{"id":1596,"date":"2012-07-17T22:29:46","date_gmt":"2012-07-17T22:29:46","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/17\/ex-preso-politico-relata-horrores-da-ditadura\/"},"modified":"2012-07-17T22:29:46","modified_gmt":"2012-07-17T22:29:46","slug":"ex-preso-politico-relata-horrores-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/17\/ex-preso-politico-relata-horrores-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Ex-preso pol\u00edtico relata horrores da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O professor aposentado e ex-preso pol\u00edtico Valter Pinheiro foi ouvido ontem pelo Comit\u00ea Cearense pelo Direito \u00e0 Mem\u00f3ria, \u00e0 Verdade e \u00e0 Justi\u00e7a (CDMVJ). Em depoimento no Complexo das Comiss\u00f5es da Assembleia Legislativa, ele disse que foi torturado por agentes do governo nas duas vezes em que esteve preso no per\u00edodo da ditadura militar (1964-1985). A grava\u00e7\u00e3o do depoimento ser\u00e1 entregue \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, que investiga os crimes cometidos durante a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1595\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/1707po2270.JPG\" border=\"0\" width=\"106\" height=\"166\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Valter Pinhheiro come\u00e7ou a militar ainda na adolesc\u00eancia  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nascido em 1944, em Fortaleza, Pinheiro come\u00e7ou a militar na esquerda ainda no fim da adolesc\u00eancia. De forma\u00e7\u00e3o marxista, conta que sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica come\u00e7ou quando era estudante do Liceu do Cear\u00e1. L\u00e1, conheceu Frei Tito de Alencar, que teve grande import\u00e2ncia em sua forma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. \u201cQuando veio o regime militar, n\u00f3s do Liceu demos uma contribui\u00e7\u00e3o enorme nessa luta (contra a ditadura)\u201d, relata Pinheiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Depois, foi estudar na ent\u00e3o Faculdade de Filosofia do Cear\u00e1, que deu origem \u00e0 Universidade Estadual do Cear\u00e1 (Uece). Entrou para o grupo Guarda Vermelha, que se dedicava a estudar obras de autores comunistas. O grupo evoluiu e tornou-se o Movimento Comunista Internacionalista (MCI), que fazia tiragem de panfletos e reproduzia livros considerados subversivos pelo regime.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s racha no grupo, Pinheiro deixou o MCI e entrou para o Partido Comunista Brasileiro Revolucion\u00e1rio (PCBR). \u201cN\u00e3o quer\u00edamos s\u00f3 a queda da ditadura e a volta da democracia. Nossa luta era para a tomada do poder\u201d, explica. Foi ent\u00e3o que foi preso pela primeira vez.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com ele, a casa onde morava, no bairro Monte Castelo, foi invadida por agentes do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), que diziam estar \u00e0 procura do \u201cfarto material subversivo\u201d. Mesmo n\u00e3o encontrando nada comprometedor, na vers\u00e3o de Pinheiro, o levaram para o 23\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores, no Bairro de F\u00e1tima, onde ficou isolado em uma cela. Certa noite, conforme o relato, foi levado por agentes do Dops a uma sala e teve o rosto encoberto por um capuz. \u201cL\u00e1 come\u00e7ou a sess\u00e3o de pancadaria\u201d, pontua. \u201cMas em rela\u00e7\u00e3o ao que outros companheiros passaram, pancadaria era considerada coisa simples\u201d, compara.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Saiba mais<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Valter Pinheiro acredita que o lugar para onde era levado (ele n\u00e3o tem certeza porque ia encapuzado) \u00e9 a chamada \u201ccasa dos horrores\u201d, que fica em Maranguape.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao que tudo indica, baseado em relatos de outros presos, era l\u00e1 o principal ponto de tortura dos presos pol\u00edticos de Fortaleza.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O Comit\u00ea Cearense pelo Direito \u00e0 Mem\u00f3ria, \u00e0 Verdade e \u00e0 Justi\u00e7a (CDMVJ) foi criado em 2011 com o objetivo de acompanhar, no Estado, os trabalhos da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o de Direito Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa apoia o CDMVJ e realiza, \u00e0s quintas-feiras, reuni\u00f5es com a presen\u00e7a de entidades e ex-presos pol\u00edticos, por exemplo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A deputada Eliane Novais, que preside a comiss\u00e3o e \u00e9 tamb\u00e9m membro do CDMVJ, diz que o depoimento foi \u201cum momento hist\u00f3rico\u201d e que a grava\u00e7\u00e3o ser\u00e1 entregue \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, em reuni\u00e3o no dia 30 deste m\u00eas.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor aposentado e ex-preso pol\u00edtico Valter Pinheiro foi ouvido ontem pelo Comit\u00ea Cearense pelo Direito \u00e0 Mem\u00f3ria, \u00e0 Verdade e \u00e0 Justi\u00e7a (CDMVJ). 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