{"id":1699,"date":"2012-07-24T23:44:18","date_gmt":"2012-07-24T23:44:18","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/24\/argentina-muda-curriculo-militar-e-inclui-textos-de-vitimas-da-ditadura-2\/"},"modified":"2012-07-24T23:44:18","modified_gmt":"2012-07-24T23:44:18","slug":"argentina-muda-curriculo-militar-e-inclui-textos-de-vitimas-da-ditadura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/24\/argentina-muda-curriculo-militar-e-inclui-textos-de-vitimas-da-ditadura-2\/","title":{"rendered":"Argentina muda curr\u00edculo militar e inclui textos de v\u00edtimas da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ex-presos e ex-membros de guerrilhas passar\u00e3o a ser lidos pelos futuros militares<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><strong \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/in\/5480322-b24-ce5\/FT500A\/2004-019201.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"175\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O impulso dado \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es e aos julgamentos de crimes cometidos pelos militares na \u00faltima ditadura argentina (1976-1983) \u00e9 o aspecto mais ruidoso e expressivo do relacionamento entre a Casa Rosada e as For\u00e7as Armadas desde que o casal Kirchner chegou ao poder, em 2003. Mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Em paralelo e longe dos holofotes, o Minist\u00e9rio da Defesa elaborou, e neste ano come\u00e7ou a implementar, uma profunda reforma da carreira militar, modificando bibliografia, estrutura curricular e incorporando novas mat\u00e9rias e conceitos sobre Hist\u00f3ria argentina, teoria do Estado e direitos humanos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entre os novos autores que passar\u00e3o a ser lidos pelos futuros militares argentinos est\u00e3o ex-presos pol\u00edticos e at\u00e9 mesmo ex-membros de guerrilhas esquerdistas como os montoneros. Os antigos inimigos passaram a ser objeto de estudo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Essa revolu\u00e7\u00e3o quase silenciosa foi comandada pela ex-ministra da Defesa Nilda Garr\u00e9, atualmente \u00e0 frente da pasta de Seguran\u00e7a. Em sua juventude, em meados da d\u00e9cada de 70, Garr\u00e9 foi a deputada peronista mais jovem da Hist\u00f3ria do pa\u00eds e, durante a ditadura militar, militou na Juventude Peronista (JP). A ex-ministra desembarcou no Minist\u00e9rio da Defesa em 2005 e demorou alguns anos para conseguir o respaldo e a decis\u00e3o pol\u00edtica necess\u00e1rios para avan\u00e7ar numa mudan\u00e7a in\u00e9dita e impens\u00e1vel em outros pa\u00edses da regi\u00e3o, como o Chile, onde o poder civil n\u00e3o chegou t\u00e3o longe no controle da estrutura militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A reforma come\u00e7ou a ser pensada alguns anos atr\u00e1s e finalmente foi aprovada no ano passado, j\u00e1 pelo novo ministro Arturo Puricelli, de perfil bastante mais conservador, mas sem o apoio pol\u00edtico necess\u00e1rio para desandar o que j\u00e1 fora feito por sua antecessora. A equipe encarregada de discutir e elaborar o conte\u00fado da reforma foi liderada pela antrop\u00f3loga Sabina Frederic, da Universidade de Quilmes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Um de nossos principais objetivos \u00e9 formar militares com mentalidade democr\u00e1tica e pensamento cr\u00edtico &#8211; disse a antrop\u00f3loga ao GLOBO.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os militares, assegurou Sabina, devem abandonar o pensamento bin\u00e1rio \u201ce entrar em contato com outros pensamentos, que lhes permitam raciocinar sobre realidades complexas\u201d. Todo conte\u00fado que apresentava uma vis\u00e3o favor\u00e1vel ao terrorismo de Estado dos anos 70 e, tamb\u00e9m, a pol\u00edticas neoliberais, foi eliminado. Para Sabina, essa \u00e9 \u201cuma reforma integral que inclui mat\u00e9rias te\u00f3ricas, exerc\u00edcios de treinamento em campo e regras internas (os alunos passaram a ter mais tempo para ler, entre outras novidades)\u201d, que buscou \u201cfortalecer a forma\u00e7\u00e3o profissional dos oficiais\u201d, seguindo exemplos de pa\u00edses como Alemanha, Fran\u00e7a, Espanha e Estados Unidos. Na vis\u00e3o de Sabina e sua equipe, \u201ca pobreza intelectual dos militares no passado impediu qualquer tipo de reflex\u00e3o cr\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2018Institui\u00e7\u00e3o deve refletir sociedade\u2019<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Era necess\u00e1rio democratizar o conhecimento e aproximar os militares do conhecimento que se ensina nas universidades p\u00fablicas &#8211; assegurou a antrop\u00f3loga.