{"id":1694,"date":"2012-07-24T23:13:09","date_gmt":"2012-07-24T23:13:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/24\/estado-deve-cruzar-os-bracos-para-caso-herzog-2\/"},"modified":"2012-07-24T23:13:09","modified_gmt":"2012-07-24T23:13:09","slug":"estado-deve-cruzar-os-bracos-para-caso-herzog-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/24\/estado-deve-cruzar-os-bracos-para-caso-herzog-2\/","title":{"rendered":"Estado deve cruzar os bra\u00e7os para caso Herzog?"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A CONTRADI\u00c7\u00c3O ENTRE OS DOCUMENTOS FALSOS E A DECLARA\u00c7\u00c3O DO GOVERNADOR DA \u00c9POCA DE QUE O JORNALISTA FOI ASSASSINADO BASTA PARA MANTER ACESO O DEBATE SOBRE O ALCANCE E A EFIC\u00c1CIA DA LEI DA ANISTIA  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Falsificar atestado m\u00e9dico ou certid\u00e3o de \u00f3bito \u00e9 crime contra a f\u00e9 p\u00fablica, com previs\u00e3o legal espec\u00edfica (artigo 302 do C\u00f3digo Penal), assim como o \u00e9 a falsidade ideol\u00f3gica, (artigo 299), de conceitua\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica. Essas condutas delituosas praticou-as o Estado brasileiro \u2014 ou, em direito penal, seus agentes \u2014 ao atestar que Vladimir Herzog suicidou-se no Doi-Codi de S\u00e3o Paulo, em 1975. At\u00e9 as pedras sabem que sua morte decorreu das torturas que ali lhe foram infligidas. O governador na \u00e9poca, Paulo Egydio Martins, acaba de declarar, no programa de TV\u00a0Dossi\u00ea Globo News: &#8220;N\u00e3o houve suic\u00eddio, Herzog foi assassinado&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A contradi\u00e7\u00e3o basta para manter aceso o debate sobre o alcance e a efic\u00e1cia da Lei da Anistia, \u2014 Lei 6.683\/79 \u2014, que usou a teoria do &#8220;crime conexo&#8221; para declarar impun\u00edveis &#8220;crimes de qualquer natureza relacionados com crimes pol\u00edticos ou praticados por motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221;. Teriam sido anistiados, por isso, agentes p\u00fablicos que torturaram, fizeram desaparecer ou mataram &#8220;terroristas&#8221; entre 2 de setembro 1961 e 15 de agosto de 1979, embora citada Lei n\u00e3o beneficiasse ativistas pol\u00edticos que j\u00e1 haviam sido &#8220;condenados pela pr\u00e1tica de crimes de terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Recentemente, quatro entidades representaram \u00e0 Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da OEA reclamando investiga\u00e7\u00e3o sobre as circunst\u00e2ncias da morte do jornalista, com vistas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis. Chamado \u00e0s falas, o governo brasileiro respondeu que o epis\u00f3dio est\u00e1 encerrado porque a Lei da Anistia n\u00e3o o permite. Registre-se que em 1978 a Uni\u00e3o foi civilmente responsabilizada pela morte de Herzog, em hist\u00f3rica senten\u00e7a do juiz M\u00e1rcio Jos\u00e9 de Moraes. A perplexidade, todavia, persiste na esfera criminal.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Nesse cen\u00e1rio, imperioso encontrar-se um meio de, preservado o esp\u00edrito da lei, se esclarecerem os fatos para que eles possam ser levados ao patamar do definitivo esquecimento jur\u00eddico. A lei n\u00e3o pode coonestar, por\u00e9m, a ignom\u00ednia de impedir pessoas de saberem o que aconteceu com o parente morto quando sob cust\u00f3dia do Estado. Inaceit\u00e1vel, ainda, que se lhes imponha a patranha de que ele &#8220;suicidou&#8221; \u2013 e, neste caso, avulta o fator religioso, pois Herzog era judeu e o juda\u00edsmo recrimina o suic\u00eddio, sepultando mesmo em local separado os que se matam, conquanto neste caso o rabino Henry Sobel tenha, corajosamente, repudiado a vers\u00e3o do Doi-Codi e seguido, nos funerais, os ritos tra\u00e7ados nos c\u00e2nones de sua f\u00e9.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O debate se prolonga e est\u00e1 longe de ser encerrado. E alonga-se tamb\u00e9m porque emergem aspectos acess\u00f3rios, que sobrelevam os principais. No Caso Herzog, o aspecto acess\u00f3rio que retornou ao debate \u00e9 o problema do atestado (qual a\u00a0causa mortis?), assinado por um legista, diretor do Instituto M\u00e9dico Legal, e da certid\u00e3o de \u00f3bito, expedida por cart\u00f3rio civil. Ambos os documentos, teoricamente dotados de f\u00e9 p\u00fablica, s\u00e3o sabidamente falsos no conte\u00fado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pouco tempo, por solicita\u00e7\u00e3o de deputado federal interessado em aprofundar a pesquisa, requeri c\u00f3pia aut\u00eantica do laudo necrosc\u00f3pico de Herzog sem nunca receber o documento, apesar da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o. Como se v\u00ea, o assunto n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o singelo como querem alguns. Eis um caso em que a solu\u00e7\u00e3o apresentada n\u00e3o equaciona o problema, antes o posterga, com perguntas que n\u00e3o querem calar. Uma delas \u00e9 esta: devem cruzar os bra\u00e7os o Estado, a sociedade e, sobretudo, a fam\u00edlia do jornalista diante de situa\u00e7\u00e3o em que, como observou Rui Barbosa, o &#8220;acess\u00f3rio usurpa definitivamente o dom\u00ednio do principal&#8221;?<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Brasil247<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CONTRADI\u00c7\u00c3O ENTRE OS DOCUMENTOS FALSOS E A DECLARA\u00c7\u00c3O DO GOVERNADOR DA \u00c9POCA DE QUE O JORNALISTA FOI ASSASSINADO BASTA PARA MANTER ACESO O DEBATE SOBRE O ALCANCE E A EFIC\u00c1CIA DA LEI DA ANISTIA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1694"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1694\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}