{"id":1749,"date":"2012-07-29T13:32:43","date_gmt":"2012-07-29T13:32:43","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/29\/as-quatro-mortes-da-estudante-paulista-que-virou-guerrilheira-2\/"},"modified":"2012-07-29T13:32:43","modified_gmt":"2012-07-29T13:32:43","slug":"as-quatro-mortes-da-estudante-paulista-que-virou-guerrilheira-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/07\/29\/as-quatro-mortes-da-estudante-paulista-que-virou-guerrilheira-2\/","title":{"rendered":"As quatro mortes da estudante paulista que virou guerrilheira"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cNa cabine, o comandante sente o cano do rev\u00f3lver em sua nuca, e ouve a ordem: Vamos para Cuba. Mas, antes, pare em Santiago e carregue o avi\u00e3o com a maior quantidade poss\u00edvel de combust\u00edvel.\u201d O trecho narra o sequestro de um avi\u00e3o em Buenos Aires, feito pela A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), liderada por Carlos Marighella. A bordo, com uma bomba no colo, Maria Augusta Thomaz, a estudante que se engajou na luta armada contra a ditadura civil-militar no pa\u00eds.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1729\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/maria_augusta_thomaz_red30016.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"467\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Usando codinomes como Renata, Sofia e Marcia, Maria Augusta Thomaz abandonou a carreira de fil\u00f3sofa e uma vida inteira para ingressar em um grupo de guerrilheiros que partiram para a ilha de Fidel para passar por um treinamento militar, juntamente com camaradas que dispensam apresenta\u00e7\u00f5es como Franklin Martins e Jos\u00e9 Dirceu, que assina o pref\u00e1cio da obra \u201cLuta Armada\/ALN-Molipo, As Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz\u201d, do jornalista e soci\u00f3logo Renato Dias, que tem uma forte liga\u00e7\u00e3o com a biografada.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O \u201cthriller pol\u00edtico\u201d, como define o autor, ser\u00e1 lan\u00e7ado no s\u00e1bado (28), no Memorial da Resist\u00eancia, em S\u00e3o Paulo, a partir das 10h. Mas, come\u00e7ou a ser pensando muito antes, h\u00e1 32 anos, quando Renato leu uma not\u00edcia no jornal sobre uma bela jovem, morena, de olhos verdes, cabelos longos, magra, que depois de ter participado de a\u00e7\u00f5es contra a ditadura desde 1968, foi assassinada aos 25 anos, e suas ossadas, enterradas secretamente numa fazenda em Goi\u00e1s, tinham sido roubadas, juntamente com os restos mortais de Marcio Beck Machado, seu companheiro e tamb\u00e9m integrante da ALN.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Antes da sess\u00e3o de aut\u00f3grafos, durante o lan\u00e7amento, est\u00e1 previsto um debate sobre Molipo &#038; ditadura civil e militar (1964-1985) com o economista Pedro Rocha Filho e Jos\u00e9 Dirceu.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Vermelho, Renato revela o momento exato que despertou para a hist\u00f3ria de Maria Augusta e toda sua busca pela verdade por traz dos relatos colhidos ao longo dos anos, como se quisesse desvendar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e de sua fam\u00edlia, que tamb\u00e9m vive o drama de ter perdido algu\u00e9m t\u00e3o querido e seu corpo jamais ter sido encontrado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Renato \u00e9 irm\u00e3o de Marcos Ant\u00f4nio Dias Baptista, aluno do Col\u00e9gio Lyceu de Goi\u00e2nia, membro da Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria Palmares (Var-Palmares), mesma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar da presidenta Dilma Rousseff, e que desapareceu em maio de 1970, aos 15 anos, sendo o desaparecido pol\u00edtico mais jovem.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em Cuba, depois do sequestro do avi\u00e3o, em 4 de novembro de 1969, Maria Augusta foi uma das integrantes da dissid\u00eancia da ALN, o Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular (Molipo), retornando clandestinamente para o Brasil. Em 1973, depois de diversas a\u00e7\u00f5es de guerrilha na \u00e1rea urbana, vai para zona rural brasileira, tida como estrat\u00e9gica para a revolu\u00e7\u00e3o pretendida pelo grupo. Em 17 de maio daquele ano, \u00e9 morta. Ap\u00f3s 7 anos, o jornalista Ant\u00f4nio Carlos Fon descobriu o crime e estava prestes a denunci\u00e1-lo publicamente quando as ossadas desapareceram.