{"id":1875,"date":"2012-08-07T22:54:44","date_gmt":"2012-08-07T22:54:44","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/07\/servico-secreto-de-fhc-monitorou-militantes-antineoliberalismo\/"},"modified":"2012-08-07T22:54:44","modified_gmt":"2012-08-07T22:54:44","slug":"servico-secreto-de-fhc-monitorou-militantes-antineoliberalismo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/07\/servico-secreto-de-fhc-monitorou-militantes-antineoliberalismo\/","title":{"rendered":"Servi\u00e7o Secreto de FHC monitorou militantes antineoliberalismo"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Documentos sigilosos do governo FHC, j\u00e1 desclassificados, indicam que militantes e pol\u00edticos de esquerda, do Brasil e do exterior, foram monitorados pelo servi\u00e7o secreto quando participavam de atividades antineoliberalismo. \u201cMe assusta saber que um governo tido como democr\u00e1tico tutelou de forma ilegal pessoas que participavam de eventos pac\u00edficos, que n\u00e3o representavam nenhuma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional\u201d, afirmou \u00e0 Carta Maior o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presid\u00eancia, Gilberto Carvalho.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Documentos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso, abertos \u00e0 consulta p\u00fablica no Arquivo Nacional, indicam que militantes e pol\u00edticos de esquerda que participavam de semin\u00e1rios, encontros e f\u00f3runs contra o neoliberalismo foram monitorados pela Subsecretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos (SAE), o \u00f3rg\u00e3o que substituiu o Servi\u00e7o Nacional de Intelig\u00eancia (SNI), em 1990, at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Brasileira de Intelig\u00eancia (Abin), em 1999.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Como a maioria dos documentos desclassificados s\u00e3o os de n\u00edvel reservado e se referem apenas ao per\u00edodo 1995-1999, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel precisar o grau deste monitoramento. Pela nova Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em maio, os documentos reservados s\u00e3o liberados decorridos cinco anos, os secretos, 15 e os ultrassecretos, os mais importantes, somente ap\u00f3s 25 anos. Mas o acervo j\u00e1 dispon\u00edvel deixa clara a linha de atua\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>H\u00e1 registros que fazem refer\u00eancias expl\u00edcitas \u00e0s informa\u00e7\u00f5es colhidas em revistas e jornais, pr\u00e1tica tida como recorrente no servi\u00e7o que perdera status e or\u00e7amento ap\u00f3s o fim da ditadura. Mas outros revelam espionagem direta. O semin\u00e1rio \u201cNeoliberalismo e soberania\u201d, por exemplo, promovido pela Associa\u00e7\u00e3o Cultural Jos\u00e9 Marti, a Casa da Amizade Brasil-Cuba, no Rio de Janeiro, de 5 a 9 de setembro de 1999, foi integralmente gravado em 12 fitas cassetes, entregues ao escrit\u00f3rio central da SAE.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Chiapas<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Em julho de 1996, o servi\u00e7o deu especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o, em Chiapas, no M\u00e9xico, do Encontro Internacional pela Humanidade e contra o Neoliberalismo. \u201cA significativa presen\u00e7a internacional de ativistas de esquerda transforma a regi\u00e3o em novo polo de atra\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria latinoamericana\u201d, dizia o documento produzido pelo escrit\u00f3rio central da SAE. Os relat\u00f3rios tamb\u00e9m cont\u00eam pautas de discuss\u00f5es, an\u00e1lise de conjuntura e listas de participantes brasileiros.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presid\u00eancia, Gilberto Carvalho, figura nesta lista. \u201cMe assusta muito saber que um governo tido como democr\u00e1tico tutelou de forma ilegal pessoas que participavam de eventos absolutamente pac\u00edficos, que n\u00e3o representavam nenhuma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional\u201d, afirmou \u00e0 Carta Maior. Na \u00e9poca secret\u00e1rio nacional de Comunica\u00e7\u00e3o do PT, o ministro disse recordar-se que n\u00e3o divulgara sua participa\u00e7\u00e3o no evento. \u201c\u00c9 poss\u00edvel at\u00e9 que a SAE tenha contado com o apoio de algum servi\u00e7o secreto de outro pa\u00eds\u201d, acrescentou.