{"id":1682,"date":"2012-07-23T17:38:41","date_gmt":"2012-07-23T17:38:41","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/23\/livro-qkq-e-a-expressao-da-dor-de-vitimas-da-ditadura-2\/"},"modified":"2012-07-23T17:38:41","modified_gmt":"2012-07-23T17:38:41","slug":"livro-qkq-e-a-expressao-da-dor-de-vitimas-da-ditadura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/23\/livro-qkq-e-a-expressao-da-dor-de-vitimas-da-ditadura-2\/","title":{"rendered":"Livro &#8220;K.&#8221; \u00e9 a express\u00e3o da dor de v\u00edtimas da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c0s vezes nem eu mesmo acredito que escrevi. \u00c9 especial, porque \u00e9 uma esp\u00e9cie de descarrego. O livro nasce de um processo c\u00edclico, que seria imposs\u00edvel de repetir\u201d, afirmou o jornalista e escritor Bernardo Kucinski sobre sua mais recente publica\u00e7\u00e3o, o livro \u201cK.\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/carosamigos.terra.com.br\/index\/images\/LivroK-BernardoKucinski-i.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Resultado de um processo de matura\u00e7\u00e3o de mais de 40 anos do autor, a obra retrata a incessante busca de um pai por sua filha, v\u00edtima da ditadura militar no Brasil. A mo\u00e7a \u00e9 Ana Rosa Kucinski, militante da resist\u00eancia e irm\u00e3 do autor. Em 1974, junto com seu companheiro, ela \u201cfoi desaparecida\u201d \u2013 em oposi\u00e7\u00e3o ao \u201cdesapareceu\u201d, j\u00e1 que o verbo deixa margem para concluir que poderia ter ocorrido por livre e espont\u00e2nea vontade, como Bernardo ressalta na narrativa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sentimentos<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Carregado de sentimento, o livro emociona. A busca desesperada do protagonista K vai se intensificando a cada cap\u00edtulo. Primeiro, o estranhamento pela falta de not\u00edcias da filha. Depois, a desconfian\u00e7a do que pode ter acontecido. Ent\u00e3o, a certeza de que foi v\u00edtima dos militares e a persist\u00eancia eterna de encontrar provas ou, ao menos, conseguir a admiss\u00e3o da culpa por parte do Estado. O leitor torna-se c\u00famplice de uma dor sem tamanho. As repetidas tentativas de encontrar qualquer not\u00edcia envolvem num mar de ang\u00fastia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Kucinski revelou ter sentido certo al\u00edvio, ap\u00f3s escrever o livro. \u201cTrouxe algo que ainda n\u00e3o sei identificar, mas foi como \u2018soltei o que estava dentro de mim\u2019. Mas a\u00ed come\u00e7a tudo de novo. Come\u00e7a outra vez. Complicam algumas coisas e ent\u00e3o, agora, n\u00e3o est\u00e1 legal a situa\u00e7\u00e3o novamente.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a que centenas ou at\u00e9 milhares \u2013 o n\u00famero de militantes desaparecidos ainda n\u00e3o \u00e9 certo no pa\u00eds \u2013 de fam\u00edlias carregam por n\u00e3o poderem enterrar seus mortos. \u201cN\u00e3o conseguimos saber nem a metade dos horrores cometidos. Essa trag\u00e9dia contada no livro \u00e9 uma das m\u00faltiplas at\u00e9 hoje n\u00e3o esclarecidas. N\u00e3o se sabe quantos morreram e quantos corpos foram escondidos\u201d, apontou o jurista e professor titular aposentado da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), F\u00e1bio Konder Comparato.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A realidade na fic\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ex-professor da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes (ECA), Kucinski j\u00e1 havia lan\u00e7ado publica\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, mas de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o. \u201cQuando percebi que o livro estava nascendo quase que naturalmente, at\u00e9 porque estava numa fase em que tinha abandonado o jornalismo e adotado a fic\u00e7\u00e3o, decidi n\u00e3o trabalhar como jornalista, sem fazer pesquisa, ficando apenas com o que havia na minha cabe\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o autor, do ponto de vista da narrativa funciona. Em