{"id":1732,"date":"2012-07-25T18:23:24","date_gmt":"2012-07-25T18:23:24","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/25\/companheira-de-cela-e-tortura-de-dilma-rousseff-sorri-qremocei-por-causa-da-comissao-da-verdadeq-2\/"},"modified":"2012-07-25T18:23:24","modified_gmt":"2012-07-25T18:23:24","slug":"companheira-de-cela-e-tortura-de-dilma-rousseff-sorri-qremocei-por-causa-da-comissao-da-verdadeq-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/25\/companheira-de-cela-e-tortura-de-dilma-rousseff-sorri-qremocei-por-causa-da-comissao-da-verdadeq-2\/","title":{"rendered":"Companheira de cela e tortura de Dilma Rousseff, sorri: &#8220;remocei por causa da Comiss\u00e3o da Verdade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rose Nogueira, 66 anos, dividiu cela com a presidenta Dilma Rousseff e foi torturada na ditadura militar. Hoje, comemora a instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistatpm.uol.com.br\/_lib\/common\/imgCrop.php?params=tpm122-vermelhas007.jpg_._400_._600\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 vendo como eu remocei?\u201d A \u201cmo\u00e7a\u201d em quest\u00e3o \u00e9 a jornalista e militante dos direitos humanos Rose Nogueira, 66 anos, que recebe a reportagem da Tpm em sua casa no Sumar\u00e9, zona oeste de S\u00e3o Paulo, feliz da vida. \u201cRemocei por causa da Comiss\u00e3o da Verdade [que vai apurar as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos ocorridas no Brasil entre 1946 e 1988, per\u00edodo que inclui a ditadura militar]. Estou esperando isso h\u00e1 40 anos.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A empolga\u00e7\u00e3o tem justificativa. Rose foi presa e torturada em 1969. Na \u00e9poca, era rep\u00f3rter da Folha da Tarde (Grupo Folha), casada com o colega Luiz Roberto Clauset e fazia parte do grupo de apoio da ALN (Alian\u00e7a de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional), de resist\u00eancia \u00e0 ditadura. \u201cNunca fui guerrilheira, dava apoio log\u00edstico. Hosped\u00e1vamos as pessoas em casa, faz\u00edamos reuni\u00f5es.\u201d Entre os abrigados estava Carlos Marighella, comandante da ALN e o homem mais procurado do Brasil na \u00e9poca. \u201cEle era um amor. Dizia que a gente tinha que fazer revolu\u00e7\u00e3o com poesia.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Quando foi presa, seu filho, Cac\u00e1, Carlos Guilherme Clauset, hoje com 42 anos, mal tinha completado 1 m\u00eas de vida. \u201cMe deram uma inje\u00e7\u00e3o para que o leite secasse e falavam: \u2018Est\u00e1 ouvindo choro de crian\u00e7a? \u00c9 do seu filho\u2019\u201d, lembra. Essa parte da tortura, por\u00e9m, era psicol\u00f3gica. Cac\u00e1 n\u00e3o corria perigo, j\u00e1 que Rose conseguiu que a crian\u00e7a ficasse sob os cuidados da sogra. Nos nove meses que passou encarcerada no pres\u00eddio Tiradentes, em S\u00e3o Paulo, chegou a dividir a cela com mais 50 mulheres, entre elas a hoje presidenta Dilma Rousseff \u2013 eram conhecidas como \u201cas donzelas da torre\u201d. Seus olhos se enchem de l\u00e1grimas ao falar do dia em que a companheira tomou posse como a primeira presidenta do pa\u00eds. \u201cVer a Dilma passando em revista das For\u00e7as Armadas foi das coisas mais emocionantes da minha vida.