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1735\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/renato_dias30017.jpg\" border=\"0\" width=\"276\" height=\"380\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O jornalista Renato Dias\/divulga\u00e7\u00e3o<\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar das dificuldades, Fon aponta para um dos suspeitos da morte do casal, Marcus Ant\u00f4nio de Brito Fleury, ent\u00e3o diretor Regional da Pol\u00edcia Federal, naquele estado. Meses antes (1980), o mesmo Marcus Ant\u00f4nio de Brito Fleury j\u00e1 tinha sido apontado pela assistente social Maria de Campos Baptista como respons\u00e1vel pela pris\u00e3o ilegal, tortura, morte e desaparecimento do corpo de seu filho e irm\u00e3o de Renato.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e de Marcos Ant\u00f4nio morreu em 15 de fevereiro de 2006 lutando pelo esclarecimento de sua morte. Agora, Renato Dias tem esperan\u00e7a de que todas essas perdas sejam apuradas na Comiss\u00e3o da Verdade. Acompanhe a \u00edntegra da entrevista:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Vermelho: Quando e como foi que voc\u00ea teve a ideia de fazer um livro sobre a Maria Augusta Thomaz?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Renato Dias:<\/strong> Ela nasceu na cidade de Leme, regi\u00e3o de Campinas, no interior paulista. Quando era estudante mudou-se para a capital, onde acabou tendo contato com a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e cultural da \u00e9poca, participando da luta pol\u00edtica em 1968, quando ingressou na ALN, adotou estrat\u00e9gia de luta armada contra a ditadura civil e militar, participou do sequestro do avi\u00e3o da Varig, em Buenos Aires, que a levou para Cuba, onde participou de um treinamento civil-militar, juntamente com outros como Jos\u00e9 Dirceu e Franklin Martins. Ajudou a fundar a Molipo, dissid\u00eancia da ALN. Voltou clandestinamente para o pa\u00eds, onde realizou a\u00e7\u00f5es armadas. Em 1973, mudou-se para Goi\u00e1s, porque o projeto original da ALN e do Molipo era deflagrar a guerrilha rural, quando foi assassinada na fazenda Rio Doce, em Rio Verde, Goi\u00e1s. Suas ossadas e as de seu companheiro, Marcio Beck Machado, foram sequestradas, em 1980. E essa not\u00edcia foi publicada no jornal Di\u00e1rio da Manh\u00e3, quando eu tinha 12 anos. Gostava de ler o caderno de esportes, mas fiquei impactado com a not\u00edcia e com sua foto, que \u00e9 a foto da capa do livro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Vermelho: Que \u00e9 linda, n\u00e9?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD:<\/strong> Uma mulher linda, morta aos 25 anos de idade. E eu tenho um irm\u00e3o que \u00e9 desaparecido pol\u00edtico, o mais jovem desaparecido pol\u00edtico do pa\u00eds. Aos 15 anos, Marcos Ant\u00f4nio Dias Baptista, que era da VAR-Palmares, mesma organiza\u00e7\u00e3o que participou a nossa presidenta Dilma Rousseff. Ent\u00e3o, essa \u00e9 uma hist\u00f3ria que marcou minha fam\u00edlia. Naquela \u00e9poca j\u00e1 faziam 10 anos que ele havia desaparecido, em maio de 1970. Nunca entregaram os restos mortais dele. Ai fiquei com aquela imagem na minha cabe\u00e7a, da Maria Augusta. Mais tarde, fui fazer jornalismo e retornei ao tema nas minhas produ\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas. Em 1993, tive acesso a um documento reservado do Ex\u00e9rcito que confirmava oficialmente a morte da Maria Augusta Thomaz e do Marcio Beck, e, em 1995, eu pensei: preciso escrever a hist\u00f3ria dessa mulher.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Vasculhei uns arquivos do Dops [Delegacia de Ordem Pol\u00edtica e Social] em S\u00e3o Paulo, ai fui l\u00e1, fui ao arquivo da Unicamp. Fui em Rio Verde, onde foi aberto inqu\u00e9rito para apurar a morte dela e o sumi\u00e7o das ossadas. O advogado que representava a sua fam\u00edlia era o Luiz Eduardo Greenhalgh, que faz o posf\u00e1cio do livro, inclusive. O pref\u00e1cio \u00e9 de Jos\u00e9 Dirceu, porque ele fez treinamento com ela de guerrilha em cuba. Levantei uma documenta\u00e7\u00e3o extensa. Mas, em 1996, minha irm\u00e3 foi fazer uma limpeza na casa e n\u00e3o sabia o que era e acabou jogando fora toda a papelada que juntei. Acabei paralisando o projeto, que s\u00f3 foi retomado em 2005. Voltei ao arquivo do Dops de S\u00e3o Paulo, no arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, onde est\u00e1 guardado o acervo do projeto Brasil Nunca Mais, onde est\u00e3o os processos da Maria Augusta do Marcio Beck. No total, s\u00e3o mais de um milh\u00e3o de p\u00e1gina, todos os processos da justi\u00e7a militar contra ativistas pol\u00edticos na \u00e9poca da ditadura civil-militar, organizado pelo Dom Paulo Evaristo Arns, reverendo Jaime Wright e por advogados como Sigmariga Seixas e Luiz Eduardo Greenhalgh, com reda\u00e7\u00e3o do Paulo Vanucchi e Ricardo Kotscho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed comecei a fazer uma s\u00e9rie de entrevistas de pessoas que conviveram com ela, com membros da ALN e do Molipo, chegando a falar com 170 pessoas. Agora, em 2012, 32 anos depois do primeiro contato com a hist\u00f3ria, o livro fica pronto. Foi em agosto de 1980 que saiu essa reportagem.