alguns momentos, quem viveu determinada situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi seu pai, mas o pr\u00f3prio autor, fazendo de K a s\u00edntese de v\u00e1rios personagens. \u201cFui eu quem estive com a amante do Fleury (S\u00e9rgio Paranhos Fleury foi delegado do Dops em S\u00e3o Paulo na d\u00e9cada de 1970) para escrever um dos cap\u00edtulos. Essa transfer\u00eancia foi uma forma que encontrei\u201d, contou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de descrever momentos reais, o livro tamb\u00e9m conta com imagina\u00e7\u00e3o. \u201cTomei como base situa\u00e7\u00f5es vividas. Exceto um ou outro texto, como, por exemplo, a carta ao companheiro Klemente, que fecha a narrativa, foi totalmente criada. Achei que deveria dar um recado.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rompendo o Sil\u00eancio<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Kucinski estava trabalhando como assessor da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica durante o primeiro mandato de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, quando resolveu come\u00e7ar a escrever. \u201cEm parte, foi o fato de ap\u00f3s um ano e meio, comecei a ter um sentimento meio desagrad\u00e1vel. Esse neg\u00f3cio de n\u00e3o falar nada sobre o assunto (ditadura). O governo, que demorou 20 anos para chegar, acabou gerando uma forte contradi\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>O outro fator, de acordo com ele, foi estar cansado da academia. Em um momento de inspira\u00e7\u00e3o, escreveu uma trama policial, ainda n\u00e3o publicada. Depois, chegou a escrever contos, e por isso \u201cK\u201d est\u00e1 nesse formato.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Comiss\u00e3o da Verdade<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAcho que n\u00e3o foram quebradas coisas fundamentais daquela \u00e9poca. Primeiro, as nossas for\u00e7as armadas n\u00e3o reconhecem que erraram. N\u00e3o pediram desculpas e se identificam com o per\u00edodo, colocam panos quentes e procuram justificativas dizendo que era uma guerra\u201d, lamentou Kucinski.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sobre a Comiss\u00e3o da Verdade, mais do que n\u00e3o acreditar em seus resultados, o jornalista afirma que \u201cpoder\u00e1 ter um efeito nefasto, porque na medida em que ela n\u00e3o conseguir quebrar as entranhas da quest\u00e3o, contribuir\u00e1 para colocar um ponto final nisso\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para ele, o relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o ser\u00e1 apenas publicado por curto per\u00edodo na m\u00eddia, sem grandes descobertas. \u201cEla n\u00e3o possui poder de justi\u00e7a, nem punitivo. Sua \u00fanica finalidade seria um sentido pedag\u00f3gico, mas com a investiga\u00e7\u00e3o sendo feita \u00e0s portas fechadas, nem isso existe.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cCom apenas sete membros e o prazo limitado de dois anos para seu fim, a Comiss\u00e3o n\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es de cumprir sua miss\u00e3o\u201d, concordou Comparato.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Seria interessante, segundo Kucinski, se os relatos de familiares fossem transmitidos ao vivo e todos pudessem assistir. \u201cA Comiss\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda em conformidade com as raz\u00f5es de Estado, mas estas raz\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o as mesmas dos direitos humanos. Ela nasce nesse marco, no das rela\u00e7\u00f5es de Estado\u201d, concluiu.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O livro \u201cK\u201d possui 177 p\u00e1ginas e foi publicado pela Editora Express\u00e3o Popular, no valor de R$ 15. Pode ser adquirido pelo <a href=\"http:\/\/www.expressaopopular.com.br\/\">site da editora<\/a>.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c0s vezes nem eu mesmo acredito que escrevi. \u00c9 especial, porque \u00e9 uma esp\u00e9cie de descarrego. 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