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mulher na TV<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 s\u00f3 uma parte das experi\u00eancias que acumulou ao longo da vida. H\u00e1 12 anos, Rose \u00e9 militante do grupo Tortura Nunca Mais e, de 2006 a 2009, presidiu o Condepe-SP (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), tendo publicado em 2007 o livro Crimes de maio, que mapeia os assassinatos ocorridos durante as a\u00e7\u00f5es do PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2006. Segundo os militantes, na \u00e9poca 493 jovens foram mortos pela pol\u00edcia militar, no estado de S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m pelo \u00f3rg\u00e3o, cuidou de casos como a exist\u00eancia de bolivianos escravizados no Brasil. \u201cSou militante dos direitos humanos. Onde existir uma causa relacionada a isso, estarei l\u00e1.\u201d Rose n\u00e3o para. Al\u00e9m de se ocupar da Comiss\u00e3o da Verdade como representante do Tortura Nunca Mais, faz um document\u00e1rio independente sobre o tema.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Mesmo tendo sido, entre outras coisas, editora do Jornal Nacional e uma das criadoras do TV mulher, programa da Globo exibido na d\u00e9cada de 80 que lan\u00e7ou Mar\u00edlia Gabriela e Marta Suplicy, nunca abandonou a milit\u00e2ncia. \u201cFaltei ao coquetel de lan\u00e7amento do TV mulher porque achei mais importante ir \u00e0 vala de Perus [implantada ilegalmente no cemit\u00e9rio Dom Bosco, em S\u00e3o Paulo] procurar meus companheiros desaparecidos.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A vida atuante, por\u00e9m, nunca ofuscou a vaidade de Rose. Com as unhas vermelhas, conta que sempre gostou de moda e se orgulha de seus dotes de costureira. \u201cFazia minhas roupas e a Gabi chegou a usar no ar um blazer que fiz\u201d, lembra. \u201cNunca sofri patrulha, os companheiros bem que gostavam\u201d, ri.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Durante a entrevista, que durou sete horas, Rose cozinhou para a rep\u00f3rter, atendeu in\u00fameros telefonemas e se emocionou algumas vezes \u2013 uma delas ao lembrar da morte do jornalista Vladimir Herzog, seu ex-chefe e amigo. Hoje, se empolga n\u00e3o s\u00f3 com a Comiss\u00e3o da Verdade, mas tamb\u00e9m ao ver jovens fazendo os \u201cesculachos\u201d, movimentos em que pessoas se unem e \u201cdenunciam\u201d as casas onde vivem torturadores. \u201cTem muita coisa maravilhosa acontecendo\u201d, comemora.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistatpm.uol.com.br\/_lib\/common\/imgCrop.php?params=tpm122-vermelhas002.jpg_._217_._300\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"217\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\n<address>Rose aos 3 anos<\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">Tpm. Voc\u00ea disse que esperou 40 anos pela Comiss\u00e3o da Verdade. Como est\u00e1 vivendo este momento?<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Rose Nogueira. Esperei por isso 40 anos. Ent\u00e3o, quero que seja bem-feita, n\u00e3o \u00e9? Vou sugerir tr\u00eas subcomiss\u00f5es, uma ligada aos \u00edndios, uma aos camponeses e uma sobre censura. A lei fala que censura \u00e9 viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. O Caetano e o Gil eram de alguma organiza\u00e7\u00e3o? N\u00e3o, eram artistas. O que mais incomodava a ditadura era o pensamento, era voc\u00ea ser uma pessoa que pensava.<\/p>\n<p class=\"p1\">O que espera que aconte\u00e7a? A comiss\u00e3o tem que ser precisa. E \u00e9 necess\u00e1rio fazer grupos de trabalhos tem\u00e1ticos. No caso dos \u00edndios, imagina o que a Transamaz\u00f4nica n\u00e3o fez com aqueles caras? E os movimentos dos campos, onde foram parar aquelas pessoas? Quantos desaparecidos devem ter sobre os quais n\u00e3o sabemos? E temos que pensar em rela\u00e7\u00f5es exteriores. Porque cada embaixada tinha um adido militar. Sabemos de brasileiros que sumiram na Argentina, de gente que foi procurada fora do Brasil. E muitos exilados contam que foram perseguidos por policiais na Europa. Temos que pesquisar isso. S\u00e3o poucas pessoas cuidando da comiss\u00e3o. Os grupos da sociedade civil t\u00eam que ajudar.