{"id":1581,"date":"2012-07-17T13:29:06","date_gmt":"2012-07-17T13:29:06","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/17\/corte-da-oea-pede-explicacoes-ao-brasil-sobre-fracasso-na-busca-de-desaparecidos-da-guerrilha\/"},"modified":"2012-07-17T13:29:06","modified_gmt":"2012-07-17T13:29:06","slug":"corte-da-oea-pede-explicacoes-ao-brasil-sobre-fracasso-na-busca-de-desaparecidos-da-guerrilha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/17\/corte-da-oea-pede-explicacoes-ao-brasil-sobre-fracasso-na-busca-de-desaparecidos-da-guerrilha\/","title":{"rendered":"Corte da OEA pede explica\u00e7\u00f5es ao Brasil sobre fracasso na busca de desaparecidos da Guerrilha"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pedido foi feito pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, vinculada \u00e0 OEA. Prazo expira no dia 31\/8<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/correiodopovo-al.com.br\/index.php\/thumb\/exibir?src=imagens%2Faraguia21342427433.jpg&#038;width=280&#038;height=210&#038;crop=1&#038;keepRatio=1\" border=\"0\" width=\"280\" height=\"210\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A pedido de familiares, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, vinculada \u00e0 OEA, pediu explica\u00e7\u00f5es ao Brasil sobre a demora na localiza\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o dos restos mortais dos participantes da Guerrilha do Araguaia. O prazo para o governo responder \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o expira no dia 31 de agosto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 2010, ao julgar a\u00e7\u00e3o movida por familiares de desaparecidos, a corte havia determinado ao Estado brasileiro que localizasse e devolvesse aos familares os restos mortais. O Brasil respondeu na ocasi\u00e3o que j\u00e1 estava desenvolvendo a\u00e7\u00f5es com este objetivo, por meio de expedi\u00e7\u00f5es \u00e0 regi\u00e3o do conflito, no sul do Par\u00e1. At\u00e9 agora, por\u00e9m, nenhum guerrilheiro desaparecido foi localizado e identificado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em abril deste ano, os mesmos familiares, representados pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Centro pela Justi\u00e7a e o Direito Internacional (CEJIL), retornaram \u00e0 corte, dessa vez para manifestar insatisfa\u00e7\u00e3o com os resultados das buscas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A reclama\u00e7\u00e3o aparece num longo documento, com 120 p\u00e1ginas, no qual os familiares tratam de diferentes quest\u00f5es relacionadas \u00e0 decis\u00e3o da corte. Uma delas refere-se \u00e0s buscas. Eles acusam o governo de trabalhar sem m\u00e9todos cient\u00edficos, desperdi\u00e7ando recursos p\u00fablicos. Seria mais eficiente e econ\u00f4mico, argumentam, se as For\u00e7as Armadas abrissem seus arquivos secretos e revelassem quais os lugares onde foram deixados os corpos dos guerrilheiros.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os familiares tamb\u00e9m criticam o governo por n\u00e3o investir na an\u00e1lises dos restos mortais j\u00e1 localizados e transferidos para Bras\u00edlia. No total, s\u00e3o 19 ossadas que aguardam identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com informa\u00e7\u00f5es do governo, no per\u00edodo de 2009 a 2011 as buscas na regi\u00e3o do Rio Araguaia custaram R$ 5,4 milh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos. Neste ano, segundo previs\u00f5es do Minist\u00e9rio da Defesa, os gastos devem chegar a R$ 2,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 muito dinheiro, se voc\u00ea considerar que as expedi\u00e7\u00f5es andam de um lado para outro sem orienta\u00e7\u00e3o, sem metodologia cient\u00edfica. Se continuar dessa maneira, \u00e9 melhor usar o dinheiro para a constru\u00e7\u00e3o de escolas e hospitais\u201d, diz a professora aposentada Vit\u00f3ria Grabois, filha do dirigente guerrilheiro Maur\u00edcio Grabois, desaparecido desde 1973.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Signat\u00e1ria do documento enviado \u00e0 corte, ela diz que boa parte dos familiares se afastou das buscas oficiais. \u201cJ\u00e1 estive duas vezes na regi\u00e3o. Agora me recuso a participar de expedi\u00e7\u00f5es que se destinam apenas a demonstrar a boa vontade do governo. Isso n\u00e3o basta.