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Mesmo fazendo a ressalva de que tais procedimentos poderiam n\u00e3o ser de total conhecimento do presidente \u00e0 \u00e9poca e que as informa\u00e7\u00f5es sobre a natureza do trabalho da SAE no per\u00edodo ainda est\u00e3o incompletas, o ministro avalia que a simples men\u00e7\u00e3o do nome de uma pessoa que participou de um evento democr\u00e1tico em documentos oficiais do servi\u00e7o secreto \u00e9 uma pr\u00e1tica conden\u00e1vel. \u201cO que a gente espera do servi\u00e7o secreto de um governo democr\u00e1tico \u00e9 que ele esteja atuando para defender as fronteiras do pa\u00eds, evitar amea\u00e7as externas, e n\u00e3o para monitorar pessoas que estavam lutando pelo aprimoramento da democracia\u201d, acrescentou.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O coordenador do Projeto Mem\u00f3ria e Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia, Gilney Viana, na \u00e9poca deputado federal pelo PT, foi outro fichado por participar do evento em Chiapas. Ex-preso pol\u00edtico da ditadura por dez anos, ele sabia que seus passos foram ostensivamente seguidos pelos agentes secretos at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o do SNI, mas ficou chocado ao saber que continuou a ser alvo durante um governo democr\u00e1tico. \u201cEu at\u00e9 compreenderia que os Estados Unidos estivessem monitorando o evento de Chiapas, mas o servi\u00e7o secreto brasileiro realmente me surpreendeu\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Bel\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O II Encontro pela Humanidade e contra o Neoliberalismo mereceu aten\u00e7\u00e3o redobrada por ter sido realizado em territ\u00f3rio brasileiro. Mesmo as etapas preparat\u00f3rias do evento, que ocorreu em Bel\u00e9m (PA), de 6 a 11 de dezembro de 1999, est\u00e3o registradas na SAE. Um relat\u00f3rio antecipa a mensagem do subcomandante Marcos, do Ex\u00e9cito Zapatista para Liberta\u00e7\u00e3o Nacional do M\u00e9xico, para o evento. H\u00e1 rela\u00e7\u00f5es de participantes e descri\u00e7\u00e3o dos assuntos debatidos nas etapas preparat\u00f3rias de pelo menos Bel\u00e9m, Salvador, Bras\u00edlia e Macap\u00e1. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O lan\u00e7amento do evento, patrocinado pela prefeitura de Bel\u00e9m, tamb\u00e9m foi documentado. No relat\u00f3rio da SAE, h\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o de que os organizadores queriam incrementar a gera\u00e7\u00e3o de recursos por meio da venda de objetos com a logomarca do evento, a realiza\u00e7\u00e3o de shows com artistas locais bem como com as inscri\u00e7\u00f5es. Entre os participantes do II Encontro, est\u00e3o o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, a fil\u00f3sofa Marilena Chau\u00ed, o soci\u00f3logo Chico de Oliveira e o ex-governador do Rio Leonel Brizola, al\u00e9m dos escritores Jos\u00e9 Saramago e Luiz Fernando Ver\u00edssimo.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Foro de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Considerado \u00e0 \u00e9poca o principal organismo aglutinador de partidos e entidades de esquerda do continente, o Foro de S\u00e3o Paulo, criado em 1990 pelo PT com o apoio do ent\u00e3o presidente cubano Fidel Castro, tamb\u00e9m teve suas atividades amplamente monitoradas. A 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, realizada em El Salvador, em julho de 1996, est\u00e1 registrada em relat\u00f3rio sobre as atividades internacionalistas do PT. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o, que aconteceu em Porto Alegre (RS), em 1997, foi ainda mais espionada. O pacote de documentos realtivos ao evento inclui relat\u00f3rios setoriais produzidos pelos grupos de trabalho, lista completa de presen\u00e7as e at\u00e9 fotos dos participantes. S\u00e3o citadas lideran\u00e7as de esquerda, nacionais e internacionais. Entre os brasileiros, o ministro Gilberto de Carvalho, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro e o deputado estadual ga\u00facho, Raul Pont (PT). <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Em relat\u00f3rio espec\u00edfico, a SAE observou que, durante o evento, o ent\u00e3o ex-prefeito da capital ga\u00facha Tarso Genro havia lan\u00e7ado o livro \u201cO or\u00e7amento participativo \u2013 a experi\u00eancia de Porto Alegre\u201d, escrito em parceria com o ent\u00e3o secret\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o do PT, Ubiratan de Souza, classificado como \u201cex-militante da VPR\u201d.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Os relat\u00f3rios relativos \u00e0 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o, que ocorreu no M\u00e9xico, em 1999, registraram as presen\u00e7as de v\u00e1rios brasileiros, como o atual l\u00edder do governo na C\u00e2mara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e do hoje assessor especial da Presid\u00eancia para Assuntos Internacionais, Marco Aur\u00e9lio Garcia.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Grupo do M\u00e9xico<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O 4\u00ba Encontro do Grupo do M\u00e9xico, realizado em Santiago, no Chile, nos dias 10 e 11 de maio de 1997, foi registrado pela SAE em relat\u00f3rio como o \u201cmarco do surgimento de uma pol\u00edtica que transcende a esquerda\u201d. De acordo com o servi\u00e7o secreto brasileiro, \u201co Grupo do M\u00e9xico \u00e9 formado por representantes de partidos de centro-esquerda e teve sua origem a partir do PNUD, com o objetivo de buscar a constru\u00e7\u00e3o de um projeto econ\u00f4mico para a Am\u00e9rica Latina, alternativo aos padr\u00f5es neoliberais\u201d.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Na documenta\u00e7\u00e3o, est\u00e3o descritos os principais pontos de unidade entre os presentes e h\u00e1 uma lista com os nomes dos brasileiros presentes. Entre eles, o ex-presidente Lula, seus ex-ministros petistas Jos\u00e9 Dirceu e Mangabeira Unger, o ex-governador do Rio, Leonel Brizola (PDT), os ex-deputados Vivaldo Barbosa (PDT-RJ) e Zaire Resende (PMDB-MG), al\u00e9m de Marco Aur\u00e9lio Garcia e Tarso Genro, entre outros.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"> <br \/> <\/span><strong>Attac no Brasil<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O diretor-presidente da Carta Maior, Joaquim Palhares, tamb\u00e9m foi citado em documentos da SAE, principalmente por ter sido, em 1996, ao lado do ativista Chico Whitaker, um dos fundadores no Brasil da Associa\u00e7\u00e3o pela Tributa\u00e7\u00e3o das Transa\u00e7\u00f5es Financeiras para ajuda aos Cidad\u00e3os (Attac), criada na Fran\u00e7a, com o objetivo de instituir um imposto sobre transa\u00e7\u00f5es financeiras internacionais. \u201cMuitos militantes de esquerda ainda tinham a impress\u00e3o de estarem sendo monitorados mesmo ap\u00f3s a ditadura. Mesmo assim, a confirma\u00e7\u00e3o desta pr\u00e1tica causa indigna\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Cr\u00edtica contundente da ciranda financeira de capitais vol\u00e1teis alimentada pelo neoliberalismo, a Attac foi preocupa\u00e7\u00e3o constante para a SAE. A visita ao Brasil do presidente internacional a entidade, o ativista franc\u00eas e diretor do jornal Le Monde Diplomatique, Bernardo Cassen, entre 1 a 5 de mar\u00e7o de 1999, foi acompanhada com aten\u00e7\u00e3o. Os relat\u00f3rios do servi\u00e7o informam que Cassen proferiu palestras em cinco capitais brasileiras (Belo Horizonte, Bras\u00edlia, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Porto Alegre), nas quais apresentava os objetivos da organiza\u00e7\u00e3o, tra\u00e7ava o hist\u00f3rico da crise econ\u00f4mica mundial, defendia a ado\u00e7\u00e3o da chamada Taxa Tobin para a taxa\u00e7\u00e3o do capital especulativo internacional e exortava as plateias a lutarem contra o projeto neoliberal. