{"id":1872,"date":"2012-08-07T22:23:05","date_gmt":"2012-08-07T22:23:05","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/07\/video-o-general-frances-que-veio-ensinar-a-torturar-no-brasil\/"},"modified":"2012-08-07T22:23:05","modified_gmt":"2012-08-07T22:23:05","slug":"video-o-general-frances-que-veio-ensinar-a-torturar-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/07\/video-o-general-frances-que-veio-ensinar-a-torturar-no-brasil\/","title":{"rendered":"V\u00eddeo: O general franc\u00eas que veio ensinar a torturar no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-align: justify;\">O general franc\u00eas Paul Aussaresses, promotor do uso da tortura na guerra colonial da Arg\u00e9lia, foi adido militar no Brasil entre 1973-1975 e instrutor no Centro de Instru\u00e7\u00e3o de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, criado por oficiais brasileiros formados na n\u00e3o menos famosa Escola das Am\u00e9ricas. Amigo do ditador Jo\u00e3o Figueiredo e do delegado S\u00e9rgio Fleury, Aussaresses j\u00e1 admitiu em livros e entrevistas a morte de um mulher sob tortura em Manaus, que teria vindo ao Brasil para espionar Figueiredo, e que a ditadura brasileira participou ativamente do golpe contra Allende. O artigo \u00e9 de Eduardo Febbro.  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p> <object width=\"480\" height=\"360\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ZiWa9caAhdw?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"480\" height=\"360\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ZiWa9caAhdw?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object> <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA tortura \u00e9 eficaz, a maioria das pessoas n\u00e3o aguenta e fala. Depois, da maioria dos casos, n\u00f3s os mat\u00e1vamos. Por acaso isso me colocou problemas de consci\u00eancia? N\u00e3o, a verdade \u00e9 que n\u00e3o\u201d. O autor dessa \u201cconfiss\u00e3o\u201d \u00e9 uma pe\u00e7a-chave da estrat\u00e9gia repressiva de pris\u00f5es, torturas e desaparecimentos aplicada no sul da Am\u00e9rica Latina a partir dos anos 70. Trata-se do general franc\u00eas Paul Aussaresses, ex-adido militar franc\u00eas no Brasil (1973-1975), chefe do batalh\u00e3o de paraquedistas, ex-combatente na Indochina, ex-membro da contra espionagem francesa, her\u00f3i da Segunda Guerra Mundial, fundador do bra\u00e7o armado dos servi\u00e7os especiais, promotor do uso da tortura durante a guerra colonial na Arg\u00e9lia e, sobretudo, instrutor das for\u00e7as especiais norte-americanas em Fort Bragg, o famoso centro de treinamento da guerra contra insurgente, e no Centro de Instru\u00e7\u00e3o de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, criado por oficiais brasileiros formados na n\u00e3o menos famosa Escola das Am\u00e9ricas, onde se formaram todos os militares latino-americanos que cobriram de sangue os anos 60, 70 e 80.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Paul Aussaresses \u00e9 uma das espinhas dorsais da exporta\u00e7\u00e3o da tortura e dos desaparecimentos, dois modelos herdados da guerra da Indochina a da Arg\u00e9lia e difundidos depois em todo o continente americano por um compacto grupo de oficiais francesas do qual Aussaresses foi um dos mais ativos representantes. Paul Aussaresses abriu muitos de seus segredos em v\u00e1rias ocasi\u00f5es: em 2000, em uma explosiva entrevista publicada pelo Le Monde, onde reconheceu o uso da tortura; em tr\u00eas livros, \u201cN\u00e3o disse tudo, \u00faltimas revela\u00e7\u00f5es a servi\u00e7o da Fran\u00e7a\u201d (2008), \u201cServi\u00e7os especiais, Arg\u00e9lia 1955-1957, meu testemunho sobre a tortura\u201d (2001), \u201cPor Fran\u00e7a, servi\u00e7os especiais 1942-1954\u201d (2001); e ainda em um document\u00e1rio filmado em 2003 por Marie-Monique Robin, \u201cEsquadr\u00f5es da Morte, a escola francesa\u201d (ver v\u00eddeo acima).