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Vermelho: E voc\u00ea contou com apoio de algu\u00e9m? E como foi recebida a ideia de fazer o livro pelos entrevistados?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD: <\/strong>N\u00e3o tive apoio, fiz tudo sozinho. E todos receberam a ideia muito bem, me abasteceram de informa\u00e7\u00f5es, documentos exclusivos, porque a hist\u00f3ria do Molipo \u00e9 uma hist\u00f3rica tr\u00e1gica e nunca foi contada como merece. Dos 28 integrantes quase todos foram assassinados pela ditadura militar. Um dos poucos sobreviventes \u00e9 o Jos\u00e9 Dirceu. \u00c9 uma hist\u00f3ria tr\u00e1gica da esquerda brasileira. Formou-se originalmente em Cuba, veio para o Brasil, incorporou mais alguns militantes aqui, mas do grupo original quase todos foram assassinados. \u00c9 um fato que ainda precisa ser passado a limpo, ainda mais agora em tempos de Comiss\u00e3o da Verdade.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Vermelho: Voc\u00ea acha que a hist\u00f3ria de Maria Augusta tem chance de ser levada para a Comiss\u00e3o da Verdade?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD: <\/strong>J\u00e1 conversei com um membro da comiss\u00e3o, o Paulo Fonteles, falei com o vice-presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Anistia, Edmar Oliveira, do PCdoB, e a expectativa \u00e9 que esse caso seja reaberto, que as circunst\u00e2ncias sejam esclarecidas, que os respons\u00e1veis sejam apontados.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Vermelho: J\u00e1 fez algum pedido oficial a Comiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD:<\/strong> Ainda n\u00e3o, mas vou mandar. E tem um detalhe que \u00e9 importante. Um dos principais suspeitos de ter participado da morte da Maria Augusta Thomaz e do Marcio Beck foi o ent\u00e3o diretor regional da Pol\u00edcia Federal de Goi\u00e1s, Marcus Ant\u00f4nio de Brito Fleury. Ele teria perdido uma carteira de identidade na opera\u00e7\u00e3o que resultou na morte dos dois. Isso consta em um depoimento no inqu\u00e9rito que foi aberto em 1980 com o sequestro das ossadas. E Esse Marco Ant\u00f4nio de Brito Fleury \u00e9 o principal suspeito de ter participado da pris\u00e3o ilegal, tortura, morte e desaparecimento do corpo do meu irm\u00e3o, Marcos Ant\u00f4nio Dias Batista. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o elo que existe entre essas duas hist\u00f3rias.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Vermelho: E o que foi feito desse sujeito?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD:<\/strong> Esse cara morreu no dia 3 de mar\u00e7o deste ano, acho que com um problema do cora\u00e7\u00e3o. E o primeiro jornal que deu isso, o \u00fanico que denunciou naquela \u00e9poca, foi o Tribuna Oper\u00e1ria, que era do PCdoB. O jornalista Francisco Messias entrevistou minha m\u00e3e, em 1980, que contou a hist\u00f3ria do envolvimento do Marcus Fleury [na morte do irm\u00e3o], porque ele era o todo poderoso da ditadura em Goi\u00e1s, de 1964 a 1985, participando de cargos de express\u00e3o como secret\u00e1rio de governo, diretor regional da policia federal, superintendente regional do Dops. Mas, ele n\u00e3o era parente do Sergio Paranhos Fleury n\u00e3o. A semelhan\u00e7a n\u00e3o passa do sobrenome e, claro, do of\u00edcio.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Vermelho: Quais recursos de pesquisa voc\u00ea utilizou para o livro? A nova Lei de Acesso chegou a ajudar na busca pelos documentos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD: <\/strong>N\u00e3o. Eu j\u00e1 tinha feito quase toda a pesquisa quando passou a vigorar a nova lei. Mas busquei muita informa\u00e7\u00e3o nos arquivos de jornais, como o sequestro do avi\u00e3o, que ela participou com uma bomba no colo e, desta opera\u00e7\u00e3o, tem um sobrevivente que mora em S\u00e3o Paulo, o Lu\u00eds de Ara\u00fajo, com que falei tamb\u00e9m. Ent\u00e3o foi a partir desses recortes, desses documentos. Uma coisa puxava a outra, conversava com um que dizia que fulano t\u00e1 vivo, e ai eu ia atr\u00e1s. Por isso que levou um tempo para montar o quebra-cabe\u00e7a.