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Nos documentos produzidos, tamb\u00e9m constavam os nomes dos militantes identificados nas plateias de Cassen. Do escrit\u00f3rio da SAE em Belo Horizonte, por exemplo, chegou o informe das participa\u00e7\u00f5es de Lula, ent\u00e3o presidente do PT, do coordenador do MST, Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, do ge\u00f3grafo Milton Santos e do cientista pol\u00edtico Cezar Benjamin, entre outros. Os ex-presidente Lula tinha suas atividades relatadas pela SAE, tanto pela sua milit\u00e2ncia antineoliberalismo como por ser o principal advers\u00e1rio pol\u00edtico de FHC.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span><strong>Viagens a Cuba<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Mesmo com o fim da guerra fria e da ditadura, as viagens de brasileiros a Cuba continuaram a ser alvo de preocupa\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o secreto. Principalmente quando se cruzavam com a luta antineoliberal. De 21 de julho a 21 de agosto de 1996, foi realizado, em Cuba, o curso de forma\u00e7\u00e3o sindical \u201cNeoliberalismo e Globaliza\u00e7\u00e3o da Economia\u201d. Informes registram a participa\u00e7\u00e3o de brasileiros, entre eles os sindicalistas Adriano Torquato, Francisco Nascimento Ara\u00fajo, Jos\u00e9 Nunes Passos e Nonato C\u00e9sar.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>H\u00e1 relat\u00f3rio de alerta para a realiza\u00e7\u00e3o em Cuba, em 1997, do Semin\u00e1rio Internacional sobre o Neoliberalismo, promovido pela Federa\u00e7\u00e3o Mundial da Juventude Democr\u00e1tica, com a presen\u00e7a de militantes do MR8. No relat\u00f3rio p\u00f3s-evento, est\u00e1 relatada a participa\u00e7\u00e3o de 1,2 mil trabalhadores de 453 organiza\u00e7\u00f5es sindicais, pol\u00edticas e acad\u00eamicas de 63 pa\u00edses. Do Brasil, participaram cerca de 300 sindicalistas, incluindo representantes da CUT. H\u00e1 men\u00e7\u00e3o detalhada dos participantes. Um informe exclusivo apontava, por exemplo, o embarque de dois vereadores de Montes Claros (MG): Aldair Fagundes (PT) e Lipa Xavier (PCdoB). <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Outro informe alertava que a edi\u00e7\u00e3o seguinte seria realizada no Brasil, em 1999. O evento, organizado pela CUT, no Rio de Janeiro, de 1 a 3 de setembro de 1999, tamb\u00e9m foi documentado pelo servi\u00e7o, que apresentou os textos integrais da declara\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Sindical Internacional, do discurso do delegado de Cuba, Pedro Ross Leal, do delegado da Fran\u00e7a, Freddy Huck, e a proposta da CUT, entre outros. <span class=\"s1\"><br \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span><strong>Atividades internacionais do MST<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Em 1996, a SAE acompanhou a participa\u00e7\u00e3o integrantes do MST no semin\u00e1rio \u201cCrisis del Neoliberalismo Y Vig\u00eancias de las Utopias em La America Latina\u201d, na Argentina, entre os dias 8 e 13 de outubro. Antes do embarque dos militantes sem-terra, um informe produzido pelo escrit\u00f3rio central j\u00e1 alertava sobre a viagem.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Tamb\u00e9m em 1996, o servi\u00e7o registrou a participa\u00e7\u00e3o do coordenador do MST, Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, no semin\u00e1rio Am\u00e9rica Livre, em Buenos Aires, com Emir Sader e Frei Betto.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Atividades rotineiras<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Sader \u00e9 citado tamb\u00e9m por sua participa\u00e7\u00e3o em eventos comuns, como o lan\u00e7amento do livro \u201cO s\u00e9culo do crime\u201d, dos jornalistas Jos\u00e9 Arbex Junior e Cl\u00e1udio Tognolli, em S\u00e3o Paulo, no dia 7 de agosto de 1996. Conforme o relat\u00f3rio da SAE, os autores \u201cenfatizaram que a prolifera\u00e7\u00e3o e o crescimento das m\u00e1fias foram estimulados pela era neoliberal\u201d.