<\/p>\n<p class=\"p1\">Como aconteceu seu envolvimento com a luta pol\u00edtica? Quando tinha 18 anos, frequentava reuni\u00f5es do Partid\u00e3o [como \u00e9 conhecido o Partido Comunista Brasileiro, o PCB] mesmo n\u00e3o sendo militante. Eu namorava o [jornalista] Paulo Vieira, que era o homem mais bonito da editora Abril [risos]. O irm\u00e3o dele era meu amigo e estava sendo procurado. E a minha alma era de esquerda, queria ficar perto dessas pessoas. Eu era uma jovem interessada em pessoas cultas.<\/p>\n<p class=\"p1\">O que fazia na \u00e9poca? Trabalhava na revista Intervalo, que era de programa\u00e7\u00e3o de TV, mas comecei a fazer pequenas mat\u00e9rias porque gostava de escrever. Sa\u00ed da Abril e fui trabalhar no Shopping News, um jornal importante na \u00e9poca. Foi quando tive meu registro de rep\u00f3rter. Foi l\u00e1 que aprendi jornalismo, com um cara chamado Herm\u00ednio Sachetta, que me ensinou tudo. Fui para a Folha recomendada por ele, e meu chefe era o Frei Betto, um excelente jornalista e uma pessoa muito especial. Um pouco depois, ele come\u00e7ou a ser procurado. Na Folha foi onde tamb\u00e9m conheci meu primeiro marido, o [Luiz Roberto] Clauset. Quando nos casamos, ele j\u00e1 estava na clandestinidade.<\/p>\n<p class=\"p1\">Voc\u00ea chegou a viver na clandestinidade? N\u00e3o, minha vida era totalmente na legalidade. Trabalhava, estava gr\u00e1vida. Mas havia reuni\u00f5es l\u00e1 em casa. De vez em quando, aparecia o [Carlos] Marighella [comandante da ALN, assassinado pelos militares]. Ele dormia em casa, era procurado, n\u00e3o podia sair \u00e0 noite. Ele era um homem muito alto, uma figura impressionante. A energia e a do\u00e7ura dele eram realmente impressionantes! Em um dos dias que foi em casa, me trouxe o livro Parto sem dor. Imagina, ele era o homem mais procurado do Brasil e me trouxe esse livro. E, enquanto esperava o pessoal para a reuni\u00e3o, ficava comigo fazendo os exerc\u00edcios do livro, como respira\u00e7\u00e3o de cachorrinho [risos]. Ele gostava muito da comida que eu fazia. Quando sabia que ele vinha, sa\u00eda para comprar laranja, fazia arroz, feij\u00e3o e banana crua, que era o que mais gostava.<\/p>\n<p class=\"p1\">Esperava ser presa? De jeito nenhum. O AI-5 foi em dezembro de 1968. Me casei no in\u00edcio de 69, quando come\u00e7ou a grande repress\u00e3o. A ALN come\u00e7ou a cair e fomos presos em 4 de novembro, no mesmo dia que mataram o Marighella. Prenderam muita gente naquele dia.<\/p>\n<p class=\"p1\">Como acha que chegaram at\u00e9 voc\u00ea? No meu processo estava que eu abrigava terroristas. Fui processada em tr\u00eas artigos da Lei de Seguran\u00e7a Nacional. O Clauset ficou preso um ano e nove meses. Fomos presos porque ca\u00edmos, porque aconteceu. Jamais vou julgar algu\u00e9m que tenha falado alguma coisa sob tortura. A tortura \u00e9 qualquer coisa de absurda. Eu n\u00e3o consigo explicar. Est\u00e1 fora do que a mente humana pode explicar. \u00c9 a pervers\u00e3o m\u00e1xima. E n\u00e3o se pode falar nada de algu\u00e9m que falou alguma coisa sob tortura [levanta a voz] porque voc\u00ea fica absolutamente fora de si.<\/p>\n<p class=\"p1\">E voc\u00ea tinha um filho de 1 m\u00eas&#8230; Fui presa pelo [delegado] S\u00e9rgio Fleury, que queria levar meu filho para o juizado de menores. Fiz uma coisa que voc\u00ea s\u00f3 faz quando est\u00e1 com sua cria. Falei: \u201cEu n\u00e3o vou. S\u00f3 vou se ele ficar com a minha fam\u00edlia\u201d. Ele disse: \u201cVoc\u00ea sabe que posso usar de viol\u00eancia?