{"id":167,"date":"2012-05-09T14:39:55","date_gmt":"2012-05-09T14:39:55","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/09\/anistia-nao-impede-cobrancas-pelo-atentado-ao-riocentro\/"},"modified":"2016-02-07T22:34:40","modified_gmt":"2016-02-07T22:34:40","slug":"anistia-nao-impede-cobrancas-pelo-atentado-ao-riocentro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/09\/anistia-nao-impede-cobrancas-pelo-atentado-ao-riocentro\/","title":{"rendered":"Anistia n\u00e3o impede cobran\u00e7as pelo atentado ao Riocentro"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis dois incisos do Artigo 5 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, com grifos meus:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>XLIII \u2013 a lei considerar\u00e1 crimes inafian\u00e7\u00e1veis e insuscet\u00edveis de gra\u00e7a ou anistia a pr\u00e1tica da tortura, o tr\u00e1fico il\u00edcito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evit\u00e1-los, se omitirem;  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">XLIV \u2013 constitui crime inafian\u00e7\u00e1vel e imprescrit\u00edvel a a\u00e7\u00e3o de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democr\u00e1tico.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">E eis o que o ex-delegado do Dops\/SP, Cl\u00e1udio Ant\u00f4nio Guerra, declarou a respeito do atentado do Riocentro, em 30 de abril de 1981: os comandantes da opera\u00e7\u00e3o foram \u201cos mesmos de sempre\u201d, quais sejam (ele apontou) o coronel de Ex\u00e9rcito Freddie Perdig\u00e3o, do SNI; o comandante Ant\u00f4nio Vieira, do Cenimar; e o ent\u00e3o coronel Brilhante Ustra, do DOI-Codi paulista. Guerra, portanto, acusou Brilhante Ustra de comandar um atentado terrorista, que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 imprescrit\u00edvel e insuscet\u00edvel de gra\u00e7a ou anistia, como nem sequer estaria abrangido pela anistia de 1979, pois esta s\u00f3 abarcou fatos ocorridos at\u00e9 15 de agosto de 1979. Desta vez n\u00e3o h\u00e1 como ele sair pela tangente do pacto de concilia\u00e7\u00e3o nacional&#8230;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Temos, portanto, um antigo comandado fazendo den\u00fancia p\u00fablica contra os comandantes (e tamb\u00e9m os outros executantes) de uma a\u00e7\u00e3o terrorista. Nada, absolutamente nada, isenta os que continuarem vivos de responderem por tal tentativa de provocar um p\u00e2nico que, ao que tudo indica, teria consequ\u00eancias as mais terr\u00edveis, com um sem n\u00famero de espectadores de um espet\u00e1culo musical morrendo pisoteados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ex-delegado virou pastor<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A crermos no que a Folha de S.Paulo publica na sexta-feira (4\/5), as autoridades est\u00e3o, simplesmente, ignorando este crime grav\u00edssimo:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA Pol\u00edcia Federal abriu investiga\u00e7\u00e3o sobre o paradeiro de supostas v\u00edtimas do ex-delegado Cl\u00e1udio Guerra, que afirma ter matado e incinerado corpos de presos pol\u00edticos na ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ex-policial prestou depoimento a um delegado da PF h\u00e1 cerca de um m\u00eas. A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo, foram informados do relato, que est\u00e1 em sigilo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 enviar as informa\u00e7\u00f5es \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade, ainda n\u00e3o instalada.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade que devem ser enviadas as informa\u00e7\u00f5es. O Minist\u00e9rio P\u00fablico tem de ser imediatamente acionado, para verificar se existem criminosos a serem acusados e, em caso afirmativo, iniciar de imediato tais procedimentos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O atentado em quest\u00e3o foi um dos casos mais emblem\u00e1ticos de feiti\u00e7o virando contra o feiticeiro: a bomba explodiu no colo de quem pretendia utiliz\u00e1-la contra inocentes. Agentes da repress\u00e3o pol\u00edtica, insatisfeitos com a distens\u00e3o do ditador Ernesto Geisel, tentaram explodir tr\u00eas bombas para criar p\u00e2nico durante uma apresenta\u00e7\u00e3o de Chico Buarque e outros m\u00fasicos famosos no Riocentro, em homenagem ao Dia do Trabalhador de 1981. O objetivo era inculpar a esquerda pelo atentado, como forma de convencer Geisel de que os DOI-Codis e outros centros de tortura continuavam sendo necess\u00e1rios e n\u00e3o deveriam ser desativados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A confirma\u00e7\u00e3o veio de um ex-delegado\/terrorista que virou pastor evang\u00e9lico e agora sente remorsos dos crimes que praticou ou testemunhou. Ele deu depoimentos aos jornalistas Rog\u00e9rio Medeiros e Marcelo Netto, cujoMem\u00f3rias de uma guerra suja est\u00e1 sendo lan\u00e7ado pela editora Topbooks. O portal \u00daltimo Segundo antecipou v\u00e1rios trechos do livro \u2013 vide <a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/08\/decisao-de-recebimento-da-denuncia\/\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/08\/decisao-de-recebimento-da-denuncia\/\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/08\/decisao-de-recebimento-da-denuncia\/\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/08\/decisao-de-recebimento-da-denuncia\/\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/08\/decisao-de-recebimento-da-denuncia\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Para que o atentado parecesse da esquerda<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que Guerra conta:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cParticipei do atentado ao Riocentro e fiz parte