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O mesmo ocorreu com o deputado estadual ga\u00facho Raul Pont (PT), monitorado tanto quando participava de eventos internacionais, como o Foro de S\u00e3o Paulo, quanto em atividades rotineiras. A SAE registrou, por exemplo, que em novembro de 1995, quando era vice-prefeito de Porto Alegre, Pont foi recebido por papeleiros da Associa\u00e7\u00e3o Profetas da Ecologia, na companhia do te\u00f3logo Leonardo Boff. \u201cEu me lembro vagamente que visitei essa cooperativa, que tinha o apoio da prefeitura e realizava um trabalho pioneiro em reciclagem de lixo\u201d, relatou \u00e0 Carta Maior.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>De acordo com o relat\u00f3rio da SAE, o registro do evento se deu porque Boff relacionava os problemas ambientais do planeta \u00e0 ado\u00e7\u00e3o crescente do modelo neoliberal. \u201cEsta foi uma das atividades mais pac\u00edficas de que j\u00e1 participei. N\u00e3o havia nada que indicasse perigo ao governo da \u00e9poca. \u00c9 dif\u00edcil acreditar que esse tipo de coisa ocorria no governo do pr\u00edncipe da sociologia\u201d, disse.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span><strong>Estudos sobre a doutrina<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Um documento produzido em 1997 pelo escrit\u00f3rio central da SAE justifica a import\u00e2ncia dada ao tema neoliberalismo. Conforme a interpreta\u00e7\u00e3o dos arapongas oficiais, o neoliberalismo \u00e9 a teoria econ\u00f4mica criada ap\u00f3s a segunda guerra como anteparo a expans\u00e3o do comunismo no mundo. Teve a Inglaterra e os EUA como seus principais defensores e caracteriza-se, basicamente, pelo livre com\u00e9rcio, austeridade nas contas p\u00fablicas, privatiza\u00e7\u00e3o, crescimento do sistema financeiro e fortalecimento do mercado. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Os agentes da SAE se debru\u00e7avam tamb\u00e9m sobre obras relativas ao tema produzidas por intelectuais de esquerda. O professor da Universidade de Nova York, James Petras, que j\u00e1 tinha suas atividades monitoradas pelo SNI desde a ditadura, recebeu aten\u00e7\u00e3o especial. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O livro \u201cLatin American: The left strikes\u201d, sobre a atua\u00e7\u00e3o das esquerdas latinoamericanas em contraposi\u00e7\u00e3o ao neoliberalismo e \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, liderados pelos Estados Unidos, foi objetivo de relat\u00f3rio espec\u00edfico, principalmente porque destacava que as esquerdas latinoamericanas j\u00e1 haviam encontrado uma nova e eficiente forma de atua\u00e7\u00e3o. Os exemplos citados na obra s\u00e3o o MST, no Brasil, os Zapatistas, no M\u00e9xico, as organiza\u00e7\u00f5es camponesas, no Paraguai, e os plantadores de coca, na Bol\u00edvia e na Col\u00f4mbia. Todos eles movimentos monitorados pelo sistema. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Em 1999, a SAE voltou a dividir com todo o sistema de intelig\u00eancia o conte\u00fado de um outro livro de Petras, o rec\u00e9m lan\u00e7ado \u201cNeoliberalismo, Am\u00e9rica Latina, Estados Unidos e Europa\u201d. Um documento produzido pelo escrit\u00f3rio do Rio de Janeiro resumiu os cap\u00edtulos da obra e ainda relatou atividades correlatas promovidas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Antes disso, o servi\u00e7o secreto registrou a visita de Petras ao Brasil para o lan\u00e7amento da obra, ocorrido em 20 de maio de 1999, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Carta Maior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documentos sigilosos do governo FHC, j\u00e1 desclassificados, indicam que militantes e pol\u00edticos de esquerda, do Brasil e do exterior, foram monitorados pelo servi\u00e7o secreto quando participavam de atividades antineoliberalismo. \u201cMe assusta saber que um governo tido como democr\u00e1tico tutelou de forma ilegal pessoas que participavam de eventos pac\u00edficos, que n\u00e3o representavam nenhuma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1875"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}