\u201d. Respondi: \u201cSei, mas eu n\u00e3o vou\u201d. Acho que n\u00e3o tem nada mais forte do que a maternidade. Lembro de mim ali, falando para ele: \u201cN\u00e3o vou\u201d. Ele deixou dois tiras na minha casa. Dois loucos que derrubaram tudo, pareciam uns ratos. Pegavam uma nota de supermercado e falavam: \u201cO que \u00e9 isso?\u201d. Tudo aos berros. Me amarraram no sof\u00e1 da sala e n\u00e3o me deixaram ficar no mesmo quarto que meu filho. S\u00f3 me deixavam ir atr\u00e1s do Cac\u00e1 para dar de mamar quando ele chorava. Tudo isso foi de madrugada. No dia seguinte, vieram me pegar e o Cac\u00e1 ficou na casa da minha sogra. Acontece que aquele era o dia da desgra\u00e7a. Ela n\u00e3o estava, s\u00f3 a diarista. Deixei ele naquele bercinho de carregar nen\u00ea chamado mois\u00e9s, deixei v\u00e1rias mamadeiras porque ele j\u00e1 tomava um complemento. Deixei tudo arrumado. E um dos tiras falou assim, sempre com a m\u00e3o no rev\u00f3lver: \u201cEscreve a\u00ed, \u2018estou no hospital com uma amiga que operou a garganta\u2019\u201d. Como iam acreditar nisso? E n\u00e3o tinha sido um parto f\u00e1cil, tive um parto com f\u00f3rceps. Sofri um rompimento na bexiga na hora do parto e fiquei 20 dias no hospital.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ent\u00e3o voc\u00ea ainda estava convalescente. Estava totalmente convalescente. E, por isso, eles me acharam esquisit\u00edssima. Minha sogra diz que soube da nossa pris\u00e3o porque tinha um jogo de decis\u00e3o na TV aquele dia. Interromperam o jogo para dizer que o Marighella tinha sido morto e que tinham sido presos tamb\u00e9m os terroristas tal e tal, e falaram nossos nomes. Fomos presos pelo Dops [Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social]. No meu processo h\u00e1 o nome de todos os torturadores.<\/p>\n<p class=\"p1\">Como foi ficar presa com um filho de 1 m\u00eas do lado de fora? Foi terr\u00edvel. Meu filho ficou com a minha sogra pelos nove meses e meu padrasto morreu quando eu estava l\u00e1. Teve um enfarte. E, para me ocupar, com medo da minha rea\u00e7\u00e3o, ficavam me dando ordens: \u201cFaz isso, Rose, lava\u201d. A gente tinha que ficar raspando o ch\u00e3o com umas faquinhas porque tinha uma crosta de sujeira na cela. <span class=\"s1\"><br \/> <\/span>A gente raspava, limpava, pintava, arrumava tudo. Fiquei sabendo da not\u00edcia por uma carcereira, mas n\u00e3o quis ir ao enterro. Teria que ir e voltar escoltada. Imagina, ir algemada com escolta ao enterro do meu padrasto! Eu s\u00f3 iria piorar tudo. Ia disputar com a dor da perda? E o que aquela pol\u00edcia ia fazer? Amea\u00e7ar a minha fam\u00edlia? J\u00e1 tinham amea\u00e7ado uma vez.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\">\u201cMe deram uma inje\u00e7\u00e3o para cortar o leite. Tinha um torturador que falava que n\u00e3o gostava de ver o leite escorrendo\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">A sua sogra levava seu filho para visitar voc\u00ea? Ele ia de vez em quando, mas depois preferi que n\u00e3o fosse mais. Era sempre uma despedida e a dor era enorme. Teve um dia que ele estava l\u00e1 com a minha sogra e um policial falou: \u201cSabia que eles queimam beb\u00ea?\u201d. Me deram uma inje\u00e7\u00e3o para cortar o leite. Para ser torturada, eu ficava nua, e tinha um torturador tarado, um filho da puta, que falava que n\u00e3o gostava de ver o leite escorrendo do meu peito. Sa\u00ed nove meses depois, com meu filho j\u00e1 quase andando.