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Vermelho: E voc\u00ea encontrou pessoas envolvidas que comp\u00f5em at\u00e9 hoje uma opini\u00e3o p\u00fablica importante, como Franklin Martins e Frei Betto?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD:<\/strong> Sim, eles participaram dessa hist\u00f3ria. O Frei Betto, por exemplo, estava no Sul do Brasil, deu guarida para o Joaquim C\u00e2mara Ferreira, que planejava e participaria da opera\u00e7\u00e3o do sequestro do avi\u00e3o da Varig. Poucos dias depois, ele foi preso e ficou anos na pris\u00e3o. E tamb\u00e9m deu guarida para o Marcio Beck Machado. Eles precisavam fugir do Brasil, onde naquela ocasi\u00e3o havia acontecido o sequestro do embaixador americano[Charles Burke Elbrick], quando se desencadeou uma repress\u00e3o violenta, mataram o Mariguella, ai boa parte precisou sair do Brasil. E muitos usaram a ponte que o Frei Betto tinha com os dominicanos para fugir pelo Sul, como o Marcio Beck. A Maria Augusta oi por outro caminho, mas acabou chegando l\u00e1 em Buenos Aires.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Vermelho: O que foi mais dif\u00edcil?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD: <\/strong>A princ\u00edpio foi encontrar as pessoas e obter algumas colabora\u00e7\u00f5es. E tamb\u00e9m houve dificuldades financeiras para publicar o livro, que s\u00f3 saiu por conta da Lei de Incentivo de Goi\u00e2nia. Tentei publicar por uma editora nacional, mas n\u00e3o encontrei nenhuma que se interessou, n\u00e3o sei se por achar que esse \u00e9 um tema superado. Mas, de fato, \u00e9 dif\u00edcil encontrar uma editora que esteja disposta a apostar em um projeto com esse perfil. Ent\u00e3o s\u00f3 foi poss\u00edvel contar essa hist\u00f3ria no formato de livro a partir de lei de incentivo.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Vermelho: Voc\u00ea compara a trajet\u00f3ria de Maria Augusta com a de Olga Ben\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD:<\/strong> Sim. S\u00e3o duas hist\u00f3rias espetaculares e tr\u00e1gicas. Ambas trocaram de identidade, assumiram a luta contra a ditadura, participaram da luta armada contra o regime militar, foram assassinada de maneira cruel. [Olga Ben\u00e1rio era militante comunista alem\u00e3 e foi morta em 23 de abril de 1942, ap\u00f3s ser deportada do Brasil, no governo Vargas, para um campo de exterm\u00ednio, por ter origem judaica.]<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Vermelho: E porque esse t\u00edtulo, as Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RD: <\/strong>Considero que houve quatro mortes da personagem. A primeira quando ela decide entrar para a luta armada e deixa de ser Maria Augusta Thomaz e assume codinomes, ora Renata, ora Sofia, ora M\u00e1rcia. A segunda morte, que \u00e9 seu assassinato em 17 de maio de 1973, na fazenda Rio Doce, em Rio Verde, estado de Goi\u00e1s. A terceira foi em 31 de julho de 1980, quando as ossadas dela s\u00e3o sequestradas numa verdadeira opera\u00e7\u00e3o limpeza para apagar os vest\u00edgios do crime que estava prestes a ser denunciado pela imprensa. E a quarta morte, foi quando as fam\u00edlias dos desaparecidos pol\u00edticos tiveram o direito de receber uma certid\u00e3o de \u00f3bito, expedidas pela Uni\u00e3o, com a Lei 9.140.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Livro: Luta Armada\/ALN \u2013Molipo As Quatro Mortes de Maria Augusa Thomaz<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Autor: Renato Dias<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Design: Carlos Sena<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00famero de p\u00e1ginas: 240<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pre\u00e7o sugerido: R$ 50,00<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Contato do autor: renatodias67@gmail.com<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u201cNa cabine, o comandante sente o cano do rev\u00f3lver em sua nuca, e ouve a ordem: Vamos para Cuba. Mas, antes, pare em Santiago e carregue o avi\u00e3o com a maior quantidade poss\u00edvel de combust\u00edvel.\u201d O trecho narra o sequestro de um avi\u00e3o em Buenos Aires, feito pela A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), liderada por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1729,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1749"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1749"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1749\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1729"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}