das v\u00e1rias equipes que tentaram provocar aquela que seria a maior trag\u00e9dia, o grande golpe contra o projeto de abertura democr\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O destino daquela bomba era o palco. Tratava-se de um artefato de grande poder destruidor. O efeito da carga explosiva no ambiente festivo, onde deveriam se apresentar uns oitenta artistas famosos, seria devastador. A expans\u00e3o da explos\u00e3o e a onda de p\u00e2nico dentro do Riocentro gerariam consequ\u00eancias desastrosas. Era evidente que muitas pessoas morreriam pisoteadas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Aquela bomba [que estourou por engano no colo do sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio] era uma das tr\u00eas que deveriam explodir no show. O capit\u00e3o Wilson [Lu\u00eds Chaves Machado] estacionou o ve\u00edculo embaixo de um fio de alta tens\u00e3o e a carga el\u00e9trica desse fio, a energia que passava em cima do Puma, fechou o circuito da bomba, provocando a explos\u00e3o. O erro foi do capit\u00e3o. (&#8230;) Eu era especialista em explosivos.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em seguida, Guerra e sua equipe deveriam prender os esquerdistas a serem responsabilizados pelo atentado:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFui para l\u00e1 com uma lista de nomes. (&#8230;) Mas deu tudo errado. Com a explos\u00e3o da bomba no Puma, os militares policiais civis e os policiais civis que levavam outras duas bombas abortaram a opera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Guerra revela que haviam sido suspensos todos os servi\u00e7os de apoio do Riocentro, incluindo o policiamento e a assist\u00eancia m\u00e9dica, para que n\u00e3o houvesse socorro imediato \u00e0s v\u00edtimas. At\u00e9 as portas de sa\u00edda foram trancadas e, nas placas de tr\u00e2nsito, picharam a sigla da extinta VPR, para que parecesse ser um atentado da esquerda.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Fleury dopado<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De resto, quem acompanha meu trabalho n\u00e3o ter\u00e1 sido surpreendido por nenhuma das ditas revela\u00e7\u00f5es bomb\u00e1sticas do livro. Nem a de que resistentes foram executados e tiveram seus restos mortais incinerados, nem a de que o delegado S\u00e9rgio Fleury (e tamb\u00e9m o jornalista Alexandre Von Baumgarten) foi v\u00edtima de umaqueima de arquivo. \u00c9 o que eu sempre disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quando a luta armada acabou, Fleury e outros rapinantes viram evaporarem duas fontes de vultosos ganhos adicionais: a divis\u00e3o de tudo que apreendiam com os militantes e as gratifica\u00e7\u00f5es de empres\u00e1rios fascistas. Os torturadores da PE da Vila Militar (RJ) resolveram compensar as perdas achacando contrabandistas. Depois tentaram at\u00e9 tomar deles uma carga mais valiosa, mas o epis\u00f3dio acabou em tiroteio e no desmascaramento dos bandidos fardados. J\u00e1 Fleury, bandido \u00e0 paisana, desesperou-se com a falta de fundos para sustentar o v\u00edcio na coca\u00edna e chantageou seus ex-patrocinadores rica\u00e7os, amea\u00e7ando revelar o que sabia sobre eles: n\u00e3o s\u00f3 o financiamento de pr\u00e1ticas hediondas, mas tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de alguns deles nas torturas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rea\u00e7as, canalhas e tarados, eles tomaram as provid\u00eancias cab\u00edveis para manterem escondidas suas vergonhas. Onde j\u00e1 se viu dono de barco morrer afogado? Percival de Souza que me desculpe, mas 2+2 continua sendo 4. Ent\u00e3o, desde sempre eu contava esta hist\u00f3ria como minhas fontes me relataram. E o delegado arrependido confirma agora a veracidade do que sempre afirmei:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empres\u00e1rios que pagavam para sustentar as a\u00e7\u00f5es clandestinas do regime militar. N\u00e3o obedecia mais a ningu\u00e9m, agindo por conta pr\u00f3pria. E exorbitava. (&#8230;) Nessa \u00e9poca, o h\u00e1bito de cheirar coca\u00edna tamb\u00e9m j\u00e1 fazia parte de sua vida. Cansei de ver.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dias depois [de Guerra ter come\u00e7ado a vigi\u00e1-lo, buscando detectar uma oportunidade para o assassinarem], os planos mudaram porque Fleury comprou uma lancha. Informaram-me que a minha ideia do acidente seria mantida, mas agora envolvendo essa sua nova aquisi\u00e7\u00e3o \u2013 um \u2018acidente\u2019 com o barco facilitaria muito o planejamento.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Guerra, Fleury foi dopado e ainda o atordoaram com uma pedrada na cabe\u00e7a antes de o atirarem no mar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo: quanto aos dez companheiros massacrados e sumidos pelas bestas-feras da repress\u00e3o, os casos eram igualmente not\u00f3rios; s\u00f3 se acrescentaram detalhes, reavivando nossas feridas. Prefiro lembrar-me do sempre sereno Joaquim Pires Cerveira cantando seus sambas para nos animar durante o calv\u00e1rio no DOI-Codi carioca e do jeito ing\u00eanuo de garot\u00e3o que o Bacuri exibia nos seus bons momentos.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eis dois incisos do Artigo 5 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, com grifos meus: XLIII \u2013 a lei considerar\u00e1 crimes inafian\u00e7\u00e1veis e insuscet\u00edveis de gra\u00e7a ou anistia a pr\u00e1tica da tortura, o tr\u00e1fico il\u00edcito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=167"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5635,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167\/revisions\/5635"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}