<\/p>\n<p class=\"p1\">Voc\u00ea ficou presa na chamada Torre das Donzelas, junto com a hoje presidenta Dilma Rousseff. A Dilma agora \u00e9 presidenta do Brasil, ent\u00e3o, n\u00e3o gosto de falar muito dela. N\u00e3o fomos \u00edntimas, n\u00e3o quero parecer que estou querendo alguma coisa \u00e0s custas dela. Ficamos tr\u00eas meses na mesma cela. O que posso dizer \u00e9: ela estudava pra caramba. Era Copa do Mundo e mesmo assim ela estudava. E o nosso problema era o seguinte: o Brasil n\u00e3o podia ganhar porque, se ganhasse, os caras iam deitar e rolar, iam sair prendendo e torturando gente. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o consegu\u00edamos torcer contra, era mais forte. <span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Fic\u00e1vamos numa batalha interna [risos]. Foi a primeira vez que a gente teve uma televis\u00e3o na cadeia. Lembro da Dilma como uma das intelectuais do grupo. E doce. Ficou com essa fama de brava, mas n\u00e3o era. Ela \u00e9 a primeira presidenta do Brasil, tinha que se impor. Mas ela \u00e9 muito bem-humorada. \u00c9 da piada r\u00e1pida. Dava apelido para as pessoas. Tinha uma menina chamada O\u00e9sia e ela dizia: \u201cVou te chamar de consoante, porque j\u00e1 tem muita vogal nesse nome\u201d [risos].<\/p>\n<p class=\"p1\">Havia uni\u00e3o entre as mulheres na cadeia? Entre as mulheres tinha muita uni\u00e3o. Muita mesmo. Conheci l\u00e1 as pessoas mais extraordin\u00e1rias da minha vida. E nossa uni\u00e3o prevalece at\u00e9 hoje. J\u00e1 faz 42 anos, acho que tem poucos sentimentos de afeto t\u00e3o profundos como o que sinto por aquelas pessoas. Que gostosura que \u00e9 encontrar as meninas. N\u00e3o conheci pessoas melhores. Cada uma com seu jeito, sua personalidade, mas todas maravilhosas. Lembro que fiz anivers\u00e1rio l\u00e1 no Tiradentes. Alguma delas tinha um bolinho Pullman, porque as fam\u00edlias levavam comida. Cantaram parab\u00e9ns para mim com aquele bolinho.<\/p>\n<p class=\"p1\">Voc\u00ea chegou a ser julgada? Sim. Meu julgamento durou dois dias, era um julgamento importante. Fui absolvida. Mas j\u00e1 tinham desgra\u00e7ado e acabado com as nossas vidas, n\u00e3o \u00e9? Quem devolve o primeiro ano do seu filho? At\u00e9 o casamento, tentamos. Mas voc\u00ea tem tanta preocupa\u00e7\u00e3o, tanta coisa para ver junto, \u00e9 t\u00e3o amea\u00e7ado que vira uma amizade fraternal. Isso aconteceu com muita gente.<\/p>\n<p class=\"p1\">E, no fim, voc\u00ea foi absolvida. Quando sa\u00ed, foi em liberdade vigiada. Toda semana tinha que ir assinar um livro na auditoria militar. Fiquei dois anos fazendo isso. N\u00e3o podia chegar depois das dez [da noite] em casa e n\u00e3o podia sair da cidade. E, principalmente, n\u00e3o podia trabalhar. Como ia ajudar a minha fam\u00edlia, criar o meu filho? Era a \u00e9poca do \u201cBrasil: ame-o ou deixe-o\u201d. A gente tinha sa\u00eddo do pres\u00eddio e n\u00e3o podia fazer nada. Fui trabalhar, podendo ou n\u00e3o, em uma revista no Bom Retiro, chamada Constru\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Toda sexta-feira sa\u00eda, tomava um t\u00e1xi correndo e ia l\u00e1 assinar o papel. Eles n\u00e3o sabiam que eu era presa pol\u00edtica, claro. Eles adoravam os militares!<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea pensou em sair do Brasil, se exilar? N\u00e3o. N\u00e3o pensei. Quando me separei, todos queriam que eu fosse. Mas tinha pavor do ex\u00edlio. Um pavor de ir para outro pa\u00eds com o meu filho, em uma situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. N\u00e3o conseguiria. Aqui, tinha uma fam\u00edlia enorme, que sempre foi muito afetuosa comigo, com meu filho. E minha <span class=\"s1\"><br \/> <\/span>fam\u00edlia n\u00e3o era rica, n\u00e3o ia poder me ajudar. <span class=\"s1\"><br \/> <\/span>O que seria do meu filho? Eu ainda ajudava muita gente a sair do Brasil depois que sa\u00ed da pris\u00e3o, mas pensava: \u201cAh, se vierem em cima de mim, que venham de novo. J\u00e1 sei como funciona a ditadura\u201d.