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O fio condutor desta internacional da tortura da qual Aussaresses \u00e9 um dos bra\u00e7os come\u00e7a na Indochina, segue na Arg\u00e9lia e termina com o Plano Condor, cuja gesta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de uma longa s\u00e9rie de reuni\u00f5es entre os militares da Am\u00e9rica do Sul e os instrutores franceses, se gestou entre 1960 e 1974. Sua primeira estrutura se chamou Agremil. O general franc\u00eas expandiu pelo mundo os ensinamentos de um dos papas da guerra moderna: o tenente coronel Roger Trinquier, o maior te\u00f3rico da repress\u00e3o em zonas urbanas: torturas, incurs\u00f5es noturnas, desaparecimentos, busca da informa\u00e7\u00e3o por todos os meios, opera\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia, divis\u00e3o das cidades em zonas operacionais.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em seus anos de adido militar no Brasil, Paul Aussaresses foi, segundo suas pr\u00f3prias palavras, um \u201cbom amigo\u201d de Jo\u00e3o Baptista Figueiredo, ex-ditador e ex-chefe dos servi\u00e7os secretos, o SNI, e tamb\u00e9m de S\u00e9rgio Fleury, chefe dos \u201cesquadr\u00f5es da morte\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em seu per\u00edodo como instrutor no CIGS, em Manaus, ensinou aos oficiais brasileiros e latino-americanos que faziam forma\u00e7\u00e3o ali tudo o que havia feito na Arg\u00e9lia. Segundo o general franc\u00eas o embaixador franc\u00eas daquela \u00e9poca, Michel Legendre, estava perfeitamente a par do que ele fazia em Manaus.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo precisou Aussaresses, no CIGS se formaram \u201coficiais brasileiros, chilenos, argentinos e venezuelanos porque era um centro \u00fanico na Am\u00e9rica Latina\u201d. Como prova disso, no document\u00e1rio de Marie-Monique Robin \u201cEsquadr\u00f5es da Morte, a Escola Francesa\u201d, o chileno Manuel Contreras, chefe da DINA, reconheceu ter enviado a cada dois meses contingentes inteiros de agentes da DINA para o centro de treinamento brasileiro em Manaus. Paul Aussaresses tamb\u00e9m trabalhou na Escola de Intelig\u00eancia de Bras\u00edlia, onde formou muitos oficiais.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Entrevistado pela Folha de S\u00e3o Paulo em 2008, o general se mostrou mais loquaz do que quando o juiz franc\u00eas Roger Leloir o interrogou a prop\u00f3sito de seu conhecimento do Plano Condor e das atividades dos conselheiros militares franceses na Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Na entrevista \u00e0 Folha de S\u00e3o Paulo, Aussaresses reconhece que o Brasil participou ativamente do golpe militar contra o presidente chileno Salvador Allende mediante o envio de armas e avi\u00f5es. Tamb\u00e9m evoca o que j\u00e1 havia contado em seu \u00faltimo livro, \u201cN\u00e3o disse tudo, \u00faltimas revela\u00e7\u00f5es ao servi\u00e7o da Fran\u00e7a\u201d, a saber, a morte sob tortura, em Manaus, de uma mulher que, segundo Jo\u00e3o Figueiredo, havia vindo ao Brasil para espion\u00e1-lo. O general franc\u00eas assegura que a morte daquela mulher foi \u201cum ato de defesa\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para Aussaresses, \u201ca tortura se justifica se pode evitar a morte de inocentes\u201d. Aussaresses n\u00e3o foi o \u00fanico militar de alta patente que confessou o recurso sistem\u00e1tico da tortura durante a guerra colonial da Arg\u00e9lia e, particularmente, no que ficou conhecido como \u201cA Batalha de Argel\u201d. Esses epis\u00f3dios de tortura foram amplamente narrados pelo jornalista e pol\u00edtico franco-argelino Henri Alleg em v\u00e1rios livros, entre eles \u201cGuerre d\u2019Alg\u00e9rie: M\u00e9moires parall\u00e8les\u201d. O que Alleg conta ocorreu quando o general Jacques Massu foi enviado para a Arg\u00e9lia e come\u00e7ou a aplicar a estrat\u00e9gia do terror. Massu foi o segundo oficial a confessar o que mais tarde se expandiria pelo sul da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">Fonte &#8211; Carta Maior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O general franc\u00eas Paul Aussaresses, promotor do uso da tortura na guerra colonial da Arg\u00e9lia, foi adido militar no Brasil entre 1973-1975 e instrutor no Centro de Instru\u00e7\u00e3o de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, criado por oficiais brasileiros formados na n\u00e3o menos famosa Escola das Am\u00e9ricas. 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