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O governo dever\u00e1 enviar explica\u00e7\u00f5es \u00e0 Corte Interamericana dentro do prazo previsto, segundo Gilles Gomes, representante da Secretaria de Direitos Humanos no Grupo de Trabalho Araguaia, criado especialmente para realizar as buscas. De S\u00e3o Geraldo do Araguaia, no Par\u00e1, onde se encontrava na semana passada em mais uma expedi\u00e7\u00e3o, ele disse por telefone que ser\u00e3o detalhados os trabalhos j\u00e1 executados, as dificuldades na localiza\u00e7\u00e3o e na identifica\u00e7\u00e3o de corpos desaparecidos h\u00e1 quase quarenta anos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Gomes tamb\u00e9m rebateu as cr\u00edticas dos familiares. \u201dOs documentos oficiais s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o se pode exagerar. H\u00e1 um certo fetichismo em torno desses documentos. Eles podem ter pistas, mas n\u00e3o resolvem todos os problemas. N\u00e3o est\u00e1 descartada a hip\u00f3tese de j\u00e1 terem sido realizadas opera\u00e7\u00f5es de limpeza na regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Essas opera\u00e7\u00f5es, segundo Gomes, teriam consistido na retirada e transfer\u00eancia dos restos mortais dos locais onde foram originalmente depositados. Ele n\u00e3o soube a quem atribuir essas a\u00e7\u00f5es, mas, enfatizou que o objetivo seria impedir a localiza\u00e7\u00e3o dos desaparecidos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O documento que os familiares descontentes encaminharam \u00e0 institui\u00e7\u00e3o \u00e9 assinado pela se\u00e7\u00e3o carioca do Grupo Tortura Nunca Mais e a Comiss\u00e3o de Familiares de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos de S\u00e3o Paulo, representados pelo Cejil. \u201cOs familiares se preocupam com a falta de transpar\u00eancias nas a\u00e7\u00f5es do governo, especialmente no que se refere \u00e0 coleta e \u00e0 partilha das informa\u00e7\u00f5es. Nem tudo que os militares sabem \u00e9 compartilhado\u201d, diz a cientista pol\u00edtica Beatriz Affonso, diretora da ONG. \u201cEles tamb\u00e9m querem que o governo utilize t\u00e9cnicas mais avan\u00e7adas e apropriadas para a identifica\u00e7\u00e3o dos restos mortais.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os familiares ainda reclamam do n\u00famero de militares nas expedi\u00e7\u00f5es, que consideram excessivo. Para eles, o aparato militar acaba inibindo os moradores da regi\u00e3o que poderiam dar informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nem todos os familiares romperam com as opera\u00e7\u00f5es do governo. A expedi\u00e7\u00e3o que se encontra agora em Xambi\u00f3a, Tocantins, re\u00fane seis deles. Joaquim Patr\u00edcio, irm\u00e3o de Jos\u00e9 Maur\u00edlio Patr\u00edcio, guerrilheiro desaparecido desde 1974, faz parte do grupo. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil chegar \u00e0 verdade por aqui, mas vejo muito esfor\u00e7o da equipe\u201d, disse ele, por telefone.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O conflito entre os guerrilheiros do PC do B e as For\u00e7as Armadas ocorreu entre 1972 e 1974. Em 1980 os familiares tomaram a iniciativa de organizar as primeiras buscas dos desaparecidos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O governo federal iniciou as expedi\u00e7\u00f5es oficiais em 2009, atendendo a uma determina\u00e7\u00e3o da ju\u00edza federal Solange Salgado, favor\u00e1vel aos pedidos dos familiares em busca de informa\u00e7\u00f5es. Na \u00e9poca foi criado o Grupo de Trabalho Tocantins, no interior do Minist\u00e9rio da Defesa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em dezembro de 2010 os familiares obtiveram outra vit\u00f3ria, dessa vez na Corte Interamericana, vinculada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA). No meio de uma s\u00e9rie de tarefas que o Estado brasileiro deveria cumprir, a corte destacou a realiza\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os para \u201cdeterminar o paradeiro das v\u00edtimas desaparecidas\u201d. Logo depois dessa decis\u00e3o, o governo reformulou suas atividades, criando o Grupo de Trabalho Araguaia, com a participa\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios da Justi\u00e7a, Defesa e Direitos Humanos.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Estad\u00e3o.com.br<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedido foi feito pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, vinculada \u00e0 OEA. 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