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistatpm.uol.com.br\/_lib\/common\/imgCrop.php?params=tpm122-vermelhas003.jpg_._432_._300\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"432\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<address>Rose aos 18 anos<\/address>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">E depois voc\u00ea foi trabalhar com direitos humanos, pegando casos ligados \u00e0 maternidade. Ah, sim. Sempre que tem a ver com m\u00e3e o neg\u00f3cio \u00e9 comigo. Quando estava no Condepe-SP [Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, que ela dirigiu por tr\u00eas anos] conheci as M\u00e3es de Maio [grupo de m\u00e3es cujos filhos morreram nos chamados crimes de maio, em 2006] e virei uma esp\u00e9cie de madrinha. Casos de ado\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vinham parar na minha m\u00e3o. E, mesmo agora, que n\u00e3o estou mais no Condepe-SP, casos escabrosos aparecem aqui. Sou uma militante dos direitos humanos. Onde houver um caso que precise de mim, estarei l\u00e1. E nunca recebi dinheiro por isso.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea conseguiu, depois da pris\u00e3o, retomar sua vida profissional e ter uma carreira de sucesso? Voc\u00ea vai levando. Voltei a trabalhar na editora Abril e me casei de novo, com aquela belezura do [jornalista] Celso Nucci. Em certo momento, meu ex trabalhava junto comigo e com meu marido, na Abril. Todos se davam bem. Mas achei a situa\u00e7\u00e3o estranha e decidi sair. Fui para a TV Cultura. Entrei como rep\u00f3rter, achava estranho fazer mat\u00e9ria para TV, mas me apaixonei. E tive como professor o Vlado [Vladimir Herzog]. Uma aula de cinema dada por ele era uma coisa maravilhosa! Ele era um professor de cinema e de televis\u00e3o para todos n\u00f3s. Ficou muito meu amigo, muito mesmo. A gente ia para a moviola e via os filmes do Vietn\u00e3. Ele me ensinava como cortar aquilo \u2013 e eu sempre fui estudiosa \u2013, ent\u00e3o, sabia tudo sobre o Vietn\u00e3.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">E como voc\u00ea lidou com a morte de mais um amigo querido? Depois que o Vlado morreu [em 1975], fui morar em Campinas. Meu ex-marido, o Celso, era de l\u00e1. Realmente n\u00e3o dava para ficar aqui. Eu n\u00e3o conseguia nem entrar na TV Cultura, sabia que era alvo. Imagina, eles diziam que o Vlado se matou, a gente sabendo que ele tinha sido assassinado, como n\u00e3o ia sobrar para mim, que era ex-presa pol\u00edtica e amiga dele? E, fora isso, ele era muito meu amigo. Foi como se come\u00e7asse todo o pesadelo de novo. Perdi o ch\u00e3o. Meu marido tinha uma loja de arte popular l\u00e1. Mas a vida \u00e9 dura, n\u00e9? Uma hora ficou dif\u00edcil at\u00e9 comprar o lanche da escola para o meu filho. A\u00ed peguei um \u00f4nibus e bati na porta da TV Globo, onde falei com um amigo. E foi assim que virei editora do Jornal Nacional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAjudava muita gente a sair do Brasil. Pensava: \u2018Se vierem em cima de mim, j\u00e1 sei como funciona a ditadura\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">E como voc\u00ea foi parar no TV mulher? Fui convidada pelo diretor Nilton Travesso, que \u00e9 um g\u00eanio. Entrei no in\u00edcio do programa. Eu escrevia todos os roteiros. E a Gabi [Mar\u00edlia Gabriela, uma das apresentadoras] nunca mudou uma v\u00edrgula. Posso ganhar qualquer concurso de datilografia. O programa se fazia praticamente sozinho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 hoje o TV mulher \u00e9 tido como um programa moderno, n\u00e3o? Sim, o programa era inovador. Foi a primeira vez