{"id":1656,"date":"2012-07-20T20:47:31","date_gmt":"2012-07-20T20:47:31","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/20\/violencias-sutis-nao-sao-vistas-diz-filha-de-sindicalista-preso-na-ditadura-2\/"},"modified":"2012-07-20T20:47:31","modified_gmt":"2012-07-20T20:47:31","slug":"violencias-sutis-nao-sao-vistas-diz-filha-de-sindicalista-preso-na-ditadura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/20\/violencias-sutis-nao-sao-vistas-diz-filha-de-sindicalista-preso-na-ditadura-2\/","title":{"rendered":"&#8216;Viol\u00eancias sutis n\u00e3o s\u00e3o vistas&#8217;, diz filha de sindicalista preso na ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Adelino n\u00e3o desapareceu, n\u00e3o foi morto ou torturado na ditadura militar, mas sua pris\u00e3o marcou toda a fam\u00edlia. Dulcinea lembra da casa invadida e vasculhada por militares<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/bancodeimagens\/5x\/zm\/25\/5xzm25schumb1mepspj2hrvt7.jpg\" border=\"0\" width=\"217,3\" height=\"136\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Criada para examinar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos entre 1946 e1988, a Comiss\u00e3o da Verdade pretende lan\u00e7ar luz sobre casos not\u00f3rios de tortura f\u00edsica e desaparecimentos durante o regime militar. Viol\u00eancias de menor ou nenhuma repercuss\u00e3o, no entanto, podem passar ao largo dos trabalhos da Comiss\u00e3o. \u00c9 o caso da fam\u00edlia de Adelino Cassis, morto em 2011 aos 88 anos. \u201cT\u00eam viol\u00eancias sutis que n\u00e3o s\u00e3o vistas\u201d, diz a filha, a psic\u00f3loga Dulcinea Cassis.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Adelino Cassis n\u00e3o desapareceu, n\u00e3o foi morto ou torturado pelo regime militar. Por ser l\u00edder sindical filiado ao PCB, contudo, foi perseguido e preso. Enquanto estava foragido, sua casa em Bras\u00edlia foi revirada tr\u00eas vezes diante da mulher e dos seis filhos de 2 a17 anos de idade. O trauma e a consequ\u00eancia financeira da escolha pol\u00edtica de Cassis foram esquecidos pelo governo e n\u00e3o t\u00eam registro nos livros de hist\u00f3ria do Brasil, mas permanecem vivos na mem\u00f3ria da fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\"><strong>Em 1963, um ano antes do Golpe, Adelino liderou greve dos funcion\u00e1rios do Banco do Brasil<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cNo dia 31 de mar\u00e7o de 1964, minha m\u00e3e disse \u2018estourou a revolu\u00e7\u00e3o\u2019 e \u2018seu pai foi cassado\u2019. Para uma crian\u00e7a, estourar a revolu\u00e7\u00e3o era o estouro de bombas na rua. E ser cassado era ser ca\u00e7ado com \u2018\u00e7\u2019\u201d, lembra Dulcinea. Hoje com 58 anos, ela conta que sua casa foi vasculhada por militares tr\u00eas vezes. \u201cLevaram um r\u00e1dio amador e a B\u00edblia da minha av\u00f3, em \u00e1rabe. Levaram achando que era um livro marxista. Eu queria muito retomar aquela B\u00edblia porque tem um valor inestim\u00e1vel. Minha av\u00f3 lia para n\u00f3s quando crian\u00e7as\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"p3\">De fato, a B\u00edblia em \u00e1rabe confiscada pelos militares continha as primeiras li\u00e7\u00f5es de igualdade e justi\u00e7a social tomadas pelo ent\u00e3o futuro l\u00edder sindical. Crist\u00e3o ligado inicialmente \u00e0 Igreja Presbiterianaem S\u00e3o Paulo, Adelino Cassis se desligou da congrega\u00e7\u00e3o para ingressar na milit\u00e2ncia pol\u00edtica ao lado de Luiz Carlos Prestes, no PCB. Como funcion\u00e1rio do Banco do Brasil, passou pelo Rio e, em Bras\u00edlia, fundou o Sindicato dos Banc\u00e1rios, do qual foi seu primeiro presidente. Foi afastado em 1964, com o golpe, e tornou-se foragido por alguns meses, at\u00e9 se entregar.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/bancodeimagens\/7b\/5e\/y0\/7b5ey0s3kkcdugxek6af0vuyy.jpg\" border=\"0\" width=\"316\" height=\"421\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p3\">\n<address>A filha de Adelino, Dulcinea Cassis<\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cMeu pai ficou preso por 50 dias no Batalh\u00e3o da Guarda Presidencial, o BGP. N\u00e3o foi torturado, gra\u00e7as a Deus. Ele era bem tratado em 64. No seu anivers\u00e1rio, ele teve autoriza\u00e7\u00e3o para ir para casa. Fizemos um jantar e ele estava acompanhado de militares. Disseram que eram amigos do papai, como se f\u00f4ssemos acreditar\u201d, narra Dulcinea. Naquele per\u00edodo, a fam\u00edlia Cassis passou por dificuldades financeiras e foi socorrida por vizinhos e amigos do sindicato at\u00e9 a Anistia, em 1979.