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sua vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 compartilhada por alguns professores do col\u00e9gio militar, como Daniel Romano, que defende \u201ca preserva\u00e7\u00e3o do perfil militar da carreira\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o podemos ser a Universidade Nacional de Buenos Aires. Muitos dos autores desta reforma acreditam que todo militar \u00e9 antidemocr\u00e1tico, e isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Tamb\u00e9m existe autoritarismo nas universidades p\u00fablicas &#8211; enfatizou Romano, que participou dos debates sobre a reforma, mas defendeu uma posi\u00e7\u00e3o que terminou sendo minorit\u00e1ria, diante da ala que contava com o aval de Nilda Garr\u00e9.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De fato, como promovia a equipe de Sabina, foram incorporados textos de autores que h\u00e1 muitos anos s\u00e3o estudados por alunos de universidades p\u00fablicas de todo o pa\u00eds, como Beatriz Sarlo e Guillermo O\u2019Donnell.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A antrop\u00f3loga destacou, ainda, a import\u00e2ncia de \u201cpromover o respeito pelos direitos humanos, a necessidade de proteg\u00ea-los e de tolerar pensamentos diferentes\u201d. Em outras palavras, a gest\u00e3o Kirchner interferiu como nenhum outro governo civil o fez no \u00e2mbito das For\u00e7as Armadas, para abrir a cabe\u00e7a dos novos militares e aproxim\u00e1-los da vida real. Eles passar\u00e3o a ler obras de cientistas pol\u00edticos como Pilar Calveiro, uma ex-montonera que esteve sequestrada por um ano e foi torturada na sinistra Escola de Mec\u00e2nica da Marinha (Esma, na sigla em espanhol), hoje transformada em museu dedicado \u00e0 mem\u00f3ria dos desaparecidos. \u201cDe onde provinha a pretens\u00e3o dos torturadores de serem deuses? Sem d\u00favida, da convic\u00e7\u00e3o de serem amos da vida e da morte; de fato, eles tinham a capacidade de decidir a morte de muitas pessoas, quase de qualquer pessoa, no marco de uma sociedade na qual todos os direitos foram suprimidos\u201d, diz Pilar, em um de seus trabalhos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; At\u00e9 pouco tempo, os militares estudavam a mesma vers\u00e3o da Hist\u00f3ria que defendem ex-ditadores como Videla. A reforma era necess\u00e1ria &#8211; comentou Jorge Battaglino, professor da Universidade Di Tella e ex-diretor do mestrado de Defesa Nacional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para ele, \u201ca ideia \u00e9 que a institui\u00e7\u00e3o militar seja um reflexo da sociedade civil\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Hoje tamb\u00e9m temos mais judeus na carreira por que n\u00e3o existe mais um perfil antissemita, mais mulheres (13% do total) e at\u00e9 mesmo a homossexualidade deixou de ser proibida &#8211; enfatizou Battaglino.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De fato, dois militares gays, um tenente-coronel e um capit\u00e3o, cujas identidades n\u00e3o foram reveladas, casaram-se recentemente num cart\u00f3rio portenho, ap\u00f3s obterem autoriza\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nos chamados liceus militares, as escolas que funcionam no \u00e2mbito das For\u00e7as Armadas, o ensino de religi\u00e3o sumiu do mapa. Segundo Battaglino, a reforma foi bem recebida pela maioria dos militares, com exce\u00e7\u00e3o de setores pouco significativos, que n\u00e3o se conformam com a subordina\u00e7\u00e3o ao governo Kirchner e acompanham com ang\u00fastia e preocupa\u00e7\u00e3o o avan\u00e7o dos julgamentos a ex-colegas acusados de terem violado os direitos humanos durante a ditadura. Para muitos, comentou uma fonte que conhece o clima nos quart\u00e9is argentinos, \u201co julgamento dos militares n\u00e3o terminar\u00e1 nunca, e essa situa\u00e7\u00e3o mancha a imagem de todos, quando a maioria dos que est\u00e3o na ativa nada teve a ver com as atrocidades cometidas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na semana passada, Cristina anunciou um aumento de 21% dos sal\u00e1rios dos militares, num jantar anual com a c\u00fapula das For\u00e7as Armadas, um dos poucos eventos em que a presidente se encontra com os oficiais argentinos. Atualmente, a Casa Rosada destina apenas 0,8% de seu or\u00e7amento \u00e0 Defesa, contra 6% injetados em Educa\u00e7\u00e3o. Para Romano, \u201ca reforma \u00e9 importante, mas ainda falta na Argentina uma decis\u00e3o pol\u00edtica de recuperar nossas For\u00e7as Armadas\u201d.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-presos e ex-membros de guerrilhas passar\u00e3o a ser lidos pelos futuros militares<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1699"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1699\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}