que se falou de muitas coisas na TV. Estava chegando a abertura [pol\u00edtica] e a Globo queria limpar a barra dela. Tinha tido a anistia, eles queriam se distanciar dos quepes. Ent\u00e3o, a emissora nos deu muito espa\u00e7o. Falava: \u201cPode meter o pau\u201d. E muita coisa aconteceu por acaso. Por exemplo, a Marta [Suplicy] n\u00e3o era para ser do programa, mas sim a prima do Eduardo [Suplicy], a Heleninha Matarazzo, que escreve sobre amor. Mas ela ficava muito t\u00edmida em frente \u00e0 TV. Quando a luz acendia, ela come\u00e7ava a chorar. N\u00e3o conseguia. <span class=\"s1\"><br \/> <\/span>E um dia disse: \u201cTem a namorada do Eduardo, a Marta, que \u00e9 sex\u00f3loga\u201d. E a gente: \u201cSexologia, o que \u00e9 isso?\u201d. E o engra\u00e7ado \u00e9 que a Marta era t\u00edmida. Ela falava com aquele jeitinho dela, com muita do\u00e7ura, sobre a import\u00e2ncia do orgasmo. \u201cAh, se voc\u00ea n\u00e3o souber, voc\u00ea pode pensar em se masturbar [risos].\u201d A censura vinha, n\u00e9? E as Senhoras de Santana [grupo cat\u00f3lico formado na d\u00e9cada de 80 que protestava contra a sexualidade e defendia a censura] iam fazer movimento contra a Marta na porta da Globo. E a Gabi, nossa, ela \u00e9 do cacete. N\u00e3o existe outra igual. Ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o boa entrevistadora como ela. At\u00e9 hoje. E ela n\u00e3o \u00e9 mais importante que o entrevistado, uma coisa que a gente v\u00ea muito por a\u00ed. A gente fazia bem, com muita simplicidade. E eu continuava l\u00e1, com a minha milit\u00e2ncia contra a ditadura. Era um bom trabalho, mas n\u00e3o era uma milit\u00e2ncia. Eu separo muito bem as duas coisas. E nessa \u00e9poca eu estava fundando o PT [Partido dos Trabalhadores].<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFaltei ao lan\u00e7amento do TV Mulher porque achei mais importante ir \u00e0 vala de Perus procurar meus companheiros\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como dava conta das duas coisas? Perdendo algumas. No dia do lan\u00e7amento do TV Mulher, faltei ao coquetel porque achei mais importante ir \u00e0 vala de Perus procurar meus companheiros desaparecidos. Inventei qualquer desculpa na Globo, mas achei que fazer isso era mais importante.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quando voc\u00ea come\u00e7ou a se interessar por pol\u00edtica e direitos humanos? N\u00e3o sei ao certo. Eu era leitora do \u00daltima Hora [na \u00e9poca, um jornal de esquerda, fundado por Samuel Wainer] e virei jornalista porque queria ser rep\u00f3rter de pol\u00edtica de l\u00e1. E uma das coisas que lembro bem do passado \u00e9 da minha av\u00f3, oper\u00e1ria t\u00eaxtil, contando como era o trabalho dela. Ela ficava 14 horas em p\u00e9, em volta de uma m\u00e1quina de tear. Era italiana, ajudou a me criar e foi muito importante na minha vida. Meu pai morreu em um acidente de carro quando eu tinha 4 anos. Na \u00e9poca, minha m\u00e3e tinha 21 anos e estava gr\u00e1vida do meu irm\u00e3o. Ela se casou de novo, com o meu padrasto, que era vi\u00favo e 30 anos mais velho. Ele j\u00e1 tinha quatro filhos e ela teve mais duas filhas com ele. Viemos morar em S\u00e3o Paulo [Rose nasceu e foi criada em Jacare\u00ed, interior do estado]. <span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Meu padrasto era uma pessoa extraordin\u00e1ria. Mas minha vida mudou radicalmente, fui para um col\u00e9gio de freiras junto com as minhas irm\u00e3s.