos pol\u00edticos brasileiros e latino-americanos. Sem enfrentamentos ruidosos, mas com determina\u00e7\u00e3o, o cardeal cumpriu a mission\u00e1ria tarefa de tentar proteger os mais fracos. Mas, como representante do Vaticano, dom Eugenio tamb\u00e9m ser\u00e1 lembrado pela m\u00e3o firme contra os religiosos mais progressistas, seguidores da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, que procurava conciliar o marxismo com as ideias crist\u00e3s.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante d\u00e9cadas ficou praticamente secreta a atua\u00e7\u00e3o do religioso contra a pris\u00e3o e a tortura de opositores do regime militar, no Brasil e na Am\u00e9rica Latina, nos pesados anos 1970. Em a\u00e7\u00f5es silenciosas, ele deu prote\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios militantes, muitos deles comunistas ou ateus. Somente em 2000, falou sobre esse \u201ctrabalho social\u201d em entrevista ao jornalista Fritz Utzeri, publicada no \u201cJornal do Brasil\u201d. Foi a primeira vez que revelou ter usado at\u00e9 recursos da C\u00faria para manter uma rede de abrigo aos perseguidos, muitos deles argentinos, uruguaios e chilenos. Foram alugados 80 apartamentos no Rio para escond\u00ea-los e at\u00e9 igrejas foram utilizadas para evitar as pris\u00f5es. Ao todo, cinco mil pessoas teriam sido beneficiadas. \u201cDurante o movimento estudantil, eu soube de uma pessoa que foi salva por dom Eugenio. Mas ele n\u00e3o gostava de falar do assunto, e foi com muita insist\u00eancia que aceitou dar a entrevista\u201d, conta Utzeri.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No livro \u201cDi\u00e1logos na Sombra\u201d, que trata da rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e os militares, o historiador americano Kenneth P. Serbin deixa claro que dom Eugenio n\u00e3o apoiou o golpe de 1964 e era contr\u00e1rio \u00e0 viol\u00eancia da ditadura. No entanto, preferia atuar nos bastidores e suportava as desconfian\u00e7as. Ao pesquisador, o arcebispo de S\u00e3o Paulo na \u00e9poca, dom Paulo Evaristo Arns, que criticava a tortura publicamente, fez quest\u00e3o de dizer que ele e dom Eugenio tinham \u201cestilos diferentes\u201d, mas a \u201cmesma finalidade\u201d. \u201cApesar de anticomunista, n\u00e3o se alinhava com o setor tradicionalista e direitista do catolicismo, que aplaudira o golpe. Ele tinha compromisso com a reforma da sociedade brasileira\u201d, concluiu Serbin.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Fico ressalta que a preocupa\u00e7\u00e3o de dom Eugenio em n\u00e3o afrontar em p\u00fablico os militares tinha como objetivo evitar conflitos entre o Vaticano e o Brasil. A vis\u00e3o extremamente institucional do cardeal, segundo ele, acabou colaborando com uma dura\u00e7\u00e3o maior do per\u00edodo autorit\u00e1rio. \u201cPara as pessoas que foram acolhidas por ele e que estavam sendo perseguidas fica uma imagem positiva. Mas acredito que se ele tivesse demonstrado uma resist\u00eancia forte e se equiparado a outros cardeais, teria ajudado a encurtar a ditadura\u201d, avalia o historiador.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Assessor de dom Eugenio durante 30 anos, Adionel Carlos destaca medidas modernizantes do cardeal como a cria\u00e7\u00e3o do Diaconato Permanente, que incluiu no clero homens casados, e a permiss\u00e3o para que freiras pudessem chefiar par\u00f3quias, mesmo sem celebrar missas. Tudo, claro, sob os ausp\u00edcios da Santa S\u00e9. \u201cO que ele fez foi em nome de sua fun\u00e7\u00e3o de pastor de um grande rebanho. Assim, protegeu ateus e descrentes, perseguidos pol\u00edticos e atendeu a pobres e ricos igualmente. Ele cumpriu sua miss\u00e3o\u201d, resume Adionel.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para muitos, dom Eugenio ser\u00e1 sempre lembrado como o cardeal que combateu a propaga\u00e7\u00e3o da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Frei Betto e Leonardo Boff eram personas non gratas na Arquidiocese do Rio. Nessa tarefa foi aliado do cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 nos anos 1980 e 1990, e hoje papa Bento XVI. Enquanto combateu as vozes inc\u00f4modas, dom Eugenio trabalhou para ampliar o n\u00famero de seguidores \u2013 ordenou mais de 200 padres s\u00f3 no Rio \u2013 e at\u00e9 o fim da vida atuou para propagar a f\u00e9 cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1559\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mi_16095185533017697.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"210\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Isto \u00c9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morre o cardeal alinhado ao Vaticano que defendeu as tradi\u00e7\u00f5es da Igreja e n\u00e3o afrontou os militares enquanto, secretamente, protegeu presos pol\u00edticos S\u00cdMBOLO<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1571"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1571"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1571\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}