{"id":1647,"date":"2012-07-19T14:47:28","date_gmt":"2012-07-19T14:47:28","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/19\/foto-localizada-pelo-globo-revela-preso-chegou-ao-dops-vivo-2\/"},"modified":"2012-07-19T14:47:28","modified_gmt":"2012-07-19T14:47:28","slug":"foto-localizada-pelo-globo-revela-preso-chegou-ao-dops-vivo-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/19\/foto-localizada-pelo-globo-revela-preso-chegou-ao-dops-vivo-2\/","title":{"rendered":"Foto localizada pelo GLOBO revela: preso chegou ao Dops vivo"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagem in\u00e9dita mostra engenheiro ap\u00f3s ser detido por agentes da repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/in\/5506090-8a9-e55\/FT500A\/raul-amaro.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Raul Amaro ainda vivo ap\u00f3s a pris\u00e3o em agosto de 1971; ele morreu em decorr\u00eancia de torturas no DOI-Codi  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma foto dos \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o da ditadura, liberada agora pelo Arquivo Nacional, comprova que um militante de esquerda \u2014 o engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira \u2014 foi preso pelos agentes do Dops, no Rio, em 1\u00ba de agosto de 1971, com sua integridade f\u00edsica e sa\u00fade preservadas. Onze dias depois, foi entregue morto para sua fam\u00edlia, com marcas de tortura. A fam\u00edlia de Raul n\u00e3o tinha conhecimento da exist\u00eancia dessa foto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Raul Amaro morreu aos 27 anos e era o mais velho de uma fam\u00edlia de nove irm\u00e3os. Preso por agentes do Dops em seu carro, junto com outros dois companheiros, foi levado no dia seguinte para o DOI-Codi, no quartel da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, na Tijuca. Torturado, foi levado \u00e0s pressas para o Hospital Central do Ex\u00e9rcito, onde morreu. Os militares devolveram o corpo \u00e0 fam\u00edlia, mas se calaram sobre as raz\u00f5es de sua morte.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, foi publicada em jornal uma nota sobre a morte. Dizia que Raul era um subversivo, ligado a terroristas. Na foto, revelada agora, ele aparece de barba, sentado, de frente e de lado. Uma placa traz a informa\u00e7\u00e3o de que a imagem foi feita no Dops da Guanabara, no dia 1\u00ba de agosto de 71. A folha que consta a foto traz a data do falecimento: 12 de agosto de 1971.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia entrou na Justi\u00e7a, em 1979, e conseguiu, quinze anos depois, a senten\u00e7a definitiva que considerou o Estado culpado por sua morte. A fam\u00edlia dispensou a indeniza\u00e7\u00e3o que poderia ter sido deferida pela Comiss\u00e3o da Anistia. O depoimento de um soldado que viu Raul ser torturado no DOI-Codi foi fundamental para ganhar a causa. Raul era funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio e conseguiu uma bolsa de estudos na Holanda, mas nem chegou a usufru\u00ed-la.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em agosto do ano passado, a fam\u00edlia realizou um ato em mem\u00f3ria aos 40 anos da morte de Raul, na PUC, no Rio, onde ele se formou em engenharia mec\u00e2nica. Pedro Nin Ferreira, irm\u00e3o do ex-militante, recebeu nesta ter\u00e7a-feira a foto localizada pelo GLOBO.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Na imagem, ele est\u00e1 visivelmente surpreso, assustado com a pris\u00e3o arbitr\u00e1ria e, com certeza, n\u00e3o fazia ideia do que estava lhe esperando: c\u00e2maras de tortura organizadas no quartel da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito e o leito de morte no Hospital Central do Ex\u00e9rcito (HCE), onde a fam\u00edlia foi receber o corpo. Em muitos outros casos, nem se viu o corpo \u2014 lamentou Pedro Ferreira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os documentos do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) descrevem Raul como militante do MR-8 e que sua casa funcionava como aparelho desse grupo. Na sua resid\u00eancia, diz o SNI, foram apreendidos diversos materiais, \u201cse destacando farta literatura comunista e documentos de organiza\u00e7\u00f5es esquerdistas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Marcelo Cerqueira, advogado de diversos presos pol\u00edticos na \u00e9poca, foi contatado pela fam\u00edlia de Raul assim que ele foi preso. Cerqueira chegou a entrar com um pedido de habeas corpus, mas o engenheiro n\u00e3o resistiu \u00e0s torturas durante o processo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Ele n\u00e3o tinha propriamente uma milit\u00e2ncia. Quando era estudante universit\u00e1rio, Raul trabalhou em um jornal da PUC que denunciava v\u00e1rios crimes da ditadura. Ap\u00f3s a formatura, alugou um apartamento pequeno em Santa Tereza. Ele ia casar. L\u00e1, Raul guardou um mime\u00f3grafo a pedido de um militante do MR-8 e parece que foi preso em fun\u00e7\u00e3o disso.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem in\u00e9dita mostra engenheiro ap\u00f3s ser detido por agentes da repress\u00e3o Raul Amaro ainda vivo ap\u00f3s a pris\u00e3o em agosto de 1971; ele morreu em decorr\u00eancia de torturas no DOI-Codi<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1647"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1647"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1647\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}