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea \u00e9 muito ligada ao seu filho e \u00e0 sua neta. \u00c9 uma av\u00f3 convencional? Sou m\u00e3ezona e av\u00f3 completamente apaixonada pela Manoela, que tem 2 anos e meio. Formamos uma fam\u00edlia expandida. Sou muito amiga do meu ex-marido, e a atual dele foi presa comigo. Passamos todo Natal juntos. Adoro o filho dela do primeiro casamento. E tamb\u00e9m os filhos que ela teve com o Clauset, que s\u00e3o irm\u00e3os do meu filho. Se \u00e9 anivers\u00e1rio da minha neta, vamos todos juntos. \u00c9 normal irmos para Campinas no carro do meu ex-marido, junto com a mulher dele, que \u00e9 minha amiga.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como consegue dar conta disso tudo, milit\u00e2ncia, fam\u00edlia, trabalho? A minha m\u00e3e falava que eu era boba alegre, igual ao meu pai. A parte da fam\u00edlia do meu pai \u00e9 assim mesmo. Eu dou risada. Se eu tiver alguma qualidade, \u00e9 esta: sou bem-humorada. Para mim n\u00e3o existe n\u00e3o dar certo. Por exemplo, vou na padaria e est\u00e1 fechada. A\u00ed, sei l\u00e1, vou at\u00e9 a esquina e dou uma volta. Acho que sempre tem um jeito. Sempre lidei com ter que fazer alguma coisa assim, com bom humor.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas voc\u00ea convive, na sua luta como militante, com coisas tristes. Como consegue dormir depois? \u00c0s vezes n\u00e3o durmo. Quando voc\u00ea come\u00e7a a se envolver, cada hora surge uma coisa e voc\u00ea n\u00e3o para mais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea lan\u00e7ou pelo Condepe-SP o livro Crimes de maio. Voc\u00ea se envolveu muito nesse caso? Em 2006, come\u00e7ou aquela loucura! Voc\u00ea lia not\u00edcias sobre mortos, toque de recolher. Tinha alguma coisa muito estranha acontecendo e marquei uma reuni\u00e3o de urg\u00eancia no Condepe-SP. Criamos uma comiss\u00e3o independente de investiga\u00e7\u00e3o. Chamamos o Conselho Regional de Medicina, a OAB, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Defensoria P\u00fablica e come\u00e7amos a trabalhar. O n\u00famero de mortes come\u00e7ou a subir. A\u00ed o presidente do Conselho Regional de Medicina conseguiu contratar legistas independentes para ficarem 24 horas no IML [Instituto M\u00e9dico Legal]. Conclu\u00edram que todos foram assassinados \u00e0 bala e come\u00e7aram a fazer aut\u00f3psia. Como jornalista, sabe o que mais me do\u00eda? Ver os jornalistas aceitarem aquilo com naturalidade. Saiu uma manchete de jornal que era: \u201cPol\u00edcia mata mais 70 suspeitos\u201d, como se fosse \u201cPaulistano bebe muito caf\u00e9\u201d. Gente, s\u00e3o seres humanos, voc\u00ea n\u00e3o pode banalizar a vida de um ser humano! A pol\u00edcia matou 117 pessoas em um dia, imagina. Teve uma coisa louqu\u00edssima que fiquei sabendo: dez entregadores de pizza morreram naquela noite. Olha isso, a classe m\u00e9dia ficou em casa, pediu pizza, mataram o cara. Lan\u00e7amos o livro Crimes de maio como trabalho da comiss\u00e3o. Mas, um dia, vou ter que escrever essa hist\u00f3ria, os detalhes todos dela&#8230;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea lida com o envelhecimento? Tenho 66 anos, mas n\u00e3o parece. N\u00e3o fiz pl\u00e1stica e tenho essa idade contra a minha vontade [risos]. N\u00e3o gosto de envelhecer porque poderia fazer muito mais coisa, n\u00e9? Queria ajudar mais as pessoas, meu trabalho com direitos humanos \u00e9 o dia inteiro. E n\u00e3o posso mais fazer certas coisas porque fico cansada. Sou uma sobrevivente. Sa\u00ed da cadeia aos 25 anos sabendo disto: o que tivesse de tempo, seria para ajudar os outros.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Revista TPM<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rose Nogueira, 66 anos, dividiu cela com a presidenta Dilma Rousseff e foi torturada na ditadura militar. 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