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Segunda gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Assim como o pai, o irm\u00e3o mais velho de Dulcinea, Paulo S\u00e9rgio Cassis, morto em 2005, tamb\u00e9m sofreu persegui\u00e7\u00e3o do regime militar. Segundo ela, aos 17 anos o irm\u00e3o teve de deixar Bras\u00edlia sob amea\u00e7as de militares para concluir o segundo grau em Catanduva, no interior de S\u00e3o Paulo, onde morava uma tia. \u201cDepois ele voltou (para a capital federal) e foi cursar Engenharia El\u00e9trica na UnB (Universidade de Bras\u00edlia), onde come\u00e7ou a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ele era um articulador, um foco de resist\u00eancia ligado ao PCdoB\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca, Paulo S\u00e9rgio passou em um concurso para a C\u00e2mara Federal, mas n\u00e3o p\u00f4de assumir o cargo porque houve uma invas\u00e3o da UnB e ele desapareceu, de acordo com Dulcinea.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cMesmo depois da Anistia, ele dava not\u00edcias de vez em quando e usava a Igreja Metodista para se comunicar. Os irm\u00e3os da igreja o acobertavam. Ele tinha uma identidade falsa e se casou no Maranh\u00e3o. Quando ele apareceu, trouxe a mulher para Bras\u00edlia e casou de novo com a identidade verdadeira\u201d, diz ela. Anos ap\u00f3s a Anistia, Paulo S\u00e9rgio p\u00f4de, finalmente, assumir o cargo na C\u00e2mara, onde trabalhou \u2013 atuando no Sindicato do Legislativo \u2013 at\u00e9 se aposentar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Processo contra Uni\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/bancodeimagens\/5q\/rh\/sl\/5qrhslzyz8sdtki7zryblaajv.jpg\" border=\"0\" width=\"316\" height=\"316\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\n<address>O caso de Adelino Cassis foi julgado pela Comiss\u00e3o da Anistia, que concedeu perd\u00e3o e uma indeniza\u00e7\u00e3o de cerca de R$ 60 mil<\/address>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\">No ano passado, o caso de Adelino Cassis foi julgado pela Comiss\u00e3o da Anistia, que concedeu perd\u00e3o e uma indeniza\u00e7\u00e3o de cerca de R$ 60 mil. Por causa da idade avan\u00e7ada e das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, a an\u00e1lise de seu processo na Comiss\u00e3o da Anistia deveria ter tido prioridade, de acordo com Dulcinea. O resultado, no entanto, foi anunciado apenas poucos dias antes de sua morte.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nos \u00faltimos meses de vida de Adelino, sua aposentadoria sofreu um corte de R$ 5 mil. A fam\u00edlia, ent\u00e3o, entrou na Justi\u00e7a comum contra a Uni\u00e3o para reaver o valor, que poderia ter sido gasto no tratamento ambulatorial.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cMeu pai foi readmitido no Banco do Brasil, onde ficou at\u00e9 se aposentar. Mas a aposentadoria dele foi reduzida porque a Previ entendia que o governo \u00e9 que tinha de pagar, foi uma confus\u00e3o. Tiraram R$ 5 mil reais dele e era justamente o dinheiro que a gente precisava para o tratamento. Na hora que precisamos da ajuda de antigos colegas e pol\u00edticos, inclusive o deputado Geraldo Magela (PT-DF), n\u00f3s n\u00e3o conseguimos\u201d, afirma a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p class=\"p1\">Enquanto aguarda a Justi\u00e7a comum, ela demonstra sua descren\u00e7a no sistema partid\u00e1rio. \u201cEssa esquerda s\u00f3 gosta de fazer pose. Tive \u00e9pocas em que eu apoiei o PT, mas diante de tudo a gente n\u00e3o sabe mais quem est\u00e1 dizendo a verdade. Ent\u00e3o eu prefiro me mandar fora e n\u00e3o envolver meu nome com ningu\u00e9m mais. Meu voto \u00e9 secreto\u201d, afirma.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">Fonte &#8211; IG<\/p>\n<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adelino n\u00e3o desapareceu, n\u00e3o foi morto ou torturado na ditadura militar, mas sua pris\u00e3o marcou toda a fam\u00edlia. 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