{"id":1860,"date":"2012-08-06T14:35:56","date_gmt":"2012-08-06T14:35:56","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/06\/mt-pode-ter-82-nomes-na-lista-de-assassinados\/"},"modified":"2012-08-06T14:35:56","modified_gmt":"2012-08-06T14:35:56","slug":"mt-pode-ter-82-nomes-na-lista-de-assassinados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/06\/mt-pode-ter-82-nomes-na-lista-de-assassinados\/","title":{"rendered":"MT pode ter 82 nomes na lista de assassinados"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O per\u00edodo da ditadura passou, mas, para algumas fam\u00edlias que tiveram entes mortos por militares, as marcas permanecem de forma mais latente.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1859\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/415254.jpg\" border=\"0\" width=\"243\" height=\"218\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Ex-deputado \u00e9 hoje membro da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com a lista oficial do governo brasileiro, 357 pessoas foram assassinadas devido a persegui\u00e7\u00f5es sofridas por parte militares na \u00e9poca dos anos de chumbo. Os n\u00fameros, no entanto, nunca foram consenso, principalmente entre pesquisadores e historiadores, al\u00e9m de centenas de fam\u00edlias de poss\u00edveis v\u00edtimas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pretendendo jogar luz \u00e0 penumbra que envolve o per\u00edodo, ajudar as fam\u00edlias das v\u00edtimas a buscar os seus direitos e fazer o governo reconhecer erros do passado, um estudo in\u00e9dito realizado pelo ex-deputado federal de Mato Grosso e atual coordenador do projeto \u201cDireito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade\u201d, da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia, Gilney Viana, discute a possibilidade de ampliar a lista de mortos e desaparecidos pol\u00edticos na \u00e9poca compreendida pelo regime militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O estudo identifica mais de 600 v\u00edtimas, sendo 82 de Mato Grosso. A inclus\u00e3o dos nomes ser\u00e1 avaliada na Comiss\u00e3o Nacional da Verdade e na Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Encontra-se entre os casos relacionados a Mato Grosso o assassinato do padre jesu\u00edta Jo\u00e3o Bosco Penido Burnier.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ele foi morto por um militar em 12 de outubro de 1976, no munic\u00edpio de Ribeir\u00e3o Cascalheira. Na ocasi\u00e3o, Burnier, juntamente do bispo Pedro Casald\u00e1liga, foi \u00e0 delegacia da cidade interceder por duas mulheres que eram torturadas pelos militares para revelar o paradeiro de um suspeito de ter matado um soldado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na discuss\u00e3o, Burnier acabou baleado por um soldado. \u201cEst\u00e1vamos desarmados e n\u00e3o oferec\u00edamos perigo, ped\u00edamos apenas que parassem com a sess\u00e3o de tortura\u201d, afirmou Casald\u00e1liga, hoje bispo em\u00e9rito do munic\u00edpio de S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Aos 84 anos, Pedro afirmou que \u00e9 \u201cnecess\u00e1rio recuperar a mem\u00f3ria de Burnier\u201d, pois o amigo desempenhou um importante trabalho no Estado, sobretudo com os ind\u00edgenas, e foi morto de forma covarde por representantes da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Burnier foi um dos coordenadores do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio em Mato Grosso.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outra v\u00edtima do Estado que pode ter o nome inclu\u00eddo na lista de mortos e desaparecidos pol\u00edticos no per\u00edodo da ditadura \u00e9 Henrique Jos\u00e9 Trindade, agricultor assassinado por militares em 4 de setembro de 1982, por disputas de terras em Alto Paraguai.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ele foi baleado e teve um dos olhos arrancados. Seu corpo foi encontrado embaixo de uma \u00e1rvore no s\u00edtio vizinho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A esposa de Henrique estava gr\u00e1vida de oito meses na ocasi\u00e3o e um filho de 15 anos do casal levou um tiro na m\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na avalia\u00e7\u00e3o do pastor Teobaldo Witter, um dos coordenadores do Centro de Direitos Humanos que leva o nome de Henrique, a inclus\u00e3o do nome do agricultor na lista \u00e9 o m\u00ednimo que o governo pode fazer frente ao dano causado \u00e0 fam\u00edlia da v\u00edtima.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFicar\u00e1 registrado na hist\u00f3ria. A Justi\u00e7a deve ser feita para que fatos como esses jamais sejam repetidos\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Gilney Viana explicou que a sua pesquisa foi focada na vida dos camponeses &#8211; onde foram identificados l\u00edderes rurais e religiosos, padres, advogados e ambientalistas -, entre os anos de 1961 a 1988. Para subsidiar sua pesquisa, contou com informa\u00e7\u00f5es do livro \u201cRetrato da Repress\u00e3o Pol\u00edtica no Campo &#8211; Brasil 1962-1985: Camponeses Torturados, Mortos e Desaparecidos\u201d, al\u00e9m de entidades como o Movimento dos Sem-Terra e Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), dentre outras.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA inten\u00e7\u00e3o \u00e9 contribuir com a verdadeira hist\u00f3ria pela qual o pa\u00eds atravessou. Fatos lament\u00e1veis como esses n\u00e3o podem ser esquecidos. Essas pessoas merecem e devem ser lembradas\u201d, pontuou Gilney.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O estudo ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a lei que cria a Comiss\u00e3o da Verdade ter sido sancionada pela presidente Dilma Rousseff (PT) em novembro do ano passado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o deve examinar e esclarecer as graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos ao longo da ditadura, a fim de efetivar o direito \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 verdade hist\u00f3rica e promover a reconcilia\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O documento ser\u00e1 encaminhado \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade e \u00e0 Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, que ficar\u00e3o respons\u00e1veis pela decis\u00e3o de elevar ou n\u00e3o o n\u00famero de mortos do per\u00edodo.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Di\u00e1rio de Cuiab\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O per\u00edodo da ditadura passou, mas, para algumas fam\u00edlias que tiveram entes mortos por militares, as marcas permanecem de forma mais latente. 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